Arquivo da tag: Roland Garros

Paris aguarda façanhas
Por José Nilton Dalcim
28 de maio de 2017 às 15:56

Roland Garros foi o primeiro Grand Slam da Era Profissional graças à esperteza dos franceses. A Associação britânica já havia anunciado que abriria seus torneios de verão para os profissionais em 1968, o que incluiria Wimbledon, e aí a Federação Francesa surpreendeu todo mundo e se antecipou. Com isso, este será o 50º Roland Garros da Era Aberta e o 197º Slam no geral.

Há muita coisa em jogo e várias curiosidades no saibro parisiense. Vamos ao resumo do mais importante antes de falarmos da rodada inicial deste domingo:

– A premiação subiu um pouco em relação a 2016, mas continuará sendo a terceira na escala dos Slam. Cada campeão leva 2,1 milhão de euros e o perdedor de primeira rodada, 35 mil. A igualdade da premiação por sexos no torneio começou em 2007.

– Nadal busca o 10º troféu em Paris, o que aumentaria seu feito entre os homens mas ainda o deixa atrás dos 11 títulos de Margaret Court na Austrália. Navratilova também tem nove, em Wimbledon.

– Djokovic tenta se tornar o único profissional a somar ao menos dois troféus em cada Grand Slam caso obtenha o bi. Em toda a história, apenas Laver e Emerson fizeram isso.

– Se Nadal chegar ao 15º Slam, será o mais velho a obter tal façanha. Serena tinha 30 anos; Navratilova, 29; Evert, 28; Court e Federer, 27.

– Caso some quatro vitórias em Paris, Djokovic ultrapassará as 58 de Vilas no torneio e será o terceiro da lista, atrás das 72 de Nadal e das 65 de Federer. Ao mesmo tempo, Nole alcançará os 233 triunfos de Slam de Connors. O suíço lidera com 314.

– Jamais o atual campeão de Roland Garros foi derrotado logo na primeira rodada da edição seguinte, mas quatro perderam na segunda partida (Gimeno, Kuerten, Agassi e Ferrero). Kerber entrou hoje para a história e se transformou na primeira cabeça 1 a perder na estreia.

– Qualquer que sejam as campanhas em Paris, Andy Murray permanecerá como número 1. O último britânico a ganhar Roland Garros foi Fred Perry, em 1935. No feminino, com a queda precoce de Kerber, Halep e Pliskova têm chance.

– Nadal só perdeu 2 de 97 jogos em melhor de cinco sets sobre o saibro em toda a carreira, ambos em Paris: Soderling, em 2009, e Djokovic, em 2015.

– Com as ausências de Federer e Serena, este é o primeiro Roland Garros que não contará com os atuais campeões da Austrália desde 1978.

– Wawrinka pode se tornar apenas o terceiro homem com mais de 30 anos a ganhar três Slam, façanha que cabe a Laver e Rosewall, com quatro. Lembremos que o primeiro Slam de Stan foi antes dos 30.

– O jejum francês de conquistas masculinas em Paris chega a 34 anos, desde Yannick Noah em 1983. Desde então, apenas Henri Leconte foi finalista, em 1988. Nos outros Slam, Tsonga chegou à final da Austrália em 2008.

– Aos 38 anos e 103 dias, Karlovic é o mais velho na chave principal, enquanto Alex de Minaur, aos 18 e 114 dias, é o mais jovem. No feminino, Venus está com 36 e Amanda Anisimova, apenas 15.

Domingo quente
Angelique Kerber fez outra apresentação muito fraca – primeira vez que a cabeça 1 cai na estreia na história de Roland Garros -, foi totalmente dominada pela experiente e também canhota Ekaterina Makarova. Depois confessou: “A pressão nesta temporada tem sido grande demais”. Emocionante mesmo foi ver as lágrimas de Petra Kvitova ao retornar com vitória. Ela garante: “Estou aqui para ganhar o torneio”.

Entre os homens e em domingo de muito calor, Dominic Thiem deu show diante de um aturdido Bernard Tomic, que tentou variar o quanto pôde mas nunca achou o que fazer diante de um austríaco muito animado. Grigor Dimitrov pegou a primeira rodada dos sonhos contra Stephane Robert e enfim venceu um jogo em Paris depois de quatro anos.

E Thomaz Bellucci deu o tom dramático do dia. Começou mal, deixou escapar o empate no primeiro set, reagiu bem depois de um susto no final do segundo set e parecia dono do jogo até quebrar e ter 1/0 e 40-0 no quarto set. Daí em diante o jogo pirou. Ele pediu atendimento, mas parecia mesmo é sem pernas.

Sua sorte é que Dusan Lajovic também estava morto. Os games finais foram lotéricos. Bellucci batendo todas, Lajovic perdido. Importante a vitória para o brasileiro, que ao menos terá dois dias para descansar, já que o duelo contra o talentoso mas instável Lucas Pouille será na quarta.

Dá? Com Bellucci, tudo é possível.

O fator Agassi
Por José Nilton Dalcim
24 de maio de 2017 às 19:24

Novak Djokovic está de novo no centro das atenções. Evoluiu em Roma com boas exibições e anunciou um treinador estelar mas inexperiente às vésperas de defender seu título em Roland Garros. Qual a chance de a opção por Andre Agassi dar certo? Avaliemos prós e contras.

Antes de qualquer coisa, precisamos nos fixar nas próprias palavras de Djokovic quando anunciou o acerto com Agassi. Ele deixou claro que o encontro em Paris será muito mais para melhorar o conhecimento entre eles e que Agassi sequer planeja ficar o tempo inteiro em Roland Garros.

Outro ponto essencial é quando Nole diz que não existe ainda um acordo de longa duração, o que combina com informações que foram veiculadas anteriormente dizendo que o norte-americano só iria acompanhar o sérvio em um pequeno número de semanas, talvez limitado aos principais torneios. Certamente a presença de Agassi em toda a temporada de quadra dura pós-Wimbledon e até o US Open é mais do que garantida.

Djokovic diz que a opção pelo dono de oito Grand Slam tem muito a ver com seu respeito pelo norte-americano como tenista e como pessoa, o que inclui o valor que Agassi dá à família.  “Ele poderá contribuir tanto na quadra como na minha vida”, afirma. Aí automaticamente vem outra dúvida: se o guru Pepe Imaz está no time justamente para cuidar do espírito, não há um certo risco de conflito com o novo treinador? Nunca é demais lembrar que Agassi teve sérios conflitos familiares e excluiu o pai de seu convívio, enquanto Djokovic preserva a família acima de tudo.

Ao mesmo tempo, a trajetória de Agassi no circuito é um ponto favorável, uma autêntica inspiração. O norte-americano deixou os problemas pessoais interferirem gravemente em sua carreira, desabou para perto do 150 posto e era dado como acabado quando remontou de forma espetacular e atingiu novamente o número 1 do mundo aos 33 anos, um recorde que permanece até hoje.

Irá pesar o fato de Agassi jamais ter treinado qualquer tenista? Bom, Boris Becker também não tinha e fez um belo trabalho com Djokovic, não apenas desenvolvendo elementos cruciais, como o saque e o jogo de rede, mas também dando aquele implemento emocional que levou Djoko ao status de imbatível, bem ao estilo Becker. Todo mundo sabe que Agassi também possuía uma personalidade forte e foi um ganhador nas quadras.

Exceção feita a algumas exibições e entrega de troféus, Agassi tem estado fora do circuito do tênis desde sua retirada, em 2006. São dez anos. Mas é bem possível que tenha acompanhado partidas e torneios. Ao menos nunca se refutou em dar entrevistas, comparar jogadores ou eleger seus favoritos. Entre os quais, aliás, sempre destacou Djokovic.

Tecnica e taticamente, todos sabemos que há uma certa semelhança entre eles. Gostam de jogar plantados perto da linha, tentando pegar a bola sempre na subida. Buscam assim ditar o ritmo e trocar de direção antes do adversário. A devolução sempre foi o ponto forte de ambos, mas o pupilo saca, se mexe, dá slice e voleia melhor do que o mestre fez.

Então parece que a missão primordial de Agassi será fazer Djokovic acreditar novamente no seu potencial. Se fizer isso, o salário merecerá ser dobrado.

Nadal reafirma retorno forte
Por José Nilton Dalcim
23 de abril de 2017 às 15:39

Depois de três finais na quadra dura, Rafael Nadal retornou a seu habitat natural e confirmou seu retorno forte ao circuito em 2017. Tenista com maior número de vitórias desde janeiro, o ‘rei do saibro’ escreveu nova página na história do tênis neste domingo em Monte Carlo e se coloca como candidato cada vez maior para Roland Garros.

O 10º troféu em 11 finais na terra batida do Principado é um assombro em si. Atesta não apenas a incrível eficiência do canhoto espanhol mas uma longevidade de se aplaudir de pé. Desde sua estreia, perdeu apenas quatro partidas. Em 2004, ainda juvenil, chegou a eliminar o então 7º do mundo Albert Costa. Aí emendou oito troféus seguidos antes de enfim perder para Novak Djokovic na final de 2013. Ou seja, nove decisões consecutivas. Além de Nole, apenas Guillermo Coria e David Ferrer o derrotaram lá.

Num momento em que Andy Murray não honra o número 1, Djokovic ainda se debate com seus fantasmas e Roger Federer se abstém do saibro, Nadal tem todo o direito de sonhar com seu 10º Roland Garros. Ele já seria sempre um candidato natural às rodadas decisivas, mas agora pode se tornar outra vez o homem a ser batido.

Vale rever a lista de grandes façanhas de Rafa após outro mágico domingo em Monte Carlo:

– Primeiro tenista na Era Profissional a ganhar 10 vezes o mesmo torneio.
– Recordista isolado de títulos no saibro, com 50.
– Atinge o 70º troféu da carreira, quinta maior coleção, atrás das 77 de John McEnroe.
– Soma 29 conquistas em Masters e gruda novamente no recordista Novak Djokovic, que tem 30.
– Chega a 21 troféus de Masters sobre o saibro, marca absoluta.
– Tem incríveis 50 títulos no saibro em 58 finais disputadas.
– Soma agora 14 temporadas consecutivas com ao menos um troféu de nível ATP (desde 2004)
– Contabiliza 370 vitórias e apenas 34 derrotas sobre o saibro ao longo da carreira, aproveitamento que beira os 92%.
– Dessas 34 derrotas, 12 aconteceram antes de ganhar Monte Carlo pela primeira vez, em 2005.
– Jamais perdeu uma decisão de campeonato para outro espanhol em 15 disputas.