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Djokovic continua incógnita
Por José Nilton Dalcim
9 de fevereiro de 2017 às 23:28

É problema físico ou desmotivação? Existe mesmo uma crise pessoal ou a influência do ‘guru espanhol’ mais atrapalha do que ajuda?

Há todo tipo de especulação solta por aí e não é apenas entre fãs ou participantes de fóruns. Até mesmo especialistas e experientes jogadores encontram dificuldade para entender o que aconteceu com Novak Djokovic desde junho do ano passado.

Em um momento, ele entrou para o exclusivo rol dos que detinham todos os títulos de Grand Slam simultaneamente. O rei do tênis. Hoje, oito meses depois, só mantém um deles, que terá de defender justamente no saibro de Roland Garros.

Falta de preparação adequada e desleixo na parte física foram apontados pelo ex-treinador Boris Becker como a causa da queda acentuada de produtividade de Nole a partir de Wimbledon. Não se sabe o quanto isso pode ter influenciado seus sucessivos problemas físicos, ora com o punho, ora com as costas.

Depois de cair precocemente no Australian Open, portanto com tempo de sobra para estar voando na Copa Davis e no que viesse a seguir, as dúvidas só aumentaram quando ele pediu ajuda do fisioterapeuta ainda no primeiro set e fez uma atuação sem brilho diante do modesto Daniil Medvedev. Mesmo com tão pouca atividade, não se motivou a mudar o calendário e só reaparecerá em Indian Wells.

A opinião mais comum nos bastidores é que, apesar de ele estar perto dos 30 anos, algo que sempre pesa mais no tênis, o motivo principal de sua queda é o mental. O foco e a determinação que lhe deram tantos feitos espetaculares claramente não está mais lá. Ao contrário, temos visto um Nole reclamão ao melhor estilo Murray, lastimando a bola que tocou na corda, os pontos em cima da linha que o adversário jogou, a marcação do juiz e várias vezes se dirigindo muito irritado para seu próprio box, como se quisesse mais apoio.

Essa ‘linguagem corporal’ é um estímulo para o adversário. E ao somar tantas exibições irregulares e derrotas inesperadas, Djokovic começa a ser visto não mais como o homem a ser batido, mas como um tenista cheio de vulnerabilidades. A pergunta que mais corre solta é: ele vai conseguir reverter rapidamente o quadro?

‘A preocupação é grande na Sérvia’, garante o jornalista Vojin Velickovic à CNN. ‘Novak é uma espécie de Super-Homem aqui e Super-Homem não perde. As pessoas mudam até sua rotina para acompanhar as partidas na TV’. Também entrevistado, o ex-treinador de Roger Federer e Peter Sampras, o norte-americano Paul Annacone, acha que Djokovic teve apenas uma pequena queda e acredita na reação, porém em outro nível. “Seus erros acontecem por milímetros, há uma perda de intensidade. Porém ele ainda é capaz de jogar um grande tênis. No entanto, não imagino que ele voltará a dominar o circuito como fez em 2015 e 2016″.

Becker voltou a dar seu pitaco. ‘A questão é o quanto ele ainda deseja fazer o grande esforço necessário para se manter no topo. As perguntas que devem ser feitas é o quão importante o tênis ainda é para ele e se está disposto aos sacrifícios. Obviamente, ele tem o talento e a competência, mas terá de passar por cima de tudo se quiser ganhar mais um Slam’. Andre Agassi rasgou elogios e se diz esperançoso: ‘Ele é um dos maiores tenistas de todos os tempos e por isso eu lhe dou uma grande chance de se recuperar rapidamente’.

Concordo com Agassi e acho que essa reação precisa começar em Indian Wells e Miami. Nem precisa ganhar novamente os dois Masters, porém ter atuações fortes, convincentes. Menos teatro e mais eficiência. Quedas precoces ou jogos fracos podem lhe causar problemas ainda mais sérios, porque há as quartas de final da Copa Davis justamente antes da temporada de saibro. Pressão e mais pressão. Nole necessita voltar a ser a fortaleza de antes.

Duro castigo
Por José Nilton Dalcim
5 de fevereiro de 2017 às 22:37

Quebrar raquete não é um lance bonito de se ver no tênis, mas geralmente se torna um prejuízo apenas para o tenista emotivo, que leva uma vaia, recebe uma advertência e muitas vezes um puxão de orelhas do patrocinador.

Descarregar a raiva na bola é muito mais arriscado e o garoto Denis Shapovalov aprendeu neste domingo da forma mais dolorosa. Atingiu violentamente o árbitro Arnaud Gabas no olho esquerdo (veja aqui o vídeo), mandando o oficial para um hospital de Ottawa, e foi desqualificado justamente no quinto jogo da série entre Canadá e Grã-Bretanha. Menos mal que Kyle Edmund já tinha larga vantagem e caminhava para a vitória.

Como imagens sensacionais correm o mundo com incrível velocidade nos dias de hoje, o promissor canhoto Shapovalov, 17 anos, vai ficar famoso bem menos do que por seu bom tênis e isso pode ser um problemão para sua cabeça. Vejo um punhado de ‘panos quentes’ nas declarações das redes sociais, mas o correto me parece aproveitar o infeliz momento para alertar o quão perigoso é esse destempero.

O pior é que vemos megaestrelas como Roger Federer, Serena Williams, Novak Djokovic, Andy Murray e Stan Wawrinka dando esse mau exemplo e aí parece até um tanto injusto querer punir os Nick Kyrgios da vida. Se o número 1 do mundo faz, por que eu não posso? Difícil tirar a razão dos nervosinhos. Quem perde é o tênis e o espetáculo. Boa hora para ATP e WTA chamarem os representantes dos jogadores em seus Conselhos e pedir maior responsabilidade.

Dentro da quadra, tivemos uma tremenda surpresa dos belgas, ao vencer a Alemanha fora de casa sem David Goffin. O estilo variado de Steve Darcis merece sempre cuidado e Alexander Zverev caiu na armadilha. E agora a Bélgica torce para a Itália ganhar da Argentina, porque assim seriam sede. O veterano e raçudo Carlos Berlocq ganhou dois de seus três jogos em Buenos Aires.

Grande expectativa ficará para o duelo entre Sérvia e Espanha. Será que Djokovic e Rafa Nadal irão se colocar à disposição? A rodada é em abril, antes do saibro europeu, e é provável que aconteça em quadra dura e rápida, já que os espanhóis serão visitantes pelo oitavo confronto seguido. Com Nadal de fora, suaram para ganhar da Croácia como visitante, mas Roberto Bautista e Pablo Carreño deram conta. Marin Cilic, Borna Coric e Ivo Karlovic não jogaram. E Djokovic, hein? Bom, prometo falar só dele no próximo texto.

Sem Murray, o renovado time britânico se virou bem com Edmund e Daniel Evans, mas precisará de sua maior estrela para ir à França, provavelmente num saibro lento. Por fim, EUA e Austrália irão se cruzar e um dos dois terá chance de enfim voltar aos velhos tempos da Davis. O time americano tenta uma renovação com Jack Sock e Steve Johnson e perdeu a força dos aposentados Bryan, mas a Austrália vive seus problemas internos intermináveis e agora vê briga direta entre o capitão Lleyton Hewitt e Bernard Tomic.

O Brasil folgou no Zonal Americano e conheceu seu adversário. Sem qualquer surpresa, deu o Equador. Teremos agora de oferecer a revanche daquele sufoco de Belo Horizonte do ano passado. Nem de longe nosso time deixa de ser favorito, já que tem ranking e experiência muito superiores. No entanto, não dá para vacilar.

Pesquisa 1 – A empresa comandou pesquisa para saber quais seriam os atletas mais adorados na Austrália. E, incrível, as quatro primeiras colocações foram tenistas: Federer, Nadal Djokovic e Hewitt. Só então aparece um atleta australiano de outra modalidade: Tim Cahill, Mick Fanning, Kelly Slater, Mark Webber, Johnathan Thurston e Steve Smith.

Pesquisa 2 - O internauta Elcio Sch me pede para divulgar sua pesquisa sobre os hábitos dos tenistas amadores brasileiros. A ideia dele é criar um aplicativo gratuito que fortaleça intercâmbio entre jogadores que não se conhecem. Quem quiser participar, clique aqui e acesse o link.

O que aguarda Federer. E mais histórias.
Por José Nilton Dalcim
1 de fevereiro de 2017 às 17:42

Roger Federer reescreveu vários capítulos da história do tênis com o 18º troféu de Grand Slam. Segundo mais velho a conquistar um título desse porte na Era Profissional, aos 35 anos e 174 dias, ele é agora também o único a ter pentacampeonatos em três Slam diferentes, somando-se ao feito já sacramentado de ter ao menos cinco finais em cada um dos Slam, outra exclusividade do suíço.

Fato pouco explorado, Federer foi o primeiro desde Mats Wilander, em Roland Garros de 1982, a derrotar quatro top 10 numa campanha rumo ao título. Na ocasião, o sueco superou Lendl, Gerulaitis, Clerc e Vilas. Diferenças importantes: Wilander tinha 17 anos e só um de seus jogos no torneio foi ao quinto. O suíço venceu três desses top 10 no quinto set.

Também não vi uma observação importante: esta final da Austrália foi a única já disputada entre dois recordistas vigentes de títulos de Slam. Aliás, descobri uma coincidência. Pete Sampras também saiu de cabeça 17 na sua derradeira conquista, no US Open de 2002. Como se vê, há muita história ainda a contar.

Para responder a tanta gente que me pergunta o que mais Federer pode fazer este ano, fiz um breve resumo dos outras grandes realizações que o aguardam em 2017. Algumas bem prováveis, outras muito difíceis. Vamos a um breve resumo:

Roland Garros, em maio
– Está com 314 vitórias de Slam na carreira, duas a menos que Serena Williams. Duelo deve continuar em Paris
– Se confirmar presença, igualará Fabrice Santoro com maior número de Slam disputados na carreira (70).
– Pode se tornar o primeiro profissional e o terceiro da história a ganhar ao menos duas vezes cada Slam.

Wimbledon, em junho
– Precisa de apenas uma vitória para assumir o recorde de maior número de vitórias (está com 84, empatado com Connors).
– Soma 95 partidas e busca uma nova marca centenária, como obteve na Austrália. Apenas Connors fez isso (102 em Wimbledon e 115 no US Open).
– Busca o oitavo troféu e tenta desempatar de Sampras.

US Open, em agosto
– Se ganhar duas partidas, supera Agassi em vitórias no torneio (tem 78 contra 79) e só fica atrás de Connors.
– Busca o sexto troféu e tenta desempatar de Sampras e Connors.
– Se for à decisão, iguala Lendl e Sampras com oito finais.

No Finals, em novembro
– Busca 15ª participação num torneio em que lidera tudo: títulos (6), finais (10), semis (13) e vitórias (52).

No circuito
– Aumenta seu recorde para 61 títulos sobre quadras duras, dez a mais que Djokovic. Lidera folgadamente com 675 vitórias no piso.
– Chega ao 89º título da carreira e fica assim apenas cinco atrás de Lendl, o segundo da lista. Connors lidera com 109.
– Soma 137 finais disputadas e está a nove de Lendl. Connors é o recordista, com 164.
– É o jogador com mais vitórias sobre adversários top 10, com 202. Djokovic tem 180.
– Divide com Nadal a primeira posição no item títulos em quadras descobertas, ambos com 67.
– Está 18 vitórias atrás de Connors na lista de maior vencedor sobre quadra de grama (170 a 152).

No ranking
– Ao reaparecer no 10º lugar, soma agora 745 no total como top 10 e pode ultrapassar as 747 de Agassi. Bem acima, Connors tem 817.

No bolso
– Com o prêmio de US$ 2,8 milhões, é o segundo profissional a superar a casa dos US$ 100 mi, depois de Djokovic.

Liderança absoluta
– Lidera tudo de nobre em Grand Slam: 28 finais (sete acima de Nadal e Djokovic), 41 semifinais (10 a mais que Connors e Djoko) e 49 quartas (oito acima de Connors).
– Também tem todas as marcas em séries consecutivas: 10 finais, 23 semis e 36 quartas. Só Federer, Borg e Nadal ganharam um mesmo Slam cinco vezes seguidas, mas o suíço fez isso em dois: Wimbledon e US Open.

Quem levou o Desafio – Desculpem a demora para soltar o resultado. Vamos lá: o primeiro lugar ficou disparado com Bruno Zocchi, que acertou até mesmo três dos cinco sets da partida. O segundo foi Marco Aurélio de Souza Ribeiro, que errou apenas seis games no total, e o terceiro coube Guilheme Barros, com oito erros e quase tempo cravado. O quarto lugar vai para Alexandre CGB (não consta nome completo), com oito erros e melhor tempo do que os demais. Todos os quatro vão receber um tubo de bolas Australian Open da Wilson. Parabéns! Me enviem aqui ou no joni1@uol.com.br nomes e endereços completos para o envio.