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Doce vingança
Por José Nilton Dalcim
13 de maio de 2017 às 19:27

Rafael Nadal não perdeu por esperar. Assim como havia sofrido derrotas acachapantes para Novak Djokovic em seus momentos de baixa, aproveitou-se neste sábado para retribuir em idêntica moeda. Não fosse uma pequena queda de intensidade no segundo set, e o espanhol teria atropelado o adversário com placar muito mais expressivo do que foram o 6/2 e 6/4.

Havia claramente uma motivação extra para Rafa. Ele entrou acelerado, distribuindo bolas para todos os lados, dedicadíssimo a ousar paralelas a qualquer oportunidade. Não custou nada abrir 4/0 diante do serviço débil de Nole. Voltou a sair com quebra à frente na outra parcial e só aí deu uma vacilada. Ficou mais conservador e vimos claramente que as paralelas diminuíram. Fechou as poucas frestas que surgiram com um empenho ferrenho, um saque inteligente e a variação de golpes que outrora era marca registrada do adversário. Um passeio tático e técnico.

Embora tenha jogado abaixo de seu nível, vale dizer que Nole tentou literalmente tudo. Recuou um passo atrás da linha, subiu mais do que deveria à rede – chegou a fazer saque-voleio -, deu deixadinhas, correu como louco. Mas esse arsenal não suprimiu sua imprecisão na hora de atacar ou a falta de regularidade para aguentar as trocas mais longas. No fundo, o que mais o deixou na mão foi um primeiro saque contundente que permitisse atacar logo na segunda bola. A explicação básica para tudo mais uma vez parece simples: não há confiança o suficiente.

Nole admitiu logo depois que Rafa é o favorito para Roland Garros, e o sérvio sabe que isso não depende mais do que acontecer em Roma. Claro que Nole ainda pode reduzir a distância caso não apenas faça um grande torneio no Fóro, mas principalmente se vingue do espanhol, já que os dois estão novamente fadados a se cruzar na semi. Caso contrário, o bi será um sonho distante. O primeiro balde de água fria já caiu.

E o que pode fazer Dominic Thiem contra Nadal? Vimos poucos dias atrás que o austríaco tem problema claro diante de quem defende em demasia. Apesar da potência incrível de seus golpes, ele acaba se desesperando quando não consegue finalizar os pontos e isso é justamente a maestria de Rafa no saibro. Então me parece que as chances do austríaco estão diretamente relacionadas à capacidade de absorver a frustração. Tomara que ele faça bem mais do que os cinco games que obteve em Barcelona.

Sábado de ouro
Carente de resultados animadores, o tênis brasileiro viveu um sábado de ouro. Bia Haddad Maia avançou para a maior final de sua curta carreira e pode cumprir o destino de chegar ao top 100 se levantar o troféu. Atrasado em relação a seu potencial, mas muito adiantado se pensarmos que começou a temporada perto do 250º posto e somente em fevereiro. De quebra, praticamente garantiu sua vaga em Wimbledon, seu primeiro Grand Slam.

Marcelo Melo foi outra alegria, embora nem tenha entrado em quadra. Ele o Lukasz Kubot se favoreceram do abandono de Nick Kyrgios – está com dor no quadril esquerdo e é dúvida em Roma – e farão assim a terceira final de Masters 1000 em 40 dias, em busca do segundo título e da liderança da temporada.

Em Roma, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro venceram a primeira rodada do quali e terão de duelar entre si para ver quem fica com a vaga. Se por um lado é ruim, de outro garante um deles na chave. O cearense não anda dando muita sorte nesta primeira incursão no tênis de primeiríssima linha.

Por fim, Orlando Luz foi à final de um future espanhol de US$ 15 mil. Claro que é hoje o menor dos torneios do circuito, mas demonstra que sua volta após dois meses de parada não tirou o ritmo. Portanto, um domingo que vale muita torcida.

Ela voltou
Por José Nilton Dalcim
26 de abril de 2017 às 18:52

Contra tudo e (quase) contra todos, Maria Sharapova voltou às quadras e surpreendeu. Diante de um adversária experiente e em ritmo perfeito de competição, a russa mostrou pouco a pouco um tênis vigoroso e agressivo, como se jamais tivesse ficado 15 meses longe do circuito. Vibrou muito, pareceu conter lágrimas. Muito aplaudida em Stuttgart.

Há duas coisas inegavelmente valiosas no retorno da musa. A primeira é que coloca atenção sobre o circuito feminino, que está claramente com carência de estrelas nos últimos meses. Com tendência a piorar, frente à gravidez de Serena. Em segundo, porque entra como nome forte já para os torneios de saibro e, na ausência da rainha da grama, pode muito bem sonhar outra vez até com Wimbledon.

Não vamos esquecer que a temporada 2017 está fortemente marcada por dois retornos inesperados e gloriosos: Roger Federer e Rafael Nadal. Ainda que os motivos de afastamento da russa sejam distintos, ou seja, não sofreu uma limitação séria por contusão, a busca por bons resultados, finais e títulos não será diferente da façanha que os dois rapazes obtiveram no Australian Open.

Por fim, ainda me causa estranheza ver tenistas batendo reto a ter sucesso sobre o saibro, como têm feito Sharapova e Serena nos últimos tempos. Isso ratifica o quão diferenciadas elas são e o quanto o piso de terra deixou de ter especialistas ao longo dos tempos.

A nota triste cabe ao tênis brasileiro e sua incrível derrocada logo no começo desta semana nas mais variadas modalidades e torneios, ainda que todos sobre o saibro. A queda de Thiago Monteiro foi amarga e preocupante pela forma com que aconteceu. Thomaz Bellucci se perdeu totalmente depois de ter uma quebra de vantagem no começo da partida. Bia Haddad e Teliana Pereira falharam no quali, os duplistas continuam sem achar ritmo.

A salvação da lavoura coube ao veterano Rogério Silva, que fez ótima estreia em Barcelona e teve azar de encarar logo Rafa Nadal na segunda rodada. O sorteio não poderia ter sido mais cruel. Pegar o embaladíssimo campeão de Monte Carlo diante de sua torcida e em dia de festa, pela inauguração oficial da quadra que foi batizada pelo maior nome do esporte espanhol da atualidade.

Rogerinho não fez feio, ressalte-se. Claro que lhe faltam golpes poderosos para definir pontos, sem os quais é muito difícil complicar Rafa no saibro. Porém, sua vontade de ganhar torna o jogo sempre divertido de se ver.

Bendito saibro
Por José Nilton Dalcim
12 de abril de 2017 às 22:40

O circuito se muda de vez para as quadras de terra e a expectativa de que vitórias brasileiras se avolumem fica bem maior a partir de agora. Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro venceram em Houston e têm boa chance de ir às quartas. Rogerinho Silva deixou escapar no terceiro set.

Ao derrotar com ampla superioridade o também canhoto Donald Young, que nunca foi grande coisa na terra batida, Thiago conquista sua 13ª vitória em nível ATP. É interessante observar que 10 desses resultados vieram sobre top 100, sendo quatro contra top 50 e dois diante de top 30. Todos esses triunfos foram sobre o saibro. Na quadra dura, sua marca são oito derrotas.

Bellucci teve altos e baixos diante do promissor Frances Tiafoe, que também gosta mais da quadra dura e deu muito trabalho a Roger Federer em Miami. Com a vitória de hoje, Bellucci se torna o terceiro brasileiro com maior número de vitórias em primeiro nível da Era Profissional, com 192, deixando Luiz Mattar para trás. Logo à frente está Fernando Meligeni, com 202. O lider absoluto é Guga Kuerten e suas 358.

O ‘Saiba Mais’ de TenisBrasil desta semana traz dados curiosos. Do montante de vitórias dos três líderes, Guga teve 50% no saibro e 41% no sintético; Meligeni, 79% na terra e 19% no sintético; Bellucci está agora com 62% no saibro e 34% na dura.

Um item relevante são os tiebreaks. Bellucci está com 99 vencidos e 51,6% de aproveitamento, ligeiramente inferior aos 52% que Guga e Mattar tiveram na carreira. Índice que Bellucci precisa melhorar são as vitórias no terceiro set. Hoje foi a 72ª, mas tem 76 derrotas e portanto 48,6% de eficiência. Como comparativo, Guga chegou a 62%; Mattar, a 55%; e Meligeni, a 49,6%.

Challengers
Algo que passou despercebido mas que merece registro é que Rogerinho Silva, campeão no Panamá no sábado, chegou a 284 vitórias em torneios de nível challenger, o que o coloca no nono lugar em toda a história da ATP para este nível de torneio. Apenas seis tenistas superaram até agora a marca de 300 triunfos.

No ano passado, Rogerinho ganhou 50 jogos de challenger, terceira melhor marca de todos os tempos. O recordista é Carlos Berlocq, com 57.

André Sá ocupa o quarto lugar em títulos de duplas, com 34, atrás dos 37 do aposentado Rik de Voest e dos 43 dos irmãos Ratiwatana.

Acho que vale a pena conferir as estatísticas do tênis brasileiro no Saiba Mais. Clique aqui.