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Monfils bagunça Toronto
Por José Nilton Dalcim
30 de julho de 2016 às 00:17

O script parecia muito bem desenhado e o Masters de Toronto caminhava para as semifinais ideais, com os quatro principais cabeças de chave classificados e o tão sonhado duelo entre o melhor do mundo e o dono da casa. Mas aí Gael Monfils resolveu acabar com a festa.

Mesclando um excelente saque, grandes golpes da base, agressividade e contragolpe, o francês parou Milos Raonic em dois sets. Só não foi mais surpreendente porque Gael vem do título de Washington no domingo, seu maior troféu da carreira, que foi também o fim de um jejum e da sina de vice. O problema agora é encarar 12 anos sem vitória sobre Novak Djokovic, cruel 11 a 1 no placar.

Depois de tanto apanhar, finalmente Tomas Berdych mostrou alguma modificação tática contra Djokovic e tentou jogar com muito mais spin dos dois lados, mostrando até uma terminação pouco usual para seu forehand. Não se pode dizer que funcionou porque na hora de definir pontos ele errou muito, porém ao menos teve uma chance clara de ganhar o primeiro set, quando abriu 6-3 no tiebreak e ainda teve dois saques a favor.

Ainda que tenha apresentado alguns altos e baixos, com aproveitamento fraco do primeiro serviço, Djoko é muito mais jogador e assim soube administrar a partida o tempo todo. Falhou é verdade quando teve 5/4 e saque no primeiro set, permitiu alguns break-points bobos, fez cinco duplas faltas, mas nada que realmente comprometesse outra semifinal na temporada.

Muito interessante também deve ser o duelo entre Stan Wawrinka e Kei Nishikori, que curiosamente tem ocorrido bem pouco no circuito. O suíço ganhou duas vezes em 2012, quando o japonês ainda era promessa, e Nishikori venceu em cinco sets espetaculares nas quartas do US Open de 2014. No mais recente, o suíço fez 3 a 0 em Melbourne de 2015.

Promovido de coadjuvante a cabeça 2 pelas ausências de Murray, Federer e Nadal, Wawrinka fez três boas exibições em Toronto e atropelou Kevin Anderson, um dos adversários que menos gosta de enfrentar. Nishikori está sobre seu piso ideal, onde seu estilo mais rende, porém se atrapalhou com as alternâncias de ritmo de Grigor Dimitrov. Nem ele, nem Stan chegou até agora a uma final no Canadá.

Muito animador também ver Marcelo Melo e Bruno Soares, com seus parceiros estrangeiros, atingirem a semifinal de duplas faltando tão pouco para o sonho olímpico. Venceram dois jogos exigentes e isso dá confiança.

Por falar em brasileiros, Thomaz Bellucci e João Souza estão na semifinal do challenger de Biela, sobre o saibro. Se para o nosso número 1 é quase obrigação ir bem, para Feijão já são duas vitórias sobre top 100 na semana, uma com direito a show em cima de Paolo Lorenzi, que acabou de ganhar seu ATP 250. Tomara que isso sirva para ele retomar o caminho certo.

Paula evita o desastre total
Por José Nilton Dalcim
17 de fevereiro de 2016 às 00:38

Todo mundo sabia que os jogos seriam duros e nem o calor ou o apoio da torcida seriam suficientes se nossos tenistas não jogassem em nível adequado. Deu no que deu. Teliana Pereira oscilou demais, Thomaz Bellucci repetiu o velho script de desperdiçar um mar de chances, João Souza foi dominado por um especialista no saibro e felizmente tivemos um dia de competência e serenidade de Paula Gonçalves.

Escapou por pouco o desastre total, mas o gosto de frustração é grande. Esperava-se que Teliana fosse longe. Ela era a mais bem classificada entre as inscritas, já tem experiência de dois troféus de WTA e não seria razoável sentir tanta pressão. O fato é que nossa número 1 não começou bem a temporada, com atuações fracas. Ela própria acha que jogou melhor no Rio, o que não é necessariamente um grande predicado. Pela segunda vez seguida, deixa o Jockey logo na estreia.

Bellucci certamente encarava uma estreia chata, diante de um ALexandr Dolgopolov que tem um estilo que ele não gosta. Ritmo variado, saque difícil de ler, bolas malucas… Ainda assim, não pode reclamar de oportunidades. Virou o primeiro set jogando bem, conseguiu reagir no outro depois de tomar comprimido para o estômago – não quis revelar o que sentia – e ainda abriu 2/0 no terceiro. Torcida apoiando. Levou seis games seguidos, nos quais só fez mais quatro pontos com o próprio saque. Desconectou e de novo sai na primeira rodada do Rio Open.

Paula, é fato, pegou uma adversária interessante e conhecida. O importante é que fez tudo direitinho. Esperou a hora certa para atacar, jamais pareceu apressada ou ansiosa. É a surpresa nacional do torneio, já que não apenas veio do qualificatório de simples como também está nas quartas de duplas, que é seu objetivo maior da temporada. Talvez por isso mesmo esteja jogando tão solta. Agora pega a cabeça 2, a sueca Johanna Larson.

Por fim, Feijão prossegue seu calvário. A confiança não consegue voltar, e aí vemos que falta fez vencer o jogo contra Feliciano López em Quito, o que poderia mudar sua temporada. Chegou a abrir 3/1 contra Diego Schwarztman no Jockey Club, mas daí em diante ganhou apenas mais dois games. Resta torcer por melhores dias em São Paulo.

Entre os grandes nomes, Rafa Nadal sofreu mais com a chuva do que com Pablo Carreño e agora tem interessante duelo contra Nico Almagro, que continua a ser um ‘freguês’ mas pode dificultar. David Ferrer também sofreu para se adaptar ao saibro carioca e levou susto tendo de salvar set-points contra o jovem chileno Nicolas Jarry.

Dominic Thiem ganhou ares mesmo de estrela. Sua quadra estava abarrotada de gente interessada em ver o campeão de Buenos Aires. Jogou de forma sólida, mas sua chave é perigosa, com Diego Schwartzman nas oitavas e provável duelo com Ferrer nas quartas.

E lá fora, destaques para a volta triunfante de Juan Martin del Potro, agora cheio de slices no seu backhand. Ganhou bonito de um adversário sem grande currículo. Já em Marselha, outra vitória do alemão Alexander Zverev, que vai se firmando entre os grandes.

‘Melhores do Ano’ surpreende
Por José Nilton Dalcim
15 de dezembro de 2015 às 19:43

Sempre me divirto muito com a pesquisa ‘Melhores do Ano’, que criei há 15 anos. TenisBrasil abre a votação para internautas e faz uma apuração à parte com um grupo de especialistas, que mescla treinadores, jornalistas e empresários do ramo, todos intimamente ligados ao dia a dia do tênis internacional. Há divergências curiosas, o que mostra a diferença da visão do fã e espectador dos que enxergam o esporte um pouco mais dos bastidores.

A primeira grande surpresa desta votação veio logo na pergunta geralmente mais importante: o fato do ano. Parecia barbada que fosse votada a conquista dos três Grand Slam por parte de Novak Djokovic, mas nem mesmo entre os internautas foi assim. O sérvio venceu, com 40,2% dos votos. Na pesquisa entre os convidados, deu o título inesperado de Flavia Pennetta no US Open. com 34,2%. Não menos curioso: a façanha da Grã-Bretanha na Copa Davis ficou em segundo lugar nas duas listas.

Um item que me chamou a atenção foi o “maior feito de Djokovic” em 2015. Nas duas apurações, venceu “disputar 15 finais consecutivas”, com 38% dos internautas e 47% dos especialistas. Bem distante, ficou “ganhar três Slam e ser vice em outro”, o que para mim era de longe a resposta mais óbvia. Vivendo e aprendendo.

Aguardei muito para saber qual teria sido “o jogo mais marcante do ano”, até porque propositadamente evitei o termo “melhor partida”. Então deu a notável final de Roland Garros, com margem folgada para aquele que eu considerei o efetivamente melhor do ano, o duelo entre Fognini e Nadal no US Open.

A derrota de Serena Williams para Roberta Vinci ficou bem marcada em todos. Venceu como jogo marcante do ano por margem enorme (60% e 71%) e também fato surpreendente da temporada e jogo de maior ‘zebra’. Achei que a conquista de Stan Wawrinka em Paris fosse prevalecer pelo menos entre os internautas, mas levou uma lavada de 34% a 21%.

Outra unamidade foi a bola fora de Nick Kyrgios, flagrada em Cincinnati, que foi eleito maior burburinho com incríveis 66% dos internautas e 84% dos especialistas, assim como as vaias que o australiano recebeu nos jogos seguintes virou o “fiasco”. Votações expressivas receberam Garbine Muguruza para quem mais evoluiu na temporada e Alexander Zverev, de longe a revelação.

Na série de previsões, a maioria acha que Djokovic ganhará Roland Garros e Nadal voltará a lutar pelos grandes títulos em 2016, mas o número 1 continuará com o sérvio ( votos acima dos 80% nas duas listas). O item “Federer, Murray e Nadal irão ameaçar mais Djokovic” levou apenas 9,6% dos votos do público e 2,6% do painel selecionado. Que descrédito!

Vale ainda ressaltar a diferença de expectativa sobre quem pode ser um top 10 inédito em 2016. Os internautas foram de David Goffin, com Borna Coric e Dominic Thiem vindo atrás. Já os especialistas optaram por Coric bem à frente de Kyrgios e Thiem. Quem tem maior chance de ganhar seu primeiro Slam é disparado Garbine Muguruza. Ínfimas votações foram para David Ferrer e Tomas Berdych.

A ala dedicada ao tênis brasileiro teve é claro poucas divergências. O número 1 de Marcelo Melo e a derrota de Feijão na Copa Davis foram os mais votados com enorme margem, assim como Orlando Luz como melhor aposta da nova geração. Sobre quem poderá chegar enfim ao top 100, Bia Haddad tem quase metade dos votos, mas Guilheme Clezar foi muito lembrado entre o público e André Ghem, pelo painel especial.

Por fim, perguntamos o que você faria se tivesse US$ 5 milhões para investir no tênis brasileiro. O público elegeu “construir 250 quadras públicas”, com 41%, mas os especialistas preferiram jogar “na formação de base do tênis brasileiro”, com 48,6%. Respostas perfeitas. Eu jogaria metade da grana em cada lugar. E isso não é tanto dinheiro assim. Nem para o homem mais rico do Brasil, aliás um ótimo ex-jogador de Copa Davis, nem se comparado ao triste inventário nosso de cada dia da ‘Lava Jato’.

Quem quiser ver os resultados completo dos ‘Melhores do Ano’, clique aqui