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Os velhos e os novos
Por José Nilton Dalcim
29 de março de 2017 às 00:36

Mais um duelo Roger Federer x Rafael Nadal? Ou Miami será capaz enfim de consagrar a nova geração? O velho e o novo se misturam nas quartas de final do segundo Masters 1000 da temporada, tipo de torneio que tem privilegiado quase o tempo inteiro a experiência em detrimento do arrojo da juventude.

Federer desta vez não brilhou, ainda que tenha feito grandes lances. Cometeu 32 erros (13 de backhand) em 26 games com somente 49% de acerto do primeiro saque de média. Mostrou clara frustração. E ainda encontrou Roberto Bautista cada vez mais confiante no piso duro, jogando perto da linha, forçando paralelas. O espanhol correu muito mas também arriscou, fez 12 winners e 26 erros. Perdeu porque sempre vale a máxima: nos tiebreaks é preciso tomar iniciativa, o que um tem de sobra e o outro, não.

O suíço reencontrará na quinta-feira Tomas Berdych num jogo possivelmente sem qualquer novidade, já que o tcheco raras vezes tem alguma opção tática diferente da pancada no saque e do fundo de quadra. Tem até tentado ir à rede, é fato, mas contra Federer? Arrisca-se a levar outro vareio como foi em Melbourne. Berdych perdeu todas as seis últimas e não vence desde Dubai de 2013.

O ‘trintão’ que sobreviver jogará diante da nova geração. Nick Kyrgios e Alexander Zverev repetem a terceira rodada de Indian Wells, e como é bom vê-los em rodadas importantes com frequência cada vez maior. O alemão chega às quartas de Masters 1000 pela primeira vez e não poderia estar mais credenciado, vindo de vitórias em cima de John Isner e Stan Wawrinka.

No duelo de duas semanas atrás, Zverev foi passivo demais e deixou Kyrgios tomar conta dos pontos. Vamos ver que postura o alemão terá desta vez. Importante lembrar que ele vem de três match-points evitados diante de Isner e virou o jogo em cima de Wawrinka com muita sobra. Suportou a pancadaria que Stan tentou impor, sacou muito bem e esperou a hora certa de agredir. Foi aliás a segunda vitória em cima do adversário tão poderoso.

Exatamente um ano atrás, Kyrgios fez semi em Miami e de lá para cá foram mais três quartas de nível Masters (Indian Wells e Madri, as outras). Se levarmos em conta que Miami não tem uma superfície realmente veloz, fica claro que o australiano tem muito mais recursos do que o poderoso saque. Aliás, anda se mexendo muito bem na base, o que foi essencial para superar a regularidade de David Goffin.

Rafa Nadal fez grande aplicação de contra-ataques diante de Nicolas Mahut, mas acima de tudo trabalhou muito bem seu próprio serviço num jogo de placar 6/4 e 7/6 mas que curiosamente durou apenas 1h33. O veterano francês acertou 38% do primeiro saque no set inicial o que impossibilitou a ideia de sacar e volear. Melhorou depois, mas é muito deficiente na devolução. O canhoto espanhol volta à quadra já nesta quarta-feira para encarar Jack Sock, que não possui backhand para competir. Só tem chance mesmo se Rafa jogar mal.

E olha aí o Fabio Fognini. Incrível como um tenista de sua qualidade técnica só possua três quartas de final de Masters 1000 no currículo: uma semi no saibro de Monte Carlo em 2013 e quartas em Cincinnati em 2014. Quanto antagonismo, o que prova seu grande tênis. Passeou contra o irritadinho Donald Young e pode complicar Kei Nishikori.

Adivinhem: o japonês pediu dois atendimentos médicos, fez a tradicional massagem lombar e escapou de quebra no terceiro set frente a Federico Delbonis. Está difícil para Kei defender o vice do ano passado, ainda mais que voltará à quadra nesta quarta-feira. Pelo menos, não vai ser de novo no sol do meio-dia.

Ataque total
Por José Nilton Dalcim
28 de março de 2017 às 00:11

Roger Federer superou minhas expectativas. Nada conservador, mostrou mais uma habilidade na versão 2017: devoluções agressivas. Isso mesmo diante do saque pesado e profundo de Juan Martin del Potro. Foi a base essencial de uma vitória em dois sets.

A tática se mostrou especialmente inteligente, porque quando você ataca com frequência o segundo saque do adversário acaba interferindo no primeiro serviço dele, que naturalmente diminuiu o grau de risco para não ficar dependente.

O jogo foi melhor do que indica o placar, apesar de termos tido apenas sete pontos com pelo menos nove trocas. Mais ofensivo, Federer anotou quase o dobro de winners (29 a 15) e apenas um erro a mais (19 a 18), números que sustentam a diferença.

Delpo teve duas chances preciosas: quatro break-points que poderiam ter equilibrado o primeiro set no 9º game e outro que daria reação no 8º do segundo. E olha que teve segundos serviços de Federer e bola no forehand. Pena. Mas no geral, o suíço mereceu amplamente a vitória por ter sido bem mais consistente. Ganhou 11 dos 17 pontos que tentou junto à rede.

Federer reencontra agora Roberto Bautista, que perdeu todos os 12 sets já disputados em três pisos diferentes. Mas o espanhol tem se mostrado cada vez mais firme na quadra sintética, ainda mais se lenta, e fez um jogo bem divertido e elogiável contra Sam Querrey. Não pode ser menosprezado, apesar da falta de golpes contundentes. Quem passar, deve encarar Tomas Berdych, que enfrenta o incansável canhoto Adrian Mannarino.

Outra grande notícia do dia foi a vitória da nova geração em cima dos super-sacadores, jogos milimetricamente decididos em favor de Nick Kyrgios e Alexander Zverev em cima de Ivo Karlovic e John Isner. Além obviamente da parte técnica, fundamental destacar o controle emocional dos dois diante da sempre irritante frustração que é enfrentar os gigantões, que disparam saques indefensáveis e dão mínimo ritmo. Karlovic fez absurdos com o segundo serviço.

O garoto alemão tem uma tarefa mais difícil nas oitavas: pegar o embalado Stan Wawrinka, mas a seu favor está o histórico, já que derrotou o suíço no sintético coberto de St. Petersburgo em outubro, onde as condições eram mais velozes. Kyrgios pega um adversário radicalmente oposto a Karlovic, o belga David Goffin, que trabalha pouco com o saque e prefere correr lá na base. De uma forma oposta, será outro teste mental para o australiano.

A parte inferior da chave também faz nesta terça-feira seus quatro jogos de oitavas. Rafa Nadal conseguiu grande reação diante de Philipp Kohlschreiber, superando com bravura o ‘pneu’ inicial. Será amplo favorito diante do veterano Nicolas Mahut. Quem vencer pega um americano, Jack Sock ou Jared Donaldson. Difícil Nadal perder para qualquer um deles.

Kei Nishikori se desgastou muito diante de Fernando Verdasco e pega outro canhoto em sequência, o argentino Federico Delbonis, que é perigoso em dias inspirados. Fabio Fognini encara o renovado Donald Young, mais um canhoto, que parece jogar seu melhor nas quadras americanas. O japonês é o candidato natural do quadrante, mas… Alguém aposta?

O torneio feminino já atingiu as quartas de final e tem um misto de jogadoras com bom destaque temporada, como Venus Williams, Carol Wozniacki e Mirjina Lucic, e outras que estão devendo (e muito) e esperando oportunidade, como Angelique Kerber e Simona Halep.

A alemã recuperou o número 1 com uma única semi em 2017 e agora terá de encarar Venus, que de certa forma remete a Federer. A veterana de tantas batalhas está jogando um tênis primoroso, com golpes pesados mas toques sutis, muita perna e enorme coração. O duelo contra Sveta Kuznetsova empolgou.

No entanto também há espaço para surpresas. A canhota e grande duplista Lucie Safarova parece ter reencontrado seu jogo de simples. Karolina Pliskova corre por fora, sem holofotes, sempre perigosa. Tudo aberto.

Para matar saudades
Por José Nilton Dalcim
26 de março de 2017 às 00:38

Roger Federer e Juan Martin del Potro escreveram deliciosos capítulos do tênis por quatro ou cinco temporadas, com duelos magistrais, disputados, emocionantes. Três anos e meio depois, agora com carreiras reconstruídas, os dois voltarão a duelar ainda na terceira rodada do Masters de Miami.

Quantos jogos incríveis. A final do US Open de 2009 que o então garoto Delpo conseguiu vencer colocou o molho que faltava, mas pouco antes eles já tinham feito uma batalha de arrepiar na semi de Roland Garros. Em 2012 e 2013, pelo menos cinco partidas memoráveis, como a virada espetacular em outra semi de Paris e o 19-17 no set final das Olimpíadas em favor de Federer, os dois títulos de Delpo dentro da Basileia e a suada vitória do suíço no Finals de 2013, que foi o duelo mais recente.

O reencontro de segunda-feira pega os dois em momentos distintos. Federer é o grande destaque do circuito atual, praticando um tênis agressivo de alta qualidade, com backhand afiado como nunca e muito preparo físico. Del Potro iniciou tardiamente a temporada, ainda não embalou, precisou alterar seu plano tático e hoje usa mais slice do que o próprio suíço. O argentino certamente sabe que, se não ousar mais com o backhand batido, terá poucas chances.

Miami é bem diferente de Indian Wells. A umidade sufoca os tenistas e deixa as condições mais lentas. Mas também tem o vento para incomodar e a chuva para esquentar o banco do vestiário. O desafio mental se torna grande. Na parte inferior da chave, onde estão Kei Nishikori e Rafael Nadal, já caíram 10 dos 16 cabeças, entre eles Marin Cilic e Grigor Dimitrov. De nome perigoso mesmo, restou Milos Raonic.

No lado superior da chave, onde estão Federer e Stan Wawrinka, também houve pequenas surpresas, mas o destaque mesmo foi a atuação firme de Borna Coric que tirou a paciência de Dominic Thiem. O croata precisava muito de um resultado de peso para tentar reagir após a cirurgia no joelho e a parada forçada, mas ainda é defensivo demais. Funcionou contra Thiem, que exagerou de novo na força e perdeu a cabeça no final do segundo set.

Além de Federer x Delpo, a terceira rodada promete ainda com Nadal x Philipp Kohlschreiber, Nishikori x Fernando Verdasco e Alexander Zverev x John Isner.

Quadro comparativo
O internauta Lucas Torres Macedo envia um interessante quadro comparativo entre o desempenho dos quatro maiores tenistas do momento e os dois grandes da década de 1990 , que tiveram grandes campanhas em Grand Slam e Masters 1000.

O estudo gera boas reflexões. Segue abaixo:

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