O diretor-geral da WADA, Olivier Niggli, esclareceu os motivos que levaram Jannik Sinner a receber uma suspensão reduzida de três meses, destacando a responsabilidade do atleta e as circunstâncias atenuantes do caso.
WADA detalha decisão sobre punição de Sinner
Após a polêmica envolvendo a suspensão de Jannik Sinner por três meses, a Agência Mundial Antidoping (WADA)veio a público para esclarecer os fatores que levaram à decisão. O diretor-geral da entidade, Olivier Niggli, explicou que a sanção foi resultado de um acordo judicial, reduzindo a punição inicial que poderia variar de um a dois anos.
Segundo Niggli, a principal diferença entre o caso de Sinner e outros incidentes semelhantes foi o grau de responsabilidade atribuído ao atleta. Ele comparou o episódio do italiano com um caso anterior, no qual 23 nadadores testaram positivo para a substância trimetazidina, mas foram absolvidos, pois a contaminação ocorreu por meio de alimentos consumidos em um restaurante.
No caso de Sinner, a substância proibida detectada foi Clostebol, e, de acordo com as investigações, sua contaminação ocorreu após um tratamento transdérmico realizado por um massagista da equipe, sem o conhecimento do tenista.
Justificativa para a redução da pena
O porta-voz da WADA, James Fitzgerald, reforçou que uma suspensão de 12 meses seria uma punição excessiva, considerando os detalhes da investigação.
“O caso de Sinner não envolveu administração direta da substância por ele ou por sua equipe técnica. Foi um tratamento feito pelo massagista do atleta para um corte no dedo, sem que ele tivesse conhecimento de que o produto continha Clostebol. Cientificamente, esse cenário foi plausível e bem documentado.”
Fitzgerald explicou ainda que a WADA apelou ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) para reafirmar a responsabilidade do atleta sobre sua equipe, mas reconheceu que o caso não se encaixava perfeitamente na estrutura tradicional de sanções antidoping.
“Casos como esse exigem uma avaliação justa e criteriosa, e o artigo 10.8.2 do código antidoping permite que situações únicas sejam julgadas de forma adequada. A decisão foi tomada com base em um consenso entre todas as partes envolvidas.”
Repercussões e questionamentos no circuito
Apesar das justificativas da WADA, a punição reduzida de Sinner gerou controvérsias entre jogadores e especialistas no circuito. O técnico Patrick Mouratoglou e o próprio Novak Djokovic criticaram o tratamento diferenciado dado ao italiano, levantando a suspeita de que a decisão teria sido “ajustada” para permitir que ele continuasse competindo nos principais torneios.
Com a suspensão de apenas três meses, Sinner poderá disputar normalmente o Masters 1000 de Roma e Roland Garros, escapando de uma ausência prolongada no circuito. A questão agora é se a decisão da WADA abrirá um precedente para futuros casos semelhantes e se o sistema antidoping do tênis passará por ajustes para garantir mais transparência e equidade.