Monthly Archives: janeiro 2017

Campeã juvenil do Australian Open tem apenas 14 anos
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 30, 2017 às 9:40 pm
O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O término da chave juvenil do Australian Open coroou uma de suas campeãs mais precoces. A ucraniana Marta Kostyuk conquistou o título aos 14 anos e sete meses depois da vitória por 7/5, 1/6 e 6/4 sobre a cabeça 1 suíça de 17 anos Rebeka Masarova no último sábado.

Por muito pouco, a jogadora é nascida em 28 de junho de 2002 não se tornou a mais jovem campeã da história do torneio. O feito cabe à russa Anastasia Pavyluchenkova, que tinha 14 anos, seis meses e 27 dias quando foi campeã juvenil em Melbourne em 2006. A russa, aliás, é uma das raras bicampeãs de um Grand Slam juvenil já que voltaria a vencer o torneio no ano seguinte.

Kostyuk teve um desempenho impressionante em competições de base. Em 2015, ela venceu a categoria 14 anos do Eddie Herr e do Orange Bowl. Já no ano passado, ela fez parte da equipe ucraniana campeã do World Junior Tennis (mundial de 14 anos por equipes na cidade tcheca de Prostejov) e já chegou às quartas da categoria principal do Eddie Herr e Orange Bowl, o que a levaram para a Austrália já em boa situação no ranking.

Fora de quadra, a jovem ucraniana tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic, ex-número 3 do mundo e que atua na equipe técnica de Roger Federer, outro campeão do fim de semana em Melbourne.”Eu finalmente conheci o Roger hoje” disse, sorrindo na entrevista coletiva. “Ele me cumprimentou. E tirei uma foto com ele, então fiquei muito animada”, acrescentou a jogadora que é treinada pela mãe e divide sua base entre Kiev e a cidade francesa de Cannes.

Histórico – A Ucrânia agora tem quatro títulos juvenis de Grand Slam em simples. O primeiro foi de Andrei Medvedev, no ano de 1991 em Roland Garros. Depois, triunfaram Kateryna Bondarenko em Wimbledon-2004 e Elina Svitolina em Roland Garros-2010.

O título masculino do Australian Open juvenil ficou com o húngaro  Zsombor Piros, que venceu a final contra o israelense Yshai Oliel por 4/6, 6/4 e 6/3. Piros repete o feito de Aniko Kapros, campeão em Melbourne no ano 2000. Outros três húngaros foram campeões juvenis de Grand Slam: Agnes Szavay em Roland Garros-2005, Marton Fucsovics em Wimbledon-2010 e Dalma Galfi no US Open de 2015.

Entrevistas – A quem interessar, o Australian Open disponibiliza as transcrições completas das entrevistas coletivas de Kostyuk e Piros após as finais do último sábado.

Les Petits As – Há pouco mais de um ano, Kostyuk estava na cidade francesa de Tarbes e foi campeã do tradicional torneio Les Petis As, que é considerado um mundial da categoria 14 anos. Promovido pela fornecedora de material esportivo Lacoste, o evento teve sua 35ª edição também na última semana de janeiro. Este ano, os títulos ficaram com a russa Maria Timofeeva e o italiano Luca Nardi.

16387298_879621652140999_257410318032233950_n

O italiano Luca Nardi e a russa Maria Timofeeva venceram um importante torneio de 14 anos na França

O Brasil teve o catarinense Pedro Boscardin Dias na chave masculina. Ele venceu o francês Sean Cenin por 6/2 e 7/5 na estreia e depois perdeu para o cabeça 5 norte-americano Toby Kodat na segunda rodada por 6/3 e 6/1.

Nos últimos anos, o Les Petits As antecipou algumas jogadoras que viriam ganhar um Grand Slam juvenil, já que além da própria Kostyuk, vale citar a russa Anastasia Potapova (vencedora do torneio em 2015 e campeã júnior de Wimbledon ano passado) e jogadoras que entrariam no top 100, casos de Jelena Ostapenko e Catherine Bellis (que triunfaram na França em 2011 e 2013, respectivamente).

O quadro de campeões do torneio francês tem nomes como Rafael Nadal, Richard Gasquet, Martina Hingis, Kim Clijsters e Timea Bacsinszky. A lista de grandes nomes que passaram pelo evento também inclui Roger Federer, Juan Martin del Potro, Novak Djokovic, Andy Murray, Agnieszka Radwanska, Caroline Wozniacki, Angelique Kerber e Justine Henin.

As corridas – Ao término do primeiro mês de competições no circuito da ATP, o russo de 20 anos Daniil Medvedev lidera a corrida para a edição inaugural do Next Gen ATP Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro na cidade italiana de Milão. Atual 63º do mundo, Medvedev recebeu 150 pontos quando foi finalista do ATP de Chennai e outros 10 por ter entrado diretamente na chave do Australian Open, onde perdeu na estreia.

2017-01-30

O segundo colocado nesta lista é o sul-coreano Hyeon Chung que havia vencido um jogo em Chennai (onde veio do quali) e outro no Australian Open. Já na última semana, ele foi campeão do challenger de Maui, no Havaí. Com apenas 20 anos, o atual 73º do mundo já acumula oito títulos de challenger.

Os nomes de Andrey Rublev, Alexander Zverev, Ernesto Escobedo, Noah Rubin, Alex De Minaur e Frances Tiafoe completam o top 8 após quatro semanas de competições. O evento terá os sete melhores jogadores de até 21 anos e um convidado. Confira o ranking completo neste link.

juniors_janeiro

 

Já a corrida para o ITF Junior Masters ainda é fortemente influenciada pelos resultados do fim do ano passado. Exemplo disso é a liderança do sérvio Miomir Kecmanovic, destaque nos torneios americanos de novembro e dezembro. Ainda assim, Piros já é o terceiro colocado e Kostyuk assumiu a ponta da lista feminina. A terceira edição do torneio com os oito melhores juvenis do mundo acontecerá em outubro, na cidade chinesa de Chengdu.

Nova geração não brilha em Melbourne. E cadê os sul-americanos no juvenil?
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 27, 2017 às 8:20 pm

Em um Grand Slam marcado por vitórias de veteranos, a nova geração do tênis teve pouquíssimo brilho neste Australian Open. Além das poucas campanhas realmente expressivas, não houve sequer uma grande vitória dos atletas mais jovens no primeiro Slam da temporada. O que restou foram boas apresentações contra grandes nomes do circuito.

É o caso de Alexander Zverev, único entre os vinte jogadores com até 21 anos da chave masculina que conseguiu à terceira rodada. O alemão de 19 anos passou pelo holandês Robin Haase e pelo também jovem americano Frances Tiafoe antes de cair diante de Rafael Nadal em duelo de cinco sets.

2017-01-27

Na duríssima partida contra Nadal, dois momentos pesaram: Uma breve queda de intensidade no início do quarto set, quando o alemão liderava por 2 sets 1 e viu o espanhol largar com uma vantagem confortável na parcial e um rali de 37 trocas de bola disputado quando o último set estava empatado por 2/2. Zverev até venceu o ponto, mas sentiu o desgaste, sofreu a quebra e ainda viu Nadal confirmar facilmente o saque antes da virada de lado. Pouco pôde fazer depois que já perdia o último set por 4/2 e viu Nadal prevalecer por 4/6, 6/3, 6/7 (5-7), 6/3 e 6/2.

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

Alexander Zverev foi o melhor nome da nova geração masculina (Foto: Ben Solomon/Tennis Australia)

“Tive câimbras depois daquele longo rali. Cheguei a ter um game-point para fazer 3/2, mas acabei perdendo o game um pouco por causa disso. Então, sim, essa foi uma grande razão para o jogo ter mudado”, reconheceu o alemão após a partida com Nadal. Ainda assim, ele tirou vários aspectos positivos.

“Não sou do tipo de pessoa que pensa apenas no presente. Eu amo o tênis absolutamente, e amo o processo de aprendizado. É emocionante para mim”, afirmou o jovem de 19 anos. “Eu posso ver como estou ficando melhor. E posso ver como estou ficando melhor para jogos de cinco sets. Isso é emocionante. Acho que este vai ser um ano incrível para mim”,

No feminino, a melhor campanha foi de Jennifer Brady, americana que disputou seu primeiro Grand Slam da carreira aos 21 anos e já chegou às oitavas de final. Depois de entrar em Melbourne como 116ª do mundo, a norte-americana furou o quali e ainda venceu mais três jogos na chave principal, campanha que certamente a levará ao top 100.

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Jelena Ostapenko esteve perto de eliminar Pliskova na terceira rodada

Mas foi na terceira rodada, o jogo mais expressivo de uma atleta da nova geração feminina. A letã de 19 anos Jelena Ostapenko, que já é 38ª do mundo e tem duas vitórias contra top 10 no currículo, enfrentou Karolina Pliskova. A estratégia de deslocar Pliskova lateralmente, especialmente nos pontos jogados no segundo saque da adversária, funcionou durante a maior parte da partida e a letã herdou muitos pontos de erros da top 5 tcheca.

Mas a ansiedade falou mais alto na hora de fechar o jogo e Ostapenko deixou escapar uma vantagem por 5/2 no último set, depois de ter sacado duas vezes para o jogo e acabou perdendo por 4/6, 6/0 e 10/8 em 2h05.

 

CADÊ OS SUL-AMERICANOS? 

Pelo segundo ano seguido, nenhum brasileiro disputou a chave juvenil do Australian Open. Mas mais que isso, dos 21 tenistas do sul-amricanos no top 100 do ranking, nenhum foi a Melbourne. Ao mesmo tempo que o alto custo da viagem e a diminuição dos recursos vindos do patrocínio dos Correios são fatores conhecidos, houve uma reestruturação do calendário da ITF que afetou os torneios no saibro sul-americano.

Em junho a ITF aprovou o calendário 2017 com mudanças importantes na Gira Cosat, que passou a ter parte dos torneios acontecendo em janeiro e fevereiro, enquanto o restante da gira entre setembro e novembro. Com isso, os maiores torneios do Brasil, o Banana Bowl e o Campeonato Internacional de Porto Alegre foram para fevereiro e não mais em março, como acontecia nos últimos anos.

O que motivou a mudança na COSAT foi a dificuldade que o calendário anterior causava para os jogadores participarem de torneios consecutivos de alto nível na América do Sul por estarem todos juntos, mas a contrapartida foi a coincidência de datas com o primeiro Grand Slam do ano. Como para muitos garotos a prioridade é a Gira Europeia de 2017, eles preferiram somar pontos no próprio continente.

Finais do Juvenil – As finais do juvenil acontecem neste sábado em Melbourne. A masculina será na quadra 7 entre o israelense Yshai Oliel e o húngaro Zsombor Piros. Já a feminina acontece na Rod Laver Arena a partir da meia-noite (de Brasília) entre a suíça Rebeka Masarova e a ucraniana Marta Kostyuk. Terão transmissão no site do Autralian Open e pelo WatchESPN.

 

Números da nova geração em Melbourne
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 15, 2017 às 10:38 pm

A nova geração do tênis marca presença no Australian Open, que começa na noite deste domingo. Entre adolescentes, estreantes, NextGen‘s e inúmeros outros rótulos, são muitas as caras novas estão dispostas a roubar a cena em Melbourne.

A chave masculina do Australian Open tem nove jogadores com menos de 20 anos, dos quais o convidado Alex De Minaur é o mais jovem com 17 anos. Deste grupo apenas dois entraram diretamente pelo ranking, o cabeça 24 alemão Alexander Zverev e o 91º colocado norte-americano Taylor Fritz.

Além do supracitado De Minaur outros dois “adolescentes”/teenagers obtiveram convites, o norte-americano de 19 anos Michael Mmoh por ser o americano que mais somou pontos em uma série de challengers nos Estados Unidos no fim do ano passado e o australiano de 19 anos Omar Jasika que venceu um playoff nacional entre jogadores profissionais em dezembro. Três atletas nesta faixa etária furaram o quali: O norte-americano Reilly Opelka, o russo Andrey Rublev e o ex-russo Alexander Bublik (que defende o Cazaquistão a partir deste ano).

Entre os 20 jogadores com menos de 21 anos na chave do Australian Open, 15 são da chamada #NextGen/Nova Geração, nomenclatura que a ATP utiliza para determinar jogadores desta faixa etária que estejam no top 200 no ranking.

2017-01-15 (1)

Estreantes – Cinco desses jovens jogadores disputam o primeiro Grand Slam da carreira: Alexander Bublik, Alex De Minaur, Daniil Medvedev, Blake Mott e Reilly Opelka. Ao todo, nove tenistas estarão em seu primeiro Grand Slam, numa lista que ainda conta com o cearense de 22 anos Thiago Monteiro.

Renovação/Longevidade – O italiano Luca Brancher publicou alguns dados interessantes em seu perfil no Twitter. Ele levantou dados desde 1988 da chave do Australian Open e constatou dois extremos: O número de adolescentes na chave principal cresceu em relação ao ano passado e mais do que dobrou se comparado ao quadro de 2015. Por outro lado, aumentou também o número de atletas com mais de 30 anos e até mesmo com mais de 35 anos (com 10 na chave). O aumento nos veteranos contribui para que o torneio de 2017 tenha a maior média de idade no período pesquisado por ele.

Sempre quando a gente entrevista algum jogador mais experiente, o André Ghem e o Rogerinho são bons exemplos aqui no Brasil, eles citam que a possibilidade que o tenista tem de prolongar a carreira é muito maior que num passado recente. Há muito mais informação sobre meios que garantem a longevidade do atleta.

Por mais talentosa que seja a nova geração, o “envelhecimento” do circuito é real e não é uma coisa negativa e veremos cada vez mais jogadores permanecendo mais tempo em alto e nível e chegando ao auge perto dos trinta anos. Quem sabe até depois…

 

Feminino –  A WTA trabalha mais com o mote das teenagers para tratar de sua renovação. Da lista de atletas com menos de 20 anos, a australiana de 16 anos Destanee Aiava é a mais jovem na chave. Também disputam duas atletas de 17 anos, a americana  Kayla Day e a australiana Jaimee Fourlis, além de cinco jogadoras de 19 anos, a croata Ana Konjuh, a australiana Lizette Cabrera, a japonesa Naomi Osaka, a letã Jelena Ostapenko, a russa Daria Kasatkina e a suíça Belinda Bencic.

Kasatkina é a única cabeça de chave deste grupo. A russa é a 23ª favorita e vem de uma expressiva vitória sobre a número 1 do mundo Angelique Kerber no WTA Premier de Sydney. Já a suíça Belinda Bencic, que foi até top 10, está atualmente no 48o. lugar depois de um ano com muitas lesões na região lombar. Sua primeira missão em Melbourne é voltar a vencer Serena Williams, a quem já derrotou na fantástica campanha para o título de Toronto em 2015.

Kasatkina, enfim, aproveitou o match point
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 10, 2017 às 8:59 pm

“A primeira coisa que eu pensei foi: ‘Venci o match point’ (risos). Eu perdi alguns jogos que tive match point no ano passado, e neste ano, então essa partida foi muito importante para mim”, assim afirmou aliviada a russa Daria Kasatkina na entrevista coletiva após superar Angelique Kerber por 7/6 (7-5) e 6/2 pelas oitavas de final do WTA Premier de Sydney.

Não é por acaso, a jovem de 19 anos e já 26ª do ranking carregava um incômodo histórico de viradas sofridas após não aproveitar os match points que teve. “Eu tive match points em três jogos contra top 10. E hoje eu venci a número 1 do mundo”.

A trajetória começou na edição passada do WTA de Doha, em fevereiro de 2016, quando teve três chances de despachar a então décima colocada Roberta Vinci. No mês de outubro, em Pequim, ela teve a bola do jogo contra a número 5 do ranking Karolina Pliskova. Já na semana passada, atuando em Brisbane, a jovem russa poderia eliminar a sétima do mundo Garbiñe Muguruza, mas novamente não aproveitou a chance.

“Eu estava muito triste depois daqueles jogos. Ficava chorando e tudo mais”, contou a russa que também no ano passado, foi eliminada de Roland Garros e Wimbledon em partidas que perdeu a última parcial por 10/8 para Kiki Bertens e Venus Williams, respectivamente. Ela também perdeu um match point no jogo contra Sloane Stephens em Charleston.

“Mas, depois, analisamos todos estes jogos, e eu sentia que, mais cedo ou mais tarde, eu ia começar a ganhar uma partida assim. Eu esperava que este momento chegasse logo. Por isso, este jogo foi tão importante para mim”, acrescentou a jogadora que é treinada por Vladimir Platenik.

Aproveitando-se de um dia ruim de Kerber, que não encontrou um bom ritmo no jogo e cometeu seis duplas-faltas e 41 erros, Kasatkina venceu os oito primeiros pontos da partida e liderou o set inicial por 4/1, quando ainda perdeu dois break points. A russa ainda teria um set point no saque da adversária, mas só definiria a parcial após um erro de devolução da alemã no tiebreak. Já no segundo set, a jovem de 19 anos minou o saque da líder do ranking e ainda contou com a sorte para conseguir a última de suas três quebras na parcial.

Ciente de que ainda restam três rodadas para o fim do torneio, Kasatkina foi moderada na comemoração da vitória sobre a número 1 do mundo. É só o meio do torneio. Se eu ficar em choque ou feliz demais, as coisas podem piorar. Então, estou calma, feliz porque ganhei hoje e já pensando nas quartas de final.

A promessa russa deverá ser cabeça de chave 23 no Australian Open, por conta das desistências de Madison Keys, Petra Kvitova e Victoria Azarenka. Isso a impedirá de cruzar o caminho de praticamente todas as top 10 antes das oitavas de final, exceção feita à britânica Johanna Konta, que aliás, será sua próxima adversária em Sydney.

“Ela tem um bom saque, um bom backhand e não tem tantos pontos fracos. Será bom jogo e, novamente, contra uma top 10. Fico feliz, porque é bom começar a temporada jogando contra as melhores para que você possa ver qual é o seu nível, além de ser uma boa preparação para o Australian Open”.

As vitórias de jovens jogadoras sobre as líderes do ranking têm se tornado cada vez mais raras nos últimos anos. As estrelas do circuito têm prolongado suas carreiras e atuado em alto nível por mais tempo, fazendo com que as promessas demorem um pouco mais para explodirem no circuito. Desde 2009, foram apenas seis atletas com menos de 20 anos que derrubaram uma número 1 do mundo. 2017-01-10 (2)

Logo após a vitória mais importante da carreira, Kasatkina respondeu à inevitável pergunta sobre como se sentia após vencer a melhor jogadora do mundo e destacou o quanto isso pode trazer de confiança para o restante da temporada, em especial para o Australian Open na semana que vem.

“É difícil explicar [como eu me sinto] porque eu acabei de derrotar a número 1 do mundo e isso não acontece todo dia”, disse ainda dentro de quadra. “Este é o segundo torneio seguido que eu enfrento uma das melhores jogadoras do mundo [lembrando da partida contra Muguruza em Brisbane]. Na minha estreia aqui eu já havia jogado muito bem e venci um jogo de três sets (contra a húngara Timea Babos) e agora fiz uma partida incrível e venci a número 1 do mundo, então isso dá bastante confiança”.

Com mais calma, a jovem russa falou à WTA sobre a experiência que adquiriu enfrentando adversárias de peso durante o ano passado e que intensificou a pré-temporada para dar o próximo passo. “Trabalhei duro na pré-temporada, foram sete ou oito semanas de preparação, mas é claro que tudo isso compensou. Estou me sentindo melhor, em melhor forma e mais confiante. Isso me ajudou muito”.

“Nessas partidas você pode ficar nervosa às vezes, especialmente se estiver enfrentando uma adversária muito boa, e em um dia muito quente”, avaliou a jovem russa que já tinha vitória contra top 10 sobre Venus Williams, há pouco mais de um ano, na edição de 2016 do WTA de Auckland. “Ganhei experiência no ano passado e no começo deste ano e sabia o que fazer para jogar nesse tempo e o que fazer quando estava nervosa”.

Duas gratas surpresas em Brisbane
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 3, 2017 às 8:59 pm

Duas jovens promessas do tênis australiano chamaram atenção do público logo na primeira semana da temporada em Brisbane. Alex De Minaur, de 17 anos, passou por duas rodadas do qualificatório e participou pela primeira vez de um ATP. Mas o principal destaque foi Destanee Aiava, que aos 16 anos, passou por uma três fases no quali e ainda venceu um jogo da chave principal.

A vitória de Aiava sobre a experiente norte-americana de 31 anos Bethanie Mattek-Sands por 2/6, 6/3 e 6/4, em jogo que começou na madrugada de segunda-feira e foi concluído só nesta terça por conta do mau tempo, fez com que a jovem australiana se tornasse a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a vencer um jogo válido pela chave principal de um WTA.

A promessa do tênis feminino australiano vem de uma família de esportistas imigrantes de Samoa, mas de modalidades bem distantes do tênis. O pai é técnico de MMA, enquanto a mãe jogou rúgbi e precisou aprender tênis para treinar a filha, um processo parecido com o vivido por Piotr Wozniacki, ex-jogador de futebol.

“Eu tinha cinco anos e estava assistindo o Australian Open pela TV, quando eu vi a Serena e pensei ‘Eu quero me tornar número 1 do mundo. Então os meus pais só pensaram: ‘Oh! Tênis? Mas nós não sabemos nada sobre tênis'”, disse Aiava na entrevista coletiva após a vitória por duplo 6/1 sobre a 86ª colocada alemã Carina Witthoeft na última rodada do quali em 1º de janeiro. Nos dias anteriores, ela havia vencido a experiente espanhola de 34 anos María José Martinez e a americana Samantha Crawford, 114ª do mundo.

Ainda sobre sua admiração por Serena, Aiava diz que a atitude da americana americana foi o que mais despertou mais seu interesse. “Acho que foi a vibração dela. Eu não poderia senti-la pelo outro lado da TV, mas foi a energia dela me trouxe para o esporte”, comentou a atual 345ª do ranking, mas que deverá ganhar muitas posições após a grande semana em Brisbane.

A jogadora, que tem chamado atenção por seus bons saques e golpes potentes do fundo de quadra, se descreve como uma atleta agressiva e falou de suas principais virtudes.”Estou com muita confiança no meu jogo agora. Isso me deu a oportunidade de chegar onde estou agora. Acho que meu saque e meu forehand melhoraram muito e estou muito confiante com eles também”.

Seu próximo compromisso em Brisbane será o primeiro jogo contra uma top 10 na carreira. Ela enfrenta a russa Svetlana Kuznetsova, número 9 do mundo e dona de dois títulos de Grand Slam, na madrugada desta quarta-feira. “É uma loucura. Eu caminho por aqui e vejo as pessoas que assistia pela TV antes. Uau!”

Enquanto o número 1 está muito distante, Aiava estabeleceu metas interessantes a curto prazo. “Eu realmente gostaria de tentar passar da primeira rodada do Australian Open. Esse é o meu principal objetivo para depois tentar chegar o mais longe que puder no torneio”, disse a australiana, que quando perguntada pela WTA sobre seu objetivo para o ano de 2017 foi direto ao assunto. “Entrar no top 100″.

Pioneira – Aiava, que prefere ser chamada apenas por ‘Des’,  foi primeira jogadora nascida nos anos 2000 a figurar em um ranking da WTA, quando apareceu na lista de duplas, em 9 de fevereiro do ano passado e, em duas semanas, será a primeira a disputar a chave principal de um Grand Slam. Ela garantiu a vaga graças ao título da categoria 18 anos feminino do Australian Championships, torneio nacional juvenil disputado durante em dezembro no Melbourne Park. Quando furou o quali no último domingo, já seria também a primeira atleta nascida depois do ano 2000 a disputar uma chave principal de WTA.

De Minaur surpreende –  No masculino, o destaque ficou por conta de Alex De Minaur. Já falamos dele aqui no ano passado, quando foi finalista da chave juvenil de Wimbledon. Filho pai uruguaio e mãe espanhola, ele viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases.

Atual 351º colocado na ATP, De Minaur passou pelo 89º do ranking Mikhail Kukushkin logo na primeira rodada do quali e depois venceu o 108º colocado americano Frances Tiafoe, outro nome da nova geração, mas que já esteve entre os cem melhores. Já no primeiro jogo da chave principal, ele foi derrotado pelo alemão Mischa Zverev por duplo 6/3.

As boas apresentações em Brisbane chamaram a atenção do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que acompanhou de perto as partidas do jovem australiano. “Estou feliz pelo Alex, por ele ter a oportunidade de jogar a chave principal de um ATP”, disse Hewitt, em entrevista ao site da entidade que comanda o tênis masculino.

“Que maneira de começar o ano novo! Ele é muito habilidoso e quer trabalhar duro. O treinamento que ele fez em novembro e dezembro é a principal razão pela qual eu confiava que ele poderia vencer ontem e hoje”, revelou o agora ex-jogador e agora capitão do time australiano na Copa Davis.