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Djokovic ainda maior
Por José Nilton Dalcim
3 de abril de 2016 às 20:50

A primeira pergunta que se fazia ao início da temporada 2016 era se a supremacia de Novak Djokovic permaneceria intacta. Os números falam por si só. Se analisarmos a soma de pontos de cada tenista desde janeiro, veremos que o sérvio tem 4.340, apenas 45 a menos do que fez em 2015, com a diferença que ele disputou um torneio a menos. Mais importante ainda: há 12 meses, o vice era Murray com 2.420; hoje, Raonic tem 1.750.

Aos números também pode se acrescentar a campanha nos três grandes torneios da temporada. O título na Austrália veio com menor esforço do que na edição anterior, Indian Wells não viu a mesma dificuldade da final de 2015 e Miami desta vez chegou sem a perda de um único set. Para chegar ao hexa no Crandon Park, tirou dois top 10 especialistas em piso duro e superou dois dos mais fortes aspirantes da nova safra.

Nada mais justo então do que atualizarmos a crescente lista de façanhas de peso de Nole:

– Assume a liderança de percentual de vitórias na carreira, com 714 e 147 derrotas (82,92%). Supera Borg (82,7%) e Nadal (82,4%).
– Agora são 63 títulos no geral, um a menos que Borg e Sampras e a quatro de Nadal, sexto colocado da Era Profissional.
– Com 89 finais, se firma no top 10 do quesito e está apenas uma atrás de Agassi. Corre atrás das 96 de Laver e Nastase e das 99 de Nadal.
– A vitória sobre Nishikori foi a 167ª sobre um top 10. Aproxima-se cada vez mais das 198 do recordista Federer. Percentualmente, seu índice nesse quesito é de 67,6%, só atrás de Borg (70%).
– Ao encerrar a primeira fase da temporada sobre piso duro, iguala os 49 troféus de Agassi na superfície e sobe ao terceiro posto. A partir de agosto, busca o 50ª de Connors. Federer ainda está 11 à frente. Percentualmente, tem 84,3% contra 82,8% do suíço.
– Em nível Masters 1000, lidera absoluto com 28 conquistas e é terceiro em finais disputadas (40), muito perto de passar Nadal (41) e Federer (42). Aumenta também para 11 finais consecutivas em Masters que disputou.

O mesmo domínio se viu no circuito feminino, em que Victoria Azarenka fez o raro feito de levantar as taças de Indian Wells e Miami. A reação da bielorrussa era mais do que aguardada, desde que se livrasse do fantasma das contusões e recuperasse a confiança.

Ela volta ao quinto lugar de um ranking que não vê no momento um grande destaque. Serena Williams parece fora de forma; Simona Halep, Garbine Muguruza e Belinda Bencic estão sofrendo com problemas físicos, Aga Radwanska ainda não achou um padrão e Angelique Kerber ainda precisa mostrar que o salto espetacular na Austrália vá se manter.

Com Maria Sharapova afastada e Petra Kvitova em momento ruim, Vika pode sim aproveitar a brecha. E a chance é boa no saibro europeu. Ela defende somente quartas em Roma, oitavas em Madri e terceira rodada em Paris. É fato que não fez ainda um resultado espetacular na terra batida. A oportunidade não poderia chegar em melhor hora.

Nishikori tenta adiar a história
Por José Nilton Dalcim
1 de abril de 2016 às 22:42

Novak Djokovic está a um jogo de se tornar o maior campeão de Masters 1000 e o tenista que mais faturou em premiação direta desde que o tênis passou a pagar por cada rodada disputada em 1968. O único que ainda pode adiar por algumas semanas os novos feitos do homem de US$ 100 milhões é o japonês Kei Nishikori, um dos raros tenistas da nova geração que já derrotou duas vezes o sérvio em quadra dura.

A semifinal na quente e úmida Miami desta sexta-feira foi dura para Djokovic. O belga David Goffin o encarou na batalha de fundo de quadra e desperdiçou muitas chances. Saltou com quebra e 4/3, depois teve 0-30 e um backhand facílimo que poderia lhe dar 6/5 e saque, mas principalmente falhou num smash absurdo no nono ponto do tiebreak, quando então teria 5-4 e dois serviços. Diante de Djokovic, é um pecado mortal não aproveitar essas oportunidades.

Ainda assim, Djoko precisou se esforçar em todo o segundo set, incluindo um break-point perigoso no quarto game. Enfim, após 3/3, veio a quebra definitiva e o domínio esperado. Goffin mostrava estar no limite físico e tentou variar com subidas à rede, mas esse é seu calcanhar de Aquiles. O número 1 também gastou toda sua energia e comemorou muito a 11ª final consecutiva nos Masters que disputou. A última vez que não esteve lá foi em Xangai de 2014. Faz muito tempo.

Nishikori por sua vez esteve numa grande noite, bem diferente do jogador que 24 horas havia evitado cinco match-points diante de Gael Monfils. Sólido no fundo, saque afiado, muita perna e taticamente brilhante nas trocas constantes de direção e profundidade, o japonês dominou Nick Kyrgios e lembrou muito aquele jogador que chegou à final do US Open 18 meses atrás. O australiano até que fez uma metade de segundo set boa, porém jamais teve uma brecha real na partida.

Outro detalhe importante foi ver que Nishikori não sentiu qualquer reflexo do desgaste físico cruel que havia sofrido contra Monfils. Seu histórico de contusões e quedas atléticas repentinas é extenso. Como ainda vai ter um dia de descanso até a final das 14 horas de domingo, Nishikori precisa ao menos evitar o vexame que deu no Finals de Londres do ano passado e no Australian Open de janeiro, quando não deu qualquer trabalho a Djokovic.

Aliás, desde aquela vitória incrível na semi de Flushing Meadows, o máximo que fez nos cinco duelos seguintes foi tirar dois sets, mas nesses dois jogos levou 6/1 e 6/0 nos terceiros sets, o que deixa evidente a diferença de energia entre os dois.

Ficou interessante
Por José Nilton Dalcim
30 de março de 2016 às 01:10

As quartas de final do Masters 1000 de Miami têm apenas três dos top 10 do ranking atual, mas nem por isso deixam de ser muito interessantes. Somente um dos duelos envolverá velhos frequentadores de rodadas decisivas. Nos outros três, há uma saborosa dose de renovação. Ufa!

Novak Djokovic e Tomas Berdych irão se cruzar pela 24ª vez, o que é quatro vezes mais do que o histórico dos outros três duelos somados. E, apesar de Nole não perder do tcheco desde 2013, é fato que os cinco jogos recentes, sendo quatro deles no ano passado e outro agora em Doha, foram difíceis.

A atuação do número 1 nesta terça-feira teve alguns altos e baixos, especialmente com o saque e uma infinidade de break-points oferecidos, porém a distância para o ascendente Dominic Thiem é quilométrica e fica sempre a impressão que o sérvio vai liquidar o placar quando bem entender. Thiem ainda terá de comer muito arroz com feijão para dar o salto ao top 10.

O lado superior verá também o confronto um tanto imprevisível entre David Goffin e Gilles Simon, que só se enfrentaram uma vez na grama de Queen’s com vitória dura do francês. Aos 25 anos, Goffin é uma daquelas renovações com considerável atraso e na teoria é menos competente no piso duro do que o já ‘trintão’ Simon. São dois dos mais baixos top 20: David tem 1,80m e é dos centímetros mais baixo que o adversário.

Os outros duelos acontecerão na quinta-feira e tenho certeza de que haverá expectativa pelo quarto encontro entre Milos Raonic e Nick Kyrgios, jogadores de extrema força mas conduta diametralmente distintas. O quieto e compenetrado canadense, que ganhou já duas vezes do australiano, voltará ao top 10 em caso de vitória. O explosivo Kyrgios enfim chegará ao grupo dos 20 primeiros – e desbancará Bernard Tomic – se for à semi.

Quem ganhar desafiará a perfeita adaptação de Kei Nishikori ao piso duro ou o tênis cheio de malabarismos de Gael Monfils. Eles vão protagonizar outro duelo muito pouco comum no circuito: apenas um, em Halle de 2014, com triunfo em três sets do japonês. Nishikori está de certa forma devendo na temporada 2016. Ganhou um ATP pequeno e fez quartas na Austrália e Indian Wells, mas deixou os dois torneios com impressão ruim. Curiosamente, Monfils somou apenas 40 pontos a menos que Nishikori desde janeiro.

Com exceção a Djokovic, me parece bem difícil cravar vencedores. Isso é ótimo.