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Suíços no topo
Por José Nilton Dalcim
18 de março de 2017 às 21:46

Não houve mesmo qualquer novidade nas semifinais de Indian Wells. Stan Wawrinka sobrou em cima do espanhol Pablo Carreño, que não teve força para conter um excelente desempenho de Stan com o serviço a favor e falhou na tentativa de ser mais agressivo, o que foge muito de sua característica.

Roger Federer fez um excepcional primeiro set, sufocando Jack Sock em todos os aspectos, mas depois teve mais trabalho. O americano calibrou o saque e com isso conseguiu usar mais o forehand. Esteve aliás com chance de ganhar o tiebreak, quando abriu 3-1. Mas de novo ele encolheu o braço na hora do aperto.

Os suíços irão assim duelar pela 23ª vez e a desvantagem histórico é grande em favor de Roger. Ele só perdeu três duelos, todos no saibro, no entanto os dois fizeram grande partida na recente semifinal do Australian Open.

Com a evolução evidente do backhand de Federer, será curioso descobrirmos qual dos dois ousará mais com o golpe, ou seja, buscará mais paralelas para desequilibrar o adversário. Um diferencial importante pode ser a devolução, já que Wawrinka opta sempre pelo bloqueio e deverá ver Federer muitas vezes na rede.

Há vários ingredientes bem interessantes na aguardada final entre os suíços, marcada para as 17 horas deste domingo. Vamos a elas:

– Até onde consegui apurar, esta será apenas a segunda decisão de nível Masters 1000 entre dois jogadores com mais de 30 anos, repetindo Federer x Ferrer em Cincinnati de 2014. Vamos lembrar que os Masters (então Super 9) começaram em 1990.
– Federer poderá desbancar Andre Agassi e se tornar o mais velho campeão de um Masters, aos 35 anos. O norte-americano ganhou seu último em Cincinnati, aos 34.
– Líder do ranking da temporada com 2.645 pontos no momento, Federer se garantirá no primeiro lugar até Monte Carlo a menos que Stan vença Indian Wells e também Miami.
– Wawrinka assumirá o segundo lugar na temporada, superando Rafa Nadal, caso conquiste o troféu. Ele está com 1.410 pontos e iria a 1.810.
– No ranking de 52 semanas, Federer já garantiu o 7º e ainda pode ser 6º com o eventual título, apenas 175 pontos atrás de Milos Raonic.
– Wawrinka pode atingir o máximo de 6.105 pontos, ainda longe de Novak Djokovic, mas ele nunca estaria tão perto do número 2, reduzindo a distância para 2.810 pontos.
– Federer busca seu 25º troféu de Masters 19 meses depois de conquistar o último, em Cincinnati de 2015. Também pode chegar ao 90º no geral e se aproximar ainda mais dos 94 de Ivan Lendl.
– Wawrinka faz apenas sua quarta final desse quilate, a primeira fora do saibro. Seu único troféu foi justamente sobre Federer, em Monte Carlo de 2014. Ele perdeu Roma para Djokovic e Madri para Nadal.
– Enquanto Stan disputará a 26ª final geral, Federer já soma 138, terceira melhor marca da Era Profissional (Lendl tem 146 e Jimmy Connors, 164).
– Federer tentará sua sexta vitória sobre um top 10 neste temporada, depois das quatro que obteve no Australian Open. Ele lidera o quesito na Era Profissional, com 203.

Frustração
Por José Nilton Dalcim
17 de março de 2017 às 22:45

Um desarranjo intestinal impediu que Nick Kyrgios se testasse diante do ‘novo’ Roger Federer. Que frustrante. O australiano de novo não consegue embalar e suas grandes vitórias sobre Novak Djokovic acabam ficando isoladas e perdem evidentemente um pouco do impacto.

Federer não pode reclamar, porque ainda por cima ganhou um dia de descanso, um privilégio se imaginarmos que ele teria de jogar em pleno sol do meio-dia local. Melhor ainda, seu adversário não será Kei Nishikori, mas Jack Sock. O americano de 24 anos chega a sua primeira semifinal de nível Masters com vitória novamente em três sets – a terceira seguida no torneio – diante de um Nishikori de tremendos altos e baixos e um terceiro set muito mal disputado. Não parecia alguém que vai ser outra vez top 4 na segunda-feira.

Nos dois jogos que fizeram em 2015, ambos em quadra dura, Federer ganhou sem maiores dificuldades de Sock, sem dúvida um norte-americano do genuíno tênis moderno. Tem o jogo totalmente moldado para o fundo de quadra, com bom saque e incursões esporádicas à rede, além de ótimo físico. Mas é um tanto instável, comete por vezes falhas bisonhas e mentalmente flutua em momentos de muita pressão. Então é bem provável que, se jogar seu melhor tênis, o suíço dificilmente vai perder sets.

As semifinais de Indian Wells serão assim um autêntico duelo de gerações. Stan Wawrinka já passou por dois ‘novatos’, ambos com grande esforço. A partida contra Dominic Thiem foi especialmente interessante, uma pancadaria danada, boas variações e lances bem bonitos. Stan mostrou muita perna e ganhou novamente nos mínimos detalhes, como havia acontecido diante de Yoshihito Nishioka na véspera.

Por suas conhecidas oscilações, o favoritismo natural do suíço contra Pablo Carreño necessita de cuidados. O espanhol tem jogado cada vez melhor no piso duro e, se aguentar com paciência as bolas pesadas de Wawrinka, pode obter dividendos. Carreño, de 25 anos, faz de longe sua maior campanha em Masters e também na quadra sintética. Com isso será enfim top 20 na segunda-feira, marcando mais uma renovação no ranking de 2017.

Incrível vermos que Stan, com toda a qualidade que tem, chegou apenas a três finais de nível Masters, todas no saibro, com um único título em Monte Carlo.

A rodada foi completada com uma virada de respeito de Marcelo Melo e do polonês Lukasz Kubot sobre a forte parceria formada por Bruno Soares e o britânico Jamie Murray. Jogo bem parelho, mas até a metade do segundo set parecia que a coisa estava mais para Bruno. Bastou um game de ótimas devoluções para mudar tudo e Melo/Kubot jogaram um tiebreak muito confiante. Uma final de grande quilate parece ser tudo o que a dupla precisava para se firmar de vez.

Para mostrar a importância dessa campanha, o eventual título no sábado à noite em cima de Raven Klaasen/Rajeev Ram irá colocar Melo e Kubot como vice-líderes no ranking da temporada, completando um salto de 18 posições.

Subindo a ladeira
Por José Nilton Dalcim
24 de fevereiro de 2017 às 01:08

E Thiago Monteiro deu mais um passo. Ao somar sua segunda vitória seguida no Rio Open 2017, ele atinge o melhor resultado de sua carreira, já que havia estado em três quartas de final de ATP 250 mas jamais de um nível 500. De quebra, vai saltar pelo menos para o 75º lugar do ranking, o mais alto de sua carreira.

A vitória sobre Thomaz Bellucci tem significado ainda mais especial, porque foi o primeiro duelo oficial entre eles e Monteiro jamais se mostrou tenso na partida, ainda que tivesse vivido os naturais altos e baixos de um momento tão importante. Aproveitou as falhas de Bellucci para fazer 3/0, permitiu a reação, abriu vantagem de 4-2 no tiebreak e viu a virada para 6-4. O paulista sacou para fechar o set e não conseguiu. Thiago lutou, sacou muito bem no finalzinho e saiu na frente.

Bellucci reagiu com seu extraordinário forehand, obtendo bolas de altíssima qualidade e força. Porém caiu de rendimento no terceiro set. Mais tarde, alegou que as dores na perna direita o prejudicaram e que o físico fez a diferença. Sem ter nada a ver com isso, Monteiro continuou sacando cada vez melhor, não deu brechas de reação e concluiu com um ace. Tremendo resultado.

O Rio Open realmente não combina com Bellucci. Ele fez quartas em 2014, perdeu duas edições na estreia e agora ao menos tirou o número 5 do ranking. Ao contrário, o saibro carioca cai como uma luva para Monteiro. Ele tem uma excepcional chance de ir à semifinal contra o novato Casper Ruud, 18 anos, muita força, às vezes exagerada.

Se passar, a semi poderá ser contra Pablo Carreno ou Alexander Dolgopolov. O ucraniano é extremamente mais perigoso, mas jogou no sacrifício nesta tarde e admitiu que pensou em desistir. Corre risco de nem ir à quadra na sexta.

Djokovic muda calendário
Gostei da atitude de Novak Djokovic. Com apenas três jogos disputados desde o título em Doha, ele pediu convite e será mais uma atração no ATP 500 de Acapulco. Certamente, a meta é pegar ritmo e ficar preparado para a defesa de Indian Wells e Miami, as duras missões de março.

Acapulco assim estará fortíssimo. Djoko será cabeça 1, seguido por Raonic, Nadal e Cilic. Podemos assim ter nas quartas um duelo de Nole contra Thiem, Goffin, Kyrgios ou Sock. E ficam soltos na chave, podendo enfrentar qualquer um na primeira rodada, nomes como Karlovic, Simon, Tomic e… Del Potro.

Ao que tudo indica, Djokovic evitou Dubai. Lá os cabeças serão Murray, Wawrinka, Federer, Monfils, Berdych, Pouille, Muller e Kohlschreiber. Ou seja, teoricamente até mais fácil do que o torneio mexicano. Troicki, Baghdatis, Verdasco e Paire são os nomes soltos. Bem menos perigosos. As chaves dos dois torneios saem no sábado.