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Começo preguiçoso
Por José Nilton Dalcim
14 de março de 2016 às 11:26

Um Novak Djokovic irreconhecível, um Rafael Nadal ameaçado, um Andy Murray cauteloso, uma Serena Williams descalibrada. A primeira exibição dos grandes nomes de Indian Wells ao longo de um fim de semana recheado esteve longe de ser agradável. Ao menos, todos avançaram e a perspectiva de dias melhores prevalece.

Nole fez um de seus piores sets recentes, principalmente porque do outro lado da quadra estava não apenas o 149º do ranking, mas alguém que jamais ganhou uma partida de nível ATP. Bjorn Fratangelo teve algum mérito, claro. Repetiu aquela estratégia que tem funcionado contra Djoko, que é manter a bola funda no centro da quadra, sem grande peso. Também arriscou, foi ousado. Mas acima de tudo era Djokovic quem estava devendo muito.

Quem olha o placar final, de 6/1 e 6/2, fica com a impressão que Nole reagiu prontamente, mas não foi o caso. Ele ainda saiu quebrando no terceiro set antes de permitir a reação. Jogou então games longos cheios de falhas e só quando obteve a quebra no quinto game é que Bjorn diminuiu o ímpeto e facilitou as coisas. É de se imaginar que Djokovic vá aumentar a qualidade. Pega agora o ‘freguês’ Philipp Kohlschreiber e depois teria Feli López ou Roberto Bautista.

Embora Nole não tenha dado como desculpa, me parece que o vento na quadra principal – que já havia incomodado Andy Murray – também contribui para o jogo tenso e irregular de Nadal diante do habilidoso Gilles Muller. O duelo de canhotos foi de extremos altos e baixos dos dois lados e um terceiro set totalmente aberto e tenso, decidido na quebra no 10º game.

Rafa diz que jogos assim servirão para lhe dar confiança, o que é difícil de acreditar. Veremos isso contra Fernando Verdasco, que acabou de ganhar dele no Australian Open. Quem passar, aliás, pode ter pela frente a juventude de Alexander Zverev. O garoto deu show diante de Grigor Dimitrov, pode repetir a vitória sobre Gilles Simon de semanas atrás e assim ser uma ameaça concreta a um dos canhotos espanhóis.

Vale destacar ainda a presença de americanos e argentinos na terceira rodada. Sim, argentinos no piso sintético. Leonardo Mayer, Federico Delbonis e Guido Pella buscam oitavas, ainda que enfrentem agora pesos pesados. A armada americana é liderada por John Isner, tendo ainda Jack Sock, Steve Johnson e Sam Querrey. Um dos melhores jogos deve ser de Sock contra Dominic Thiem nesta segunda. A nova geração tem, além de Zverev e Thiem, chance com Coric diante de Berdych e Tomic frente a Raonic.

Para completar o fim de semana preguiçoso, Serena Williams teve uma exibição sofrível no primeiro set. Erro atrás de erro, viu a cazaque Yulia Putintseva sacar duas vezes para fechar a série, sem sucesso. Aí ganhou oito games seguidos. É difícil imaginar Serena fora da final, já que sua chave conta com gente instável como Simona Halep e Petra Kvitova e a amiga Aga Radwanska. Mas se jogar como no domingo…

Por fim, veio a queda absolutamente imprevista de Marcelo Melo e Ivan Dodig logo na estreia e para a parceria de última hora entre Leo Mayer e Juan Martin del Potro. Pelo placar e estilo dos envolvidos, os argentinos devem ter soltado a mão da linha de base. O fraco começo de temporada coloca já em risco o número 1 de Melo. Ele poderá ser superado já em Indian Wells pelo escocês Jamie Murray, desde que, curiosamente, Bruno Soares o ajude a atingir a final do torneio.

O novo ‘quinto Slam’ dá a largada
Por José Nilton Dalcim
10 de março de 2016 às 14:21

Ainda que as cabeças dos tenistas esteja muito mais em cima da bomba causada pelo anúncio do doping de Maria Sharapova, o quinto mais badalado torneio do circuito deu a largada ontem com a chave feminina e hoje já coloca em quadra muita gente interessante da chave masculina. Os top 35, incluindo Thomaz Bellucci, só começam a jogar no sábado.

Indian Wells tem sido eleito repetidamente como o melhor dos Masters 1000, o que derrubou aquele antigo chavão de que Miami era o ‘quinto Grand Slam’. Agora, ele pertence ao deserto californiano. A premiação em si, beirando os US$ 14 milhões no acúmulo dos sexos, já é muito superior à de Miami, além de a organização ser considerada exemplar e o público ter enorme espaço para circular e opções para se divertir. Em 2016, oito das nove quadras terão transmissão de imagens, ou seja, todos os jogos envolvendo favoritos serão mostrados.

No masculino, atenções claro em cima de Novak Djokovic, que já ganhou ali quatro vezes e detém os dois mais recentes troféus. O número 1 sofreu aquele revés inesperado em Dubai, perdendo a sequência de finais e títulos, e ainda viveu um fim de semana difícil na Copa Davis, porém até o sorteio da chave reforça seu favoritismo. Philipp Kohlschreiber, Feliciano López ou Roberto Bautista dificilmente darão trabalho até as quartas. Aí pode dar Dominic Thiem, e seria bem interessante ver como se sai o melhor representante da nova geração num piso em que ainda não fica totalmente à vontade.

Kei Nishikori e John Isner ficaram nesse lado superior, onde também está a incógnita Rafael Nadal. O canhoto espanhol tem três troféus em Indian Wells, o mais recente em 2013, porém a desconfiança sobre seu jogo continua. Dois canhotos assanhados estão no caminho: Gilles Muller e Martin Klizan. Depois, Gilles Simon ou Grigor Dimitrov. A caminhada de Nishikori é bem dura e até mesmo uma estreia contra Mikhail Kukushkin é perigosa, sem falar em duelos contra Steve Johnson e John Isner.

Andy Murray pontua o outro lado da chave e fará seu primeiro torneio como pai. Na terceira rodada, pode ter Gael Monfils ou Nick Kyrgios, depois Tomas Berdych, Milos Raonic ou até Bernard Tomic. Precisará estar afiado. Curioso é que, apesar de estar na sua superfície predileta, o escocês só fez uma final em Indian Wells e isso há sete anos.

O outro concorrente à semi é Stan Wawrinka, que aparentemente pegou o setor mais frágil, onde o maior especialista no piso é Marin Cilic. O paulista Thomaz Bellucci entrou de cabeça 29 e aguarda o duelo de garotos entre Borna Coric e Lucas Pouille. Dá para vencer e aí esperar Berdych… Ou quem sabe, Juan Martin del Potro!

Mais sacudida pelo caso Sharapova, a chave femninina tem amplo favoritismo de Serena Williams e sonha com um possível duelo direto com a irmã Venus nas quartas. Seria no mínimo interessante, já que foi justamente um confronto entre eles que gerou toda a confusão e posterior boicote das Williams ao torneio, encerrado enfim por Serena no ano passado e agora por Venus.

Cabeça 2, a alemã Angelique Kerber terá boa parte dos holofotes depois do título na Austrália. Sloane Stephens e Carla Suárez são adversárias que exigem cuidado antes mesmo da semi. Vika Azarenka e Belinda Bencic estão no outro quadrante.

Teliana Pereira já estreou e se despediu rapidamente. Até agora na temporada, a número 1 nacional venceu apenas 20 games, sem ganhar ao menos um set. Tudo bem que, dos cinco torneios, quatro foram no sintético. Mas sua posição de top 50 já está seriamente ameaçada em Indian Wells. Tomara que ela reaja no saibro europeu, a partir de abril.

Doping – Enquanto isso, Maria Sharapova parece em maus lençóis. Quase tudo que se publicou desde segunda-feira foi contra a russa. O fabricante do medicamento proibido contestou o uso prolongado do Meldonium que ela diz fazer há 10 anos e reportagens atestam que a musa foi alertada pelo menos cinco vezes para interromper a ingestão da substância.

Um alto dirigente da Wada (Associação Mundial Antidoping) acredita numa punição de 12 meses, o que seria trágico para uma tenista que já está a 39 dias de completar 29 anos e que teria de recomeçar a carreira do zero absoluto.

Djokovic dá a resposta
Por José Nilton Dalcim
23 de março de 2015 às 00:38

Se Roger Federer se valeu do piso mais veloz de Dubai para dar uma exibição, Novak Djokovic respondeu à altura neste domingo e confirmou, pelo segundo ano consecutivo, sua superioridade sobre o suíço na quadra um tanto mais lenta de Indian Wells. Dois capítulos de grande qualidade técnica dos melhores tenistas sobre o piso sintético do tênis atual.

Djokovic começou a ganhar o jogo ao trabalhar muito bem com o saque, bem diferente do que aconteceu em Dubai. Foi algo essencial até a metade do segundo set, porque ele contou também com o fato de que o adversário devolver com menor eficiência do que ele. Talvez pressionado por isso, Federer não conseguiu sacar bem no primeiro set e se viu acuado no fundo de quadra, sem achar um jeito de ir à rede.

Depois houve mais competitividade, ainda que o sérvio tenha sempre dado as cartas. Federer lutou, é verdade, daí os méritos de ainda reagir no segundo set, a partir de uma jogada espetacular de defesa e contraataque. Depois acabou ajudado é claro pela incrível quantidade de duplas faltas do cabeça 1 em pleno tiebreak.

Mas ainda assim o jogo estava bom. Para surpresa geral, Federer conseguia encarar Djokovic até nas trocas mais longas, com um backhand solto, e aí aconteceu sucessão de quebra, ótimos lances, emoção. Ao fazer 4/2, no entanto, o sérvio selou o destino do resultado. Notável a forma com que foi sólido no fundo e a intensidade que manteve. Jogou e venceu como um digno líder do ranking, exuberante na capacidade técnica e física, gigante na determinação.

Nole é automaticamente o favorito absoluto para Miami. Sem Federer, o cabeça 2 será Rafa Nadal e não seria exagero antever um reencontro entre ele e Djokovic, já que Miami se encaixa tão bem no estilo de ambos. A chave só sairá na segunda-feira, mas parece haver pouca gente gabaritada a surpresa na lenta umidade de Key Biscayne.

A chave feminina de Indian Wells ficou com a romena Simona Halep, num torneio atípico. Primeiro, derrota muito precoce de Maria Sharapova. Depois, o abandono de Serena Williams sem entrar em quadra. Confesso que torci para Jelena Jankovic sustentar a vantagem que tinha na final de hoje. Gosto de ver que a sérvia continua tentando evoluir, ser agressiva, ir à rede. Mas ao mesmo tempo é inegável a cabeça fria e a capacidade de reação de Halep, que joga muito mais do que a atenção que se dá a ela.

Por fim, vale mencionar a campanha vitoriosa de Orlandinho Luz no Internacional de Porto Alegre. Ainda que ele já pareça bom demais para jogar torneios juvenis fora dos Grand Slam, o ponto alto é a paixão com que os gaúchos olham para seu fenômeno. Cerca de 1.500 pessoas lotaram o Leopoldina Juvenil para ver e torcer pelo garoto, um público respeitabilíssimo para torneios brasileiros e incalculável para um evento não profissional.

Além do jogo alegre e vistoso, Orlandinho passa em mais um teste, o da pressão, o da cobrança, nesta altura inevitáveis para quem tem chamado a atenção até de treinadores estrangeiros. Sem trocadilhos, temos uma luz no fim do túnel.