O início da temporada 2026 marca um ponto de inflexão na carreira de Carlos Alcaraz. O espanhol começa o ano sem Juan Carlos Ferrero, treinador que esteve ao seu lado desde a ascensão ao topo do ranking mundial e foi peça-chave em seus maiores títulos.
A separação, confirmada no fim de 2025, surpreendeu o circuito pela estabilidade que a parceria sempre demonstrou. Ferrero não era apenas o técnico de Alcaraz, mas também uma referência estratégica e emocional, responsável por moldar o estilo agressivo, a tomada de decisões em quadra e a gestão da pressão nos grandes palcos.
Mudança em momento decisivo da carreira
A decisão ocorre em um momento sensível. Aos 22 anos, Alcaraz já conquistou múltiplos Grand Slams e consolidou seu nome entre os protagonistas da nova geração. Ao mesmo tempo, enfrenta um cenário cada vez mais competitivo, com rivais diretos apresentando evolução técnica e consistência física.
Iniciar uma temporada sem uma figura tão central levanta questionamentos naturais:
como ficará a leitura tática durante partidas longas?
quem assumirá o papel de filtro emocional nos momentos de oscilação?
e, principalmente, se o espanhol conseguirá manter a regularidade que o levou ao topo.
Ajustes técnicos e autonomia maior
Fontes próximas à equipe indicam que Alcaraz busca uma abordagem com mais autonomia em quadra, apostando em ajustes pontuais no saque e na seleção de golpes em momentos decisivos. A ideia seria reduzir variações desnecessárias e ganhar eficiência contra adversários mais sólidos do fundo de quadra.
Essa transição, no entanto, costuma exigir tempo. Mudanças técnicas e de comando raramente produzem impacto imediato, especialmente quando o jogador já opera em nível de excelência.
Australian Open como primeiro grande teste
O primeiro grande termômetro dessa nova fase será o Australian Open. Jogar em Melbourne sempre exigiu preparo físico extremo e clareza tática, dois aspectos diretamente influenciados pela relação entre atleta e comissão técnica.
Mais do que resultados, o torneio deve revelar sinais importantes: linguagem corporal, capacidade de adaptação durante os jogos e a forma como Alcaraz reage sob pressão sem a presença de Ferrero no box.
Olhares atentos do circuito
No vestiário, a movimentação não passou despercebida. Mudanças desse porte em jogadores do topo costumam redefinir dinâmicas do circuito e influenciar rivais diretos. Alguns enxergam risco; outros, uma oportunidade para Alcaraz dar o próximo passo em maturidade competitiva.
O fato é que 2026 começa com uma narrativa diferente para o espanhol — menos previsível, mais desafiadora e acompanhada de perto por torcedores, analistas e adversários.