Monthly Archives: abril 2016

Bem no ranking, Felipe Meligeni prioriza o juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
abril 28, 2016 às 8:32 pm

No final de março, logo depois que Felipe Meligeni Alves conquistou do Sul-Americano Individual Juvenil, falamos aqui no blog sobre a situação do jovem paulista de 18 anos. O título no saibro argentino de Mar del Plata teve interferência direta no ranking e na definição do calendário para a temporada. A uma semana de viajar para as principais competições juvenis no saibro europeu, ele comemora o fato de já ter uma agenda pronta e passagem garantida para grandes torneios dos próximos meses, incluindo Roland Garros e Wimbledon.

Felipe Meligeni Alves disputará três torneios no saibro antes de Roland Garros (Foto: João Pires)

Felipe Meligeni Alves disputará três torneios no saibro antes de Roland Garros (Foto: João Pires)

“É um alívio saber que você já está garantido na chave principal e não tem que se preocupar com quali, igual aconteceu ano passado”, disse Alves, que aparece no 35º lugar no ranking mundial juvenil. “Estar no top 40 é incrível, vou estar convivendo com os caras no Grand Slam é sensacional”.

A boa situação no ranking e a inédita experiência em Grand Slam o fizeram priorizar as competições juvenis para esta temporada, ainda que já esteja com 18 anos. Felipe viaja na próxima quarta-feira, 4 de maio, para a Europa. Serão três torneios preparatórios para Roland Garros, a começar pelo Città Di Santa Croce e Trofeo Bonfiglio, na Itália, além do Astrid Bowl, na cidade belga de Charlenoi.

Com resultados negativos antes do título na Argentina, o paulista acredita que pôde jogar sem pressão no término da série sul-americana de torneios no saibro, o que o ajudou a vencer o Sul-Americano e atingir o melhor ranking da carreira. “Desde o começo do ano, eu não estava tendo boas campanhas. Durante a Gira Cosat eu comecei um pouco mal, perdendo duas primeiras rodadas”, contou Alves, que perdeu na estreia das etapas da Colômbia e Equador.

“Em geral, minha gira não foi tão boa, eu acabei conseguindo no sufoco jogar bem no último torneio e ser campeão. Consegui jogar solto, sem me preocupar com o resultado e acho que isso me ajudou bastante”, avalia. “Foi um alívio incrível. Quando eu ganhei o torneio, eu nem estava acreditando. Poderia ter caído na semifinal ou nas quartas, porque eu estava perdendo com uma quebra no terceiro set dos dois jogos e acabei lutando muito e levantando os jogos”.

Felipe vem da disputa de seu primeiro challenger como profissional, em São Paulo, onde recebeu convite e jogou contra o pernambucano José Pereira na rodada de estreia. “É uma experiência nova para mim. Eu já tinha jogado quali de challenger, mas nunca na chave principal. Fico muito feliz por estar com esses caras, sentir a bola deles. Manter o nível alto o jogo inteiro igual eles mantém ainda é um pouco complicado, mas isso só se consegue treinando”.

Natural de Campinas, Felipe Meligeni Alves treina há um ano com Leandro Afini em São José dos Campos. “Quando eu cheguei, eles pegavam muito no pé no lado psicológico. Era o que me atrapalhava bastante, acho que estou muito melhor hoje em dia. Só tenho a agradecer pelo apoio que estão me dando, eles me acolheram muito bem. Foi uma evolução incrível”.

Zormann não se deixa acomodar
Por Mario Sérgio Cruz
abril 25, 2016 às 6:47 pm

A boa carreira juvenil de Marcelo Zormann, com títulos de duplas em Wimbledon e nos Jogos Olímpicos da Juventude, ficou para trás. Em sua segunda temporada exclusivamente como tenista profissional, o paulista de 19 anos trabalha a evolução passo a passo, mas não se deixa  acomodar.

No circuito masculino, Zormann já tem dois títulos em quatro finais de future, categoria em que já soma 38 vitórias, e planeja mesclar esses eventos já com alguns challengers. Nesta segunda-feira, ele aparece com o melhor ranking da carreira ao ocupar o ainda modesto 536º lugar, depois de ter avançado uma rodada no São Paulo Challenger de Tênis. O jovem jogador falou ao TenisBrasil sobre seu trabalho de transição ao profissionalismo.

Zormann está em seu segundo ano como profissional.

Zormann está em seu segundo ano como profissional. (Foto: João Pires)

“Esse processo é um pouco mais lento”, disse Zormann. “Alguns jogadores conseguem passar por ele mais rápido, mas o mais comum é passar por isso de maneira mais lenta. O importante é não se deixar acomodar e ficar parado no mesmo ranking ou no mesmo nível”.

O paulista apresentou motivos para que alguns jovens jogadores europeus e americanos consigam resultados expressivos tão cedo, chegando ao top 200 ou até mesmo ao top 100, mas também ressalta. “Eles têm nível para estar onde estão”, disse. “O grande diferencial é a quantidade de torneios que eles jogam. Americanos e europeus têm bastante torneios perto de casa, quase toda semana. Querendo ou não, você joga mais torneios e a chance de ter bons resultados aumenta”.

Zormann treina no Itamirim Clube de Campo, na cidade catarinense de Itajaí, ao lado de outras jovens promessas como Orlando Luz, João Menezes e Rafael Matos. Ele viaja o circuito na companhia de técnicos como Luiz Peniza, Patrício Arnold e o argentino Cristian Kordasz, que já trabalhou para a Federação Canadense e acompanhou o início de carreria da ex-top 5 Eugenie Bouchard. “Um está sempre um puxando o outro nos treinos. O nível fica muito alto e mesmo que alguém deixe cair um pouco, outro consegue fazê-lo voltar. O nível é sempre o melhor possível”.

Sobre sua primeira temporada como profissional em 2015, Zormann lembrou o começo difícil, já que se recuperava de uma pubalgia que o afastou do esporte por quatro meses. Ele avalia que o término de ano foi positivo e espera manter a evolução na atual temporada.

“Eu não comecei aquele ano muito bem, estava voltando de lesão, mas aos poucos fui encaixando meu jogo”, avaliou o paulista que se machucou no fim de 2014 e teve o período de pré-temporada prejudicado. “É uma lesão delicada, mas acabei voltando até mais rápido e sem dor. Isso é muito positivo”.

“A partir do meio do ano passado, entrei num ritmo muito bom e terminei o ano jogando bem”, acrescentou o jogador, que venceu o future de Bol, na Croácia. “Este ano eu demorei um pouco para engrenar, mas acho que voltei a encontrar o mesmo ritmo do ano passado”.

Antes de jogar seu primeiro challenger no ano, o paulista disputou uma série de futures nos Estados Unidos em que precisou furar os qualis. A melhor campanha foi uma corrida de cinco vitórias até às quartas em Casablancas, na Califórnia. “Eu demorei um pouco para voltar ao nível que pretendo jogar, mas na última semana eu consegui encaixar bem. Os três jogos do quali acabaram me ajudando. Ganhei dois jogos muito bons na chave e acabei perdendo de um cara que jogou muito bem. Foi uma gira muito positiva”.

Mesmo que os Grand Slam do circuito juvenil já estejam no passado e a volta a esses placas ainda esteja distante, Zormann mantém o planejamento de jogar na Europa nesta época do ano, aproveitando a grande quantidade de torneios no saibro para somar pontos e ganhar experiência.

“A ideia é ir para a Europa porque começa o verão e os torneios no saibro que é melhor para nós jogarmos. Não vamos deixar nada definitivo, vamos olhar as listas e mesclar entre challenger e future”, disse o paulista que antes de embarcar para o Velho Continente, ainda faz curta viagem para a Argentina, onde jogará por três semanas. Há grande possibilidade de que ele e outros jovens que treinam em Itajaí possam disputar os mesmos torneios.

Em São Paulo – O jovem americano de 19 anos Ernesto Escobedo foi vice-campeão do São Paulo Challenger de Tênis. Algoz de João “Feijão” Souza nas oitavas, ele só parou na decisão diante do chileno Gonzalo Lama. Levantamento da ATP mostra que Escobedo é o sétimo jovem americano a disputar uma final de challenger desde o mês de outubro.

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Brasucas – Durante o torneio em São Paulo, os juvenis Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves receberam convites para a chave principal. Já o gaúcho Orlando Luz, que tinha pontos de quartas a defender, não pôde jogar por motivo de saúde. Orlando passou por recente cirurgia para corrigir desvio de septo e melhorar capacidade respiratória.

Sul-Americano de 16 anos – Começa nesta segunda-feira o Campeonato Sul-Americano de 16 anos, que classifica para a Copa Davis Junior e Fed Cup Junior. Os jogos acontecem no Novo Rio Country Club, no Rio de Janeiro.

O time masculino formado pelo pernambucano João Lucas Reis, o paulista Mateus Alves e o paranaense Thiago Wild, acompanhados pelo capitão Luiz Peniza. Já a equipe feminina conta com a paulista Ana Luiza Cruz, a gaúcha Laura Wayerbacher e a mineira Marina Figueiredo e está sob o comando da capitã Fernanda Ferreira.

Ranking – Após duas vitórias no ATP 250 de Barcelona, o alemão Alexander Zverev entrou no top 50, ao aparecer no 49º lugar. Ao se juntar ao 40º colocado croata Borna Coric, o ranking desta segunda-feira é o primeiro desde 15 de setembro de 2008 com dois atletas com menos de 20 anos aparecendo entre os 50 melhores.

Números de Zverev impressionam
Por Mario Sérgio Cruz
abril 21, 2016 às 6:01 pm

No dia em que completa seu 19º aniversário, Alexander Zverev chegou à sua 31ª vitória em chaves principais de ATP ao eliminar Thomaz Bellucci na segunda rodada do ATP 500 de Barcelona. A expressiva marca do jovem alemão é mais uma que confirma sua posição entre os nomes mais promissores do circuito masculino.

Uma estatística divulgada nesta quarta-feira vem da equipe de comunicação e redes sociais de Wimbledon compara o ranking de Zverev com os dos atuais membros do top 5. Ocupando o 51º lugar no dia em que completa 19 anos, o alemão tem marca melhor que o 63º de Novak Djokovic na mesma idade e próximo do 46º posto de Andy Murray e do 39º lugar de Roger Federer na época. Só não dá para comparar com Rafael Nadal, que já era top 5.

Nadal foi extremamente precoce. O Touro Miúra já acumulava 44 vitórias na carreira ao fim de 2004, ainda aos 18 anos, e venceu outras 79 partidas só na temporada seguinte. Quando completou 19 anos, no meio da campanha para o primeiro título de Roland Garros, ele já havia vencido quase 90 partida em ATP. Um fenômeno que dificilmente será repetirá.

Chegar (e ultrapassar) a marca de 30 vitórias em ATP tão cedo chama atenção. Muito mais que tentar ver a que ponto da carreira outras lendas chegaram a esse número -Federer, Murray e Djokovic o fizeram na mesma idade- a comparação mais importante é com outros talentos da nova geração.

O australiano Nick Kyrgios que é 20º do mundo e está próximo de completar 21 anos já tem 50 triunfos, mas havia vencido apenas três partidas neste nível antes do 19º aniversário em abril de 2014. Até o fim da temporada passada, ele acumulava 36.

Já o agora top 15 aos 22 anos Dominic Thiem acumula 90 vitórias, sendo 26 somente na atual temproada. No entanto, os resultados positivos em ATP ficaram mais frequentes em 2014, quando completou 21 anos. Aos 19, o austríaco havia vencido só quatro partidas em primeira linha.

O único jovem com números melhores que os de Zverev é Borna Coric, que é cinco meses mais velho. Quando completou 19 anos em novembro, o croata já acumulava 33 resultados positivos e já teve ranking até melhor que o do alemão. Coric já foi 33º mundo com apenas 18 anos e hoje ocupa o 41º lugar.

Perigosas comparações
Por Mario Sérgio Cruz
abril 11, 2016 às 5:55 pm

Uma cena comum neste início de temporada masculina tem sido os duelos entre jovens promessas. Aconteceram nos três primeiros Masters 1000 de 2016 e também no ATP de Houston na semana passada. Neste cenário são feitas comparações com Orlando Luz, um jogador que rivalizava com muitos deles durante o circuito juvenil e chegou a liderar o ranking mundial da categoria. Comparar é um processo natural, mas perigoso.

A participação de Orlandinho no 2º ITF Junior Masters durante a última semana deu margem a alguns questionamentos. O gaúcho, que completou 18 anos em fevereiro, não disputava competições juvenis desde o US Open e venceu umas das três partidas que fez no evento, terminando em sétimo lugar.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlandinho optou por disputar Junior Masters pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Eu gosto da proposta do Masters, principalmente por aquilo que o torneio oferece aos jogadores. A ITF e os organizadores entendem que é um momento na carreira deles que pontos no ranking juvenil não são mais interessantes. Então, a premiação é oferecida em garantias de viagens (torneio juvenil não pode pagar em dinheiro) e prioridade de escolha em convites para torneios de alto nível. Campeão do ano passado, o russo Andrey Rublev já disputou 16 torneios ATP, sendo 13 por meio de convites diretamente para chaves principais.

Quando a gente vê Fritz ou Zverev no top 100, Tiafoe vencer jogo de Masters 1000 ou Tommy Paul furar quali de ATP, fica a sensação no público de que Orlando teria “ficado para trás”. Mas essa comparação não leva em consideração uma série de variáveis. Por melhores que sejam suas condições aqui no Brasil – e estamos falando de um garoto que está em um excelente centro de treinamento e que tem um contrato com a Nike desde os 16 anos – as situações de um americano ou europeu são ainda mais favoráveis para que atinjam o alto nível mais cedo. Tem o lado econômico e o fato de poderem ser mais testados em competições. O mais importante é que o próprio Orlando Luz está ciente disso e já deu declarações anteriores nesse ponto.

É muito difícil comparar esse estágio de desenvolvimento com o de um sul-americano. Thiago Monteiro foi número 2 no juvenil e começa colher os frutos só agora aos 21 anos, poderia ser um espelho, mas ele não recebeu a mesma cobrança durante a transição ao profissionalismo. Saindo do Brasil, temos o exemplo do chileno Garin, que ganhou o juvenil de Roland Garros há alguns anos e ele ainda rema nos torneios future e challenger. Os novos argentinos têm um desenvolvimento até mais rápido que brasileiros, mas também se metem no top 100 na casa dos 24 anos. É preciso de tempo.

Impressões do Masters

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Hong e Blinkova venceram o Junior Masters (Foto: Susan Mullane/ITF)

Durante o Masters, pude ver uma das três partidas de Orlando Luz e justamente a mais peculiar. Na derrota por 6/4 e 6/1 para o americano William Blumberg, o jogo começou no sábado no estádio principal, foi interrompido por chuva, e terminou no domingo na Quadra 1, que me pareceu mais rápida.

Na primeira parte do jogo, vi Orlandinho fazer quatro bons games de saque -cedeu só dois pontos no serviço até o 4/4- mas tomou uma quebra pouco antes da interrupção. Chamou atenção também seu posicionamento para devolver saques no lado da vantagem, ficando à esquerda do corredor de duplas para tentar responder saques abertos com forehand. Já na segunda parcial, em condições de quadra bem diferentes, o gaúcho teve bem mais dificuldade de lidar com o saque do adversário.

O título masculino ficou com o sul-coreano Seong Chan Hong, com vitória por 7/5 e 6/3 contra o norueguês Casper Ruud. Acompanhei duas de suas partidas e me pareceu um tenista muito sólido do fundo de quadra (um pouco parecido com Hyeon Chung, mesmo sem a mesma estrutura física, e seu modelo é Kei Nishikori) e com bom jogo de transição e contra-ataque, que funcionaram muito contra o agressivo chileno Marcelo Barrios Vera na semi. Hong está fazendo um ano muito bom já no profissional. Venceu três futures seguidos na Turquia e tem 20 vitórias e apenas uma derrota na temporada, sem contar as três vitórias no juvenil.

Quem venceu o feminino foi a russa Anna Blinkova, com 6/4, 6/7 (1-7) e 7/6 (7-4) contra a britânica Katie Swan. A russa chegou a sacar para o jogo no segundo set e viu a adversária -a meu ver, favorita- ter a mesma chance na última parcial. Resultado importante para Blinkova, que havia sofrido uma derrota muito dura na final de Wimbledon no ano passado para outra russa, Sofya Zhuk.

Rendez Vous

No Rendez Vous à Roland Garros, em São Paulo, Lucas Koelle confirmou seu favoritismo. Próximo do top 50 no ranking mundial juvenil, ele já havia ficado perto da vaga direta em Paris. Já Marcelle Cirino, campeã do feminino, teve como destaque a virada incrível na semifinal contra Georgia Gulin, em que reverteu 6/3 e 5/1 para salvar três match points e vencer onze games seguidos. Impressionante reação para a jogadora de 17 anos e que executa um raro backhand de uma mão.

Pelo mundo

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

O destaque da nova geração da semana foi o vice-campeonato de Borna Coric no ATP de Marrakech. Nos challengers, Stefan Kozlov foi vice em Guadalupe com Taylor Fritz, e Yoshihito Nishioka nas semifinais, mas o título ficou com o veterano Malek Jaziri. Já pelo circuito future, o japonês Yosuke Watanuki (campeão da Copa Gerdau) venceu o segundo torneio seguido em seu país. Dois títulos profissionais também tem agora o canhoto canadense de 16 anos Denis Shapovalov, após vencer o future de Memphis.

Kyrgios encontra a regularidade
Por Mario Sérgio Cruz
abril 4, 2016 às 6:55 pm

Esta segunda-feira representa um marco na carreira de um dos principais nomes da nova geração do tênis masculino. Aos 20 anos, Nick Kyrgios entra pela primeira vez no grupo dos 20 melhores do mundo, sendo o mais jovem desta faixa de ranking. A chegada ao melhor momento da carreira vem logo depois de sua melhor campanha em Masters 1000, uma semifinal em Miami

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Kyrgios consegue ser mais regular, manter sequências de bons resultados em torneios diferentes, além de “apagar” mais rápido as chances perdidas em seus jogos. E mesmo quando velho e problemático Kyrgios deu às caras, e aconteceu na vitória contra o russo Andrey Kuznetsov, o descontrole foi breve e não o tirou do jogo. Tudo isso vem à tona quando o ranking atualiza.

Em Miami, Kyrgios foi beneficiado por eliminações precoces de Rafael Nadal, Stan Wawrinka e John Isner. Quando a chave ficou aberta à sua frente, o australiano aproveitou a oportunidade da melhor maneira possível, ao vencer três partidas em que era favorito em sets diretos. Contra Milos Raonic, nas quartas, quebrou logo na abertura da partida e atacou um segundo saque no tiebreak do segundo set. Acabou sendo o suficiente, porque soube fechar a porta.

Voltando a fevereiro, quando conquistou seu primeiro ATP em Marselha, Kyrgios mostrou solidez nas rodadas finais contra outros favoritos. Nas rodadas finais, ele encarou dois top 10, Richard Gasquet e Tomas Berdych, além do campeão de Grand Slam Marin Cilic no jogo decisivo. Em três dias, o australiano sequer teve o serviço quebrado, venceu as partidas em sets diretos e ainda acumulou 49 aces. A série de vitórias também foi a primeira de um jogador com 20 ou menos anos sobre dois top 10 desde 2009, quando Juan Martin Del Potro bateu Rafael Nadal e Roger Federer no US Open.

Só nos três primeiros meses de 2016, o australiano já acumula 14 vitórias em ATP e apenas quatro derrotas. O único torneio em que perdeu na estreia foi em Indian Wells, quando estava voltando de lesão nas costas e um problema de sáude que o tirou da Copa Davis. Ele já tem quatro vitórias a mais que no ano de 2014 (quando entrou no top 100) e apenas dez a menos que em toda a temporada passada. Para efeito de comparação, ele só chegou a 14 triunfos em 2015 durante Roland Garros.

A perspectiva para os próximos meses é bastante animadora, embora o saibro não seja seu melhor piso. Kyrgios está a 1075 pontos do top 10, não tem resultados a defender em abril e tem só 270 a serem descontados em maio, mês que tem mais de 2 mil em disputa. Outra vantagem vai ser entrar como cabeça de chave nos principais torneios e fugir de encontros com favoritos em rodadas iniciais, o que não acontecia no ano passado.

Além de ser o 20º melhor do mundo, o australiano é o 12º melhor da temporada a apenas 10 pontos do 11º Tomas Berdych e 150 pontos distante do oitavo melhor da temporada. Dá para sonhar…

Naomi+Osaka+Miami+Open+Day+5+YPjqrP1JYmSl

Promessa japonesa no top 100 feminino – No ranking feminino, destaque para a entrada de Naomi Osaka no top 100. A japonesa de 18 anos foge aos padrões de outras jogadoras de seu país, tradicionalmente mais baixas e mais magras. Osaka tem 1,80m e se destaca pelo físico. Ela saltou do 104º para o 95º lugar depois de ter chegado à terceira rodada em Miami, aproveitando o convite dos organizadores.

Osaka tem o saque como principal golpe e chegou a derrotar Sara Errani na Flórida. Ela já está no radar de quem acompanha a nova geração desde julho de 2014, quando tinha apenas 16 anos e derrotou Samantha Stosur em Stanford. Na ocasião, a japonesa já atingia velocidades próximas a 190 km/h com seu primeiro serviço.

Outro destaque fica para a russa de 18 anos Daria Kasatkina, que bateu o melhor ranking da carreira ao alcançar o 35º lugar. Em Miami, ela equilibrou as ações com Simona Halep e seu backhand com salto, inspirado em Marat Safin, ainda vai tirar muitas favoritas do sério.