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Federer tenta feito inédito contra Nadal
Por José Nilton Dalcim
15 de março de 2017 às 01:34

E lá vamos para o 36º capítulo de um clássico duelo entre ataque e defesa, um dos mais cativantes da história do tênis. Menos de 45 dias depois da eletrizante final do Australian Open, Rafael Nadal e Roger Federer se cruzam de novo, desta vez ainda nas oitavas de final de Indian Wells, a rodada mais precoce que os junta desde 2004.

O mais curioso é que, depois de 14 anos de rica história, o suíço poderá marcar um feito inédito diante do seu mais temido rival: ganhar três jogos seguidos. Isso mesmo. Pode parecer incrível, mas Federer jamais conseguiu. Tal qual acontece agora, com as vitórias da Basileia de 2015 e de Melbourne, o suíço teve apenas outras duas sequências de triunfos consecutivos: Wimbledon-Finals de 2006 e de 2007. Fazia tempo, portanto. A título de comparação, Rafa obteve três séries de cinco vitórias seguidas.

Não menos curioso é o fato de que Federer poderá empatar novamente a contagem entre eles na quadra sintética. Ela está agora 9 a 8 em favor do espanhol, mas já esteve em 9 a 6. A última vez que o suíço liderou nesse quesito foi justamente com uma vitória em Indian Wells, em 2012, fazendo então o placar de 6 a 5.

Não há mais uma vez favoritismo declarado. Nadal chegou reclamando de mal estar em Indian Wells, teve alguns altos e baixos mas venceu bem suas partidas, com atuação muito boa nesta terça-feira diante de Fernando Verdasco, que é um espelho fiel de Rafa mas com qualidade inferior em todos os golpes. Federer teve em Steve Johnson um adversário de verdade, mas encontrou dificuldade evidente para devolver saque, pareceu um pouco apressado na base e cometeu vacilos perigosos no segundo tiebreak.

Talvez a vitória tenha mais importância neste momento para Nadal do que para Federer. O espanhol continua atrás de um título na temporada, que escapou mesmo jogando um tênis mais agressivo e competente. O suíço tem menos a perder, porque o 18º Slam foi algo tão espetacular e imprevisível que ele ainda não parou de comemorar. Isso também significa que Federer pode jogar mais solto e isso sempre é perigoso.

As oitavas de final de Indian Wells vêem também a revanche de Novak Djokovic e Nick Kyrgios. O australiano, que levou a melhor dias atrás em Acapulco, deu um verdadeiro show diante de Alexander Zverev e deixa claro que ele é muito mais jogador que o alemão. Mas tênis vai além de golpes pesados e mão habilidosa, daí nunca devemos nos animar demais com o problemático Kyrgios.

Nole chega cheio de moral depois da duríssima vitória em cima de Juan Martin del Potro, em mais um jogo disputado game a game, ponto a ponto. Djoko já havia se saído bem na estreia frente a Kyle Edmund e acima de tudo parece ter recuperado sua notável maestria na devolução dos mais poderosos saques e a determinação de espancar a bola em todos os pontos. Seu terceiro set contra Delpo foi no nível de 2015. Cinco vezes campeão no deserto, deve haver poucos lugares onde ele se sinta mais confiante e confortável. Para mim, virou o maior candidato ao título.

Os outros jogos de oitavas de final têm um pouco de tudo. Jack Sock lutou muito, salvou quatro match-points contra Grigor Dimitrov e ganhou um presente ao enfrentar Malek Jaziri. Tem assim uma chance real de ir à semi, já que duelará contra Kei Nishikori ou o surpreendente Donald Young, o canhoto mal-humorado e reclamão que achou seu jogo e já tirou Sam Querrey e Lucas Pouille.

Stan Wawrinka é favorito diante do franzino Yoshihito Nishioka, canhoto de 21 anos, 1,70m e incansável. O duelo entre Dominic Thiem e Gael Monfils promete, ainda que jamais se saiba o que esperar do francês. Gostaria de ver um reencontro entre Stan e Thiem, já que os confrontos anteriores são anteriores a maio de 2015. Dos jogos Pablo Carreño x Dusan Lajovic e Pablo Cuevas x David Goffin sairá o outro semifinalista. Façam suas apostas. Qualquer coisa pode acontecer.

Cadê o número 1?
Por José Nilton Dalcim
12 de março de 2017 às 19:41

Andy Murray nem de longe está jogando como um autêntico número 1 do mundo. Onde está aquele tenista tão eficiente do segundo semestre, capaz de atacar e defender, trocar ritmos, buscar bolas impossíveis e encontrar soluções para os mais diferentes adversários?

O Murray de 2017 está irreconhecível. Talvez a derrota para Novak Djokovic na final de Doha tenha feito mais mal a ele do que se poderia imaginar. Foi surpreendido no Australian Open depois de ter o primeiro set na mão, ganhou Dubai aos tropeços após salvar milagrosamente sete match-points e fez uma partida incrivelmente instável na estreia de sábado à noite em Indian Wells.

Até 4/2, Murray era dono da quadra. Bastou escapar um serviço para perder a confiança e aí é claro tem de se dar muito crédito ao corajoso Vasek Pospisil, que seguiu os passos de Misha Zverev, atacou o tempo inteiro com direito a voleios de alta qualidade e confundiu ainda mais a cabeça do escocês. O que mais incomoda não são as derrotas em si, algo normal num esporte tão equilibrado, mas a falta de alternativas que um líder do ranking não poderia deixar de ter.

Para sorte do britânico, Djokovic tem muito pouca chance de somar pontos até Wimbledon e isso deve garantir a ponta ao britânico. Até porque não se sabe como está o próprio sérvio. É uma pena que Stan Wawrinka não tenha determinação para buscar os dois porque esta seria a hora perfeita. O suíço tem chave aberta em Indian Wells e poderia muito bem usar os pisos lentos de Miami, Monte Carlo e Roma para apertar e talvez entrar na briga de vez em Roland Garros. Ele no entanto não parece disposto ao esforço, opção que devemos respeitar.

Espetáculo começa
A queda tão precoce de Murray abriu um buraco gigante na parte de cima da chave. Indian Wells pode ver Goffin, Bautista, Carreno, Cuevas, Fognini ou o próprio Pospisil na semifinal de sábado. E dá oportunidade para muitos outros sonharem com a decisão do título, casos principalmente de Wawrinka e Thiem.

Mas os olhos estão mesmo voltados para o lado inferior da chave. Já nesta terça-feira, dois jogos imperdíveis de terceira rodada: Djokovic x Del Potro e Kyrgios x Zverev. Quem ganhar, aliás, se cruza nas oitavas. A estreia de Nole e Delpo foi semelhante, mas o sérvio jogou bem mais.

Eu arriscaria a dizer que Nole teve a melhor partida do ano, porque foi muito exigido por Kyle Edmund e seus foguetes de forehand. Como nos velhos tempos, Djokovic devolveu com maestria na hora mais necessária, quando o britânico tinha 5/3 e saque no segundo set. Delpo teve muitos altos e baixos no primeiro set. Dois registros: o grand-willy em lob genial e um winner de backhand cruzado como há muito tempo o argentino não fazia.

Federer e Nadal caminham para o reencontro de oitavas de final, mas os jogos de estreia não serviram para muita coisa. O suíço atropelou em 51 minutos com jogo superagressivo e Rafa perdeu dois games de serviço e ainda assim passeou. Agora, o suíço pega Johnson com grande favoritismo – o americano só bate o backhand de slice – e Rafa precisa de mais cuidado com Verdasco, que parece ter renascido em 2017.

A nova geração colocou também Taylor Fritz na terceira rodada, uma bela surpresa em cima de Cilic, e o garotão de 19 anos, que já é papai, pode ir além diante de Jaziri. Mas os candidatos naturais ao duelo de quartas são Nishikori e Dimitrov.

A segunda-feira abre a terceira rodada e vale ficar de olho no canhoto Nishioka, 20 anos, diante de Berdych e ver como Thiem irá lidar com os voleios de Mischa.

Tiro certo
Como dinheiro não é um problema para o dono de Indian Wells, Larry Ellison paga alto para ter os melhores do mundo também na chave de duplas. E a estratégia se mostra um tremendo sucesso. Até mesmo os grandes estádios estiveram lotados nestas primeiras rodadas para ver Murray, Djokovic, Rafael Nadal e tanta gente boa do ranking de simples na batalha pelas duplas. Tenho a impressão que Ellison interfere até mesmo nas parcerias, escolhendo a seu bel prazer algumas combinações inusitadas. Com certeza, é o torneio de duplas de maior sucesso no circuito.

Olho nela
Muito se fala em renovação no circuito masculino, mas quem chama a atenção mesmo no momento é a norte-americana Kayla Day, de 17 anos. Dá gosto de ver a canhota de 1,80m bater na bola. Tem um saque muito respeitável, trabalha os pontos atrás de qualquer chance para um winner, se mexe muito bem. Entrou em Indian Wells com convite por ser 175ª do ranking, mas parece questão de tempo, pouco tempo aliás, para que ela chega ao top 100.

Chave caprichada
Por José Nilton Dalcim
7 de março de 2017 às 23:21

Que tal 45 títulos de Grand Slam num único quadrante de chave? O Masters 1000 de Indian Wells conseguiu essa incrível proeza e muito provavelmente se tornou o setor mais forte da história de um sorteio da ATP. Sim, porque Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer e Juan Martin del Potro terão de lutar entre si por uma vaga nas semifinais do torneio californiano. Isso sem falar que Nick Kyrgios e Alexander Zverev também estão ali no meio.

O mais espetacular de tudo é que existe enorme chance de vermos notáveis duelos diretos. Nole não deve ter dificuldade contra Kyle Edmund ou Gastão Elias e assim deve pegar Delpo já na terceira rodada, uma vez que o argentino estreia diante de Federico Delbonis ou Andrey Kuznetsov. Quem passar, deve cruzar com Kyrgios e Zverev, que são os candidatos naturais a ir à terceira rodada.

Logo acima, Federer e Nadal têm tudo para reviver a recente final do Australian Open ainda nas oitavas de Indian Wells. O suíço tem Stephane Robert ou Dudi Sela na estreia e quem sabe Steve Johnson a seguir. O espanhol pega Guillermo Garcia ou Guido Pella antes de provável duelo com Fernando Verdasco. Talvez esse seja o único duelo realmente perigoso para um dos grandes nomes, já que Verdasco vem do vice em Dubai e bateu Rafa em dois dos quatro recentes confrontos. Mas tomara que ele não atrapalhe.

Portanto, abre-se a chance de termos ainda nas quartas Djoko x Federer ou Djoko x Nadal, mas também Delpo x Federer ou Delpo x Nadal. Autênticas finais de Grand Slam. Quem sobreviver a isso, faz semifinal contra um grupo bem menos forte mas também interessante. Kei Nishikori tem Sam Querrey no caminho e Marin Cilic pode cruzar com Grigor Dimitrov. Bons nomes como Jack Sock e Lucas Pouille correm por fora.

Habituado a ter sorteios ruins, Andy Murray está mesmo numa maré de sorte. Pode ter uma sequência com Yen-Hsun Lu, Feliciano López, Pablo Carreño ou Roberto Bautista antes de fazer quartas contra Jo-Wilfried Tsonga ou mais remotamente David Goffin. Num torneio tão forte, é uma chave e tanto.

O outro quadrante define o outro semifinalista e também não é dos piores para Murray, pois é liderado pelo instável Stan Wawrinka e o incansável Dominic Thiem e povoado com jogadores de  confiabilidade duvidosa como Gael Monfils, Tomas Berdych e John Isner. Ou seja, Murray pode navegar em águas calmas enquanto assiste a uma batalha apocalíptica do outro lado.

Indian Wells possui o segundo maior estádio fixo do mundo, com 16 mil assentos. Curiosamente, desde 2004, Djokovic ganhou cinco vezes, Federer outras quatro e Nadal, três. O único a quebrar essa hegemonia foi Ivan Ljubicic, em 2010, o atual treinador de Federer. Num piso que todos consideram de média velocidade, Murray só fez uma final e Stan nunca passou das quartas.

A chave feminina, que acontece simultaneamente, foi sorteada na segunda-feira e 24 horas depois já deu surpresa: Serena Williams anunciou que continua com dores no joelho esquerdo e que não irá nem a Indian Wells, nem a Miami.

Assim, qualquer que seja sua campanha na Califórnia, a alemã Angelique Kerber irá recuperar a ponta e, se tiver duas boas campanhas, poderá abrir boa distância na ponta. Karolina Pliskova subiu para a posição de Serena e assim a chave não perdeu o interesse.

E os brasileiros? Thomaz Bellucci, claro, entrou naquele terrível quadrante. Estreia contra Pierre Herbert e, se vencer, jogará contra Verdasco. Num piso duro, são tarefas difíceis. Thiago Monteiro começa contra Martin Klizan, que não é nada fácil, mas se surpreender jogará com Pablo Cuevas e aí as chances aumentam e abrem perspectiva de um terceiro duelo contra Tsonga.