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Tênis cabeça
Por José Nilton Dalcim
10 de maio de 2017 às 18:55

Novak Djokovic e Rafael Nadal não fizeram as melhores exibições que poderiam sobre o saibro rápido de Madri, mas passaram para a terceira rodada com uma arma muito poderosa: a cabeça.

E isso me parece particularmente importante no caso de Nole. Afinal, a maioria acredita que sua queda de produção tem muito a ver com questões emocionais. Ao ver Nicolás Almagro marcar 3/0 no terceiro set, criou-se uma excelente oportunidade de ver como andava o mental do sérvio, ainda mais agora que demitiu toda sua equipe técnica.

Djoko foi muito bem. Jamais perdeu a calma, não deu escândalo, ficou no jogo à espera de oportunidade. Lutou e criou a virada, diante de um espanhol que estava então muito afiado. Almagro é um mestre em perder jogos que estão na mão, ao melhor estilo Bellucci, e o sérvio tomou a atitude correta: não deu ponto de graça, obrigou o adversário a arriscar.

Abriu caminho assim para a semifinal. Terá é claro que tomar cuidado com o entusiasmo do madrilenho Feliciano López – de quem só perdeu uma vez em nove duelos, ainda assim por abandono – e então enfrentar Kei Nishikori ou David Ferrer. É um excelente quadro para quem precisa reagir na temporada.

A cabeça também foi o diferencial entre Nadal e Fabio Fognini. O italiano entrou determinado a agredir. Deixou escapar o primeiro set, venceu o segundo e aproveitou os altos e baixos do espanhol para endurecer o terceiro até o finzinho. Rafa não jogou mil maravilhas e falhou principalmente com o saque, a ponto de perder cinco serviços.

Não poderá vacilar na mesma proporção diante de Nick Kyrgios, que até aqui passeou na quadra e nem parece ter ficado tantas semanas sem competir. A bola anda muito na altitude de Madri e o australiano vai apostar tudo no seu poderoso saque. Quem passar poderá escolher entre o jogo de risco de Milos Raonic ou a regularide de David Goffin. Aliás, gostei dos dois jogos do belga no torneio. Parece que ele assimilou enfim o top 10.

O destaque até aqui para mim é Alexander Zverev. Ele não brilhou em Monte Carlo e Barcelona, mas faturou Munique na semana passada e agora em Madri já tirou os experientes Fernando Verdasco e Marin Cilic. Tem uma chance real contra Tomas Berdych e isso poderá abrir lugar na semi, já que Stan Wawrinka fez o favor de perder para Benoit Paire com atuação lastimável e o francês cruzará com Pablo Cuevas.

O primeiro dos quadrantes promete jogos também empolgantes. Andy Murray pega Borna Coric, que não é de atacar, enquanto Dominic Thiem e Grigor Dimitrov fazem duelo inédito no saibro. Será que teremos a reedição de Murray x Thiem? O austríaco bem que ficaria feliz.

E como não custa sonhar, que tal as quartas de Madri com Coric, Thiem, Dimitrov, Zverev, Goffin e Kyrgios? Vale observar que todos eles, à exceção de Coric, estão agora firmes no top 20 do ranking.

Nole radicaliza
Por José Nilton Dalcim
5 de maio de 2017 às 18:28

Novak Djokovic surpreende outra vez o mundo do tênis sem sequer entrar em quadra. Com atuações irregulares, derrotas inesperadas e comportamento pouco usual, o tenista que dominava amplamente o circuito há exatos 12 meses optou por um tratamento de choque. Anunciou a troca de toda sua equipe e um voo solo pelo menos durante Madri e Roma. Radicalizou.

Em apenas quatro meses, Djokovic mudou tudo. Ainda em dezembro, não renovou o contrato com Boris Becker. Especula-se que o rigoroso alemão teria exigido a saída do guru espanhol, o controverso Pepe Imaz. Agora, dispensa não apenas o treinador de 10 anos Marian Vajda, mas também o núcleo todo de sua equipe, o preparador Gebhard Phil Gritsch e o fisioterapeuta Miljan Amanovic. Aliás, Imaz não foi mais visto junto a Djokovic.

O que mais surpreende é que a decisão seja tomada em meio à temporada de saibro, que de certa forma é essencial para Nole, com dois títulos e um vice a defender nas próximas semanas. Claro que o anúncio de hoje não significa que a mudança tenha acontecido às vésperas de Madri. Muito provavelmente ocorreu logo depois de Monte Carlo e o sérvio deixou o anúncio para a última hora, sabendo que seria estranho não ver seu time no box da Caja Magica.

Há duas formas de ver a situação e só o tempo dirá qual delas é a mais correta. Ao tomar atitude tão profunda, Djoko mostra a todo mundo que quer recuperar seu tênis e seu espírito vencedor e está disposto a tudo. Mas ao mesmo tempo pode ser mais um sinal de que esteja completamente sem rumo. Não anunciou um substituto e, imagina-se, irá encarar essa fase tão delicada sem um treinador. Roger Federer já fez isso e não foi o fim do mundo.

O primeiro teste será no saibro ‘anormal’ de Madri, que é mais veloz devido à altitude e pode ficar ainda mais rápida se o teto for usado. Nicolas Almagro, Gael Monfils, Jo-Wilfried Tsonga ou Kei Nishikori são os mais prováveis adversários até a semifinal. Aí Nole poderá cruzar com Rafael Nadal. O espanhol no entanto deverá ter uma caminhada exigente, com Fabio Fognini, Nick Kyrgios e Milos Raonic ou David Goffin pela frente.

O lado de cima prevê muitas dores de cabeça para Andy Murray, principalmente se der Guillermo Garcia, Lucas Pouille e Dominic Thiem. A outra vaga na semi não está fácil para Stan Wawrinka, que pode encarar Pablo Carreño logo na estreia. Como a bola anda bastante em Madri, Alexander Zverev, Tomas Berdych e até Grigor Dimitrov são candidatos a boas campanhas nessa parte da chave.

Madri é um ponto fora da curva na temporada do saibro europeu. Desta vez, no entanto, parece ter uma importância capital para aqueles que sonham com reação na temporada. Nadal é o único que pode ser dar ao luxo de jogar sem compromisso e isso o torna ainda mais perigoso.

Brasil cruza os dedos
Por José Nilton Dalcim
9 de abril de 2017 às 12:50

Com a vitória deste final de semana no saibro equatoriano, o Brasil tentará retornar à elite da Copa Davis, onde esteve por duas vezes nos últimos quatro anos. Como sempre, jogar em casa será fundamental e a chance de isso acontecer é muito boa: passa dos 56%.

O regulamento da Davis determina que o país-sede de um confronto será sempre aquele que foi visitante no duelo anterior, retroagindo até 1972. Se o duelo for mais antigo ou se nunca aconteceu, um sorteio define o mando.

Assim, o Brasil jogará em casa se enfrentar Argentina, Suíça, República Tcheca e Alemanha, com chance ainda se der Japão. Como nunca encaramos os nipônicos, a definição da sede seria em outro sorteio. Esse é obviamente o quadro mais favorável porque, além de poder optar por um saibro lento tão depois do US Open, os adversários dificilmente trarão sua força máxima.

Assim, os suíços parecem uma ótima alternativa. Roger Federer está fora da Davis e Stan Wawrinka só arriscaria vir se perdesse muito cedo no US Open e tivesse um gigantesco espírito nacionalista. Neste ano, contra os EUA, escalaram Marco Chiudinelli e Henri Laaksonen e só ganharam um set. Os tchecos também são interessantes. Não devem ter Tomas Berdych, Radek Stepanek se recupera de cirurgia e o único top 150 é Jiri Vesely.

Como festa, certamente Argentina e Alemanha seriam interessantes. Também acho difícil Juan Martin del Potro vir ao saibro, mas os hermanos têm muitas opções ainda que conheçamos bem Guido Pella, Carlos Berlocq e Leo Mayer. A Alemanha poderia escalar Alexander Zverev e Philipp Kohlschreiber, que seriam grandes atrações por aqui. O Japão é sempre um convidado especial no Brasil, porém acho muito pouco provável que Kei Nishikori venha. Ainda assim, Yoshihito Nishioka e Taro Daniel podem proporcionar jogos duros.

Como visitante, o Brasil teria pouca chance porque Croácia, Canadá, Rússia e mesmo Japão certamente escolheriam pisos bem velozes e poderiam contar com suas estrelas. Mesmo sem qualquer top 20, os russos tem um grupo forte com Karen Khachanov, Daniil Medvedev, Andrey Kuznetsov e até o velho Mikhail Youzhny.

Nos jogos do Equador, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro sentiram a dificuldade de jogar em grande altitude, já que a bola escapa demais. AInda encontraram um piso um tanto irregular. Bellucci deu um susto na sexta-feira, deixando escapar 2 a 0 e uma quebra contra Emilio Gomez, que chegou a ter 3/2 e saque no quinto set. A reação e vitória ajudou Monteiro a jogar mais tranquilo diante de um Roberto Quiroz que tirou tudo da altitude. A dupla, como se esperava, sobrou.

Além do Brasil, classificaram-se para a repescagem Portugal, Holanda e Belarus no Zonal Europeu; Índia, Cazaquistão e Nova Zelândia, no Asiático; e Colômbia na outra vaga do Zonal Americano. Desses todos, apenas Portugal e Colômbia jamais conseguiram chegar ao Grupo Mundial.

Semifinais interessantes
A França receberá a Sérvia e a Bélgica jogará em casa contra a Austrália nas semifinais do Grupo Mundial marcadas para o mesmo período da repescagem, ou seja, 15 a 17 de setembro. Duelos sem dúvida interessantes e com muito pouco favoritismo para qualquer lado.

Mesmo desfalcadíssima, a França atropelou os britânicos no saibro, o que reforça a imensa dependência que o time da Ilha tem em cima de Andy Murray. Com um grupo homogêneo, a Sérvia festejou a volta de Novak Djokovic e passou pela Espanha que não teve Rafa Nadal nem Roberto Bautista. Claro que as chances sérvias na semi dependem do tamanho do desgaste de Nole no US Open. Acredito que Yannick Noah optará por um saibro lento, já que tem mais opções.

Aliás, um saibro ainda mais lento deve ser a aposta da Bélgica em cima da Austrália, única forma de minimizar o fantástico serviço de Nick Kyrgios. Em grande momento, ele foi a sensação na vitória sobre os EUA, sem perder sets mas fazendo dois jogos bem duros, com direito a grandes reações. A cabeça do rapaz parece ter melhorado mesmo. Comandados por David Goffin, os belgas voltam à semi ao superar a Itália, que não pôde contar com Fabio Fognini.

Segundo maior campeão da Davis, a Austrália não disputa um título desde 2003, nos tempos áureos do agora capitão Lleyton Hewitt.