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A estrela sobe
Por José Nilton Dalcim
19 de maio de 2017 às 18:54

Dominic Thiem deu mais um passo de peso em sua temporada e carreira. Afinal, não é todo dia que alguém derrota Rafael Nadal num Masters sobre o saibro, façanha reservada a um seleto grupo formado por Novak Djokovic (6 vezes), Andy Murray (2), Roger Federer (2), Stan Wawrinka, David Ferrer, Fernando Verdasco e Juan Carlos Ferrero a partir de 2005.

Thiem teve uma atuação surpreendente e espetacular. Começou pela postura diferenciada para esperar o primeiro saque de Rafa, pegando várias vezes a bola na subida e com isso acelerando a devolução. Não vamos esquecer que na véspera ele havia salvado três match-points diante de Sam Querrey.

Depois, Thiem usou muito bem o backhand em diversos contraataques e não se intimidou com os balões constantes em cima do golpe, que geralmente o levam a encurtar a bola. Para ser perfeito, faltou apenas usar melhor o primeiro saque. Permitiu sete break-points, porém salvou a maciça maioria com coragem e precisão.

Nadal não jogou mal, mas teve dificuldade para encontrar soluções adequadas diante das bolas bem profundas e cheias de efeito de Thiem. Talvez não dê para se ver bem na TV, mas o austríaco coloca muito giro em seus golpes, o que costumamos chamar de ‘bola pesada’.

Ele terá de esperar até o começo da tarde (horário local) de sábado para saber se irá reencontrar Novak Djokovic, de quem só tirou um set em quatro duelos, ou fará confronto com Juan Martin del Potro, para quem perdeu duas vezes em 2016. Do jeito que a partida ia antes de a chuva atrapalhar, Nole é o grande candidato. Apesar de games duros, mostrava de novo a excepcional competência nas devoluções e dava pouco espaço para Delpo disparar forehands. Mas como cada dia é um dia no tênis, tudo pode acontecer na retomada.

Se Thiem vai atrás de sua segunda final consecutivas de Masters, o alemão Alexander Zverev faz a primeira da carreira e com chances reais de chegar à decisão de domingo, já que vai enfrentar John Isner. É fato que o gigante americano de 32 anos sacou muito contra Marin Cilic e já levou Nadal a cinco sets em Roland Garros, mas é bem menos consistente no fundo da quadra, com evidente dificuldade de deslocamento e backhand sempre defensivo.

Caso Thiem e Zverev façam uma inesperada final em Roma, teremos a mais jovem decisão de nível Masters desde que Andy Murray derrotou Del Potro em Montréal de 2009. E a primeira sem o Big 4 desde Paris de 2012.

A derrota muda algo para Nadal? Não, ainda que faz três anos seguidos que ele não passa das quartas em Roma e, coincidência ou não, caiu antes da semi em Paris. O bom para o tênis é que Thiem passa de vez a correr por fora, Zverev pode ser um obstáculo para qualquer um e especialmente vemos Nole bem mais animado. Se o sérvio faturar o título, vai ficar perigoso outra vez.

As semifinais femininas também são um certo alívio para Roland Garros. Simona Halep se firma entre as candidatas, Garbine Muguruza dominou os nervos para tirar Venus Williams e Elina Svitolina soube trabalhar em cima do estilo risco total de Karolina Pliskova.

Quem levar Roma, terá um ‘upgrade’ e tanto. Ah, Kiki Bertens, que gosta de mudar o ritmo do jogo e usa boas curtinhas, obviamente pode ser a surpresa.

Emoção até o fim
Por José Nilton Dalcim
4 de novembro de 2016 às 20:54

Independente da possibilidade de Andy Murray assumir a liderança do ranking neste sábado em Paris, uma coisa é mais do que certa: o Finals de Londres desta vez verá uma disputa acirradíssima, provavelmente rodada a rodada, para ver se Novak Djokovic ou Murray terminará como número 1 do mundo em 2016.

A queda do sérvio frente a Marin Cilic ainda nas quartas de Bercy abriu de vez essa chance. Mesmo que Murray não tivesse vencido Tomas Berdych em seguida, a luta pela ponta estaria garantida em Londres, o que enriquece demais o torneio que encerra o ano e deveria mesmo sempre ser um dos pontos altos do calendário.

Se Murray perder de Milos Raonic, os líderes chegarão a Londres com vantagem mínima de 235 pontos para o sérvio. Se Andy for à final, assumirá a ponta por míseros 5 pontos na segunda-feira. O título em Paris daria margem de 405 pontos, mas ainda assim Djokovic dependeria de si mesmo para recuperar a posição caso conquiste o título invicto na O2.

Resumindo: deveremos ter um dos mais emocionantes e participativos Finals dos últimos tempos. Até o sorteio dos grupos é importante. Stan Wawrinka está mal, mas quem quer tê-lo na chave? Ficar junto a Gael Monfils e Dominic Thiem pode ser ótimo negócio. Cilic ao contrário ficou bem perigoso e deve fazer um Finals muito superior àquele de 2014.

Por ironia do destino, Djoko teve sua melhor atuação da semana nesta sexta-feira, mas encontrou um Cilic mais confiante e pequenos vacilos custaram caro ao sérvio. Ele não podia deixar escapar a quebra no apertado sétimo game do primeiro set, por exemplo.

Pior ainda foi sacar com 5/4 no segundo set e ganhar um único ponto. Salvou brilhantemente dois match-points antes do tiebreak, seu melhor momento do dia, porém perdeu totalmente a consistência no desempate. Cilic fez seu feijão-com-arroz, sem aventuras táticas. Mereceu pela aplicação no saque e no forehand, mas acima de tudo por acreditar que poderia enfim acabar com o tabu de 14 derrotas. A favor de Nole, sua postura mais descontraída, brincando com o público e aplaudindo o adversário.

Fiquei intrigado para ver como Murray iria para a quadra ao saber do resultado. E foi surpreendente vê-lo tão sereno. Berdych desceu o braço a seu melhor estilo. Saque, forehand, linhas. Abriu 6-1 no tiebreak jogando demais e aí… levou a virada. Incrível. Murray não entrega nada, lutou muito. Dominou o segundo set, levou um susto mas fechou depois. A cabeça parece em ordem, sinal indicativo de que ele realmente amadureceu.

Existe ainda o passo final. Ele terá de ganhar neste sábado de Raonic pela nona vez em 13 duelos. O canadense não vence desde março de 2014 e amarga série de sete derrotas, em que venceu somente três sets, porém dois deles num jogo que teve nas mãos em Melbourne deste ano. O piso lento ainda deverá ser um handicap para Murray.

Acredito que só mesmo seus nervos podem atrapalhá-lo e impedir que se torne o 26º homem a liderar o ranking, encerrando sequência de 122 semanas de Djokovic, que vem desde julho de 2014.

Atualizando
– Cilic tirou o sétimo lugar do ranking de Rafa Nadal e pode roubar o sexto de Gael Monfils se for à final. Justiça seja feita: desde a conquista do US Open dois anos atrás, jamais deixou de figurar no top 14.
– Dominic Thiem garantiu lugar no Finals com as quedas de Berdych e Tsonga. Ele e Monfils serão as novidades em Londres. Uma simples vitória na O2 irá empurrar o austríaco para a frente de Nadal no ranking.
– Berdych e David Goffin vão de reservas. Não é mau negócio. Embolsam US$ 100 mil para ficar treinando, dando autógrafos e vendo o torneio. Se jogarem, ainda podem ganhar US$ 179 mil por vitória.
– John Isner tenta sua terceira final de Masters 1000, mas terá de ganhar pela primeira vez de Cilic em seis duelos. No ano passado, fizeram partida espetacular em Wimbledon, com três tiebreaks e 12/10 no quinto set.
– Como lembra Mário Sérgio Cruz, caso Murray realmente assuma a liderança, será a primeira temporada desde 2008 em que haverá troca simultânea na ponta dos rankings masculino e feminino.

Baixas em Miami continuam
Por José Nilton Dalcim
26 de março de 2016 às 22:59

Incrível. Em apenas 24 horas, o Masters 1000 de Miami perdeu três dos top 5 do ranking. Dois deles, Roger Federer e Rafael Nadal, parecem ter sido vítimas de mal estar inesperado. O outro, Stan Wawrinka, de pouca vontade de jogar. Ruim para o torneio e para os fãs, mas quem sabe ajude a termos rostos novos lá no final da reta.

Nadal não sabe exatamente o que aconteceu depois do primeiro set tranquilo. Diz que entrou sadio em quadra, mas no começo do segundo set surgiram tonturas e fraqueza. Pode ter sido a sempre explosiva combinação de calor e umidade, coisas típicas de Miami, mas também uma virose, como a que teria atacado Federer.

Não por acaso, Thomaz Bellucci desistiu após o segundo set com os mesmos sintomas, embora no caso do brasileiro isso esteja se tornando algo perigosamente repetitivo. Talvez o canhoto paulista precise readaptar seu calendário para locais onde a umidade não seja tão alta. É difícil, porque boa parte do circuito é disputado no verão e em cidades litorâneas, onde a combinação acontece.

Com a saída dos dois cabeças, abriu-se um buraco naquele setor. Damir Dzumhur ou Mikhail Kukushkin não parecem adversários para Milos Raonic ou Jack Sock. E desse grupo deve sair o adversário de Nick Kyrgios, que viu caírem neste sábado Wawrinka, John Isner e Sam Querrey. O gigante Isner seria aliás o próximo adversário, mas foi batido no tiebreak decisivo por Tim Smyczek.

Esquisita mesmo foi a derrota de Wawrinka. Não que o russo Andrey Kuznetsov seja tão ruim assim. Ele tem um bom tênis para pisos duros. Porém, a indisposição generalizada do suíço chegou a irritar. Errou demais, mostrou falta de pernas, forçou na hora errada, uma coleção de falhas que não combinam com seu status. Como Kuznetsov vai cruzar com Adrian Mannarino, a porta está aberta para Kyrgios esticar até as quartas.

Para compensar, o quarto quadrante viu a vitória de todos os cabeças de chave em suas estreias. Isso garante jogos interessantes, como Nishikori x Dolgopolov, Tsonga x Bautista, Monfils x Cuevas e Murray x Dimitrov. Se jogar pelo menos 70% do que sabe, o escocês tem o favoritismo para a vaga na semifinal. Sempre é bom lembrar que Murray faz praticamente todas suas pré-temporadas em Miami – só não o fez neste ano por causa da final da Copa Davis – e portanto está mais do que habituado a essa quadra central e todos seus mistérios.