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Brasil cruza os dedos
Por José Nilton Dalcim
9 de abril de 2017 às 12:50

Com a vitória deste final de semana no saibro equatoriano, o Brasil tentará retornar à elite da Copa Davis, onde esteve por duas vezes nos últimos quatro anos. Como sempre, jogar em casa será fundamental e a chance de isso acontecer é muito boa: passa dos 56%.

O regulamento da Davis determina que o país-sede de um confronto será sempre aquele que foi visitante no duelo anterior, retroagindo até 1972. Se o duelo for mais antigo ou se nunca aconteceu, um sorteio define o mando.

Assim, o Brasil jogará em casa se enfrentar Argentina, Suíça, República Tcheca e Alemanha, com chance ainda se der Japão. Como nunca encaramos os nipônicos, a definição da sede seria em outro sorteio. Esse é obviamente o quadro mais favorável porque, além de poder optar por um saibro lento tão depois do US Open, os adversários dificilmente trarão sua força máxima.

Assim, os suíços parecem uma ótima alternativa. Roger Federer está fora da Davis e Stan Wawrinka só arriscaria vir se perdesse muito cedo no US Open e tivesse um gigantesco espírito nacionalista. Neste ano, contra os EUA, escalaram Marco Chiudinelli e Henri Laaksonen e só ganharam um set. Os tchecos também são interessantes. Não devem ter Tomas Berdych, Radek Stepanek se recupera de cirurgia e o único top 150 é Jiri Vesely.

Como festa, certamente Argentina e Alemanha seriam interessantes. Também acho difícil Juan Martin del Potro vir ao saibro, mas os hermanos têm muitas opções ainda que conheçamos bem Guido Pella, Carlos Berlocq e Leo Mayer. A Alemanha poderia escalar Alexander Zverev e Philipp Kohlschreiber, que seriam grandes atrações por aqui. O Japão é sempre um convidado especial no Brasil, porém acho muito pouco provável que Kei Nishikori venha. Ainda assim, Yoshihito Nishioka e Taro Daniel podem proporcionar jogos duros.

Como visitante, o Brasil teria pouca chance porque Croácia, Canadá, Rússia e mesmo Japão certamente escolheriam pisos bem velozes e poderiam contar com suas estrelas. Mesmo sem qualquer top 20, os russos tem um grupo forte com Karen Khachanov, Daniil Medvedev, Andrey Kuznetsov e até o velho Mikhail Youzhny.

Nos jogos do Equador, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro sentiram a dificuldade de jogar em grande altitude, já que a bola escapa demais. AInda encontraram um piso um tanto irregular. Bellucci deu um susto na sexta-feira, deixando escapar 2 a 0 e uma quebra contra Emilio Gomez, que chegou a ter 3/2 e saque no quinto set. A reação e vitória ajudou Monteiro a jogar mais tranquilo diante de um Roberto Quiroz que tirou tudo da altitude. A dupla, como se esperava, sobrou.

Além do Brasil, classificaram-se para a repescagem Portugal, Holanda e Belarus no Zonal Europeu; Índia, Cazaquistão e Nova Zelândia, no Asiático; e Colômbia na outra vaga do Zonal Americano. Desses todos, apenas Portugal e Colômbia jamais conseguiram chegar ao Grupo Mundial.

Semifinais interessantes
A França receberá a Sérvia e a Bélgica jogará em casa contra a Austrália nas semifinais do Grupo Mundial marcadas para o mesmo período da repescagem, ou seja, 15 a 17 de setembro. Duelos sem dúvida interessantes e com muito pouco favoritismo para qualquer lado.

Mesmo desfalcadíssima, a França atropelou os britânicos no saibro, o que reforça a imensa dependência que o time da Ilha tem em cima de Andy Murray. Com um grupo homogêneo, a Sérvia festejou a volta de Novak Djokovic e passou pela Espanha que não teve Rafa Nadal nem Roberto Bautista. Claro que as chances sérvias na semi dependem do tamanho do desgaste de Nole no US Open. Acredito que Yannick Noah optará por um saibro lento, já que tem mais opções.

Aliás, um saibro ainda mais lento deve ser a aposta da Bélgica em cima da Austrália, única forma de minimizar o fantástico serviço de Nick Kyrgios. Em grande momento, ele foi a sensação na vitória sobre os EUA, sem perder sets mas fazendo dois jogos bem duros, com direito a grandes reações. A cabeça do rapaz parece ter melhorado mesmo. Comandados por David Goffin, os belgas voltam à semi ao superar a Itália, que não pôde contar com Fabio Fognini.

Segundo maior campeão da Davis, a Austrália não disputa um título desde 2003, nos tempos áureos do agora capitão Lleyton Hewitt.

Só Nadal pode impedir outro título histórico de Federer
Por José Nilton Dalcim
1 de abril de 2017 às 00:17

Onze anos depois de ter conquistado seu bicampeonato em Miami, o suíço Roger Federer tenta finalizar mais uma campanha surpreendente em sua mágica temporada 2017. O único que pode evitar que seu domínio se amplie ainda mais é justamente Rafael Nadal. Os dois mega-rivais decidiram o mesmo título em 2005, quanto tempo, e farão o terceiro grande duelo em apenas dois meses. Não dá para perder.

Federer aumenta seu recorde em finais de Masters para 45 e pode ganhar dois troféus desse quilate seguidamente pela primeira vez desde Cincinnati e Xangai de 2014. Sua trajetória tem sido incrivelmente difícil na umidade terrível de Key Biscayne. Salvou dois match-points nas quartas de final e precisou nesta noite de três tiebreaks emocionantes e 3h10 de enorme esforço físico para superar o arrojado Nick Kyrgios. A resistência e persistência do ‘velhinho’ são notáveis.

Nadal terá duas missões especiais no domingo. Ganhar enfim Miami em sua quinta final e encerrar o jejum de conquistas sobre piso sintético que já completou três temporadas. De quebra, joga para encostar novamente em Novak Djokovic na briga pela liderança de troféus de Masters 1000 – o que esquentaria muito a fase do saibro europeu – e acima de tudo tenta encerrar a já amarga série de três derrotas consecutivas para o suíço. Nadal interrompeu a contagem de 23 triunfos sobre Federer em janeiro de 2014 e a vantagem já diminuiu para 10.

As semifinais desta sexta-feira foram muito distintas. Logo cedo, Rafa dominou completamente um desanimado Fabio Fognini tendo como maior predicado um excelente primeiro serviço, que funcionou o tempo todo e não deu oportunidades quando o italiano resolveu jogar mais ao longo do segundo set. A vitória sem sustos serviu certamente para deixar sua confiança lá em cima. Será mesmo necessário.

Como eu esperava, Federer e Kyrgios reviveram os tiebreaks de Madri de 2015 com a mesma dramacidade e competência. Foi tudo muito apertado, mas houve espaço para pequenos domínios. Kyrgios poderia ter levado o primeiro set quando teve 5/4 e saque. O desempate foi tenso, muitos serviços quebrados e chances para os dois lados. Federer poderia também ter resolvido mais cedo. Deixou escapar dois break-points no sétimo game do segundo set e abriu 5-3 no outro tiebreak, 6-5 e saque. Kyrgios mostrou incrível frieza e ainda reagiu.

O terceiro set favoreceu os sacadores e vimos os dois irem bem mais à rede, provavelmente para economizar físico. Fizeram lances geniais, correram atrás de todas as bolas, levantaram o público. No terceiro tiebreak, Kyrgios fez 3-1 e permitiu empate. Chegou a 5-4 e dois saques, o que deveria ser o fim. Atrapalhou-se com um torcedor inoportuno, cometeu dupla falta em seguida e viu Federer sacar um ace cruzado para finalizar mais uma vitória espetacular, milimétrica. Dois jogos, seis tiebreaks e agora 1 a 1 entre eles. Show.

Feminino: inesperado
Se a final masculina é um ‘remake’, a feminina deste sábado é completamente inesperada, envolvendo duas tenistas que sequer estão no momento entre as top 10. Mas não dá para negar que Carol Wozniacki e Johanna Konta merecem demais decidir o importante Premier de Miami, um dos maiores troféus do circuito.

Wozniacki não mudou muita coisa no seu estilo, que privilegia a regularidade e a paciência, porém está jogando talvez o melhor tênis dos últimos três anos. Não por acaso, a ex-número 1 está entre as três tenistas que se saíram com maior sucesso na temporada até aqui e nunca é demais lembrar que, afinal das contas, tem ainda 26 anos.

A britânica, 11 meses mais jovem, faz a maior final da carreira e um título pode levá-la ao sétimo lugar do ranking, um posto de muito prestígio. Ao contrário da dinamarquesa, bate muito mais na bola, força o saque e mira as linhas. Em dias inspirados, como na semi diante de Venus Williams, é uma adversária terrível. Quem sabe, Miami possa ser um impulso para aventuras maiores lá na frente.

Curioso notar que a distância hoje entre a líder Angelique Kerber e a número 7 do ranking é praticamente de 3 mil pontos, algo muito distinto do que ocorre no top 10 masculino.

Futuro garantido
Por José Nilton Dalcim
30 de março de 2017 às 23:00

Quem ainda se preocupa com o futuro do tênis masculino após o Big 4, deve ter ficado um pouco mais tranquilo após rever o duelo entre Nick Kyrgios e Alexander Zverev na última partida de quartas de final do Masters 1000 de Miami.

Uma batalha disputada game a game, cheio de tremendos pontos. Força, habilidade, empenho. Dividiram saques fulminantes, busca constante de winners, garra, reclamação, raquete para o chão. Entrega total. Um espetáculo que tanto esperamos da nova geração.

Kyrgios ganhou de novo, mas Zverev foi muito diferente de Indian Wells. Agressivo, soube jogar os pontos importantes, teve incrível frieza nos match-points, respondeu os malabarismos mágicos do australiano com lobs milimétricos e enorme agilidade. A menos que um desastre muito grande aconteça, esses dois garantirão um tênis de alta qualidade nos próximos anos.

Será que desta vez veremos o confronto entre dois dos mais talentosos tenistas da Era Profissional? Kyrgios e Roger Federer deveriam ter se cruzado em Indian Wells, mas o suíço teve adiada sua chance de revanche para a noite desta sexta-feira. Na única vez que se cruzaram, no saibro de Madri de 2015, o australiano ganhou em três tiebreaks emocionantes, o último deles com 14-12.

No sufoco
O duelo de Federer contra Tomas Berdych foi bem interessante. O suíço desfilou no primeiro set, mas depois o tcheco consertou o primeiro serviço e isso foi lhe dando confiança para despachar seus golpes muito retos e potentes da base. Me pareceu que Federer perdeu paulatinamente a força no saque, o que ajudou muito o adversário a devolver quase o tempo inteiro. Houve uma cena em que levou a mão às costas. Será?

Ainda assim, Federer teve 5/3 para fechar e depois match-point (que Berdych salvou com segundo serviço muito arriscado). Falhou novamente com o saque no primeiro e quarto pontos do tiebreak e cedeu o fatídico 6-4 mais tarde ao adversário. Aí deu alguma sorte e ganhou quatro pontos consecutivos. Berdych não soube vencer, isso é fato.

Nadal x Fognini
A outra semifinal também promete muito, principalmente se lembrarmos do magnífico duelo que Rafael Nadal e Fabio Fognini fizeram no US Open de 2015, naquele que foi o melhor jogo daquela temporada. Curioso que Miami seja um pouco mais lento, mas isso na teoria não atrapalha nenhum dos dois, que também são grandes especialistas no saibro.

Nadal leva pequena vantagem em golpes – tem mais primeiro saque e forehand, elementos essenciais no piso duro – mas é na parte mental que os dois se distanciam mais. O espanhol é uma fortaleza e faz da adversidade um incentivo, enquanto o italiano flutua demais e pode sair facilmente de jogo numa fase de frustração.

Fognini no entanto parece ter uma motivação especial ao enfrentar Rafa, talvez pelo desafio em si. Em Miami tal qual Indian Wells, ele tem dado seus showzinhos habituais porém parece determinado e já buscou partidas difíceis. Se jogar sem compromisso, pode complicar Nadal, principalmente se conseguir atacar com competência o segundo serviço do espanhol.

Melo, de novo
E Marcelo Melo embalou de vez com o polonês Lukasz Kubot. Segunda final seguida de Masters 1000 é um resultado excelente para uma parceria que acabou de se formar e estava tão instável. Os dois se encontraram no piso sintético americano e a fase ficou boa o bastante para eles ganharem vários ‘pontos decisivos’ e supertiebreaks apertados.

O salto da dupla é expressivo. No caso de título no sábado, que seria o primeiro da parceria, eles assumem o segundo lugar da temporada, menos de 500 pontos atrás dos líderes Henri Kontinen/John Peers, que dispararam porque foram os campeões na Austrália. A boa notícia para Melo foi a queda dos Bryan na outra semi, mas os adversários serão da casa: Jack Sock e Nicholas Monroe.

Melo vai em busca do sexto troféu de nível Masters em dez finais, recorde absoluto para o tênis nacional. Bruno Soares tem dois títulos e seis vices.

Como já falei demais hoje, deixo o feminino para amanhã.