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Sem moleza
Por José Nilton Dalcim
16 de janeiro de 2017 às 12:07

Os favoritos e as estrelas que se cuidem porque o primeiro dia do Australian Open já mostrou que os adversários não estão para brincadeira. Stan Wawrinka, Kei Nishikori e Marin Cilic foram a cinco sets, Andy Murray não jogou grande coisa, Angelique Kerber teve altos e baixos, Simona Halep já se despediu e Roger Federer suou no duelo de veteranos contra Jurgen Melzer. Muitos jogos bons, emoção de sobra.

Wawrinka esteve contra a parede, quando viu um inspiradíssimo Martin Klizan sacar com 4/3 no quinto set. O canhoto eslovaco teve exibição notável, variando demais. Deu pancada, deixadinha, voleio, slice, ace. Exigiu ao máximo de um vibrante Stan, que também teve um começo de US Open difícil antes de chegar ao título meses atrás. Enfrenta agora Steve Johnson, contra quem não pode titubear também.

Nishikori levou um tremendo susto ao ver o russo Andrey Kuznetsov disparar tiros o tempo inteiro e ir para cima. O japonês foi caindo na eficiência com o saque ao longo da partida, mas ao mesmo tempo conseguiu alongar mais a bola. Parecia desgastado no quinto set, porém o adversário cansou antes. Fiquei com a impressão que o cabeça 5 não está inteiro e por isso não vai longe. Sorte que vai pegar Jeremy Chardy agora e depois Lukas Lacko ou Dudi Sela. Difícil perder.

Talvez pela mudança de quadra e clima, muito provavelmente por conta da natural pressão, Murray fez uma estreia protocolar como cabeça 1 de um Grand Slam. Não perdeu sets, mas encarou dois difíceis diante de Illya Marchenko, que só ganhou uma partida de challenger em seus últimos nove jogos. O maior problema foi o saque pouco contundente. O escocês justificou dizendo que a bola estava quicando mais alta do que nos dias de treino por conta do clima mais quente. Faz agora um interessante duelo com o garoto russo Andrey Roblev, que veio do quali, bate forte mas é um tanto esquentadinho.

Melzer não seria mesmo o adversário ideal para Federer porque, além de não respeitá-lo, ainda tenta encurtar todos os pontos. Então demorou para o suíço achar ritmo. Perdeu três games de serviço, dois deles num segundo set que estava dominado, Depois calibrou o saque e mostrou mais firmeza na base. Continuo a achar que o suíço trabalhou muito o backhand nessa pré-temporada, golpe aliás que era especialidade de Ivan Ljubicic. Está mais pesado, profundo e consistente. O duelo diante do garotão Noah Rubin vai ser bem interessante, porque o americano de 20 anos e 1,78m bate firme do fundo o tempo inteiro.

Para completar, Marin Cilic levou um tremendo susto do superagressivo Jerzy Janowicz, que certamente teria vencido não fossem os cinco sets, e Lucas Pouille caiu para o cazaque Alexander Bublik que nunca vi jogar. Os homens da casa viram Nick Kyrgios passear e o adolescente Alex de Minaur, de 17 anos, vencer como gente grande. Incrível a torcida que estava lá para ele.

O dia também foi de derrota para os brasileiros. Thomaz Bellucci se atrapalhou todo com a variação de velocidade e altura das bolas de Bernard Tomic, que fez o que quis. Thiago Monteiro foi o valente de sempre, tirou um set de Jo-Wilfried Tsonga num piso em que o francês é muito superior, o que já pode ser considerado um prêmio e um bom indicativo para 2017.

A chave feminina também começou quente. Lesia Tsurenko foi atrevida contra Kerber e exigiu da campeã. Shelby Rogers fez seu belo jogo agressivo, tirando Halep sem piedade. A maior surpresa para mim foi a queda tão precoce de Daria Kasatkina, a russa que havia batido Kerber na semana passada e me parecia uma promessa em Melbourne.

O complemento da primeira rodada merece atenção. Além do aguardado reencontro entre Novak Djokovic e Fernando Verdasco, previsto para as 6h de terça, poderemos ver na madrugada como estão Rafa Nadal, Milos Raonic, Grigor Dimitrov e Alexander Zverev, os outros nomes que acredito possam sonhar grande na parte de cima da chave. Há boas chances de ‘zebra’ ou jogos muito longos: Monfils-Vesely, Thiem-Struff e Goffin-Opelka. No feminino, todos os olhos estarão em Serena Williams contra Belinda Bencic. Não acredito em surpresa.

Promissor
Por José Nilton Dalcim
7 de janeiro de 2017 às 21:53

A temporada 2017 promete. A primeira semana de competições, oficiais ou não, mostrou tênis de excepcional qualidade e, acima de tudo, um direcionamento claro dos homens em direção à rede, aos voleios. Ufa!

Vimos Rafa Nadal, Andy Murray, Milos Raonic, Kei Nishikori fazendo saque-voleio, mas também a eles se somou até Tomas Berdych. Aquela tendência, que eu já havia assinalado algum tempo atrás, de que encurtar o tempo de reação do adversário seria o melhor caminho para matar pontos vai ficando mais clara e necessária.

Ao mesmo tempo, o pessoal está batendo muito forte do fundo de quadra. Tivemos até aqui três jogos que valem a pena ser revistos pela qualidade técnica: Djokovic-Murray, Nishikori-Wawrinka e Federer-Zverev. Quem não viu, pode dar uma olhada no YouTube.

Claro que a final de Doha era a partida mais aguardada. E não decepcionou. Não bastassem os lances de tirar o fôlego, sobrou emoção e alternâncias. Gostei de ver Djokovic novamente agressivo, buscando mais paralelas e automaticamente a rede.

Saque e devolução são os pontos que ainda o diferenciam positivamente de Murray. Esperava um forehand um pouco mais efetivo do escocês depois da pré-temporada, ainda que ele tenha soltado alguns ‘foguetes’ neste sábado. O título veio na hora certa para Nole, que escapou por milagre na sexta-feira de uma frustração bem grande.

Nishikori e Wawrinka deram outro espetáculo. O japonês mais perto da base, trocando muito bem a direção da bola, Stan usando a paralela para ir à rede. Nishikori seria um forte candidato ao título em Melbourne se pudéssemos acreditar no seu físico. Vai decidir o título do excelente torneio de Brisbane contra o renascido Grigor Dimitrov.

Nadal me deixou um tanto confuso. O saque foi aprimorado, o backhand pareceu mais batido e ele também explorou a rede. Mas ainda recuou demais quando o jogo contra Milos Raonic ficou duro, e isso abriu os ângulos.

O espanhol e Roger Federer parecem ter aproveitado bem a pré-temporada mais longa e antecipada. Me chamou a atenção a fluidez do backhand de Federer, bem mais profundo. O suíço também optou por um primeiro saque cheio de slice. Apesar da derrota, o jogo contra a juventude de Alexander Zverev foi delicioso, com trocas incríveis da base. O alemão tem personalidade de sobra e muitos recursos. Amadurece a passos largos.

No feminino, decepção tanto de Angelique Kerber como de Serena Williams, porém não serve para parâmetros. Quem está mesmo perigosa é Karolina Pliskova. Saque poderoso, ousadia, força. Quem quiser um palpite de risco para o Australian Open, esse é dos bons.

Rankings
- Mesmo perdendo a final em Doha, Murray aumenta a distância para Djokovic para 780 pontos, mas não pode dormir em berço esplèndido. O escocês precisa chegar na semi do AusOpen para se manter na liderança sem depender de Djokovic.
- Como não defendeu o vice em Brisbane, Federer perderá o 16º lugar para Dimitrov. Com isso, poderemos ter Wawrinka, Nadal e Federer no lado de Djokovic em Melbourne.
- No feminino, não deve ter luta pela ponta. Kerber defende o título mas entrará com quase 1.800 pontos de vantagem sobre Serena, a vice de 2016, e assim basta à alemã chegar na semi para se manter à frente.

Delpo não vem em 2017 preocupante
Por José Nilton Dalcim
2 de dezembro de 2016 às 12:54

Apesar de todos os esforços da IMM, o Rio Open vai ficar mesmo sem Juan Martin del Potro. Antes mesmo da conquista da Copa Davis, os organizadores do único ATP 500 da América do Sul tentaram de tudo para contratar a estrela argentina, que já tinha se dado tão bem no complexo olímpico.

Mas não teve como. O entrave insuperável é que Delpo não quer jogar no saibro no início da temporada. Com a expectativa de começar bem o ano nos torneios australianos, ele já decidiu emendar o calendário para os fortes torneios de quadra dura de fevereiro e depois seguir para Indian Wells e Miami. Ou seja, não já qualquer espaço para mudar de piso.

Vale lembrar que Delpo jogou uma única vez o ATP de Buenos Aires, em 2006. Depois que explodiu com o título do US Open, os argentinos tentaram de tudo para sair do saibro e ir para o sintético, o que aumentaria a chance de Delpo jogar lá, mas a ATP sempre vetou e só deu tal permissão para Acapulco.

De qualquer forma, o Rio Open já confirmou a presença inédita Kei Nishikori e o retorno de Dominic Thiem, boas garantidas de sucesso. O japonês certamente vai ganhar um rechonchudo cachê, porém tem se mostrado um jogador muito forte no saibro nos últimos anos. E Thiem é especialista no assunto. Deveria ter ido à final do ano passado no Jockey não fosse o cansaço. Acho que agora é sério candidato ao título.

Preocupante mesmo está o restante do calendário nacional para 2017. O próprio Brasil Open, o ATP 250 que acontece logo após o Rio, enfrenta dificuldades e, segundo conversa de bastidores, chegou a pedir à ATP para mudar a data de fevereiro para abril, com o objetivo de ganhar mais tempo para arrumar patrocinadores e local, porém veio o evidente veto.

Não bastasse a crise econômica, os promotores estão encontrando dificuldade para aprovar os projetos enviados à Lei de Incentivo. A demora tem sido muito grande para a liberação e isso prejudica a captação de patrocinadores, já que o calendário internacional é inflexível. Se a tendência permanecer, poderemos perder ainda mais torneios profissionais em 2017. Vários já foram cancelados ou adiados.

Some-se a isso a saída de empresas do mercado do tênis ou a diminuição drástica de verba. Há muita gente ficando repentinamente sem patrocínio neste começo de temporada. Quem tem ranking bom e puder se garantir torneios maiores, conforto. Para os demais, ou seja a maciça maioria, prevê-se uma temporada de sacrifícios ainda maiores.