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O Stanimal reaparece
Por José Nilton Dalcim
12 de setembro de 2016 às 00:54

Stan Wawrinka é um fenômeno. Chegou a três finais de diferentes Grand Slam e, em todas elas, deixou pelo caminho Novak Djokovic e derrotou na decisão o número 1 do mundo vigente. Mas talvez também devamos dizer que Stan é um preguiçoso. Porque com a qualidade do seu tênis, demorou demais para ganhar seu primeiro grande troféu na Austrália de 2014. Aí levou 17 meses para faturar Roland Garros. E mais 14 até vencer o terceiro, neste domingo, em Nova York.

A coisa mais curiosa deste conquista no US Open nem foi o fato de ter quase perdido na terceira rodada para o modesto Daniel Evans. Porém, a aposta no seu preparo físico para derrotar seus três imponentes adversários das rodadas finais. Logo ele, que sempre sofreu para se manter no peso e cansou de perder jogos pela movimentação deficiente.

O duelo contra Djokovic deste domingo exemplifica bem. O suíço entrou em quadra com 17h54 de esforço nas duas semanas, praticamente o dobro das 8h58 do sérvio. E ainda assim Stan acreditou que teria mais pernas e braços, assim como fizera diante de Juan Martin del Potro e Kei Nishikori. Ficou apontando repetivas vezes para a cabeça indicando para o técnico Magnus Norman que estava prosseguindo com o planejamento inicial: trabalhar os pontos e buscar a definição na hora certa, muitas vezes com seu magnífico backhand.

O jogo se caracterizou por um duelo mental mais do que técnico. O jogo foi bom mas não espetacular e basta ver a estatística: 27 break-points oferecidos pelos dois, 51 erros não forçados do campeão e 46 do outro postulante. Felizmente, os winners ajudaram a compensar, com 46 de Stan e 30 de Nole. O sérvio falhou feio três vezes com o saque (5/3 para fechar o primeiro set, 4/5 do segundo e 5/6 do terceiro para perder as séries).

O backhand de Stan machucou tanto que ele se queixou abertamente do golpe, perdeu a frieza e não parou de falar com seu time entre os pontos ao melhor estilo Murray. Mesmo sem sacar tão bem como poderia, Wawrinka mais uma vez sinalizou ao mundo do tênis que para vencer Djokovic é preciso atacar dos dois lados, variar ângulos e paralelas, abrir espaços com paciência e precisão. É uma tarefa muito difícil, porque o sérvio se mexe como ninguém em quadra e está sempre pronto para um contra-ataque mortal. Nem as bolhas no pé o seguram. E daí que a cabeça do suíço surpreendeu, porque ele superou momentos de dúvida, de erros, de pressão, de superação total do sérvio.

A temporada ainda não terminou. Vamos torcer para que, de novo, Stan não se contente e acomode. Fico no entanto com uma pulga atrás da orelha. Mesmo num Slam em que foi tão pouco exigido e com um calendário anual econômico, Nole teve os mais variados tipos de problemas: punho, cotovelo, ombro (aliás os dois) e por fim fisgada na virilha e bolha no pé. Ainda que seu estilo não seja tão pesado como o de Nadal, há um considerável preço a se pagar pela correria e esforço sempre no limite. Talvez seja hora de repensar tudo isso.

Fim de semana
Sábado especial. Primeiro, com Bruno Soares aumentando sua história e chegando ao quinto Grand Slam de uma carreira que ainda tem muito a oferecer. Encontrou um parceiro que é amigo e habilidoso, com defeitos a corrigir e muita vontade de ganhar. Os dois se entendem às maravilhas e ganhar dois Slam em apenas sete meses de entrosamento é um tremendo resultado. Como a temporada de quadras sintéticas vai longe, eles têm um cenário favorável a várias conquistas ainda em 2016.

O 33º troféu brasileiro de Grand Slam veio horas depois com o juvenil campineiro Felipe Alves, sobrinho de Fernando Meligeni. Um garoto trabalhador, que faz a família se virar como pode para manter o sonho do circuito profissional. Ainda que ele certamente mire a carreira de simples, o título no US Open é mais uma prova da habilidade inata do tenista brasileiro para a dupla, algo que deveríamos avaliar com mais seriedade. O sucesso de Bruno e Marcelo Melo também é coroado por uma premiação que já beira a casa dos US$ 4 milhões cada um. Portanto, dupla aparece menos e ganha fatia pequena do bolo, porém o caminho vale a pena.

Por fim, Angelique Kerber e Karolina Pliskova fizeram uma final com todos os ingredientes. Dentro de suas capacidades, jogaram o máximo. A tcheca, que não havia demonstrado tremedeira até então, deixou escapar o 3/1 no terceiro set e fez dois games horríveis no finalzinho da partida. Mas é desculpável diante de sua mínima experiência e da determinação incansável da nova número 1 do ranking. Para o tênis, foi ótimo. Porque não seria agradável ver Kerber assumir a liderança com um vice. O US Open coroou sua notável temporada e mostrou que a vida de uma tenista de 28 anos ainda pode ser longa.

Desafio
Apesar dos quase 200 votos, apenas quatro internautas acertaram que Wawrinha ganharia por 3 a 1 de virada e Kerber marcaria 2 a 1 perdendo o segundo set. Victor Petri foi o primeiro colocado, tendo acertado três placares do jogo masculino e dois do feminino. Em segundo, ficou Thawan Costa, com erro de seis games na soma dos sets, e em terceiro Carlos Husky, com erro de nove. Vocês devem me enviar nome e endereço completos para o envio das bolas autografadas por Caroline Wozniacki, um presente da adidas.

Quem ganha o US Open? Vale prêmio especial!
Por José Nilton Dalcim
10 de setembro de 2016 às 00:11

bolasStan Wawrinka irá de novo barrar Novak Djokovic numa final de Grand Slam? Karolina Pliskova vai ‘carimbar’ o número 1 de Angelique Kerber. Momento ideal para mais um desafio do Blog do Tênis, que vai dar um prêmio especial aos três mais bem pontuados: uma bola de tênis autografada por Caroline Wozniacki durante os Jogos do Rio, cedidas gentilmente pela Adidas, marca que patrocina a dinamarquesa que tão se destacou em Nova York nestas semanas.

Vote então no vencedor, placar e duração da partida de cada uma das finais, conforme modelo abaixo. Claro que vale primeiro o vencedor; entre os que acertarem, o placar que mais bem explicar o andamento do jogo; por fim, para desempate, o tempo de jogo.

Caso queiram (e devam) fazer comentários sobre a rodada, escrevam e opinem exclusivamente no post abaixo ou no que virá no final de tarde. Deixem aqui somente os palpites numéricos. Fica mais organizado.

A votação se encerra quando for dado o primeiro saque às 17 horas de sábado. E, é claro, se ganhar alguém de fora do Brasil, terá de indicar um endereço no país para receber o prêmio.

Importante: são permitidos palpites pelo Facebook oficial do site TenisBrasil, mas não valem palpites por email. O divertido aqui é justamente todo mundo poder conferir a aposta dos demais.

Se possível, seguir o modelo abaixo, o que facilita muito na hora da apuração:

Djokovic vence Wawrinka, 3 sets a 1, parciais de 6/4 6/4 4/6 6/4, em 3h15.
Kerber vence Pliskova, 2 sets a 1, parciais de 6/4 4/6 6/4, em 2h15.

Final saborosa
Por José Nilton Dalcim
10 de setembro de 2016 às 00:00

Stan Wawrinka é sem dúvida mais um dos ‘fregueses’ de Novak Djokovic, como bem mostra o placar geral de duelos, que está 19 a 4. Porém, as duas mais recentes vitórias do suíço criam um clima saboroso para esta decisão de domingo, já que aconteceram em dois Grand Slam que culminaram com o título de Stan. E foram inesquecíveis atuações, nas quartas da Austrália de 2014 e na final de Roland Garros do ano passado.

Ainda que Nole tenha vencido em Cincinnati e Paris depois disso, em pisos mais velozes, certamente há um tom de revanche pela frustração incrível no saibro de Paris. Também não haverá novidade alguma, porque basicamente os dois jogam no mesmo padrão técnico e tático de antes. O primeiro serviço é um elemento fundamental aos dois para que dominem logo na segunda bola e economizem fôlego, Stan vai procurar mudar o ritmo com slices cruzados e backhands na paralela, Djokovic vai explorar a parte defensiva menos eficiente do adversário. Provavelmente, veremos poucas subidas à rede.

As semifinais desta sexta-feira foram interessantes. O jogo de Nole vai ficar na memória por conta da inusitada tática usada por Gael Monfils, que lhe valeu críticas e vaias. Completamente perdido em quadra com um começo de jogo horroroso, optou por uma postura desleixada. Usou bolas totalmente sem peso, recebeu saque dois passos dentro da quadra e parecia estar entregando o jogo. Qual nada. Conseguiu mexer com a cabeça de Djokovic, o que é algo raro, recuperou a quebra e ficou a um break-point de outra. Errou a meu ver por não ter retornado ao ‘plano A’ a partir daí. Ao contrário, insistiu nesse estilo feio e pouco ortodoxo, que aí ficou irritante.

Djokovic reconheceria mais tarde que não soube lidar com a situação e se deixou envolver. Mas assim que fechou o primeiro set, recuperou a hegemonia e abriu quebra no terceiro set. Deveria ter acabado o jogo, porém vacilou e Monfils mostrou então seu melhor tênis na partida, ainda atípico, como dois games totalmente feitos no saque-voleio. Por fim, diante do calor e da alta umidade, seu físico caiu primeiro e Nole, mesmo com algum incômodo no ombro direito, liquidou a fatura. Foi o resultado mais justo porque, ainda que não tenha feito algo antietico ou antiesportivo, seria horrível para o tênis ver Monfils chegar à final com uma opção tática tão esdrúxula.

Em seguida, Kei Nishikori surpreendeu. Voltou a apresentar um tênis ofensivo que funcionou muito melhor que o estilo pragmático de Wawrinka. Mas não deu. Enquanto a força do japonês diminuía, a precisão de Stan aumentava. Há uma larga diferença no saque e o suíço foi deixando isso patente. Também se mexeu melhor a partir do segundo set, ainda que relutasse a ir para a rede para simplificar os pontos. Por fim, deu a lógica. Nishikori pagou o preço pelo esforço físico e mental do duelo contra Andy Murray e continua na fila por um título de Slam.

O sábado terá descanso para eles, mas é dia de Bruno Soares tentar seu quarto título de Grand Slam e o segundo em duplas masculinas ao lado de Jamie Murray. São amplos favoritos diante de Guillermo Garcia-López e Pablo Carreño, às 13 horas. Mais tarde, às 17, Angelique Kerber e Karolina Pliskova refazem a final de Cincinnati e a questão é ver se a futura número 1 do mundo desta vez será menos passiva do que foi três semanas atrás.