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Cenário perfeito para Shapovalov
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 14, 2017 às 10:51 pm

Quem acompanha o blog já conhece um pouco da história de Denis Shapovalov. O canadense já foi assunto após o título juvenil de Wimbledon do ano passado, quando ele já possuía conquistas em nível future e uma semi de challenger na carreira. Em março deste ano, foi destacado seu primeiro título de challenger em Drummondville. Já há duas semanas, quando atingiu o 130º lugar  ao vencer o challenger de Gatineau, sua chegada ao top 100 já parecia iminente, o que se confirmou nesta segunda-feira. Com a incrível semana em Montréal, o canadense deu mais uma mostra de seu enorme potencial e agora encara um cenário perfeito para continuar a evoluir.

Shapovalov possuía apenas três vitórias em nível ATP antes da última semana. A campanha até a semifinal do Master 1000 canadense, com quatro vitórias sobre Rogério Dutra Silva (salvando quatro match points), Juan Martin del Potro, Rafael Nadal e Adrian Mannarino, fez do canhoto de 18 anos o mais jovem semi-finalista de um Masters, desde que a série começou em 1990, além de ser o mais jovem semifinalista do torneio canadense na Era Aberta. O simples fato de ter chegado às oitavas, fase em que superou Rafael Nadal, já o fizera ser o mais jovem naquela fase de um torneio desde porte desde o próprio Nadal no ano de 2004 em Miami.

Depois de saltar incríveis 76 posições no ranking, Shapovalov já aparece no 67º lugar, marca que evidentemente é a melhor de sua carreira. Além disso, o canadense não tem pontos a defender até o final do ano e só tem a somar em pelo menos sete torneios. Isso porque são considerados válidos os dezoito melhores resultados obtidos em 52 semanas e o jovem jogador acumulou 721 pontos em apenas onze competições.

Sem pressão por resultados ou defesa de pontos, o canadense poderá pensar seu calendário com calma e inteligência. Convites para chaves principais torneios do mundo não vão faltar nas próximas semanas e o jogador terá tranquilidade para fazer suas escolhas. Uma atitude interessante foi abrir mão de disputar o challenger de Vancouver que acontece nesta semana. O foco agora é o US Open, Grand Slam para o qual ainda não tem vaga direta. É possível que as expressivas vitórias seduzam os organizadores para um convite. Mas caso isso não aconteça, ele teria que disputar o quali já na semana que vem.

Veja quando caem os pontos de Shapovalov:

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Corrida para Milão

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A grande campanha no Masters 1000 canadense também deixa Shapovalov em situação bastante favorável para se classificar para o Next Gen Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão. O canhoto de 18 anos saltou do 22º para o quarto lugar, ficando atrás apenas do já classificado e seu último algoz Alexander Zverev, além de Karen Khachanov e Borna Coric. Sua diferença para o americano Jared Donaldson, primeiro fora da zona de classificação, é de 146 pontos. Parece pouca coisa, mas é praticamente uma final de ATP.

Zverev ratifica o domínio

Há uma semana, falamos sobre o quanto Alexander Zverev escancara a cada torneio sua superioridade sobre os demais jogadores de mesma faixa etária. São dez vitórias seguidas e dois títulos de peso em Washington e Montréal. A invencibilidade coincide com a chegada do ex-número 1 do mundo Juan Carlos Ferrero à equipe do alemão.

Zverev se mostra um tenista cada vez mais completo, com notória evolução na movimentação em quadra, a consistência defensiva e o jogo de rede. Aos poucos, o jovem alemão vai vencendo seus jogos correndo cada vez menos riscos, como fez na própria semifinal diante do próprio Shapovalov e nas oitavas contra Nick Kyrgios.

Zverev ainda não perdeu desde a chegada de Juan Carlos Ferrero à equipe (Foto: Peter Staples/ATP World Tour)

Zverev ainda não perdeu desde a chegada de Juan Carlos Ferrero à equipe (Foto: Peter Staples/ATP World Tour)

Com o título do Masters 1000 de Montréal, o alemão de apenas 20 anos já se torna o número 7 do ranking. Além disso, ele é apenas o segundo jogador em atividade de fora do Big Four a ter vencido dois Masters na carreira (juntando-se a Jo-Wilfried Tsonga). Zverev tamebém é também o primeiro jogador com menos de 20 anos a conquistar cinco títulos na mesma temporada desde Novak Djokovic em 2007 e o primeiro com quatro ou mais troféus desde Juan Martin del Potro em 2008. Está bem claro que está muitos degraus acima e será um dos grandes.

Chung é top 50

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Uma realidade que parecia iminente há dois anos finalmente se concretizou nesta segunda-feira. Hyeon Chung é top 50. A campanha até as oitavas de final do Masters 1000 de Montréal fez com que o sul-coreano de 21 anos subisse do 56º para o 49º lugar do ranking.

Chung já chegou a ocupar 51ª posição em outubro de 2015. Depois começar bem a temporada passada, chegando às quartas de um ATP pela primeira vez em Houston, o asiático teve uma lesão abdominal e ficou três meses fora, chegando a sair do top 100 e precisou voltar a jogar challengers.

A retomada veio a partir da temporada de saibro deste ano, com semi em Munique quartas em Barcelona. Nem mesmo uma lesão no tornozelo esquerdo, que o tirou de toda a temporada de grama, acabou com ímpeto do sul-coreano, que merecidamente se estabelece entre os 50 melhores do mundo.

 

Alemão de 16 anos fura o quali em Hamburgo
Por Mario Sérgio Cruz
julho 24, 2017 às 10:50 pm

Pela primeira vez, um jogador nascido nos anos 2000 vai disputar uma chave principal de ATP. O responsável pela façanha é o alemão Rudolf Molleker, apenas 923º do ranking, que conseguiu duas vitórias no qualificatório para o ATP 500 de Hamburgo e garatiu vaga no torneio alemão.

Durante o fim de semana, Molleker derrotou o norueguês Casper Ruud, 111º colocado, por 2/6, 6/4 e 6/4 e depois passou pelo argentino Leonardo Mayer, 138º, por 7/6 (7-2), 3/6 e 6/3. Sua estreia na chave principal está marcada para esta terça-feira, por volta das 7h30 (de Brasília) contra o russo de 21 anos Karen Khachanov, 32º do mundo.

Antes das duas incríveis vitórias no quali de Hamburgo, Molleker sequer havia disputado uma chave principal de challenger na carreira e nem mesmo chegou a uma final de future, nível de competição em que venceu apenas onze jogos, sendo apenas cinco este ano.

O alemão Rudolf Molleker venceu seus dois jogos no quali para o ATP 500 de Hamburgo

O alemão Rudolf Molleker venceu seus dois jogos no quali para o ATP 500 de Hamburgo

Shapovalov mais perto do top 100

Pouco mais de um ano depois de ter sido campeão juvenil de Wimbledon e de vencer seu primeiro jogo de ATP, Denis Shapovalov já está muito perto do top 100. O jovem canadense de 18 anos conquistou seu segundo título de challenger no ano na cidade de Gatineau e já aparece com o mlehor ranking da carreira ao ocupar 130º lugar, saltando 31 posições em relação à lista da semana passada.

Antes de conquistar o título em final caseira contra Peter Polansky, Shapovalov passou pelo anfitrião Philip Bester, pelo jovem australiano Max Purcell, além do italiano Thomas Fabbiano e o norte-americano Alexander Sarkissian. A única vitória sobre top 100 na semana aconteceu diante de Fabbiano, então 86º colocado.

Dos 424 pontos que Shapovalov tem no ranking, 328 foram obtidos na atual temporada, o que faz dele o 117º jogador que mais pontuou em 2017. Sua distância para o atual centésimo colocado, o esloveno Blaz Kavcic é de apenas 112 pontos. Já a diferença para o centésimo da temporada é de apenas 41 pontos até o tunisiano Malek Jaziri.

Com apenas 96 pontos a defender até o final do ano, sendo que 45 caem já na próxima segunda-feira, o canadense só tem a somar em pelo menos seis torneios. Isso porque dos dezoito resultados válidos para o ranking, o canadense só está computando os pontos obtidos em doze eventos.

Um ano atrás, Shapovalov aparecia no 370º lugar do ranking e saltou quase oitenta posições graças à vitória sobre Nick Kyrgios no Masters 1000 de Toronto, torneio que disputou como convidado. Mesmo com a diferença de calendário em relação à temporada anterior, ele pode até não sofrer perda de posições, já que disputa o challenger de US$ 100 mil em Granby que dá 90 pontos ao campeão.

 

Shapovalov vence seu primeiro challenger
Por Mario Sérgio Cruz
março 20, 2017 às 6:25 pm
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Denis Shapovalov venceu seu primeiro challenger aos 17 anos em Drummondville e entrou no top 200 do ranking (Foto: Tennis Canada)

O canadense Denis Shapovalov venceu neste fim de semana seu primeiro título profissional de nível challenger. O canhoto de 17 anos comemorou a conquista em seu país, nas quadras duras e cobertas de Drummondville.

Shapovalov venceu na final o belga Ruben Bemelmans por 6/3 e 6/2 e garante um salto no ranking. Os oitenta pontos recebidos pela campanha no torneio de US$ 75 mil fizeram com que o canadense saltasse 59 posições e garantisse a melhor marca da carreira, ao ocupar o 194º lugar.

Ao longo da semana, Shapovalov sequer perdeu sets. Ele marcou 6/4 e 6/3 contra o britânico Edward Corrie, liderava por 4/1 a partida contra o francês Quentin Halys quando o rival abandonou por doença, marcou 7/6 (7-4) e 6/4 diante do esloveno Blaz Rola e na semifinal passou pelo também jovem compatriota Felix Auger-Aliassime por 7/5 e 6/3.

Aliassime, de apenas 16 anos, é mais um jogador a ter o melhor ranking da carreira. Os 29 pontos conquistados por chegar à semifinal do torneio renderam 137 posições ao ex-líder do ranking juvenil que já ocupa a 374ª colocação entre os profissionais.

A ATP disponibilizou os melhores momentos da semifinal entre Shapovalov e Aliassime, partida disputada na tarde do último sábado com bom público no torneio canadense. Também está disponível a íntegra da partida no arquivo que a ATP tem para as partidas de nível challenger.

Vencedor também de quatro torneios de nível future, sendo um deles este ano, Shapovalov vai aos poucos se recuperando da infeliz desclassificação no quinto jogo do confronto contra a Grã Bretanha pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis.

Desde o incidente em que atingiu um árbitro quando tentou jogar uma bola para fora da quadra, o jovem o jogador já havia se colocado à disposição para qualquer esclarecimento e afirmava que aceitaria a punição que lhe fosse imposta. Multado em US$ 7 mil, Shapovalov prometeu que não repetiria a atitude e já começa a colher seu melhor resultado.

Corrida para Milão

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Os quatro primeiros colocados na corrida para o ATP Next Gen Finals, que acontecerá entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão, não mudaram após a disputa do primeiro Masters 1000 da temporada. A lista é liderada pelo alemão Alexander Zverev, que é seguido pelo russo Daniil Medvedev, pelo norueguês Casper Ruud e pelo também russo Andrey Rublev.

Em quinto lugar está o americano Taylor Fritz, que ganhou sete posições nesta corrida após Indian Wwlls, seguido pelo cazaque Alexander Bublik e por mais um americano Noah Rubin. Shapovalov subiu 37 posições com o título do challenger canadense e está em 14º lugar na busca por um lugar em Milão. Confira o ranking completo.

Shapovalov já pensa nos challengers
Por Mario Sérgio Cruz
julho 11, 2016 às 9:05 pm

O título do torneio juvenil em Wimbledon levou o canadense Denis Shapovalov ao segundo lugar no ranking mundial da categoria. Mas o canhoto de 17 anos também pensa no circuito profissional. Vencedor de três futures no ano, Shapovalov também aparece nesta segunda-feira com seu melhor ranking na ATP, ao ocupar o 372º lugar, e já mira os torneios de nível challenger.

Filho de russos, Shapovalov nasceu na cidade Tel Aviv em Israel, mas se mudou para o Canadá com a família antes de seu primeiro aniversário. Ele foi treinado durante a vida toda por sua mãe, Tessa, que agora possui uma academia de tênis em Richmond Hill, no Canadá. Também atua em sua formação o técnico canadense de 38 anos Adriano Fuorivia.

Canadense conseguiu dois títulos e doze vitórias seguidas na grama (Foto: Martin Sidorjak)

Canadense conseguiu dois títulos e doze vitórias seguidas na grama (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Shapovalov tem quatro vitórias e duas derrotas em challengers no ano, com destaque para a semifinal em Drummondville no mês de abril. “Meu primeiro ano está sendo emocionante. Consegui vencer alguns jogadores top e que já disputaram Grand Slam”, disse Shapovalov à ATP. “Drummondville foi o melhor torneio até agora. Foi no meu país, então a atmosfera foi incrível. Parecia que eu estava jogando uma Copa Davis”.

Em Wimbledon, o canadense alcançou sua principal meta na temporada juvenil. “Meu objetivo este ano era ganhar Wimbledon. Estou muito feliz agora. É tudo que eu sempre quis fazer”, disse na entrevista coletiva após a vitória por 4/6, 6/1 e 6/3 sobre o australiano Alex De Minaur no domingo.

Vindo de um título no ITF G1 de Roehampton na semana anterior, Shapovalov teve uma campanha perfeita na grama e quase fez uma dobradinha no Slam britânico ao lado do conterrâneo Felix Auger-Aliassime, mas perdeu a final de duplas para o estoniano Kenneth Raisma e o grego Stefanos Tsitsipas por 4/6, 6/4 e 6/2.

Shapovalov também foi vice de duplas ao lado do compatriota Felix Auger-Aliassime (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Shapovalov também foi vice de duplas ao lado do compatriota Felix Auger-Aliassime (Foto Martin Sidorjak/ITF)

“Consegui fazer 12 a 0 nesta temporada na grama. É inacreditável. Acho que meu jogo se adapta muito”, comentou. “Eu me sinto mal por Felix, por causa da dupla. Acho que eu estraguei tudo. No terceiro set eu estava um pouco cansado”, justificou o canadense que tentava o segundo Grand Slam com o compatriota de 15 anos, já que eles venceram juntos o último US Open.

Shapovalov e Aliassime aparecem no top 5 do ranking juvenil e são membros de uma boa safra do tênis canadense, que ainda formou Benjamin Sigouin. O trio deu ao país o inédito título da Copa Davis Junior no ano passado. “Nós não estamos competindo uns contra os outros, mas juntos como equipe para tentar melhorar um ao outro”.

“Somos todos amigos muito próximos e sempre desejamos o melhor um para o outro. Quando estamos viajando, vamos para os mesmos torneios, e tentamos treinar e passar algum tempo juntos. Eles me ajudam a me tornar um melhor jogador de tênis”.

É inegável também a influência de Milos Raonic, que foi o primeiro jogador do país a disputar uma final masculina de Grand Slam, neste domingo em Wimbledon. Durante a entrevista à ATP, o jovem canadense comentou sobre sua experiência ao lado do número 7 do mundo e o quanto Raonic foi um modelo para sua formação.

“Nós só falamos uma vez quando treinamos juntos no ano passado em Toronto, mas ele definitivamente influenciou a mim e também a muitos outros jogadores canadenses. Os resultados e realizações dele dão esperanças a todos os jovens canadenses e uma razão pela qual eu acho que temos tantos bons jogadores chegando”.

Canadá também tem um finalista no juvenil de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 9, 2016 às 1:04 am

O Canadá não terá apenas Milos Raonic na final de Wimbledon neste final de semana. O país também terá seu representante na decisão da chave juvenil, o canhoto Denis Shapovalov. Ele assegurou lugar na final ao vencer o líder do ranking da categoria, o grego Stefanos Tsitsipas, nesta sexta-feira por 4/6, 7/6 (7-5) e 6/2 em 1h52 de jogo.

“Ele estava jogando muito melhor do que eu”, disse Shapovalov em entrevista à ITF. “Ele estava sacando muito bem, mas eu continuei forte mentalmente e no final ele caiu um pouco. Essa foi a diferença”, avaliou canhoto de 17 anos.

O canhoto Denis Shapovalov faz boa temporada também como profissional (Foto: Susan Mullane/ITF)

O canhoto Denis Shapovalov faz boa temporada também como profissional (Foto: Susan Mullane/ITF)

Shapovalov tenta ser o segundo canadense a vencer um Grand Slam juvenil na chave masculina de simples. O outro caso é recente, com Filip Peliwo que teve uma grande temporada em 2012 com títulos em Wimbledon e US Open na categoria, além dos vice-campeonatos no Australian Open e Roland Garros.

Atual 13º no ranking mundial juvenil, Shapovalov faz uma boa temporada também no circuito profissional. O jogador de 17 anos já venceu três futures nos Estados Unidos em 2016, além de ter sido semifinalista no challenger de Drummondville em seu país, inclusive derrotando Peliwo pelo caminho.

No próximo domingo, Shapovalov jogará na Quadra Número 1 do All England Club, a segunda maior do complexo e tradicional palco das finais do juvenil. O jogo provavelmente coincidirá horário com a final masculina, o que impossibilitará um pouco da torcida por Raonic.

Alex De Minaur teve sua formação dividida entre Austrália e Espanha (Foto: Susan Mullane)

Alex De Minaur teve sua formação dividida entre Austrália e Espanha (Foto: Susan Mullane/ITF)

O adversário da final será o australiano Alex De Minaur, que precisou de só 49 minutos para despachar o americano Ulises Blanch. “É bom finalmente superar essa barreira das semifinais”, disse DeMinaur, que parou na penúltima rodada do US Open-2015 e Australian Open deste ano.

“Estou curtindo cada segundo disso. Acho que nas outras semifinais eu coloquei um pouco de pressão sobre mim mesmo ao pensar ‘Oh meu Deus, estou na semifinal e faltam só duas partidas para ganhar um Grand Slam'”, revelou o jovem de 17 anos.

De Minaur é filho de pai uruguaio e mãe espanhola. Ele viveu em Sydney até os cinco anos de idade e depois foi com a família para a Espanha. Reside hoje em Alicante, mas sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases. O atleta disputou competições juvenis de 14 e 16 anos em solo australiano, inclusive na grama de Mildura, e seguiu para os primeiros futures como profissional já na Espanha a partir de 2015.

Final feminina no sábado –  A decisão da chave juvenil feminina acontece às 9h (de Brasília) deste sábado, na Quadra Número 1, e envolve duas jogadoras bastante precoces até mesmo para a categoria, a ucraniana Dayana Yastremska e a russa Anastasia Potapova.

Yastremska, que completou 16 anos em maio, ficou conhecida do público brasileiro no início da temporada ao vencer um ITF profissional de US$ 25 mil na cidade paulista de Campinas. Com o resultado, ela acabou desistindo do Banana Bowl e seguiu direto para Porto Alegre, onde foi semifinalista do Campeonato Internacional Juvenil (antiga Copa Gerdau).

A ucraniana Dayana Yastremska já venceu um título profissional em Campinas este ano (Foto: Eddie Keogh/AELTC)

A ucraniana Dayana Yastremska já venceu um título profissional em Campinas (Foto: Eddie Keogh/AELTC)

Potapova é ainda mais jovem, nasceu em 2001 e fez 15 anos em março. Apesar da pouca idade, a russa já tem um histórico considerável em competições de base, com destaque para a recente semifinal de Roland Garros e as quartas de Wimbledon do ano passado. Ela foi campeã do Eddie Herr de 12 e 14 anos em 2013 e 2014. Já no Orange Bowl, foi finalista nos 12 anos em 2013, campeã nos 14 em 2014 e foi às quartas na categoria principal no ano passado.

Perigosas comparações
Por Mario Sérgio Cruz
abril 11, 2016 às 5:55 pm

Uma cena comum neste início de temporada masculina tem sido os duelos entre jovens promessas. Aconteceram nos três primeiros Masters 1000 de 2016 e também no ATP de Houston na semana passada. Neste cenário são feitas comparações com Orlando Luz, um jogador que rivalizava com muitos deles durante o circuito juvenil e chegou a liderar o ranking mundial da categoria. Comparar é um processo natural, mas perigoso.

A participação de Orlandinho no 2º ITF Junior Masters durante a última semana deu margem a alguns questionamentos. O gaúcho, que completou 18 anos em fevereiro, não disputava competições juvenis desde o US Open e venceu umas das três partidas que fez no evento, terminando em sétimo lugar.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlandinho optou por disputar Junior Masters pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Eu gosto da proposta do Masters, principalmente por aquilo que o torneio oferece aos jogadores. A ITF e os organizadores entendem que é um momento na carreira deles que pontos no ranking juvenil não são mais interessantes. Então, a premiação é oferecida em garantias de viagens (torneio juvenil não pode pagar em dinheiro) e prioridade de escolha em convites para torneios de alto nível. Campeão do ano passado, o russo Andrey Rublev já disputou 16 torneios ATP, sendo 13 por meio de convites diretamente para chaves principais.

Quando a gente vê Fritz ou Zverev no top 100, Tiafoe vencer jogo de Masters 1000 ou Tommy Paul furar quali de ATP, fica a sensação no público de que Orlando teria “ficado para trás”. Mas essa comparação não leva em consideração uma série de variáveis. Por melhores que sejam suas condições aqui no Brasil – e estamos falando de um garoto que está em um excelente centro de treinamento e que tem um contrato com a Nike desde os 16 anos – as situações de um americano ou europeu são ainda mais favoráveis para que atinjam o alto nível mais cedo. Tem o lado econômico e o fato de poderem ser mais testados em competições. O mais importante é que o próprio Orlando Luz está ciente disso e já deu declarações anteriores nesse ponto.

É muito difícil comparar esse estágio de desenvolvimento com o de um sul-americano. Thiago Monteiro foi número 2 no juvenil e começa colher os frutos só agora aos 21 anos, poderia ser um espelho, mas ele não recebeu a mesma cobrança durante a transição ao profissionalismo. Saindo do Brasil, temos o exemplo do chileno Garin, que ganhou o juvenil de Roland Garros há alguns anos e ele ainda rema nos torneios future e challenger. Os novos argentinos têm um desenvolvimento até mais rápido que brasileiros, mas também se metem no top 100 na casa dos 24 anos. É preciso de tempo.

Impressões do Masters

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Hong e Blinkova venceram o Junior Masters (Foto: Susan Mullane/ITF)

Durante o Masters, pude ver uma das três partidas de Orlando Luz e justamente a mais peculiar. Na derrota por 6/4 e 6/1 para o americano William Blumberg, o jogo começou no sábado no estádio principal, foi interrompido por chuva, e terminou no domingo na Quadra 1, que me pareceu mais rápida.

Na primeira parte do jogo, vi Orlandinho fazer quatro bons games de saque -cedeu só dois pontos no serviço até o 4/4- mas tomou uma quebra pouco antes da interrupção. Chamou atenção também seu posicionamento para devolver saques no lado da vantagem, ficando à esquerda do corredor de duplas para tentar responder saques abertos com forehand. Já na segunda parcial, em condições de quadra bem diferentes, o gaúcho teve bem mais dificuldade de lidar com o saque do adversário.

O título masculino ficou com o sul-coreano Seong Chan Hong, com vitória por 7/5 e 6/3 contra o norueguês Casper Ruud. Acompanhei duas de suas partidas e me pareceu um tenista muito sólido do fundo de quadra (um pouco parecido com Hyeon Chung, mesmo sem a mesma estrutura física, e seu modelo é Kei Nishikori) e com bom jogo de transição e contra-ataque, que funcionaram muito contra o agressivo chileno Marcelo Barrios Vera na semi. Hong está fazendo um ano muito bom já no profissional. Venceu três futures seguidos na Turquia e tem 20 vitórias e apenas uma derrota na temporada, sem contar as três vitórias no juvenil.

Quem venceu o feminino foi a russa Anna Blinkova, com 6/4, 6/7 (1-7) e 7/6 (7-4) contra a britânica Katie Swan. A russa chegou a sacar para o jogo no segundo set e viu a adversária -a meu ver, favorita- ter a mesma chance na última parcial. Resultado importante para Blinkova, que havia sofrido uma derrota muito dura na final de Wimbledon no ano passado para outra russa, Sofya Zhuk.

Rendez Vous

No Rendez Vous à Roland Garros, em São Paulo, Lucas Koelle confirmou seu favoritismo. Próximo do top 50 no ranking mundial juvenil, ele já havia ficado perto da vaga direta em Paris. Já Marcelle Cirino, campeã do feminino, teve como destaque a virada incrível na semifinal contra Georgia Gulin, em que reverteu 6/3 e 5/1 para salvar três match points e vencer onze games seguidos. Impressionante reação para a jogadora de 17 anos e que executa um raro backhand de uma mão.

Pelo mundo

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

O destaque da nova geração da semana foi o vice-campeonato de Borna Coric no ATP de Marrakech. Nos challengers, Stefan Kozlov foi vice em Guadalupe com Taylor Fritz, e Yoshihito Nishioka nas semifinais, mas o título ficou com o veterano Malek Jaziri. Já pelo circuito future, o japonês Yosuke Watanuki (campeão da Copa Gerdau) venceu o segundo torneio seguido em seu país. Dois títulos profissionais também tem agora o canhoto canadense de 16 anos Denis Shapovalov, após vencer o future de Memphis.