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A magia está de volta
Por José Nilton Dalcim
2 de janeiro de 2017 às 22:42

Sinceramente, pouco importaram a vitória, o placar, o adversário, o torneio. O que valeu foi rever Roger Federer executar a maestria que leva estádios superlotarem. Seu primeiro jogo desde a semifinal de Wimbledon, seis meses atrás, durou apenas 61 minutos. Mas ainda assim houve tempo de sobra para se ver o saque preciso, o forehand agressivo, voleios e smashes perfeitos, backhand variado.

Federer jogou solto desde o primeiro game contra Daniel Evans, e quando isso acontece é uma delícia admirar seu inesgotável arsenal. Ele usou muito o serviço com slice, forçou paralelas dos dois lados e foi inevitável o ‘ohhhh’ dos 13 mil torcedores quando ousou usar o ‘sabr’. O britânico até que jogou direitinho, mas a distância técnica é grande demais.

O suíço se deslocou bem, correu atrás de todas as bolas. Dois fatores importantes: não economizou esforço e não houve qualquer sinal de problema com o joelho. Em termos competitivos reais, os testes diante de Alexander Zverev e Richard Gasquet – e tomara uma final contra Nick Kyrgios – serão bem mais importantes. O alemão tem saque e golpes de base muito mais forçados, a Gasquet sobra experiência.

Já Novak Djokovic demorou a entrar em jogo diante do bom alemão Jan-Lennard Struff. Sacou de forma insegura, perdeu os dois primeiros games de serviço e se viu 4/0 e 5/1 atrás. Pouco a pouco, foi se achando. Contou com a falta de determinação do oponente na hora de fechar e a partir do tiebreak já era o Nole que conhecemos.

O número 2 do ranking diz que precisou ajustar mentalmente a situação e que os pés não se mexiam de forma ideal, mas que ele sabia que era uma questão de ter paciência para achar o ritmo certo. Assim como Federer, um jogo é muito pouco para qualquer avaliação mais profunda. O importante acima de tudo foi superar a estreia e seguir em frente.

O sorteio da chave de Doha encaminha a decisão de domingo entre Djokovic e Andy Murray. Há pouca gente no caminho que possa evitar isso, ainda mais do lado do sérvio. Murray estreia nesta quarta-feira contra o experiente mas limitado Jeremy Chardy.

Brasil 2017
O tênis brasileiro já está em quadra nesta primeira semana. Thiago Monteiro nem passou da estreia, Rogerinho Silva tenta se preparar em Chennai. Vivem momentos distintos. O canhoto cearense tem uma temporada de afirmação pela frente. Muitos pontos a defender, adversários e torneios desconhecidos, um nível totalmente novo a encarar. Tomara que consiga ganhar alguns jogos para não afetar a confiança. Rogerinho por seu lado está em clima de bônus e manter-se no top 100 é o bom desafio.

Thomaz Bellucci sempre é a maior esperança. Agora ‘trintão’ e casado, tem planos ousados para 2017. Jogador perigoso quando adquire confiança e embalo, precisará de sorte na formação das chaves até ao menos recuperar o posto entre os top 40. Deveria aproveitar Rio e São Paulo para ter grandes campanhas e arrancar.

O feminino é uma total incógnita. Teliana Pereira tem de remar tudo de novo, Paula Gonçalves começa com muito a defender e Bia Haddad deu incrível azar com acidente caseiro que adia perigosamente seu calendário. Essa menina precisa de uma benzedeira.

Brasil pode ter novos nº 1 e encerrar jejum de 5 anos
Por José Nilton Dalcim
21 de setembro de 2016 às 18:34

Esta é uma semana incrivelmente interessante para o tênis brasileiro. Mesmo jogando torneios de segundo escalão, o cearense Thiago Monteiro e a paulista Paula Gonçalves podem se tornar os jogadores nacionais mais bem classificados do ranking mundial pela primeira vez, desbancando Thomaz Bellucci e Teliana Pereira.

E não é só. O paulista Rogerinho Silva concorre seriamente a recuperar seu posto no top 100 – infelizmente, ele e Rogerinho podem ser cruzar na semi de Santos – e com isso o Brasil voltaria a ter três nomes listados nessa faixa desde 21 de agosto de 2011, quando apareciam Bellucci (36), João Souza (90) e Ricardo Mello (91).

Para superar Bellucci no ranking, Monteiro precisa ser campeão em Santos neste domingo. Bellucci no momento soma 675 pontos como número 81 do ranking. Como está 19 postos atrás com 608 pontos, o canhoto cearense só atingirá 681 se faturar os 80 pontos dedicados ao vencedor do challenger praiano.

A linha de corte para um tenista fechar a temporada no top 100 é ligeiramente acima dos 600 pontos, então também se pode garantir que Monteiro necessita da final em Santos, que dá 48 pontos, para entrar diretamente no Australian Open. Essa vaga também não está distante de Rogerinho. Ele tem um longo calendário de challengers no saibro (Santos, Medellin, Campinas e Buenos Aires pelo menos), porém defende 137 pontos até novembro e assim precisará de boas campanhas.

A luta também está aberta entre as meninas. Segundo levantamento de Mário Sérgio Cruz, Paula pode superar Teliana nesta semana, em que joga no ITF de Albuquerque. A diferença entre elas é de apenas seis pontos, mas a campineira defende 18. Estreou bem na quadra dura hoje e terá de atingir essa semi nos EUA. Ainda por cima voltaria ao top 160. De qualquer forma, a troca de número 1 parece inevitável, já que Teliana passou uma rodada em Pequim no ano passado e assim perderá 60 pontos dentro de duas semanas.

Calendário
Ao dar uma conferida geral no calendário dos tenistas e dos torneios nesta reta final de temporada, algumas coisas chamam a atenção:
– Federer ainda está inscrito em Xangai. Pode ser apenas esquecimento da ATP ou dos organizadores.
– Thiem ganhou cachê para jogar Chengdy no lugar de Tsonga e aí recebeu convite para Pequim. Até então, era o único top 40 em atividade foram da fase asiática.
– Djokovic, Murray, Nadal e Raonic serão os favoritos em Pequim. Já Tóquio terá Wawrika, Nishikori e Monfils.
– Alguns encheram a agenda e irão encarar pelo menos quatro consecutivos, casos de Goffin, Gasquet, Dimitrov, Tomic e Zverev.
– Número 39 do ranking, Pablo Carreño pode ser obrigado a disputar quali em Pequim.
– Bellucci, a princípio, vai tentar os qualis grandes. Entra direto no 250 de Shenzhen, se arrisca no 500 de Pequim e no 1000 de Xangai e depois já tem vaga no 250 de Moscou.
– Monteiro descansa na próxima semana e aí jogará os challengers de Campinas e Buenos Aires.

Djokovic supera a si mesmo
Por José Nilton Dalcim
30 de agosto de 2016 às 00:11

O polonês Jerzy Janowicz fez aquilo que melhor sabe: bater com a máxima força na bola. No entanto não foi ele o maior adversário do sérvio Novak Djokovic na estreia do US Open, mas sim o próprio Nole. Com desconforto no cotovelo direito, que prejudicou o saque e o forçou a usar muito mais os efeitos e a precisão, o desafio nesta primeira rodada do US Open foi dominar a frustração e a ansiedade.

Assim que fez isso, o jogo ficou fácil. Apesar da potência, Janowicz peca pela falta de apuro tático e pelo exagero. Djokovic esperou as brechas e, mesmo com o saque deficiente, sua poderosa devolução fez a maior parte do serviço necessário. Agora, irá reencontrar o canhoto Jiri Vesely, que fez uma partida bem ruim e só não foi para casa porque o desconhecido indiano Saketh Myneni sentiu cãibras.

De qualquer forma, a preocupação sobre o estado físico de Djokovic é indisfarçável. Ele chegou falando em dúvida quanto ao punho esquerdo, mas na verdade mostrou incerteza com o cotovelo direito, o mesmo que o perturbou no Rio e compromete o saque. Se a história do punho não foi um disfarce, então ele está com dois problemas a resolver, algo nada prazeroso num torneio tão longo e desgastante.

Rafa Nadal, por sua vez, fez um treino de luxo contra Denis Istomin. Sacou bem, empenhou-se no fundo da quadra, apesar de algumas bolas estarem curtas. Agora tem um jogador mais duro, Andreas Seppi, porém com poucas armas. Milos Raonic e Jo-Wilfried Tsonga parecem ter gostado muito do piso, que está rápido.

Destaques
Três chances, e o tênis masculino brasileiro se despediu rapidamente do US Open. Se Rogerinho Silva superou a expectativa e fez dois sets muito decentes diante de Marin Cilic, o mesmo não se aplica a Thomaz Bellucci, com tremendos altos e baixos, um quarto set na mão e um adversário, Andrey Kuznetsov, se arrastando pela quadra. Não houve imagem de Guilherme Clezar, então não dá para dizer algo de sua estreia em Grand Slam.

Importantes nomes da nova geração americana ficaram no ‘quase’. Frances Tiafoe deixou escapar incrível chance de eliminar John Isner – sacou para o jogo com 5/3 no quinto set -, Taylor Fritz reagiu mas também caiu no quinto para Jack Sock e Mackenzie McDonald levou virada de um quali tcheco. Os destaques foram o britânico Kyle Edmund, aproveitando-se do momento de baixa de Richard Gasquet, e o americano de origem mexicana Ernesto Escobedo, que se valeu do abandono de Lukas Lacko.

O primeiro dia de US Open já viu 12 jogos irem ao quinto set – um deles não foi disputado por abandono -, com quatro marcando viradas de 0-2. Curiosamente nenhum deles marcou uma real surpresa. Porém, deve custar caro, já que a tarde registrou temperatura de 33 graus.

Seis cabeças do feminino já deram adeus, mas todas abaixo do número 18, o que não muda muita coisa. Decepção maior para a queda da campeã olímpica Monica Puig, que entrou de cabeça em cima da hora e levou surra. Outra quem ficou devendo foi Garbine Muguruza, muito instável. Não sei se irá muito longe.

Drops
– Devido a um problema na quadra 10, a velha Granstand teve de ser retomada. O charmoso estádio, que virou anexo da Louis Armstrong, foi substituído pela nova Grandstand porque terá de ser demolido em 2017 para que seja feita a cobertura da Armstrong.
– No ano em que se inaugura o teto retrátil de US$ 150 milhões, a previsão de chuva em Nova York é mínima para as duas semanas do US Open. O único dia com mais de 50% de chance é a próxima quinta-feira. Nos demais, mal chega a 30%.
– O New York Times deu extenso perfil de 5 mil palavras com Nick Kyrgios, com destaque para dois trechos. Em um, diz que o australiano é “o jogador mais divertido desde John McEnroe” e, em outro, afirma que é provavelmente o “mais agraciado (de talento) desde Roger Federer”.