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Ataque total
Por José Nilton Dalcim
28 de março de 2017 às 00:11

Roger Federer superou minhas expectativas. Nada conservador, mostrou mais uma habilidade na versão 2017: devoluções agressivas. Isso mesmo diante do saque pesado e profundo de Juan Martin del Potro. Foi a base essencial de uma vitória em dois sets.

A tática se mostrou especialmente inteligente, porque quando você ataca com frequência o segundo saque do adversário acaba interferindo no primeiro serviço dele, que naturalmente diminuiu o grau de risco para não ficar dependente.

O jogo foi melhor do que indica o placar, apesar de termos tido apenas sete pontos com pelo menos nove trocas. Mais ofensivo, Federer anotou quase o dobro de winners (29 a 15) e apenas um erro a mais (19 a 18), números que sustentam a diferença.

Delpo teve duas chances preciosas: quatro break-points que poderiam ter equilibrado o primeiro set no 9º game e outro que daria reação no 8º do segundo. E olha que teve segundos serviços de Federer e bola no forehand. Pena. Mas no geral, o suíço mereceu amplamente a vitória por ter sido bem mais consistente. Ganhou 11 dos 17 pontos que tentou junto à rede.

Federer reencontra agora Roberto Bautista, que perdeu todos os 12 sets já disputados em três pisos diferentes. Mas o espanhol tem se mostrado cada vez mais firme na quadra sintética, ainda mais se lenta, e fez um jogo bem divertido e elogiável contra Sam Querrey. Não pode ser menosprezado, apesar da falta de golpes contundentes. Quem passar, deve encarar Tomas Berdych, que enfrenta o incansável canhoto Adrian Mannarino.

Outra grande notícia do dia foi a vitória da nova geração em cima dos super-sacadores, jogos milimetricamente decididos em favor de Nick Kyrgios e Alexander Zverev em cima de Ivo Karlovic e John Isner. Além obviamente da parte técnica, fundamental destacar o controle emocional dos dois diante da sempre irritante frustração que é enfrentar os gigantões, que disparam saques indefensáveis e dão mínimo ritmo. Karlovic fez absurdos com o segundo serviço.

O garoto alemão tem uma tarefa mais difícil nas oitavas: pegar o embalado Stan Wawrinka, mas a seu favor está o histórico, já que derrotou o suíço no sintético coberto de St. Petersburgo em outubro, onde as condições eram mais velozes. Kyrgios pega um adversário radicalmente oposto a Karlovic, o belga David Goffin, que trabalha pouco com o saque e prefere correr lá na base. De uma forma oposta, será outro teste mental para o australiano.

A parte inferior da chave também faz nesta terça-feira seus quatro jogos de oitavas. Rafa Nadal conseguiu grande reação diante de Philipp Kohlschreiber, superando com bravura o ‘pneu’ inicial. Será amplo favorito diante do veterano Nicolas Mahut. Quem vencer pega um americano, Jack Sock ou Jared Donaldson. Difícil Nadal perder para qualquer um deles.

Kei Nishikori se desgastou muito diante de Fernando Verdasco e pega outro canhoto em sequência, o argentino Federico Delbonis, que é perigoso em dias inspirados. Fabio Fognini encara o renovado Donald Young, mais um canhoto, que parece jogar seu melhor nas quadras americanas. O japonês é o candidato natural do quadrante, mas… Alguém aposta?

O torneio feminino já atingiu as quartas de final e tem um misto de jogadoras com bom destaque temporada, como Venus Williams, Carol Wozniacki e Mirjina Lucic, e outras que estão devendo (e muito) e esperando oportunidade, como Angelique Kerber e Simona Halep.

A alemã recuperou o número 1 com uma única semi em 2017 e agora terá de encarar Venus, que de certa forma remete a Federer. A veterana de tantas batalhas está jogando um tênis primoroso, com golpes pesados mas toques sutis, muita perna e enorme coração. O duelo contra Sveta Kuznetsova empolgou.

No entanto também há espaço para surpresas. A canhota e grande duplista Lucie Safarova parece ter reencontrado seu jogo de simples. Karolina Pliskova corre por fora, sem holofotes, sempre perigosa. Tudo aberto.

Para matar saudades
Por José Nilton Dalcim
26 de março de 2017 às 00:38

Roger Federer e Juan Martin del Potro escreveram deliciosos capítulos do tênis por quatro ou cinco temporadas, com duelos magistrais, disputados, emocionantes. Três anos e meio depois, agora com carreiras reconstruídas, os dois voltarão a duelar ainda na terceira rodada do Masters de Miami.

Quantos jogos incríveis. A final do US Open de 2009 que o então garoto Delpo conseguiu vencer colocou o molho que faltava, mas pouco antes eles já tinham feito uma batalha de arrepiar na semi de Roland Garros. Em 2012 e 2013, pelo menos cinco partidas memoráveis, como a virada espetacular em outra semi de Paris e o 19-17 no set final das Olimpíadas em favor de Federer, os dois títulos de Delpo dentro da Basileia e a suada vitória do suíço no Finals de 2013, que foi o duelo mais recente.

O reencontro de segunda-feira pega os dois em momentos distintos. Federer é o grande destaque do circuito atual, praticando um tênis agressivo de alta qualidade, com backhand afiado como nunca e muito preparo físico. Del Potro iniciou tardiamente a temporada, ainda não embalou, precisou alterar seu plano tático e hoje usa mais slice do que o próprio suíço. O argentino certamente sabe que, se não ousar mais com o backhand batido, terá poucas chances.

Miami é bem diferente de Indian Wells. A umidade sufoca os tenistas e deixa as condições mais lentas. Mas também tem o vento para incomodar e a chuva para esquentar o banco do vestiário. O desafio mental se torna grande. Na parte inferior da chave, onde estão Kei Nishikori e Rafael Nadal, já caíram 10 dos 16 cabeças, entre eles Marin Cilic e Grigor Dimitrov. De nome perigoso mesmo, restou Milos Raonic.

No lado superior da chave, onde estão Federer e Stan Wawrinka, também houve pequenas surpresas, mas o destaque mesmo foi a atuação firme de Borna Coric que tirou a paciência de Dominic Thiem. O croata precisava muito de um resultado de peso para tentar reagir após a cirurgia no joelho e a parada forçada, mas ainda é defensivo demais. Funcionou contra Thiem, que exagerou de novo na força e perdeu a cabeça no final do segundo set.

Além de Federer x Delpo, a terceira rodada promete ainda com Nadal x Philipp Kohlschreiber, Nishikori x Fernando Verdasco e Alexander Zverev x John Isner.

Quadro comparativo
O internauta Lucas Torres Macedo envia um interessante quadro comparativo entre o desempenho dos quatro maiores tenistas do momento e os dois grandes da década de 1990 , que tiveram grandes campanhas em Grand Slam e Masters 1000.

O estudo gera boas reflexões. Segue abaixo:

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Federer tenta feito inédito contra Nadal
Por José Nilton Dalcim
15 de março de 2017 às 01:34

E lá vamos para o 36º capítulo de um clássico duelo entre ataque e defesa, um dos mais cativantes da história do tênis. Menos de 45 dias depois da eletrizante final do Australian Open, Rafael Nadal e Roger Federer se cruzam de novo, desta vez ainda nas oitavas de final de Indian Wells, a rodada mais precoce que os junta desde 2004.

O mais curioso é que, depois de 14 anos de rica história, o suíço poderá marcar um feito inédito diante do seu mais temido rival: ganhar três jogos seguidos. Isso mesmo. Pode parecer incrível, mas Federer jamais conseguiu. Tal qual acontece agora, com as vitórias da Basileia de 2015 e de Melbourne, o suíço teve apenas outras duas sequências de triunfos consecutivos: Wimbledon-Finals de 2006 e de 2007. Fazia tempo, portanto. A título de comparação, Rafa obteve três séries de cinco vitórias seguidas.

Não menos curioso é o fato de que Federer poderá empatar novamente a contagem entre eles na quadra sintética. Ela está agora 9 a 8 em favor do espanhol, mas já esteve em 9 a 6. A última vez que o suíço liderou nesse quesito foi justamente com uma vitória em Indian Wells, em 2012, fazendo então o placar de 6 a 5.

Não há mais uma vez favoritismo declarado. Nadal chegou reclamando de mal estar em Indian Wells, teve alguns altos e baixos mas venceu bem suas partidas, com atuação muito boa nesta terça-feira diante de Fernando Verdasco, que é um espelho fiel de Rafa mas com qualidade inferior em todos os golpes. Federer teve em Steve Johnson um adversário de verdade, mas encontrou dificuldade evidente para devolver saque, pareceu um pouco apressado na base e cometeu vacilos perigosos no segundo tiebreak.

Talvez a vitória tenha mais importância neste momento para Nadal do que para Federer. O espanhol continua atrás de um título na temporada, que escapou mesmo jogando um tênis mais agressivo e competente. O suíço tem menos a perder, porque o 18º Slam foi algo tão espetacular e imprevisível que ele ainda não parou de comemorar. Isso também significa que Federer pode jogar mais solto e isso sempre é perigoso.

As oitavas de final de Indian Wells vêem também a revanche de Novak Djokovic e Nick Kyrgios. O australiano, que levou a melhor dias atrás em Acapulco, deu um verdadeiro show diante de Alexander Zverev e deixa claro que ele é muito mais jogador que o alemão. Mas tênis vai além de golpes pesados e mão habilidosa, daí nunca devemos nos animar demais com o problemático Kyrgios.

Nole chega cheio de moral depois da duríssima vitória em cima de Juan Martin del Potro, em mais um jogo disputado game a game, ponto a ponto. Djoko já havia se saído bem na estreia frente a Kyle Edmund e acima de tudo parece ter recuperado sua notável maestria na devolução dos mais poderosos saques e a determinação de espancar a bola em todos os pontos. Seu terceiro set contra Delpo foi no nível de 2015. Cinco vezes campeão no deserto, deve haver poucos lugares onde ele se sinta mais confiante e confortável. Para mim, virou o maior candidato ao título.

Os outros jogos de oitavas de final têm um pouco de tudo. Jack Sock lutou muito, salvou quatro match-points contra Grigor Dimitrov e ganhou um presente ao enfrentar Malek Jaziri. Tem assim uma chance real de ir à semi, já que duelará contra Kei Nishikori ou o surpreendente Donald Young, o canhoto mal-humorado e reclamão que achou seu jogo e já tirou Sam Querrey e Lucas Pouille.

Stan Wawrinka é favorito diante do franzino Yoshihito Nishioka, canhoto de 21 anos, 1,70m e incansável. O duelo entre Dominic Thiem e Gael Monfils promete, ainda que jamais se saiba o que esperar do francês. Gostaria de ver um reencontro entre Stan e Thiem, já que os confrontos anteriores são anteriores a maio de 2015. Dos jogos Pablo Carreño x Dusan Lajovic e Pablo Cuevas x David Goffin sairá o outro semifinalista. Façam suas apostas. Qualquer coisa pode acontecer.