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Duro castigo
Por José Nilton Dalcim
5 de fevereiro de 2017 às 22:37

Quebrar raquete não é um lance bonito de se ver no tênis, mas geralmente se torna um prejuízo apenas para o tenista emotivo, que leva uma vaia, recebe uma advertência e muitas vezes um puxão de orelhas do patrocinador.

Descarregar a raiva na bola é muito mais arriscado e o garoto Denis Shapovalov aprendeu neste domingo da forma mais dolorosa. Atingiu violentamente o árbitro Arnaud Gabas no olho esquerdo (veja aqui o vídeo), mandando o oficial para um hospital de Ottawa, e foi desqualificado justamente no quinto jogo da série entre Canadá e Grã-Bretanha. Menos mal que Kyle Edmund já tinha larga vantagem e caminhava para a vitória.

Como imagens sensacionais correm o mundo com incrível velocidade nos dias de hoje, o promissor canhoto Shapovalov, 17 anos, vai ficar famoso bem menos do que por seu bom tênis e isso pode ser um problemão para sua cabeça. Vejo um punhado de ‘panos quentes’ nas declarações das redes sociais, mas o correto me parece aproveitar o infeliz momento para alertar o quão perigoso é esse destempero.

O pior é que vemos megaestrelas como Roger Federer, Serena Williams, Novak Djokovic, Andy Murray e Stan Wawrinka dando esse mau exemplo e aí parece até um tanto injusto querer punir os Nick Kyrgios da vida. Se o número 1 do mundo faz, por que eu não posso? Difícil tirar a razão dos nervosinhos. Quem perde é o tênis e o espetáculo. Boa hora para ATP e WTA chamarem os representantes dos jogadores em seus Conselhos e pedir maior responsabilidade.

Dentro da quadra, tivemos uma tremenda surpresa dos belgas, ao vencer a Alemanha fora de casa sem David Goffin. O estilo variado de Steve Darcis merece sempre cuidado e Alexander Zverev caiu na armadilha. E agora a Bélgica torce para a Itália ganhar da Argentina, porque assim seriam sede. O veterano e raçudo Carlos Berlocq ganhou dois de seus três jogos em Buenos Aires.

Grande expectativa ficará para o duelo entre Sérvia e Espanha. Será que Djokovic e Rafa Nadal irão se colocar à disposição? A rodada é em abril, antes do saibro europeu, e é provável que aconteça em quadra dura e rápida, já que os espanhóis serão visitantes pelo oitavo confronto seguido. Com Nadal de fora, suaram para ganhar da Croácia como visitante, mas Roberto Bautista e Pablo Carreño deram conta. Marin Cilic, Borna Coric e Ivo Karlovic não jogaram. E Djokovic, hein? Bom, prometo falar só dele no próximo texto.

Sem Murray, o renovado time britânico se virou bem com Edmund e Daniel Evans, mas precisará de sua maior estrela para ir à França, provavelmente num saibro lento. Por fim, EUA e Austrália irão se cruzar e um dos dois terá chance de enfim voltar aos velhos tempos da Davis. O time americano tenta uma renovação com Jack Sock e Steve Johnson e perdeu a força dos aposentados Bryan, mas a Austrália vive seus problemas internos intermináveis e agora vê briga direta entre o capitão Lleyton Hewitt e Bernard Tomic.

O Brasil folgou no Zonal Americano e conheceu seu adversário. Sem qualquer surpresa, deu o Equador. Teremos agora de oferecer a revanche daquele sufoco de Belo Horizonte do ano passado. Nem de longe nosso time deixa de ser favorito, já que tem ranking e experiência muito superiores. No entanto, não dá para vacilar.

Pesquisa 1 – A empresa comandou pesquisa para saber quais seriam os atletas mais adorados na Austrália. E, incrível, as quatro primeiras colocações foram tenistas: Federer, Nadal Djokovic e Hewitt. Só então aparece um atleta australiano de outra modalidade: Tim Cahill, Mick Fanning, Kelly Slater, Mark Webber, Johnathan Thurston e Steve Smith.

Pesquisa 2 - O internauta Elcio Sch me pede para divulgar sua pesquisa sobre os hábitos dos tenistas amadores brasileiros. A ideia dele é criar um aplicativo gratuito que fortaleça intercâmbio entre jogadores que não se conhecem. Quem quiser participar, clique aqui e acesse o link.

O que aguarda Federer. E mais histórias.
Por José Nilton Dalcim
1 de fevereiro de 2017 às 17:42

Roger Federer reescreveu vários capítulos da história do tênis com o 18º troféu de Grand Slam. Segundo mais velho a conquistar um título desse porte na Era Profissional, aos 35 anos e 174 dias, ele é agora também o único a ter pentacampeonatos em três Slam diferentes, somando-se ao feito já sacramentado de ter ao menos cinco finais em cada um dos Slam, outra exclusividade do suíço.

Fato pouco explorado, Federer foi o primeiro desde Mats Wilander, em Roland Garros de 1982, a derrotar quatro top 10 numa campanha rumo ao título. Na ocasião, o sueco superou Lendl, Gerulaitis, Clerc e Vilas. Diferenças importantes: Wilander tinha 17 anos e só um de seus jogos no torneio foi ao quinto. O suíço venceu três desses top 10 no quinto set.

Também não vi uma observação importante: esta final da Austrália foi a única já disputada entre dois recordistas vigentes de títulos de Slam. Aliás, descobri uma coincidência. Pete Sampras também saiu de cabeça 17 na sua derradeira conquista, no US Open de 2002. Como se vê, há muita história ainda a contar.

Para responder a tanta gente que me pergunta o que mais Federer pode fazer este ano, fiz um breve resumo dos outras grandes realizações que o aguardam em 2017. Algumas bem prováveis, outras muito difíceis. Vamos a um breve resumo:

Roland Garros, em maio
– Está com 314 vitórias de Slam na carreira, duas a menos que Serena Williams. Duelo deve continuar em Paris
– Se confirmar presença, igualará Fabrice Santoro com maior número de Slam disputados na carreira (70).
– Pode se tornar o primeiro profissional e o terceiro da história a ganhar ao menos duas vezes cada Slam.

Wimbledon, em junho
– Precisa de apenas uma vitória para assumir o recorde de maior número de vitórias (está com 84, empatado com Connors).
– Soma 95 partidas e busca uma nova marca centenária, como obteve na Austrália. Apenas Connors fez isso (102 em Wimbledon e 115 no US Open).
– Busca o oitavo troféu e tenta desempatar de Sampras.

US Open, em agosto
– Se ganhar duas partidas, supera Agassi em vitórias no torneio (tem 78 contra 79) e só fica atrás de Connors.
– Busca o sexto troféu e tenta desempatar de Sampras e Connors.
– Se for à decisão, iguala Lendl e Sampras com oito finais.

No Finals, em novembro
– Busca 15ª participação num torneio em que lidera tudo: títulos (6), finais (10), semis (13) e vitórias (52).

No circuito
– Aumenta seu recorde para 61 títulos sobre quadras duras, dez a mais que Djokovic. Lidera folgadamente com 675 vitórias no piso.
– Chega ao 89º título da carreira e fica assim apenas cinco atrás de Lendl, o segundo da lista. Connors lidera com 109.
– Soma 137 finais disputadas e está a nove de Lendl. Connors é o recordista, com 164.
– É o jogador com mais vitórias sobre adversários top 10, com 202. Djokovic tem 180.
– Divide com Nadal a primeira posição no item títulos em quadras descobertas, ambos com 67.
– Está 18 vitórias atrás de Connors na lista de maior vencedor sobre quadra de grama (170 a 152).

No ranking
– Ao reaparecer no 10º lugar, soma agora 745 no total como top 10 e pode ultrapassar as 747 de Agassi. Bem acima, Connors tem 817.

No bolso
– Com o prêmio de US$ 2,8 milhões, é o segundo profissional a superar a casa dos US$ 100 mi, depois de Djokovic.

Liderança absoluta
– Lidera tudo de nobre em Grand Slam: 28 finais (sete acima de Nadal e Djokovic), 41 semifinais (10 a mais que Connors e Djoko) e 49 quartas (oito acima de Connors).
– Também tem todas as marcas em séries consecutivas: 10 finais, 23 semis e 36 quartas. Só Federer, Borg e Nadal ganharam um mesmo Slam cinco vezes seguidas, mas o suíço fez isso em dois: Wimbledon e US Open.

Quem levou o Desafio – Desculpem a demora para soltar o resultado. Vamos lá: o primeiro lugar ficou disparado com Bruno Zocchi, que acertou até mesmo três dos cinco sets da partida. O segundo foi Marco Aurélio de Souza Ribeiro, que errou apenas seis games no total, e o terceiro coube Guilheme Barros, com oito erros e quase tempo cravado. O quarto lugar vai para Alexandre CGB (não consta nome completo), com oito erros e melhor tempo do que os demais. Todos os quatro vão receber um tubo de bolas Australian Open da Wilson. Parabéns! Me enviem aqui ou no joni1@uol.com.br nomes e endereços completos para o envio.

O maior de todos
Por José Nilton Dalcim
29 de janeiro de 2017 às 11:41

Jamais duvide de Roger Federer.

Quem diria que depois de fazer 35 anos e ficar quase sete meses sem competir, ele conseguiria ganhar não apenas o 18º Grand Slam mas o maior de todos eles.

Para erguer o troféu neste domingo, Federer precisou derrotar quatro jogadores de nível top 10, três deles no quinto set. E ainda por cima passou pelo teste derradeiro, superando o guerreiro Rafa Nadal com cinco games seguidos vencidos num quinto set que parecia perdido. Virar contra o espanhol saindo de 1/3 é uma façanha tão grande que deveria valer outro troféu.

O feito de Federer foi monstruoso, inigualável e reforça de vez a teoria mais aceita no circuito de que ele é mesmo o melhor tenista de todos os tempos. Seus principais números, já tão difíceis de se alcançar, ficam gigantes e mais do que nunca será preciso um bom punhado de temporadas para que alguém volte a ameaçá-lo.

A ‘final dos sonhos’ teve sets muito distintos até chegar na série decisiva. Cada tenista dominou de um jeito e a seu modo. Quando sacou bem, Federer manteve o domínio. Ao permitir Nadal entrar nos pontos, viu o espanhol fazer seu melhor. Embora mais lento do que de costume, Nadal mostrou a força mental de sempre, jamais se entregando.

Daí a surpresa por deixar escapar a vantagem derradeira. Federer martelou o tempo todo. Obtinha break-points que Rafa salvava com competência e arrojo. Até que o suíço mostrou uma solidez no fundo de quadra assombrosa para um quinto set, não se apressou e esperou a hora certa de atacar. O match-point não poderia ser outro senão uma bola milimétrica, que exigiu desafio e tensão total na arena.

Como eu vinha salientando desde a Copa Hopman, o backhand de Federer foi o grande responsável por sua campanha vitoriosa, ainda mais contra Nadal. Claro que houve erros e madeiradas aqui e ali, porém não apenas encarou os spins terríveis do canhoto pegando a bola dentro da quadra e na subida, como executou o padrão tático mais correto: a cruzada angulada, tal qual havia feito numa memorável vitória no Finals, rendeu winners ou levou o adversário a erros.

Esse quadro aliás nos leva a dar o último e essencial elogio a Federer. Para quem já ganhou tanto, dentro e fora das quadras, admirável sua determinação em continuar buscando a perfeição.

Nadal não deve sair como derrotado desde Australian Open, apesar do vice. Roger foi muito feliz ao dizer que os dois deveriam dividir o troféu porque conseguiram dar a volta por cima diante do descrédito de tantos.

O espanhol fez os dois melhores jogos do campeonato, deu um salto de qualidade evidente em relação às duas últimas temporadas e se recolocou como candidato a qualquer grande título em 2017. O que é melhor: ainda tem muitos aspectos a aprimorar.

Jamais duvide de Rafael Nadal.