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Reescrevendo a história
Por José Nilton Dalcim
27 de janeiro de 2017 às 15:40

O livro do tênis será necessariamente reescrito neste final de semana na arena Rod Laver. Qualquer que seja a campeã do sábado ou o vencedor do domingo, haverá mais um capítulo inesquecível a se acrescentar. Duvido que o mais otimista dos analistas conseguisse imaginar tal desfecho 14 dias atrás.

Grigor Dimitrov quase estragou a festa. Muito mais do que qualidade nos golpes e extrema agilidade e resistência atlética, o búlgaro surpreendeu por sua consistência emocional durante cinco horas de um jogo intensamente disputado. Nadal bem que poderia ter fechado em três sets, porque ficou à frente do placar com quebras acima em todos eles, mas Dimitrov não se entregou, buscou alternativas, fez lances brilhantes e mostrou a frieza que tanto lhe faltou no ano passado. Se esta tivesse sido a final do torneio, ninguém provavelmente ficaria chateado.

Rafa começou no ataque e terminou na defesa. Tentou pressionar a devolução num primeiro set primoroso, mas foi dando passos para trás à medida que Dimitrov encaixava seu poderoso primeiro serviço. Lutou como um leão. O forehand o deixou na mão em alguns momentos importantes, porém sua capacidade de esquecer o ponto anterior é inigualável. Quando parecia que a final iria escapar, 15-40 no 3/4 do quinto set, mostrou a marca máxima dos gigantes: arrojo. Sacou firme, bateu forte, arriscou na paralela, matou nos voleios. Não daria para ser mais espetacular.

Impossível não sentir uma ponta de tristeza pela derrota de Dimitrov. Todos aqueles que tanto cobravam um salto de qualidade no seu tênis provavelmente saíram desta partida aliviados e com a impressão que ele agora merece voltar ao top 10 e quem sabe abrace o futuro do tênis. Sobraram predicados na sua atuação e a certeza de que, se mantiver tal nível e disposição, se tornará candidato mais vezes aos maiores troféus.

A final deste domingo traz à quadra a mais popular rivalidade do tênis em todos os tempos, tenistas completamente antagônicos, dois gênios dentro de estilos únicos de jogar. Curioso é notar que ambos vêm atrás da reação física e técnica na carreira e que chegam tão próximos à decisão que ambos escaparam de break-points no quinto set da semifinal.

Se um busca aumentar seu recorde para 18 títulos de Grand Slam, o outro pode chegar ao 15º, isolar-se no segundo lugar da lista histórica e retomar a ameaça de alcançar Federer nesse quesito tão valioso, algo que parecia distante após suas duas últimas temporadas tão irregulares.

Túnel do tempo
Teremos assim finais idênticas às que aconteceram em Wimbledon de 2008, quando Nadal surpreendeu Federer e Venus superou a irmã mais nova Serena. Não menos emblemático é o fato de termos pela primeira vez na Era Profissional todos os quatro finalistas de simples com mais de 30 anos.

Serena, 35, obviamente é favorita diante da irmã Venus, 36. O título valerá para ela o 23º Slam, apenas um atrás da recordista absoluta Margaret Court, e o retorno à liderança do ranking. Busca o 10º Slam desde seu retorno às quadras após a longa parada na metade de 2010.

Venus perdeu 16 dos 27 duelos diretos contra a irmã. Em oito finais de Slam, só ganhou duas. Vale lembrar que, 14 anos atrás, as duas fizeram quatro decisões seguidas de Slam. Seria um feito não menos incrível se Venus alcançasse o oitavo grande troféu depois de quase nove temporadas e de tantos problemas físicos.

Para completar as façanhas do fim de semana, é certo que Serena ou Venus se tornará a mais velha campeã de Grand Slam da Era Profissional, marca que hoje cabe à Serena, depois de ganhar Wimbledon do ano passado aos 34 anos e 287 dias.

Favas contadas
Por José Nilton Dalcim
7 de setembro de 2013 às 14:17

Houve boas surpresas no torneio e, para ser sincero, seria espetacular que Stan Wawrinka tivesse chegado à final pela qualidade do jogo que demonstrou nas seis partidas que fez. Mas não resta a menor dúvida que o mais correto neste US Open era mesmo ver a final entre Novak Djokovic e Rafael Nadal, que representam o melhor do tênis masculino de hoje até mesmo na quadra sintética.

Djokovic teve um início de jogo bem estranho, nervoso, errando muito. E foi engolido pelo tênis agressivo e estiloso de Wawrinka, que disparou winners dos dois lados como se fosse ele o número 1 do mundo. Tivesse vencido o tiebreak do segundo set e não sei se Nole conseguiria a virada. Conforme a partida avançou, os games foram ficando duros e longos, o físico do suíço caiu e isso fez toda a diferença no final, até porque a força mental do sérvio também é superior.

Curiosamente, Nadal também não jogou o seu melhor contra Richard Gasquet e enfim perdeu um game de serviço. Errou bem mais do que vinha fazendo no fundo de quadra, mostrou-se acuado quando o francês veio para cima, devolveu bem abaixo do que faz diante de sacadores muito melhores e seu próprio saque o deixou por vezes em apuros. Mas a superioridade é enorme, especialmente no plano mental, e todo o esforço de Gasquet se esvaiu no tiebreak, onde sem aviso virou um tenista defensivo, exatamente o que não se deve fazer num desempate.
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Mas quando segunda-feira chegar, tudo isso estará esquecido, até mesmo as broncas de Djokovic com a programação equivocada deste sábado. Estará em jogo o tira-teima da temporada, entre os dois tenistas que já venceram um Slam. É também a reeditação da final de 2011 do US Open, quando Nole era então o homem a ser batido. Isso também mudou, o que deixa a expectativa de um jogo emocionamente intenso.

Número 1 x número 2 também no feminino
Faltando apenas 18 dias para completar 32 anos, idade em que a maioria dos tenistas já considera um calendário menor, as duplas ou a aposentadoria, a norte-americana Serena Williams busca neste domingo mais um passo na história.

Ela pode chegar a três pentacampeonatos em três diferentes Grand Slam. Ela já tem isso no Australian Open e em Wimbledon, pode repetir no US Open e completa sua lista com dois em Roland Garros. Fenômeno ainda maior, a alemã Steffi Graf tem pelo menos quatro troféus em cada Slam.

Com essa extraordinária coleção, Serena pode igualar os 17 troféus de Roger Federer e dividir com ele a sexta colocação nesse quesito ao longo da história, ficando muito perto de repetir os 18 de Martina Navratilova e Chris Evert, contra quem concorre para ser indicada a maior tenista norte-americana de todos os tempos. O recorde, aparentemente inalcançável, são os 24 da australiana Margaret Court.

É justamente contra isso que a bielorrussa Victoria Azarenka joga sua quarta final de Grand Slam, a segunda seguida no US Open e diante da mesma Serena. As duas se respeitam muito e certamente hoje Vika é a tenista que mais ameaça o domínio da número 1, porque tem pernas para correr atrás da bola pesada, potência para tirar o tempo da adversária e uma notável facilidade para trocar a direção da bola.

Não resta dúvida de que, no circuito feminino de hoje, é a melhor final que o US Open poderia ter, principalmente porque quem vencer terá sido a única a embolsar dois Slam na mesma temporada.

Maravilhosas mulheres
Por José Nilton Dalcim
11 de junho de 2013 às 19:36

Rafael Nadal, Roger Federer, Jimmy Connors, Ivan Lendl, Guillermo Vilas… Os recordistas do tênis masculino têm número expressivos, alguns realmente assombrosos. Mas, apenas por curiosidade e conhecimento, resolvi comparar aqui alguns dos grandes feitos obtidos na Era Profissional entre o circuito masculino e o feminino. Tenho certeza de que a maioria de vocês vai ficar espantada.

Grand Slam

Federer tem 17 títulos e fez incríveis 24 finais e 33 semifinais. Mas olhem Chris Evert: 18 troféus, 34 finais e 54 semis.

Roger também tem 10 finais consecutivas de Slam. Steffi Graf foi ainda melhor: 13.

O suíço é quem mais venceu partidas nos quatro Slam, chegando agora a 256. Ainda está longe dos 305 de Chris, 300 de Martina e 278 de Graf.

Nadal chegou à 59ª vitória, recorde em Roland Garros. Mas Steffi Graf venceu 84 vezes. Connors tem a marca mais expressiva nos demais Slam, com 97 no US Open, enquanto Martina somou 121 em Wimbledon.

Nadal é o primeiro octa do tênis masculino e também repete Federer, Pete Sampras e Ivan Lendl como únicos a fazer oito finais de um mesmo Slam. Navratilova ganhou Wimbledon nove vezes em 12 finais.

Títulos

Connors ergueu 109 troféus na carreira em 158 finais e Lendl chegou a 94 em 144. Fichinha perto dos 167 títulos e 239 finais de Navratilova e nem perto das 157 conquistas em 208 tentativas de Chris Evert.

Nadal venceu Monte Carlo, Barcelona e Roland Garros por oito vezes, assim como Vilas em Buenos Aires. Navratilova ganhou Chicago por 12 vezes e Eastbourne, por 11.

O recorde de finais num mesmo torneio também é de Vilas (10), enquanto Navratilova fez 14 no Masters e em Chicago, além de 13 em Eastbourne.

Se Vilas venceu 16 torneios numa única temporada, Margaret Court chegou a  18. Martina, por sua vez, faturou 13 consecutivos.

Jogos

Connors disputou 1.520 partidas e venceu 1.243 delas, marcas que dificilmente serão repetidas. Navratilova foi mais longe: disputou 1.661 e ganhou 1.442. Chris Evert também ganhou mais que Connors: 1.304.

O percentual de vitórias de Nadal no saibro é espetacular: 292 vitórias e apenas 21 derrotas, portanto 93,29%. Porém, o de Chris Evert foi ainda maior: 312 vitórias e 20 derrotas, atingindo 93,98%.

O recorde de vitórias consecutivas no saibro também, é claro, pertence a Rafa, com 81. Chris Evert ficou invicta por 125.

Vilas ganhou 46 jogos seguidos e detém a marca no masculino, bem inferior aos 74 de Martina em 1984. Martina ainda detém o maior percentual de vitórias numa única temporada: 98,85% em 1983, ou seja, 86 triunfos em 87 partidas.

Duplas

Mike Bryan e Bob Bryan quebraram todas as marcas, com 91 e 89 títulos respectivamente. Navratilova atingiu 177 conquistas (aliás, em 84 torneios ganhou simples e duplas ao mesmo tempo).

Ranking

Federer liderou o ranking por 302 semanas até agora, marca que é inferior a de Graf (377) e de Navratilova (332).