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Ele voltou?
Por José Nilton Dalcim
20 de maio de 2017 às 16:56

Três adversários de gabarito, três vitórias cheias de golpes perfeitos, concentração, alegria e vibração. Novak Djokovic voltou a seu melhor tênis ainda em tempo hábil para brigar pelo bicampeonato em Roland Garros?

Acho que o título neste domingo em Roma ainda fará parte importante dessa resposta, embora seja inegável que o Nole que temos visto no Fóro Itálico é completamente diferente de Monte Carlo ou Madri. No entanto, ganhar seu primeiro título importante desde agosto em cima de Alexander Zverev, outro grande nome da temporada e da nova geração, dará o retoque final e essencial.

Djokovic voltou a usar sua magistral devolução para destruir taticamente Juan Martin del Potro e Dominic Thiem. Em pleno saibro, esperou os segundos saques um passo dentro da quadra e tomou rapidamente conta dos pontos. Se precisou entrar numa troca mais longa, usou bolas profundas nas cruzadas e paralelas precisas. Sacou firme, confiante. Sufocou o argentino e seu débil backhand, esmagou Thiem ao impor a mais categórica vitória sobre o austríaco em cinco confrontos.

Todos esses predicados serão importantes contra Zverev, um adversário a quem nunca enfrentou. O alemão terá contra si o compreensível nervosismo de fazer sua primeira final de Masters diante de um oponente que tenta recuperar o recorde de troféus dessa categoria e atingir o 31º.

Zverev tem um arsenal respeitável, desde o saque até as bolas de base. O forehand é um pouco mais vulnerável, assim como a movimentação de seu 1,98m. O garoto no entanto é ousado. Dá curta, vai à rede, arrisca winners. Fez uma partida difícil contra John Isner neste sábado, tirando três serviços do grandalhão. Ou seja, teve paciência para esperar suas chances.

Se conseguir um surpreendente título em Roma, Zverev concretizará muito antes do esperado o primeiro degrau significativo dos grandes, que é atingir o top 10. E já embolsará um troféu de Masters, igualando-se imediatamente a tenistas muito mais experientes que se limitaram a uma isolada conquista desse porte em toda a carreira, como Wawrinka, Ferrer, Berdych, Haas, Soderling e Norman.

O domingo em Roma será especial, de um jeito ou de outro.

A estrela sobe
Por José Nilton Dalcim
19 de maio de 2017 às 18:54

Dominic Thiem deu mais um passo de peso em sua temporada e carreira. Afinal, não é todo dia que alguém derrota Rafael Nadal num Masters sobre o saibro, façanha reservada a um seleto grupo formado por Novak Djokovic (6 vezes), Andy Murray (2), Roger Federer (2), Stan Wawrinka, David Ferrer, Fernando Verdasco e Juan Carlos Ferrero a partir de 2005.

Thiem teve uma atuação surpreendente e espetacular. Começou pela postura diferenciada para esperar o primeiro saque de Rafa, pegando várias vezes a bola na subida e com isso acelerando a devolução. Não vamos esquecer que na véspera ele havia salvado três match-points diante de Sam Querrey.

Depois, Thiem usou muito bem o backhand em diversos contraataques e não se intimidou com os balões constantes em cima do golpe, que geralmente o levam a encurtar a bola. Para ser perfeito, faltou apenas usar melhor o primeiro saque. Permitiu sete break-points, porém salvou a maciça maioria com coragem e precisão.

Nadal não jogou mal, mas teve dificuldade para encontrar soluções adequadas diante das bolas bem profundas e cheias de efeito de Thiem. Talvez não dê para se ver bem na TV, mas o austríaco coloca muito giro em seus golpes, o que costumamos chamar de ‘bola pesada’.

Ele terá de esperar até o começo da tarde (horário local) de sábado para saber se irá reencontrar Novak Djokovic, de quem só tirou um set em quatro duelos, ou fará confronto com Juan Martin del Potro, para quem perdeu duas vezes em 2016. Do jeito que a partida ia antes de a chuva atrapalhar, Nole é o grande candidato. Apesar de games duros, mostrava de novo a excepcional competência nas devoluções e dava pouco espaço para Delpo disparar forehands. Mas como cada dia é um dia no tênis, tudo pode acontecer na retomada.

Se Thiem vai atrás de sua segunda final consecutivas de Masters, o alemão Alexander Zverev faz a primeira da carreira e com chances reais de chegar à decisão de domingo, já que vai enfrentar John Isner. É fato que o gigante americano de 32 anos sacou muito contra Marin Cilic e já levou Nadal a cinco sets em Roland Garros, mas é bem menos consistente no fundo da quadra, com evidente dificuldade de deslocamento e backhand sempre defensivo.

Caso Thiem e Zverev façam uma inesperada final em Roma, teremos a mais jovem decisão de nível Masters desde que Andy Murray derrotou Del Potro em Montréal de 2009. E a primeira sem o Big 4 desde Paris de 2012.

A derrota muda algo para Nadal? Não, ainda que faz três anos seguidos que ele não passa das quartas em Roma e, coincidência ou não, caiu antes da semi em Paris. O bom para o tênis é que Thiem passa de vez a correr por fora, Zverev pode ser um obstáculo para qualquer um e especialmente vemos Nole bem mais animado. Se o sérvio faturar o título, vai ficar perigoso outra vez.

As semifinais femininas também são um certo alívio para Roland Garros. Simona Halep se firma entre as candidatas, Garbine Muguruza dominou os nervos para tirar Venus Williams e Elina Svitolina soube trabalhar em cima do estilo risco total de Karolina Pliskova.

Quem levar Roma, terá um ‘upgrade’ e tanto. Ah, Kiki Bertens, que gosta de mudar o ritmo do jogo e usa boas curtinhas, obviamente pode ser a surpresa.

Déjà vu
Por José Nilton Dalcim
18 de maio de 2017 às 19:22

As quartas de final do Masters 1000 de Roma tem um forte clima de ‘já visto isso antes’. Teremos um terceiro duelo consecutivo entre Rafael Nadal e Dominic Thiem no saibro europeu e o reencontro sempre eletrizante de Novak Djokovic com Juan Martin del Potro. Nunca é demais lembrar que, caso justifiquem o favoritismo, o espanhol e o sérvio duelarão outra vez na semifinal de sábado.

Depois de fazer duas finais contra Thiem em Barcelona e Madri, que valeram importantes títulos, o austríaco pode ser coadjuvante de mais um feito de Rafa na temporada. Com a (inaceitável) derrota de Stan Wawrinka para John Isner, Nadal tem a chance de retomar já o terceiro lugar do ranking e colocar ainda mais pimenta no eventual duelo com Nole.

Nos jogos desta quinta-feira, pouca novidade para Rafa, que dominou como quis Jack Sock, e um dia animador para Djokovic, apesar de os dois terem perdido um game de serviço no segundo set. Ainda que tenha cometido alguns erros, o sérvio foi muito firme diante de Roberto Bautista no fundo de quadra e conseguiu ser agressivo no momento certo.

Thiem é quem deu um tremendo susto e precisou evitar três match-points contra Sam Querrey. Parece um tanto desgastado com o esforço das últimas semanas, ainda que Querrey seja um adversário que mereça respeito também no saibro.

Delpo é um problema e uma solução para Djokovic. O argentino jogou muito bem até agora em Roma e já bate muito mais o backhand. Por isso, ganhar de Delpo pode ser a injeção de ânimo que ainda falta a Novak. Embora seja o 18º duelo entre eles, é o primeiro no saibro desde Roland Garros de 2011, ou seja 13 confrontos atrás.

O lado de cima da chave tem todos os olhares em cima de Alexander Zverev, que atropelou um irreconhecível Fabio Fognini e terá pela frente Milos Raonic. A chance de chegar à final é grande para o alemão de 20 anos. O adversário de quem ganhar sai de Isner e Marin Cilic, ou seja, ele só tem grandes sacadores instáveis no fundo de quadra pela frente. Um título em Roma, sonhemos, levaria Zverev ao top 10.

As quartas femininas também chamam a atenção, especialmente porque a veteraníssima Venus Williams continua muito firme no saibro romano e desafia nada menos que a irregularidade de Garbiñe Muguruza. Quem ganhar, pega Katerina Pliskova ou Elina Svitolina.

A oportunidade parece muito boa para Simona Halep reafirmar sua boa fase e ganhar favoritismo para Roland Garros, já que é candidata natural à vitória contra a quali Anett Kontaveit e depois frente Kiki Bertens ou Daria Gavrilova.