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O mais forte top 10
Por José Nilton Dalcim
16 de setembro de 2014 às 19:55

Um fato me chamou atenção logo após o US Open. O atual número 10 do ranking, o búlgaro Grigor Dimitrov, atingiu a casa dos 3.710 pontos nas últimas 52 semanas. Me pareceu de cara uma marca expressiva. Ao longo de 2014, o máximo que o número 10 havia obtido eram 3.150, em julho, com Andy Murray na posição.

Solicitei checagem, mas a ATP ainda não respondeu. Desde que a entidade mudou a pontuação para o formato atual, a partir de janeiro de 2009, tudo indica que este é o mais forte dos top 10. Em abril daquele ano, Gael Monfils tinha 3.600 pontos nessa posição, o que deveria ser até então a melhor performance. Para se ter uma ideia da diferença, em julho de 2011 Andy Roddick somava “apenas” 2.100. No ranking final de 2012, o 10º colocado era Richard Gasquet, com 2.500; e no que encerrou a temporada do ano passado, Jo-Wilfried Tsonga aparece com 3.065.

Isso mostra o inusitado equilíbrio que o ranking masculino atinge numa de suas mais concorridas temporadas. A distância entre Dimitrov e o quinto do mundo, David Ferrer, é inferior a 800 pontos, bem menos do que a vantagem que o búlgaro tem para Ernests Gulbis, 13º, que supera a casa dos 1.000.

O ranking da temporada, que considera somente a pontuação desde janeiro, deixa isso ainda mais claro. Nos dois últimos anos, o oitavo classificado para o Finals chegou a Londres com cerca de 3.400 pontos. No momento, estima-se que a linha de corte será muito maior, bem perto da casa dos 4.500, talvez dos 4.700.

E a melhor notícia: um novato já se garantiu (Marin Cilic) e outros três têm grande chance de jogar o Finals: Kei Nishikori, Milos Raonic e o próprio Dimitrov. Eles podem tirar ‘medalhões’ como Murray, Tsonga, Tomas Berdych e David Ferrer, o que seria uma tremenda renovação para o torneio que encerra a temporada.

Treino de luxo – A federação da Ìndia contratou Tony Roche para a pré-temporada que os melhores tenistas nacionais farão em dezembro. Os jogadores serão reunidos em Bangalore para oito dias de trabalho. Roche treinou nada menos que Roger Federer, Ivan Lendl e Patrick Rafter.

Bola fora – A desistência de última hora de Stan Wawrinka deixou os organizadores do ATP de Metz enfurecidos. O suíço avisou por email na sexta-feira, quando começaram os jogos da Copa Davis e um dia antes do sorteio da chave, que é o prazo regulamentar. A imagem do número 4 do mundo foi usada em toda a publicidade do torneio. Os franceses querem atitude firme da ATP.

Desafio – O internauta Norbert Goldberg faturou o desafio lançado para a Copa Davis e receberá a camisa Wilson autografada por Bruno Soares. Ele acertou o placar final dos três confrontos sugeridos (considerei correto 3 a 2 para o Brasil), empatando com Rafael Benthien, mas levando a melhor na pergunta desempate sobre a quantidade de sets disputados.

Homens de aço
Por José Nilton Dalcim
4 de setembro de 2014 às 02:45

Houve momentos de fraqueza, nervosismo, irritação. Mas Novak Djokovic mostrou novamente que é um tenista com coração de aço. Resistiu a dois sets duríssimos contra um determinado Andy Murray e depois sobrou na parte física, mantendo uma consistência que o britânico perdia a olhos vistos. Se não foi uma exibição tecnicamaente espetacular, a consistência em situações extremas mostram por que ele é o favorito ao título do US Open.

Impossível também não dizer que Kei Nishikori surpreendeu muito hoje, não por sua qualidade técnica, que todos conhecemos, mas pela resistência física e mental para um segundo duelo consecutivo de cinco sets e além das 4 horas. O japonês mal teve forças para comemorar e selou seu retorno ao top 10 – será o número 9 com a derrota de Murray – com uma excelente atuação diante de Stan Wawrinka, mesclando ataque e contraataque em doses oportunas.

A grosso modo, Djokovic deveria ter vencido em três sets, um placar mais lógico dentro do que ambos fazem na temporada. Mas ele deixou  escapar vantagens e certamente foi surpreendido por uma disposição ofensiva do escocês, que disparou incríveis forehands para todos os cantos da quadra, justamente o golpe que Nole costuma explorar porque sempre foi o mais frágil do amigo que conhece desde a infância. O sérvio também não sacou tão bem, alternando instabilidade, porém sai muito confiante para as duas rodadas decisivas porque ganhar de Murray no piso duro é um resultado muito especial.

Já o jogo entre Nishikori e Wawrinka foi extremamente parelho, talvez à exceção do primeiro set, e os dois dividiram o tempo todo liderança do placar, oportunidades e jogadas agressivas e de alto risco. Um belíssimo duelo de quartas de final, que premiou aquele que mostrou o tempo todo maior frieza. O game derradeiro espelhou isso de maneira ímpar, com erros, dupla falta e pressa do suíço, incapaz de controlar a pressão. Dado curioso é que Nishikori ganhou 29 das 37 tentativas junto à rede, enquanto  Stan subiu apenas 15 vezes, o que mostra a dificuldade que ele teve em abrir a quadra do adversário.

Supervisionado por Michael Chang desde o começo da temporada, Nishikori deu um ‘upgrade’ inegável. Morando e treinando nos Estados Unidos desde os 14 anos, sempre se esperou dele bons desempenhos na quadra sintética, mas até então ele só tinha uma presença nas quartas do Australian Open e uma quarta rodada no US Open. Em 2014, ao contrário, acabou brilhando até no saibro lento, onde esteve pertinho de derrotar o todo poderoso Rafael Nadal.

Ele terá pernas para encarar Djokovic e obter assim a terceira vitória seguida sobre um top 10? Bom, ao menos ele terá 72 horas inteiras para descansar e se recompor emocionalmente, já que fará a primeira semifinal de sábado, no comecinho da tarde. O histórico entre eles aponta empate, com vitória do japonês no único duelo de piso duro. Os dois deveriam ter se cruzado na semi de Miami deste ano, quando Nishikori vinha embalado com vitórias sobre Federer, Ferrer e Dimitrov, mas sentiu a virilha e nem entrou em quadra.

Enquanto isso, faltou emoção no complemento das quartas femininas. Serena Williams começou mal, mas depois atropelou Flavia Pennetta ao seu melhor estilo de pressão o tempo todo, enquanto Ekaterina Makarova se tornou mais uma novidade no torneio, ao se aplicar e dominar a duas vezes finalista Vika Azarenka, a quem faltou nitidamente confiança nos golpes de ataque.

A russa de 26 anos e 1,80m não é uma estrela, mas tem resultados e rankings consistentes em simples e duplas. E, é claro, todos se lembram que era a parceira de Bruno Soares no histórico título de mistas no US Open de 2012.

Por falar nisso, Soares irá buscará o bi nesta sexta-feira, agora tendo ao lado a excelente duplista indiana Sania Mirza, o que compensa a dura derrota para os espanhóis Granollers e López. Pelo terceiro ano seguido, Bruno faz uma final em Flushing Meadows.

Ao mesmo tempo, Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig levaram um susto, mas confirmaram o bom momento, foram à semi e pegam os mesmos espanhóis. Além de tentar sua segunda final de Slam, Melo precisa muito dessa vitória para saltar ao quinto lugar na corrida para o Finals de Londres, o que aumentaria muito a chance de estar lá novamente em novembro. Soares/Peya estão virtualmente garantidos.

Número 9 marca a volta de Djokovic
Por José Nilton Dalcim
5 de agosto de 2014 às 23:59

Novak Djokovic coroou sua volta à liderança do ranking com o bicampeonato em Wimbledon, emendou a festa com um concorrido casamento em clima de castelos, reis e rainhas e, após merecida lua de mel, deverá voltar com energia mais do que carregada para iniciar um momento importante em sua temporada. Afinal, o piso sintético é o seu preferido e o exigente clima nova-iorquino de calor e alta umidade, daqui a três semanas, se mostra perfeito para seu físico quase inesgotável.

Três vezes campeão no Canadá, sua primeira tarefa em Toronto parece tranquila, já que enfrenta o superfreguês Gael Monfils, derrotado em todos os nove duelos, oito deles em pisos sintéticos. Com certeza, jogará com outro francês se avançar, já que no seu caminho estão Jo-Wilfried Tsonga e Jeremy Chardy.  E curiosamente o número 9 se repete: já são 9-0 contra Chardy e nove consecutivas sobre Tsonga.

E será que nas quartas de final Nole poderá marcar também sua nona vitória sobre Richard Gasquet? Bom, para isso o francês terá de fazer sua parte, que é aguentar o saque poderoso de Ivo Karlovic e depois superar Andy Murray ou Nick Kyrgios. E olha que não me surpreenderá se o garoto australiano der um sufoco tremendo em Murray no primeiro jogo desta quarta-feira. Será o quinto adversário de nível top 10 que Kyrgios encara nestes primeiros oito meses, um aprendizado excelente.

Como se esperava, o australiano é uma atração em Toronto. Foi chamado para bater bola com Djokovic e com Roger Federer, arrancando grandes elogios do sérvio, que ficou maravilhado com o poderoso serviço do 72º do mundo. Disputando seu primeiro Masters graças a convite, venceu Santiago Giraldo com autoridade – saiu de 2/5 no primeiro set – e tenta manter-se fora dos holofotes: “Dentro da quadra, tudo está normal, mas fora dela obviamente sinto que há muita expectativa”, explicou.

Também no lado da chave de Djokovic, o búlgaro Grigor Dimitrov é outro que desperta olhares atentos. Tem uma progressão de jogos muito propícia – Donald Young, Tommy Robredo ou Gilles Simon, Stan Wawrinka pouco confiável ou Fabio Fognini – e com isso poderia ir até a semifinal.

É a mesma trajetória que se espera do suíço Roger Federer, que mostrou um estilo extremamente agressivo contra o pouco gabaritado Peter Polansky, o suficiente para dizer a todo mundo que o vice em Wimbledon não o incomodou. Deve ter Marin Cilic e quem sabe David Ferrer na sequência, o que não parece ser empecilho para cruzar com Milos Raonic ou Tomas Berdych no sábado. Em qualquer dos casos, o tenista que completará 33 anos daqui a 3 dias parece muito mais consistente.

E o Rafa? – Notícia veiculada nos sites espanhóis dizem que Rafael Nadal se submeteu a ressonância nesta terça-feira em Barcelona e a junta médica considerou que a recuperação da pequena lesão no punho direito evoluiu dentro do que se esperava. Com uma proteção no braço problemático, Nadal postou foto de seu treinamento com o tio Toni, onde estaria exercitando o forehand e o saque para se manter em forma e não perder o ritmo do piso sintético. Os médicos garantiram que ele passará por testes contínuos nos próximos dias.