Monthly Archives: agosto 2016

Altos e baixos para os novos americanos
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 31, 2016 às 6:04 pm

Com o término da primeira rodada da chave principal do US Open, alguns dos novos nomes do tênis americano vivem situações. Jared Donaldson anotou uma grande vitória sobre o cabeça 12 David Goffin, Catherine Bellis manteve o embalo após furar o qualificatório, Frances Tiafoe deixou escapar o que seria a maior vitória da carreira contra John Isner e Taylor Fritz não conseguiu completar a reação no duelo de cinco sets contra Jack Sock.

Algoz de Goffin, Donaldson está com o melhor ranking da carreira e venceu 15 dos últimos 19 jogos

Algoz de Goffin, Donaldson está com o melhor ranking da carreira e venceu 15 dos últimos 19 jogos

“Aprendi que para jogar contra os melhores, você não pode realmente viver no passado. Passado é passado. Você tem que se concentrar no próximo ponto e sinto que fiz isso muito bem hoje”, disse Donaldson após a vitória por 4/6, 7/5, 6/4 e 6/0 contra Goffin.

“Eu acho que depois do segundo set, senti honestamente como se eu tivesse roubado aquele set”, disse o americano que perdia a parcial por 4/2. “Depois disso, foi uma questão de continuar lutando e manter o saque. Então, quando estava 6/5 para mim, senti que ele talvez tenha me deixado entrar no jogo, porque ele não fez um game tão bom.

“Senti que depois de ganhar o segundo set, o jogo começou a ficar para o meu lado e ganhei confiança, ainda mais vindo de uma quebra abaixo”, completou o jogador de 19 anos e 122º do mundo. Treinado por Taylor Dent, Donaldson está com o melhor ranking da carreira e venceu 14 dos últimos 19 jogos que fez (incluindo chaves de qualificação). Seu próximo rival é o sérvio Viktor Troicki.

Catherine Bellis, apesar de ter apenas 17 anos, já se destaca desde o US Open de 2014

Catherine Bellis, apesar de ter apenas 17 anos, já se destaca desde o US Open de 2014

“O quali foi uma das maiores coisas que eu gostaria de fazer, é um dos melhores momentos para minha carreira. Todo o resto é a cereja do bolo a partir de agora”, revelou Catherine Bellis depois de marcar 6/2 e 6/3 contra a suíça Viktorija Golubic na primeira rodada.

“Eu acho que apenas por jogar três partidas me deixaram muito mais confortável, e sabendo como estariam as quadras e acabou sendo uma grande vantagem para mim. Acho que foi melhor vir do qualificatório em vez de apenas receber o convite”, acrescenta a jovem que agora enfrenta a também americana Shelby Rogers.

Apesar de ter apenas 17 anos, o nome de Bellis já é destaque desde o US Open de 2014, quando recebeu convite e derrubou Dominika Cibulkova na primeira rodada. Ela ocupa o 158º lugar no ranking da WTA, mas vai priorizar o circuito universitário e frequentará Stanfrod.

Taylor Fritz só quer treinar nas próximas semanas e votará a jogar apenas em Tóquio

Taylor Fritz só quer treinar nas próximas semanas e votará a jogar apenas em Tóquio

“Vou tirar algumas semanas apenas para treinar e ficar mais forte”, disse Fritz após perder para Sock por 7/6 (7-3), 7/5, 3/6, 1/6 e 6/4. Antes disso, ele encerra sua participação no US Open disputando o torneio de duplas em Nova York

“Faz muito tempo que eu não tenho um período mais longo de treinamento para ficar mais forte e realmente melhorar o meu jogo”, disse o americano de 18 anos que treinará no Centro de Excelência da USTA em Carson, na Califórnia e só volta a jogar no ATP 500 de Tóquio, que começa em 3 de outubro.

“Eu tive muitos altos e baixos este ano, mas a temporada é melhor do que eu esperava. Tenho que ficar orgulhoso de estar onde eu estou na minha idade”, afirma o atual 53º colocado no ranking mundial.

“É difícil porque eu defini expectativas muito altas para mim e quero fazer melhor do que eu fiz. No final do dia, é preciso dar um passo atrás e olhar o quadro mais amplo. Estou com 18 anos e sou 50 e pouco do mundo. É muito mais do que eu pensava que estaria há um ano.

Tiafoe esteve muito perto de eliminar John Isner na estreia

Tiafoe esteve muito perto de eliminar John Isner na estreia

“Foi a derrota mais difícil da minha carreira, com certeza”, disse Tiafoe após a derrota por 3/6, 4/6, 7/6 (7-5), 6/2 e 7/6 (7-3) diante do cabeça 20 John Isner. O jovem americano esteve a dois pontos da classificação em sets diretos no tiebreak da terceira parcial. “Estou decepcionado por ter errado aquele backhand com 5-5 e a quadra aberta. Tive de lidar com isso”.

O jogador de 18 anos e 125º do ranking ainda teve outra chance de vitória quando sacou para o jogo no último set. “E quando eu saquei para o jogo, eu pensei que o jogo tinha acabado, mas ele fez um ótimo game de devolução. Não encaixei muitos primeiros saques naquele game e provavelmente deveria ter jogado com uma percentagem mais elevada, mas é difícil”.

Americana de 14 anos avança no quali do US Open
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 24, 2016 às 7:41 pm

O primeiro dia do qualificatório do US Open teve entre os destaques a vitória de Amanda Anisimova, jogadora de apenas 14 anos e que disputava sua primeira partida como profissional. A jovem americana, filha de imigrantes russos, surpreendeu a 124ª colocada paraguaia Veronica Cepede Royg por 6/3 e 6/4.

Amanda Anisimova é número 2 do ranking mundial juvenil e disputou seu primeiro jogo como profissional (Foto: USTA)

Amanda Anisimova é número 2 do ranking mundial juvenil e disputou seu primeiro jogo como profissional (Foto: USTA)

“Fiquei um pouco de nervosa no final, mas meu treinador me disse para ficar calma e apenas jogar ponto a ponto e foi isso o que eu tentei fazer”, disse Anisimova em entrevista ao site do US Open logo após sua primeira vitória. Antes treinada pelos pais, Konstantin and Olga, Anisimova já conta com a renomada colaboração de Nick Saviano.

“O US Open é o meu torneio favorito, e por isso é uma sensação incrível ganhar meu primeiro jogo aqui, especialmente na minha idade”, comemorou a jovem americana de apenas 14 anos.

“Agora vou tentar a classificação para a chave principal”, revelou a jovem americana que agora enfrenta a japonesa Eri Hozumi. Caso chegue à rodada final do quali, ela enfrentará a vencedora do jogo entre a cabeça 6 luxemburguesa Mandy Minella e a bielorrussa Aryna Sabalenka.

Como nasceu em 31 de agosto de 2001, mesmo que Anisimova fure o quali do US Open ela não conseguirá quebrar dois recordes relacionados a idade. A mais jovem a competir foi Kathy Horvath, aos 14 anos e cinco dias, em 1979. Já a mais jovem a vencer um jogo na chave principal foi Mary Joe Fernandez, aos 14 e 8 dias, quando bateu Sara Gomer, em 1985.

O nome dela está no radar desde novembro do ano passado. Na ocasião, ela conseguiu uma sequência de dez vitórias seguidas no circuito de 18 anos da ITF e venceu o Aberto Junveil Mexicano (GA) e foi semifinalista do Eddie Heer (G1).

Já na atual temporada, ela também se destacou com o título do Coffee Bowl na Costa Rica e foi vice no Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre. O ápice foi a final de Roland Garros para sua categoria e a chegada à vice-liderança no ranking mundial juvenil.

Ela também entrou este ano para o USA National Junior Team, um programa que reúne as melhores jovens dos Estados Unidos, nascidas em 2000 ou 2001, para que elas treinem juntas e viajem para as mais importante competição juvenis de todo o mundo.

Atualização: A campanha de Anisimova no quali do US Open terminou na segunda rodada. A jovem americana foi eliminada pela 208ª colocada japonesa de 22 anos Eri Hozumi por 6/1, 2/6 e 7/6 (7-1) em 1h47 de partida.

Sí, se puede
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 16, 2016 às 5:03 pm

Monica Puig fez história. Conquistou o primeiro ouro olímpico de Porto Rico, tornou-se a primeira mulher medalhista para seu país e conseguiu apenas a nona medalha olímpica da ilha. Mas mais que isso, Puig mostrou que é possível.

Amparada pelos gritos de “Sí, se puede” das arquibancadas do Centro Olímpico de Tênis, enquanto desafiava a número 2 do mundo Angelique Kerber na decisão, Puig sempre se orgulhou de defender as cores de Porto Rico, tanto que já recusou convites para se naturalizar americana. Ela disse depois do jogo que espera inspirar mulheres latinas a alcançarem seus objetivos. E o exemplo também pode servir para inspirar suas colegas de circuito.

Puig superou as campeãs de Slam Kerber e Kvitova nas fases finais, além de ter derrotado Muguruza durante a semana

Puig superou as campeãs de Slam Kerber e Kvitova nas fases finais, além de ter derrotado Muguruza durante a semana

Puig, de 22 anos e 35ª do ranking, venceu um torneio olímpico que tinha praticamente todas as estrelas do circuito feminino (apenas Simona Halep e Victoria Azarenka não jogaram). Sequer pode ser dito que ela se aproveitou de uma chave favorável, como às vezes acontecem nessas surpresas. A semana no Rio foi impecável, com vitórias sobre três campeãs de Grand Slam, Garbiñe Muguruza, Petra Kvitova e Angelique Kerber.

Fica uma ótima lição para as jogadoras jovens e para as de ranking mais baixo, exatamente um ano depois de Belinda Bencic ser campeã de Toronto aos 18 anos derrubando cinco top 10 pelo caminho. É possível vencer grandes nomes em sequência e conquistar títulos importantes.

Puig teve uma ótima carreira como juvenil, com direito a duas finais de Grand Slam na Austrália e em Roland Garros em 2011. Menos de dois anos depois, em maio de 2013, já estava entre as cem melhores para vencer seu primeiro WTA no ano seguinte em Estrasburgo.

A porto-riquenha quase saiu do top 100 no ano passado, por não repetir os bons resultados da temporada anterior. No início de 2016, a porto-riquenha aparecia apenas no 92º lugar, mas ganhou quase sessenta posições para atingir o melhor ranking da carreira em julho, duas posições acima do atual 35º lugar.

Se os Jogos Olímpicos dessem pontos, ela já estaria próxima do top 20. Caso ela consiga manter o embalo nas próximas semanas, o US Open começa em 15 dias por exemplo, será um caminho natural para uma jogadora que vive seu melhor momento.

Outra possibilidade de medalha para a nova geração era a de Madison Keys, que entrou como cabeça 7 no feminino e tinha um caminho favorável. Não que as rivais fossem fracas, mas porque o encaixe do jogo era ideal para o estilo agressivo da americana.

A jovem de 21 anos chegou à semifinal, mas nas duas últimas partidas sofreu com o alto número de erros e o baixo aproveitamento de break points. Contra Kerber na semi foram 41 erros e nenhuma quebra em dez chances, já disputa do 3º lugar diante de Petra Kvitova ela cometeu 49 erros e quebrou duas vezes em dez oportunidades.

Keys lidera nova geração no Rio e luta por medalha
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 5, 2016 às 9:15 pm

Expoentes da nomes da nova geração do tênis mundial estão no Rio de Janeiro para o Torneio Olímpico de Tênis, que começa neste sábado. Todos disputam as Olimpíadas pela primeira vez. Se a maioria aparece longe da briga por medalhas, Madison Keys é exceção e tem boas chances de ficar nos primeiros lugares.

De volta ao top 10, Keys tem chave boa na luta por medalhas.

De volta ao top 10, Keys (à direita) tem chave boa na luta por medalhas. (Foro: ITF)

De volta ao top 10 depois do vice-campeonato no WTA Premier de Montréal, Keys entrou como cabeça 7 no Rio, já que Victoria Azarenka e Simona Halep estarão ausentes. A americana de 21 anos estreia contra a montenegrina Danka Kovinic à 11h (de Brasília) deste sábado, mas ainda assim pretende desfilar na Cerimônia de Abertura no Maracanã. Para segunda fase, ela pode ter pela frente a ucraniana Lesia Tsurenko ou a francesa Kristina Mladenovic.

O bom saque e a potência nos golpes da americana a deixam na posição de favorita em possíveis oitavas contra Carla Suárez Navarro, ou mesmo na troca de pancadas de fundo com Ana Ivanovic. Já na reta final da disputa por medalhas, Agnieszka Radwanska é o nome mais forte para as quartas e Angelique Kerber em possível semi.

Entre as jovens que podem se destacar no Rio também está Jelena Ostapenko, letã de 19 anos e 41ª do mundo que desafia Samantha Stosur na estreia e aparece como possível rival de Kerber nas oitavas. Já a russa de 19 anos Daria Kasatkina, 27ª colocada, é favorita na estreia contra a tunisiana Ons Jabeur e pode enfrentar Radwanska já na segunda rodada.

A estreia de Serena Williams também promete um jogo difícil. A melhor tenista do mundo será desafiada pela australiana de 22 anos Daria Gavrilova, 46ª do ranking e que já acumula seis vitórias contra top 10. Outro destaque fica para o duelo entre Eugenie Bouchard e Sloane Stephens neste sábado, na quadra 3, que definirá a adversária de Kerber na segunda fase.

Desfalques e retorno no torneio masculino

Thanasi Kokkinakis volta às quadras depois de dez meses parado por lesão no ombro direito (Foto Paul Zimmer/ITF)

Thanasi Kokkinakis volta às quadras depois de dez meses parado por lesão no ombro direito (Foto Paul Zimmer/ITF)

Com as ausências de Nick Kyrgios, Dominic Thiem, Alexander Zverev e Taylor Fritz, a nova geração masculina conta com Kyle Edmund, Borna Coric e Thanasi Kokkinakis no Torneio Olímpico de Tênis.

Entre os três, Edmund é quem tem um começo de torneio menos ingrato. O britânico de 21 anos e 83º do ranking estreia contra o australiano Jordan Thompson por volta de 12h30 (de Brasília) neste sábado na quadra 8, e pode enfrentar Jack Sock ou Taro Daniel na segunda fase, antes de ter Novak Djokovic ou Juan Martin Del Potro pela frente.

Borna Coric, 51º do ranking aos 19 anos, encara o cabeça 15 francês Gilles Simon, por volta de 15h30 (de Brasília) na quadra 1. Jogo duríssimo, mas “ganhável” e depois seria favorito contra Brian Baker ou Yuichi Sugita. Em possíveis oitavas, Rafael Nadal é o principal concorrente.

Já Kokkinakis volta a competir depois de dez meses parado para operar o ombro direito e enfentará o português Gastão Elias, que provavelmente passará tranquilo pela estreia no Rio.