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Delpo não vem em 2017 preocupante
Por José Nilton Dalcim
2 de dezembro de 2016 às 12:54

Apesar de todos os esforços da IMM, o Rio Open vai ficar mesmo sem Juan Martin del Potro. Antes mesmo da conquista da Copa Davis, os organizadores do único ATP 500 da América do Sul tentaram de tudo para contratar a estrela argentina, que já tinha se dado tão bem no complexo olímpico.

Mas não teve como. O entrave insuperável é que Delpo não quer jogar no saibro no início da temporada. Com a expectativa de começar bem o ano nos torneios australianos, ele já decidiu emendar o calendário para os fortes torneios de quadra dura de fevereiro e depois seguir para Indian Wells e Miami. Ou seja, não já qualquer espaço para mudar de piso.

Vale lembrar que Delpo jogou uma única vez o ATP de Buenos Aires, em 2006. Depois que explodiu com o título do US Open, os argentinos tentaram de tudo para sair do saibro e ir para o sintético, o que aumentaria a chance de Delpo jogar lá, mas a ATP sempre vetou e só deu tal permissão para Acapulco.

De qualquer forma, o Rio Open já confirmou a presença inédita Kei Nishikori e o retorno de Dominic Thiem, boas garantidas de sucesso. O japonês certamente vai ganhar um rechonchudo cachê, porém tem se mostrado um jogador muito forte no saibro nos últimos anos. E Thiem é especialista no assunto. Deveria ter ido à final do ano passado no Jockey não fosse o cansaço. Acho que agora é sério candidato ao título.

Preocupante mesmo está o restante do calendário nacional para 2017. O próprio Brasil Open, o ATP 250 que acontece logo após o Rio, enfrenta dificuldades e, segundo conversa de bastidores, chegou a pedir à ATP para mudar a data de fevereiro para abril, com o objetivo de ganhar mais tempo para arrumar patrocinadores e local, porém veio o evidente veto.

Não bastasse a crise econômica, os promotores estão encontrando dificuldade para aprovar os projetos enviados à Lei de Incentivo. A demora tem sido muito grande para a liberação e isso prejudica a captação de patrocinadores, já que o calendário internacional é inflexível. Se a tendência permanecer, poderemos perder ainda mais torneios profissionais em 2017. Vários já foram cancelados ou adiados.

Some-se a isso a saída de empresas do mercado do tênis ou a diminuição drástica de verba. Há muita gente ficando repentinamente sem patrocínio neste começo de temporada. Quem tem ranking bom e puder se garantir torneios maiores, conforto. Para os demais, ou seja a maciça maioria, prevê-se uma temporada de sacrifícios ainda maiores.

A façanha de Fognini
Por José Nilton Dalcim
22 de fevereiro de 2015 às 00:50

Alcançar uma bola difícil requer muito mais do que físico no tênis. É também uma questão de antecipar, reagir e explodir. Muito mais complicado, no entanto, é decidir o que fazer com a bola quando se chega nela. Essa para mim é a maior qualidade de um tenista. Fabio Fognini portanto merece ser aplaudido de pé, porque o que fez no ponto final da vitória de virada sobre Rafael Nadal coloca o lance naquelas cenas antológicas do esporte.

Importante também situar a façanha histórica que o italiano obteve. Fognini é apenas o 11º diferente jogador a derrotar Rafa sobre o saibro desde 2005, o momento que marca o início de seu domínio sobre a terra, e tal fato demonstra o tamanho da raridade que presenciamos neste sábado no Rio Open. A minúscula lista tem Gaudio, Andreev, Ferrero, Verdasco, Federer, Soderling, Djokovic, Zeballos, Ferrer e Almagro, sendo que só Djokovic (4) e Federer (2) venceram mais de uma vez.

Rafa está deixando de ser o ‘rei do saibro’? Seus números são incomparáveis: no total, soma 321 vitórias e agora 25 derrotas. Mais ainda: desde 2005 ele perdeu apenas 15 de seus 310 jogos sobre a superfície, onde mordeu 45 de seus 64 troféus. Porém não é menos verdade que há uma queda de rendimento preocupante, que já vem de 2014. Dos seis últimos torneios disputados no saibro, ganhou dois (ainda que um deles fosse de novo Roland Garros). Ou seja, quatro derrotas no espaço de 10 meses – porém em sete desses meses não há torneio de saibro -, sem falar que se livrou por sorte da quinta derrota devido à contusão de Nishikori em Madri.

Parece que Nadal vem sofrendo daquele problema que ataca os favoritos de longa data quando eles começam a ter problemas frequentes: a freguesia começou a perder o medo. No ano passado, ele quase perdeu até de Pablo Andujar no Rio, cedeu sets para Gilles Simon e Mikhail Youzhny, suou contra Andy Murray. Só realmente foi o Nadal de outrora quando pisou em Paris.

Após a longa parada por contusão e cirurgia de apêndice, o canhoto espanhol foi mal na quadra dura e esperava-se muito sua reação no saibro carioca. No entanto, o que vimos foram atuações irregulares e inseguras, sufoco contra Pablo Carreño e jogo apertado com Pablo Cuevas. Depois de atropelar Fognini e começar o segundo set com break-point, teve queda brusca de rendimento, que culminou com a eliminação inédita em solo brasileiro. Cede ao mesmo tempo o quarto lugar do ranking para Murray e já sofre ameaça de Nishikori, que estará em Acapulco.

Não se deve claro tirar o mérito de Fognini, que manteve a cabeça no lugar em que pesem discussões bobas. Soube ser agressivo diante de um Rafa exageradamente dependente do saque e com pouca iniciativa ofensiva. O irreverente italiano chegou a ser o ‘princípe do saibro’ com a boa série de vitórias no ano passado. Quem sabe, o feito do Rio mude de vez sua cabeça e ele use o talento que tem.

P.S.: Vejo agora na ATP que Nadal não perdia uma semi no saibro há 12 anos e 52 jogos.

Incrível sexta-feira
Por José Nilton Dalcim
21 de fevereiro de 2015 às 10:04

Diante de tudo o que aconteceu na sexta-feira no Rio Open, só vale registrar alguns pontos antes que a rodada já recomece dentro de poucas horas.

1. Bia Haddad perdeu uma chance inacreditável de fazer história. O tênis feminino brasileiro não vence uma adversária de nível top 20 desde Andrea Vieira, em 1990. A canhoto paulista vacilou na hora de fechar – isso sem falar que esteve sempre à frente no segundo set, em que bastaria confirmar um saque para surpreender Sara Errani -, mas os nervos pesaram. Ela humildemente reconheceu que passaram muitas coisas na sua cabeça na hora dos match-points, o que é admissível diante de sua já longa história nas quadras. O lado positivo é vermos que Bia tem sim jogo para encarar até mesmo as melhores do ranking, algo que o tempo e muito treino deverão se encarregar.

2.João Souza também deixou escapar a oportunidade de estar na semi, entrar para o top 70 e ainda por cima ganhar vaga direta na chave de Buenos Aires (como ‘special exempt). Há de se dar crédito ao tênis agressivo do austríaco Andreas Haider-Maurer no primeiro set, antes de o paulista iniciar grande reação que o levaram a 6/1 e 3/1. Faltou talvez acreditar um pouco mais no final do jogo, mas não se pode crucificar Feijão pelo deslize, frente a todos os bons jogos que fez nas últimas duas semanas.

3. Fabio Fognini e Federico Delbonis fizeram um dos melhores duelos sobre o saibro dos últimos tempos. E olha que eu custo a gostar do italiano. Foi um jogo de muita qualidade técnica, variações táticas, enorme disposição e tremendas reviravoltas. Pena que tão tarde, público reduzido no Rio e provavelmente esgotado diante de tantas horas de TV. Acredito que Delbonis deu um grande passo para a convocação na Copa Davis ao recuperar seu tênis agressivo. Pior para nós.

4. E o que o árbitro geral Lars Graf fez com Rafael Nadal é digno de punição. Desta vez, o espanhol teve toda a razão de reclamar. Oras, o jogo de Fognini começou  quase 21h30, portanto com a programação inteiramente comprometida. O lógico era deslocar a partida do italiano para o estádio secundário e permitir que Nadal e Pablo Cuevas entrassem em horário decente em quadra. A decisão prejudicou o público, que não aguentou a maratona e ainda viu um sofrível primeiro set. O uruguaio perdeu boa chance de surpreender, porque Rafa só conseguiu ‘acordar’ ali pela metade do segundo set, quando seu saque passou a fazer diferença e com ele o espanhol usou enfim o forehand agressivo. Saiu da quadra às 3h18, algo inconcebível numa programação que não teve um real imprevisto, como a chuva. Mas como Fognini terminou sua batalha de outras 3 horas completamente estafado, Rafa continua firme rumo ao bi e a manutenção do terceiro lugar do ranking.

5. Ah, David Ferrer fez sua melhor partida no Rio e, bem mais descansado, tem oportunidade de ouro de levar o título no domingo. Juan Mónaco mostrou evolução e, com a recorrente contusão nas costas de Leo Mayer, pode muito bem ser o títular de sexta-feira na Davis contra o Brasil.