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Perdas e danos
Por José Nilton Dalcim
16 de maio de 2017 às 19:07

Roland Garros perdeu em menos de 24 horas dois campeões e superestrelas. Nem bem o mundo do tênis havia engolido a decisão de Roger Federer de não ir a Paris pelo segundo ano consecutivo e veio o anúncio da Federação Francesa informando que não haveria qualquer tipo de convite para Maria Sharapova.

A maioria dos analistas do tênis parece concordar com Federer. Se o suíço não se preparou adequadamente e se julga sem condições de ganhar o torneio, não deveria mesmo jogar o Aberto francês e saltar diretamente para a grama. Não concordo. Para mim, Roger deveria ter disputado Roma e Paris. Não posso imaginar que um tenista de sua capacidade técnica inigualável tenha alguma dificuldade de adaptação ao saibro. Risco de contusão? Piada.

Claro que respeito a decisão e compreendo o motivo. Me parece que Federer resolveu fazer uma pequena pré-temporada para estar descansado e pronto para o objetivo de ganhar novamente Wimbledon. Ainda assim, não vejo o que um ou dois torneios tão importantes no saibro poderiam interferir nisso. Grama é quase sinônimo de Federer. A menos que ele venha com algum elemento novo que justifique a longa parada e o foco no treinamento, é um tanto estranho que ele precise de tanto tempo para estar totalmente pronto para a grama.

O caso de Sharapova – que de certa forma ficou em segundo plano depois que ela contundiu a perna e se retirou de Roma – só aumenta a polêmica sobre seu retorno. Roland Garros está sendo honesto em relação ao lema do esporte francês de combate ferrenho ao doping. E eu concordo. Para mim, é preciso mostrar ao atleta que não vale mesmo a pena o uso de substâncias proibidas e portanto só autorizaria convites para torneios de nível inferior (challengers ou ITFs) ou no máximo para o qualificatório de ATP e WTA, incluindo os Slam. Náo importa quem seja.

Claro que o maior dano dessas duas ausências recai sobre o público. Pior ainda para o feminino, que já não terá Serena Williams, mas também ruim para o masculino quando vemos a má fase de Andy Murray, a instabilidade de Novak Djokovic e o desinteresse de Stan Wawrinka.

O líder do ranking chegará a Roland Garros, onde defende o vice-campeonato, com apenas quatro vitórias nos quatro torneios preparatórios. Por ironia, a derrota desta terça-feira para um inspiradíssimo Fabio Fognini talvez tenha sido a menos tenebrosa de todas porque ao menos o escocês se mostrou mais competitivo, tentando bater o forehand e sacando melhor. Ainda assim, fez apenas 12 winners contra 31 do italiano, que tripudiou com deixadinhas e paralelas magníficas.

Vamos lembrar que Fognini deu trabalho a Nadal em Madri e, num momento tão estranho do circuito, pode ser uma boa surpresa em Paris caso tenha uma chave propícia, ainda mais agora que garantiu a condição de cabeça de chave. Fognini só fez uma campanha decente em Roland Garros até hoje, as quartas de 2011 quando se contundiu e não enfrentou Djokovic.

Ah, e sabem quem lucrou com a desistência de Federer? Ernests Gulbis. O letão era o primeiro de fora da lista de 104 participantes diretos e agora se livrou do quali. Hoje apenas 207º do ranking, ele fez um Roland Garros magnífico em 2014, tirando Federer, Tomas Berdych e levando Djokovic a quatro sets na semifinal.

Frases para fazer pensar
Por José Nilton Dalcim
8 de maio de 2017 às 22:32

‘Eu garanto que (o novo treinador) será alguém que tenha tido experiências similares à minha. Não há muita gente no passado do tênis que tenha jogado nesse nível’
Novak Djokovic, ao chegar em Madri

‘Não tenho espaço na minha agenda tendo dois filhos, de 13 e de 15 anos, então minha resposta para voltar ao circuito como treinador é não. Não conseguiria fazer do jeito que teria de ser’.
Andre Agassi, respondendo à ideia de treinar Nick Kyrgios

‘É difícil viajar com uma mesma pessoa por 10, 12 anos. Por isso hoje em dia o relacionamento entre tenista e treinador dura cada vez menos, porque tem sido muito intenso. É muito tempo fora de casa, longe da família, passando muitas horas juntos’.
Andy Murray sobre Djokovic

‘Tinha uma motivação extra. Antes do jogo, muitas jogadoras me desejaram sorte, algumas eu nem costumo conversar. Venci não só por mim, mas por essas pessoas também’.
Eugénie Bouchard sobre a vitória contra Maria Sharapova

‘Derrotas como esta vão fazer de mim uma jogadora melhor’.
Maria Sharapova

‘Não é nada sério, apesar de ser dolorido. Incomoda o tempo todo e dá até alguma tontura’
Rafael Nadal sobre infecção no ouvido em Madri

‘Madri não é preparativo para Roland Garros. A bola voa muito, difícil jogar bem aqui nas primeiras partidas’
Stan Wawrinka

‘Ele não é britânico’
Daniel Evans, sobre Aljaz Bedene estar apto a tirar seu lugar do time da Copa Davis

‘Fazia tempo em que não me sentia nervoso diante de um grande público’
Bill Gates sobre jogo de duplas ao lado de Roger Federer

Precocidade
Amanda Anisimova, aquela que foi campeã do Juvenil de Porto Alegre em fevereiro, ganhou vaga para Roland Garros nas seletivas norte-americanas e, aos 15 anos e nove meses, será a mais jovem tenista a disputar o Grand Slam francês desde Alizé Cornet, em 2005.

Nadal é 10
Por José Nilton Dalcim
30 de abril de 2017 às 13:40

O tênis profissional jamais viu um domínio tão avassalador de um tenista sobre uma superfície como o de Rafael Nadal em cima do saibro. Isso já era patente há muito tempo, porém a queda técnica e física do canhoto espanhol nas últimas duas temporadas e principalmente a ascensão meteórica de Novak Djokovic sobre o piso após 2011 haviam criado certo esquecimento sobre isso.

Embalado por um começo de ano na quadra dura animador, Nadal voltou a ser o homem imbatível na terra após campanhas impecáveis em Monte Carlo e Barcelona, que culminou neste domingo com uma vitória indiscutível sobre um maiores dos candidatos a sua sucessão, o austríaco Dominic Thiem.

Barcelona assistiu ao melhor Nadal que se possa imaginar sobre o saibro. Preciso, aplicado com afinco na parte tática, incrivelmente veloz, magnífico nos contra-ataques. Aguentou a pancadaria que Thiem impõe com seus golpes pesadíssimos e achou sempre a melhor solução. Show.

Fico a imaginar se alguém terá a capacidade de suportar esse Rafa em melhor de cinco sets. Talvez só mesmo Djokovic. Mas não o de hoje, aquele de 2011 ou 2015. O sérvio terá Madri e Roma para tentar reagir. Caso contrário, o ’10’ de Monte Carlo e Barcelona terá uma enorme probabilidade de se repetir em Roland Garros. Será que terão de mudar o nome da Philippe Chatrier também?

Outra boa notícia do fim de semana foi o primeiro título de Lucas Pouille sobre o saibro. Depois de ter chegado na semi de Monte Carlo, faturou Budapeste. Curioso é que ele salvou dois match-points na estreia contra Jiri Vesely. Firma-se no 14º lugar do ranking e isso pode ajudar muito se conseguir se manter na faixa dos 16 cabeças em Roland Garros. Aliás, não teria sido mais lógico Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro terem ido a Budapeste ao invés de Barcelona?

Emocionante por fim a conquista da convidada Laura Siegemund em casa, num jogo até mais interessante que a final de Barcelona. Claro que nem ela, nem a francesa Kiki Mladenovic podem ser consideradas grandes feras no saibro, mas proporcionaram um jogo divertido na terra artificial e coberta de Stuttgart. O título valeu o 30º lugar do ranking e especialmente um Porsche Carrera 911 conversível. Uau.

Mladenovic havia derrotado no sábado Maria Sharapova, num jogo que esteve a maior parte do tempo nas mãos da russa. A ex-número 1 abriu 16 chances de quebra e só confirmou três, deixando escapar cinco nos games finais. De qualquer forma, o retorno de Sharapova após 15 meses sem qualquer atividade competitiva surpreendeu. Ela reaparecerá como 262º do ranking. Madri e Roma serão os próximos capítulos, enquanto aguarda a definição do convite em Roland Garros.