Monthly Archives: março 2017

Shapovalov vence seu primeiro challenger
Por Mario Sérgio Cruz
março 20, 2017 às 6:25 pm
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Denis Shapovalov venceu seu primeiro challenger aos 17 anos em Drummondville e entrou no top 200 do ranking (Foto: Tennis Canada)

O canadense Denis Shapovalov venceu neste fim de semana seu primeiro título profissional de nível challenger. O canhoto de 17 anos comemorou a conquista em seu país, nas quadras duras e cobertas de Drummondville.

Shapovalov venceu na final o belga Ruben Bemelmans por 6/3 e 6/2 e garante um salto no ranking. Os oitenta pontos recebidos pela campanha no torneio de US$ 75 mil fizeram com que o canadense saltasse 59 posições e garantisse a melhor marca da carreira, ao ocupar o 194º lugar.

Ao longo da semana, Shapovalov sequer perdeu sets. Ele marcou 6/4 e 6/3 contra o britânico Edward Corrie, liderava por 4/1 a partida contra o francês Quentin Halys quando o rival abandonou por doença, marcou 7/6 (7-4) e 6/4 diante do esloveno Blaz Rola e na semifinal passou pelo também jovem compatriota Felix Auger-Aliassime por 7/5 e 6/3.

Aliassime, de apenas 16 anos, é mais um jogador a ter o melhor ranking da carreira. Os 29 pontos conquistados por chegar à semifinal do torneio renderam 137 posições ao ex-líder do ranking juvenil que já ocupa a 374ª colocação entre os profissionais.

A ATP disponibilizou os melhores momentos da semifinal entre Shapovalov e Aliassime, partida disputada na tarde do último sábado com bom público no torneio canadense. Também está disponível a íntegra da partida no arquivo que a ATP tem para as partidas de nível challenger.

Vencedor também de quatro torneios de nível future, sendo um deles este ano, Shapovalov vai aos poucos se recuperando da infeliz desclassificação no quinto jogo do confronto contra a Grã Bretanha pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis.

Desde o incidente em que atingiu um árbitro quando tentou jogar uma bola para fora da quadra, o jovem o jogador já havia se colocado à disposição para qualquer esclarecimento e afirmava que aceitaria a punição que lhe fosse imposta. Multado em US$ 7 mil, Shapovalov prometeu que não repetiria a atitude e já começa a colher seu melhor resultado.

Corrida para Milão

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Os quatro primeiros colocados na corrida para o ATP Next Gen Finals, que acontecerá entre os dias 7 e 11 de novembro em Milão, não mudaram após a disputa do primeiro Masters 1000 da temporada. A lista é liderada pelo alemão Alexander Zverev, que é seguido pelo russo Daniil Medvedev, pelo norueguês Casper Ruud e pelo também russo Andrey Rublev.

Em quinto lugar está o americano Taylor Fritz, que ganhou sete posições nesta corrida após Indian Wwlls, seguido pelo cazaque Alexander Bublik e por mais um americano Noah Rubin. Shapovalov subiu 37 posições com o título do challenger canadense e está em 14º lugar na busca por um lugar em Milão. Confira o ranking completo.

Aos 15, Potapova está habituada com rivais experientes
Por Mario Sérgio Cruz
março 10, 2017 às 6:43 pm

Líder do ranking mundial juvenil, Anastasia Potapova já se acostumou com a condição de enfrentar rivais bem mais experientes. Não por acaso, a russa de apenas 15 anos conquistou seu primeiro título profissional da carreira na última semana em Curitiba, na primeira etapa do Circuito Feminino Future.

Nesta semana, a jovem promessa russa falou ao TenisBrasil durante sua participação no ITF de São Paulo sobre seu início de carreira. Apesar da pouca idade, Potapova já acumula uma série de bons resultados em competições de base. Falando apenas em Grand Slam, ela tem um título de Wimbledon e uma semifinal em Roland Garros, além de ter chegado às quartas em sua primeira participação no Slam britânico em 2015, quando tinha só 14 anos.

A russa também tem um histórico considerável em torneios tradicionais nos Estados Unidos, ao vencer o Eddie Herr de 12 e 14 anos em 2013 e 2014. Já no Orange Bowl, foi finalista nos 12 anos em 2013, campeã nos 14 em 2014 e foi às quartas na categoria principal em 2015. No início daquela mesma temporada, ela ainda venceu o tradicional torneio francês Les Petits As, considerado um Mundial da categoria 14 anos.

Ou seja, desde muito jovem, Anastasia Potapova sempre enfrentou jogadoras mais experientes e vê isso como um diferencial para ter confiança no início da carreira.

Anastasia Potapova venceu seu primeiro torneio profissional há uma semana, em Curitiba (Foto: Éric Visintainer)

Anastasia Potapova venceu seu primeiro torneio profissional há uma semana, em Curitiba (Foto: Éric Visintainer)

“Quando eu tinha apenas dez anos, eu já jogava torneios contra meninas muito mais velhas do que eu, mas eu sempre era bem ranqueada, em 1º, 2º ou 3º”, disse Potapova ao TenisBrasil. “Estou feliz por continuar dessa forma. Então, sim, cada vitória me dá muita confiança. Mesmo que eu ainda não esteja enfrentando adversárias do top 10, é uma coisa boa”.

Ela reconhece que a conquista da última semana traz confiança para a sequência da temporada. “Eu agora me sinto mais confiante em mim mesma. Posso enfrentar jogadoras de alto nível. Estou feliz por isso e quero jogar meu melhor tênis da mesma forma como joguei na última semana e ganhei meu primeiro título”, comentou a russa que chegou a eliminar Teliana Pereira no torneio da semana passada.

Embora já priorize as competições profissionais, Potapova ainda deve participar dos maiores torneios do circuito juvenil este ano, por conta Age Eligibility Rule (AER) que é aplicada em todos os níveis do circuito feminino, tanto na WTA quanto ITF, e limita o número de competições que jogadoras com menores de idade podem disputar durante um ano.

“Este ano eu vou focar mais em torneios profissionais, mas eu ainda tenho que jogar três Grand Slam. Com 100% de certeza eu disputarei Roland Garros e Wimbledon novamente, mas ainda não tenho certeza se disputarei o US Open. Tenho tempo suficiente para pensar nisso”, avaliou a campeã juvenil de Wimbledon.

“Eu ainda tenho 15 anos e vou tentar mesclar torneios profissionais e juvenis, porque na minha idade eu só posso jogar até doze torneios profissionais durante o ano, o que não é o suficiente para mim. Então eu disputarei alguns Grand Slam também, mas meu plano para o ano é terminar entre as 300 melhores no ranking da WTA”, acrescentou a jogadora que somará 12 pontos pelo título na capital paranaense.

Depois de fazer toda sua formação como tenista na Rússia, Potapova terá um período de amadurecimento nos Estados Unidos. “Eu treino em Moscou, na academia de Alexander Ostrovsky, que é meu agente também e minha técnica é a Irinia Doronina, que treina comigo já há seis anos. Agora eu fui para a Flórida e vou passar três ou quatro meses para ganhar mais experiência e jogar torneios profissionais, para ganhar confiança e subir no ranking. Acho que estou fazendo isso bem”.

Uma de suas principais memórias é da final juvenil de Wimbledon contra a ucraniana Dayana Yastremska. Potapova venceu aquele jogo por 6/4 e 6/3 em 1h37. Embora o placar e a duração sugerissem um jogo tranquilo, a russa precisou de sete match points para vencer a partida e chegou a comemorar o título duas vezes, mas teve as marcações corrigidas pelo árbitro. Relembre o caso. Com bom humor, ela afirma que a vitória trouxe uma visibilidade e popularidade maior no circuito.

“Sim, eu estava liderando por 5/3 no segundo set, com meu saque e foi um game muito longo com quase quinze minutos. Eu fui campeã no terceiro match point, mas Dayana desafiou a jogada e a bola tinha saído um pouquinho”, lembrou a russa sobre o jogo mais importante de sua carreira juvenil, disputado na Quadra Número 1 do All England Club.

“O jogo continuou e no quinto ou sexto match point aconteceu a mesma coisa. Eu saquei forte e ela errou, mas voltou a desafiar e minha bola tinha saído de novo. Isso estava me matando, mas eu não queria pensar em mais nada e só me manter focada no meu jogo e terminar o que eu havia começado uma hora antes e consegui o título na sétima chance”, comentou a tenista que negou que aquela tenha sido sua primeira experiência com o hawk-eye.

“Na verdade, não. Porque quando eu jogo os Grand Slam, eu normalmente fico em quadras que têm desafio e um bom público. Já estou acostumada com isso e às vezes me ajuda, e mas em outras não é o meu dia. Diria que naquela vez, o hawk-eye estava brincando com a minha cara (risos). Foi uma vitória incrível para uma menina de 15 anos. E me deu muita confiança conseguir vencer aquele jogo ainda que o hawk-eye não quisesse que me dar a vitória (risos). Acho que eu fiquei mais popular depois daquele jogo”.

Como de costume, o tênis feminino russo sempre traz novidades para o circuito. Depois de formar várias top 10 no final da década passada, o país passou alguns anos sem apresentar revelações e perdeu talentos como Daria Gavrilova e Yulia Putintseva, que optaram por defender outros países. Entretanto, há uma nova geração bastante promissora surgindo nos últimos dois anos.

“Nós temos muitas jogadoras que estão chegando como a [Daria] Kasatkina, [Natalia] Vikhlyantseva, [Sofia] Zhuk e [Anna] Blinkova… São muitas jogadoras boas. Não sei qual é o segredo, apenas acho que essa é a hora do tênis russo e nós faremos o nosso melhor”, avaliou Potapova, que ficou feliz em saber que é a primeira russa a liderar o ranking juvenil desde Irina Khromacheva, 93ª do ranking aos 21 anos e voltou ao Brasil seis anos depois de ganhar seu primeiro torneio profissional no país.

“Eu não sabia disso! É ótimo!”, comentou a jovem jogadora que já teve experiência de dividir a quadra com outras tenistas que foram top 100. “Na Rússia nós temos muitas jogadoras boas, eu já treinei com a [Vera] Dushevina, [Galina] Voskoboeva e [Alisa] Kleybanova. É muito bom que elas possam bater bola com meninas mais jovens, passar um pouco de sua experiência na vida e no tênis. Tenho que jogar o meu melhor para repetir o que elas fizeram”.

Perguntada sobre o apoio vindo da Federação Russa de Tênis, a promessa de 15 anos afirma que já teve problemas com a entidade comandada por Shamil Tarpischev no passado, mas que atualmente o relacionamento é bom. “Há dois anos eu tive alguns problemas com a Federação, porque eu precisava jogar um torneio nacional até 14 anos, mas a data coincidia com Wimbledon, que era meu primeiro Grand Slam e minha prioridade e eles não ficaram felizes com isso e eu não pude jogar pela equipe no Mundial de 14 anos, mas agora está tudo bem. Temos uma boa relação e hoje eles me ajudam”.