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Federer não mudou empunhadura
Por José Nilton Dalcim
21 de março de 2017 às 20:10

O backhand de Roger Federer tem intrigado especialistas e fãs desde que começou a temporada 2017. Aquele que sempre foi o ponto mais frágil no jogo do multicampeão suíço de repente se transformou numa poderosa arma, capaz não apenas de se manter firme nas trocas de bola dispensando o slice, mas principalmente como nova força de ataque, abusando de cruzadas bem anguladas ou paralelas fulminantes.

Federer tem falado pouco sobre isso, limitando-se a dizer que o novo modelo de raquete, com cabeça maior e menor quantidade de cordas, permitiu que o golpe ficasse mais calibrado e potente. Há no entanto discussão constante se o técnico Ivan Ljubicic teria convencido o pupilo a alterar a empunhadura do golpe, que sempre foi o ‘eastern’.

Requesitei então a ajuda de dois grandes especialistas brasileiros para me ajudar na questão e a resposta de ambos foi categórica: Federer não mudou a forma de segurar a raquete para executar o backhand.

Reconhecido estudioso em biomecânica, Ludgero Braga Neto ilustra claramente a questão. Vejam a sequência das imagens e explicações:

1 - fed1

2 - fed2

3 - fed3

4 - fed4

5 - fed5

O que então contribuiu para essa melhoria tão evidente?

Para a técnica Suzana Silva, sem dúvida a nova raquete foi decisiva, mas também um pequeno ajuste no posicionamento do golpe. “Acredito que o swing está mais solto: ele está conseguindo maior aceleração da raquete por dois fatores: 1. usa melhor seu cotovelo, aproximando-o flexionado mais do tronco no final da preparação para depois afastá-lo do corpo durante o impacto. A terminação fica totalmente estendida. 2. utiliza o punho na fase pré e pós impacto. Pequenos ajustes que fazem uma grande diferença”.

Ela ainda destaca o ponto de impacto: “Pegar as bolas cada vez mais na subida, aproveitando a energia cinética da bola, é outra chave da evolução do Roger. Já vimos isso naquela grande final de Cincinnati contra Novak Djokovic, quando ele respondeu vários saques do sérvio bem de dentro da quadra”, enfatiza.

Federer quebra outra barreira
Por José Nilton Dalcim
19 de março de 2017 às 21:07

Depois de acabar com espera longa para ganhar mais um Grand Slam, o suíço Roger Federer também recuperou a hegemonia em Indian Wells. Cinco anos depois do tetracampeonato, ele voltou a conquistar o deserto californiano e encerrou também o jejum de 19 meses sem conquistas em nível Masters. De quebra, superou a marca de Andre Agassi e agora é o tenista de maior idade a vencer um evento desse quilate, aos 35 anos e sete meses.

Faltou é verdade um pouco mais de emoção no 24ª duelo diante de Stan Wawrinka. Houve lances de grande qualidade de parte a parte, mas raros games equilibrados ou longas trocas de bola. O saque dos dois foi muito superior à devolução na maior parte do tempo. Federer cumpriu a promessa e entrou muito agressivo, mas encontrou Stan firme com o serviço. Só foi obter a quebra no 10º game. Uma estatística foi especial: enquanto Roger ganhou 83% dos pontos em que precisou do segundo saque, Stan apenas se deu bem em 27%.

O segundo set melhorou muito, principalmente porque Wawrinka se mostrou menos passivo e tentou tomar mais iniciativa, embora quase sempre com forehand. A bola dos dois andou muito o tempo tempo, favorecidos pelo calor de final de tarde perto dos 30 graus. A rigor no entanto Wawrinka jamais conseguiu ameaçar com seriedade o amigo. Acabou cedendo a quebra definitiva no último game. Muito justo, Federer completou com outro voleio o 25º Masters e o 90º troféu da carreira. Faltam apenas quatro para igualar Ivan Lendl.

Obviamente a pergunta que a maioria quer fazer é se Federer já virou candidato a lutar pelo número 1 do ranking. Calma. Ele soma agora 3.045 pontos na temporada, o que é curiosamente a exata soma dos segundo e terceiro colocados, Rafa Nadal (1.635) e Wawrinka (1.410). Mas enquanto qualquer tenista não atingir pelo menos a casa dos 7 mil pontos, não dá para dizer que ele tenha chance de terminar a temporada na liderança. O patamar médio para isso é de 10 mil pontos.

Dor de cotovelo
Incrível. Os dois líderes do ranking estão sofrendo do mesmo problema, contusão no cotovelo, e não disputarão o Masters de Miami, que começa já na quarta-feira. Tremenda perda para o torneio, mas muito pior para Nole. Atual campeão, ele perderá mais mil pontos na classificação e verá Andy Murray se afastar ainda mais, indo a 4 mil de diferença.

Os dois estão fazendo uma temporada apagada. Decidiram Doha na primeira semana do ano, e a vitória do sérvio parecia animar a briga pela ponta. Mas foram decepções maiúsculas em Melbourne. O escocês ainda ganhou aos trancos e barrancos Dubai, enquanto Djokovic foi batido duas vezes por Nick Kyrgios em plena quadra dura.

Embora ainda seja tão começo de calendário, é um tanto chocante ver Murray na 10ª posição do ranking da temporada, atrás até mesmo de David Goffin e Pablo Carreño, mas pior ainda está Djoko, apenas 18º e com quase metade dos pontos do britânico.

A expectativa é que os dois voltem no saibro lento de Monte Carlo, onde Djokovic foi campeão em 2015 mas perdeu na estreia no ano passado. Murray nunca passou da semi e em 2016 caiu diante de Nadal.

Além deles, Miami também não verá o experiente trio francês formado por Monfils, Tsonga e Gasquet. A ótima notícia é que Thiago Monteiro se livrou do qualificatório e entrou direto. O sorteio da chave acontecerá na segunda à noite e os primeiros jogos masculinos, na quarta. Stan será cabeça 1, seguido por Kei Nishikori. Se Milos Raonic desistir, Federer sobe para cabeça 3 e Nadal, 4. Isso evitaria um novo ‘Fedal’ antes de uma possível final.

Vesnina, um exemplo
Repleto de surpresas ao longo de seus 10 dias, Indian Wells também viu uma final feminina entre duas tenistas com mais de 30 anos, embora de currículos muito distintos. Sveta Kuznetsova ganhou dois Grand Slam, o primeiro deles há quase 13 anos, e Elena Vesnina só agora faturou o maior troféu da carreira.

O fato espetacular é que Vesnina sequer passou da primeira rodada do quali de Indian Wells de 2016. Era 86ª do ranking. Persistiu. “Acho que sou um exemplo para as outras tenistas de que tudo é possível”, garantiu.

Com um tênis ofensivo, Vesnina era bem mais conhecida como duplista, com dois troféus de Slam, o título olímpico no Rio e no Finals de 2016. Nesta incrível campanha em Indian Wells, derrotou a futura número 1 Angelique Kerber e na sequência tirou Venus Williams sempre com tênis elegante e muito empenho. Será pela primeira vez a 13ª do mundo e vira mais uma força na temporada.

Suíços no topo
Por José Nilton Dalcim
18 de março de 2017 às 21:46

Não houve mesmo qualquer novidade nas semifinais de Indian Wells. Stan Wawrinka sobrou em cima do espanhol Pablo Carreño, que não teve força para conter um excelente desempenho de Stan com o serviço a favor e falhou na tentativa de ser mais agressivo, o que foge muito de sua característica.

Roger Federer fez um excepcional primeiro set, sufocando Jack Sock em todos os aspectos, mas depois teve mais trabalho. O americano calibrou o saque e com isso conseguiu usar mais o forehand. Esteve aliás com chance de ganhar o tiebreak, quando abriu 3-1. Mas de novo ele encolheu o braço na hora do aperto.

Os suíços irão assim duelar pela 23ª vez e a desvantagem histórico é grande em favor de Roger. Ele só perdeu três duelos, todos no saibro, no entanto os dois fizeram grande partida na recente semifinal do Australian Open.

Com a evolução evidente do backhand de Federer, será curioso descobrirmos qual dos dois ousará mais com o golpe, ou seja, buscará mais paralelas para desequilibrar o adversário. Um diferencial importante pode ser a devolução, já que Wawrinka opta sempre pelo bloqueio e deverá ver Federer muitas vezes na rede.

Há vários ingredientes bem interessantes na aguardada final entre os suíços, marcada para as 17 horas deste domingo. Vamos a elas:

– Até onde consegui apurar, esta será apenas a segunda decisão de nível Masters 1000 entre dois jogadores com mais de 30 anos, repetindo Federer x Ferrer em Cincinnati de 2014. Vamos lembrar que os Masters (então Super 9) começaram em 1990.
– Federer poderá desbancar Andre Agassi e se tornar o mais velho campeão de um Masters, aos 35 anos. O norte-americano ganhou seu último em Cincinnati, aos 34.
– Líder do ranking da temporada com 2.645 pontos no momento, Federer se garantirá no primeiro lugar até Monte Carlo a menos que Stan vença Indian Wells e também Miami.
– Wawrinka assumirá o segundo lugar na temporada, superando Rafa Nadal, caso conquiste o troféu. Ele está com 1.410 pontos e iria a 1.810.
– No ranking de 52 semanas, Federer já garantiu o 7º e ainda pode ser 6º com o eventual título, apenas 175 pontos atrás de Milos Raonic.
– Wawrinka pode atingir o máximo de 6.105 pontos, ainda longe de Novak Djokovic, mas ele nunca estaria tão perto do número 2, reduzindo a distância para 2.810 pontos.
– Federer busca seu 25º troféu de Masters 19 meses depois de conquistar o último, em Cincinnati de 2015. Também pode chegar ao 90º no geral e se aproximar ainda mais dos 94 de Ivan Lendl.
– Wawrinka faz apenas sua quarta final desse quilate, a primeira fora do saibro. Seu único troféu foi justamente sobre Federer, em Monte Carlo de 2014. Ele perdeu Roma para Djokovic e Madri para Nadal.
– Enquanto Stan disputará a 26ª final geral, Federer já soma 138, terceira melhor marca da Era Profissional (Lendl tem 146 e Jimmy Connors, 164).
– Federer tentará sua sexta vitória sobre um top 10 neste temporada, depois das quatro que obteve no Australian Open. Ele lidera o quesito na Era Profissional, com 203.