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O que 2016 indica para o Ano Novo
Por José Nilton Dalcim
30 de dezembro de 2016 às 01:27

A temporada 2017 conseguirá ser melhor que 2016? Pergunta difícil de responder. Porque, consideremos, este ano que está quase no finzinho foi histórico para o tênis em muitos aspectos.

Tudo começou com a expectativa, que já vinha do ano anterior, de vermos Serena alcançar os 22 Grand Slam de Steffi Graf. Para surpresa geral, acabou superada com maestria pela canhota Angelique Kerber em Melbourne e desperdiçou nova chance em Roland Garros, caindo diante da eventual campeã Garbine Muguruza. Por fim, realizou a monstruosa tarefa no seu melhor Slam, Wimbledon. De quebra, se tornou a tenista, homem ou mulhor, com maior quantidade de vitórias de Slam em todos os tempos.

Serena no entanto não segurou a ponta do ranking e deixou escapar outra marca, a de semanas consecutivas na dianteira da lista. O tênis feminino finalmente coroou uma nova líder, curiosamente não tão nova assim: Kerber, com mais um grande troféu, agora no US Open, virou número 1 aos 28 anos. De ‘zebra’, virou estrela.

Depois que Novak Djokovic manteve a hegemonia na Austrália e embolsou tudo novamente nos Masters americanos, os olhos se voltaram para o tão sonhado troféu de Roland Garros. A tarefa era duplamente difícil e espetacular, porque permitiria que o sérvio se tornasse o segundo profissional a deter todos os Slam ao mesmo tempo. E o fez com categoria, com apenas dois sets perdidos – precisou virar os jogos contra Bautista e Murray. Com isso, apenas ele, Laver, Agassi, Federer e Nadal têm ao menos um título em cada Slam desde 1968.

Mas o circuito masculino também ganhou um novo Andy Murray. Eficiente no saibro, recuperou o reinado na grama de Wimbledon e obteve no Rio um feito único, o bi olímpico. Daí disparou na quadra dura, em que seu maior pecado foi a derrota nas quartas do US Open, num embalo que o levaria a tirar Nole do número 1, reafirmando depois a liderança numa partida histórica no Finals de Londres. Tal qual Kerber, um inédito líder quase ‘trintão’.

Houve três decepções, das grandes. Roger Federer jogou muito pouco, encerrou o calendário após Wimbledon, e Rafa Nadal viveu aos tropeços, com confuso abandono em Roland Garros e retirada do Finals. Ainda assim, Federer superou as marcas de Ivan Lendl (1.335 jogos e 1.071 vitórias), ficando agora só atrás de Jimmy Connors, e Nadal se tornou o quinto tenista com mais de 100 finais e igualou os 49 troféus no saibro de Guillermo Vilas, sem falar no ouro olímpico de duplas. Por isso, Maria Sharapova foi mesmo a nota totalmente negativa, já que foi suspensa após a Austrália e o máximo que conseguiu foi reduzir a pena para 15 meses.

Dois ‘veteranos’ enriqueceram o circuito. O retorno de Juan Martin del Potro foi além de qualquer expectativa e mostrou o tamanho de seu talento. Conseguiu mudar completamente o backhand e adicionou o jogo de rede. Viveu emoção atrás de emoção, desde a volta em si até as vitórias heróicas no Rio, o título em Estocolmo e o feito da Copa Davis, com direito a ovação inesquecível em Nova York. Perdeu justamente para Stan Wawrinka, que resolveu jogar o que sabe e embolsou seu terceiro Grand Slam, outra vez em cima de Nole.

Delpo e Stan têm de estar na lista dos tenistas capazes de barrar o Big 4 em 2017. Em qualquer torneio, até mesmo os Slam. Mas os candidatos a herói aumentaram e vemos agora um Milos Raonic mais versátil e maduro, um Kei Nishikori sempre perigoso – fez três dos melhores jogos do ano, todos contra Murray -, o potencial inegável de Dominic Thiem e os lampejos de Marin Cilic. Pode-se incluir Nick Kyrgios, Lucas Pouille e Alexander Zverev, de cujo potencial não dá para duvidar. São os três maiores candidatos a renovar o top 10.

O feminino tem bons ingredientes também. Serena, que anunciou ideia de se casar, conseguirá ainda retomar a ponta do ranking e adicionar mais um Slam, quem sabe alcançar os 24 de Margaret Court? Sua maior adversária parece mesmo ser Kerber, já que Vika Azarenka caminha para a maternidade e é difícil imaginar que Sharapova irá retomar o ritmo competitivo rapidamente. Não dá para imaginar Aga Radwanska, Simona Halep ou Garbine Muguruza na briga. Surpresa do ano, Karolina Pliskova é mais diversão do que ameaça. Mas qualquer uma delas pode beslicar uma final ou até mesmo um título de Slam em 2017. Halep é a mais completa; Aga, a lutadora; Pliskova, a imprevisível.

Outros feitos do ano
– Venus igualou a recordista Amy Frazier, com 71 Slam disputados, e assumirá o posto isolado no próximo Australian Open. Aos 36 anos, não tem intenção de parar em 2017.
– David Ferrer se tornou o 9º homem na Era Profissional a superar a casa de 1.000 partidas disputadas. Despencou para 21º do mundo, mas aos 34 anos está disposto a disputar o calendário completo mais uma vez.
– Daniel Nestor foi o primeiro duplista a superar a casa das mil vitórias na carreira (1.035) e foi seguido por Mike Bryan (1.018) e Bob Bryan (1.004).
– Monica Puig deu a primeira medalha de ouro ao esporte de Porto Rico com campanha irretocável no Rio, derrotando três campeãs de Slam (Kerber, Muguruza e Kvitova).

Balanço final
Este é o 201º artigo que publico em 2016, o ano que o Blog do Tênis completou 10 anos de existência.

Dá mais de um post a cada dois dias. Quase metade teve pelo menos 100 comentários e nada menos que 28 superaram a marca de 200. O recorde ficou com os 414 de ‘O Stanimal reaparece’, pouco acima dos 407 de ‘Djokovic pode superar Federer e Nadal pela primeira vez’.

Meu post predileto? O que saiu no dia em que Murray ganhou Wimbledon. ‘Murray já pode pensar no número 1′, mostrando que a distância daquele momento, de 4.845 pontos, poderia ser retirada ‘nas últimas semanas de 2016′.

Feliz Ano Novo a todos. Continuaremos juntos em 2017.

Lucro dobrado
Por José Nilton Dalcim
1 de setembro de 2016 às 00:48

Novak Djokovic nem entrou em quadra, mas foi o grande vencedor da quarta-feira em Nova York. O canhoto Jiri Vesely sofreu inflamação no braço esquerdo e desistiu de jogar, e logo depois Nole ainda pôde assistir a Milos Raonic dar adeus ao US Open com dor no punho e na coxa.

Não poderia haver momento mais oportuno para o sérvio ser premiado com um dia de folga, já que tudo que puder poupar seu punho esquerdo e o cotovelo direito será muito bem vindo. Na terceira rodada, pega o veterano Mikhail Youzhny e a única precaução é com o fato de que o russo adora o Open: fez duas semifinais e uma quartas, de longe o melhor de sua carreira num torneio desse nível. O russo não vence dois jogos seguidos num Slam há exatos três anos.

Diante de outro adversário que gosta de ficar no fundo e não tem potência para maiores aventuras, Rafa Nadal passou novamente em sets diretos. E poderia até ter simplificado a tarefa contra Andreas Seppi, mas deu algumas ‘viajadas’ no segundo set. De qualquer forma, é bom ver o espanhol mais agressivo, tentando trabalhar com o primeiro saque. Bem que poderia ficar menos recuado, sem ficar esperando o serviço pouco contundente do italiano lá no juiz de linha. Enfrentará agora o russo Andrey Kuznetsov, aquele que ganhou de Thomaz Bellucci jogando só do fundo.

E devemos continuar de olho em Marin Cilic. Vale lembrar que ele tirou set de Murray em Queen’s, teve match-point para ganhar de Federer em Wimbledon. Não foi tão bem no Rio, mas ganhou seu primeiro Masters em Cincinnati e parece enfim livre de contusões. Atropelou hoje Stakhovsky impiedosamente. Perdeu apenas nove pontos com o primeiro saque (5 para Rogerinho e 4 para o ucraniano).

Destaques
Uma boa e uma péssima notícia dos nossos duplistas. Thomaz Bellucci reatou a parceria com Marcelo Demoliner e os dois derrubaram os franceses Benneteau e Roger-Vasselin de muito respeito. André Sá, com o canhoto Chris Guccione, fez sua parte. Bruno Soares e o também canhoto Jamie Murray, protagonizaram um jogo estranho de muitos altos e baixos. Mas desastre mesmo veio com a queda de estreia de Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig, que vinham de dois títulos de Masters. Pior ainda, para dupla de última hora.

A chave feminina teve dois jogos bem malucos. Angelique Kerber dominava uma afoita Mirjana Lucic quando a coisa desandou, a croata ficou confiante e esteve com o tiebreak na mão para forçar um terceiro set. Tal qual na final de Cincinnati, Kerber ficou passiva esperando a adversária errar, o que não é a atitude recomendável.

Bem pior se saiu Garbine Muguruza. Abriu 4/2 e daí em diante foi um show de horrores, num jogo aliás tecnicamente sofrível. Suas quatro últimas derrotas tiveram placar incrivelmente elástico e uma postura desmotivada. Provavelmente, aquele conhecido efeito pós-traumático de quem vence um Slam e tem de administrar uma vida muito mais pública.

Drops
– Vesely desistiu de encarar Djokovic, mas aparece na programação de duplas desta quinta-feira. Deverá enfrentar Dominic Thiem, outro que se arrastou pela quadra na estreia mas também decidiu jogar dupla. Vai entender. Ao menos, Vesely continuará sendo, ao lado de Karlovic, os únicos top 100 em atividade com recorde positivo diante do número 1.
– Nadal ganhou um único título na quadra dura desde o título do US Open de 2013. E ainda assim foi 32 meses atrás, em Doha.
– Alexander e Mischa Zverev foram os primeiros irmãos a atingir a segunda rodada do US Open desde Byron e Wayne Black, em 1998.
– Como w.o. não conta, Djokovic permanece com 52 vitórias na temporada e poderá assim ser alcançado por Murray nesta quinta-feira. A diferença é de apenas uma derrota: 5 de Djoko contra 6 do escocês.
– Harrison já foi esperança americana. Aos 24 anos, ganhou sua segunda partida sobre um top 10 em 28 tentativas ao tirar Raonic. A anterior foi sobre Dimitrov, no ano passado. Ele não vencia em Slam desde Paris-2013 e precisou furar o quali neste US Open.
– Isner já fez 73 aces, 35 na estreia e 38 contra Darcis. Em um jogo só, Karlovic fez 61 na primeira rodada e bateu recorde do campeonato.

Maratona não afeta favoritos
Por José Nilton Dalcim
30 de junho de 2016 às 20:33

A tempestade provocada pelo preocupante atraso de jogos em Wimbledon parece ter passado. A menos que o mau tempo seja insuperável nos próximos dois dias, o torneio está salvo até as oitavas de final começarem. E, convenhamos, é a partir daí que qualquer Grand Slam esquenta para valer.

A sorte foi grande. Nomes importantes que estavam com grande atraso na programação completaram nesta quinta-feira seus jogos de estreia ou de segunda rodada sem esforço monumental. Casos de John Isner, que ainda estreava, ou de Kei Nishikori, Milos Raonic, Richard Gasquet, Marin Cilic e Bernard Tomic. Todos terão de estar novamente em quadra hoje para partidas muito mais difíceis.

Ainda assim é duro. Imaginem que, se Isner, Gasquet ou Jiri Vesely vencerem, terão de jogar de novo no sábado para tentar a vaga nas oitavas. Por enquanto, ninguém reclamou demais. Claro que entre os perdedores houve queixa, como Gilles Simon, que prometeu até processar o árbitro por ser forçado a jogar numa quadra que considerava lisa demais.

Para os britânicos, o que importa é que Andy Murray deu show, está na terceira rodada sem grande desgaste e terá o descanso normal para exercer no sábado seu amplo favoritismo diante de John Millman. Foi mesmo uma ótima atuação de Murray. Depois de sair atrás por 1/3, encurralou Yen Hsun-Lu e despachou todo seu rico arsenal: voleio cruzadinho, deixadas perfeitas, passadas na corrida, aces. E uma enorme vontade de correr atrás das bolas mais difíceis.

A grande surpresa ficou para Jiri Vesely, aquele que derrotou Novak Djokovic em Monte Carlo. Canhoto de golpes muito potentes, fez um duelo cheio de belos lances contra o então favorito Dominic Thiem, em partida de apenas uma quebra de serviço para cada lado e três tiebreaks sucessivos. Não à toa, Vesely ganhou o jogo com apenas três pontos a mais que o adversário (126 a 123). Aos 22 anos, o tcheco não é comumente citado entre os grandes potenciais da nova geração, mas já foi 35º do ranking e agora está bem perto de uma inédita presença em oitavas de Slam.

Na parte de cima, que deveria ter jogado ontem, valeu ver Grigor Dimitrov mais confiante e usando golpes bem apropriados para a grama, assim como preocuparam os altos e baixos de Kei Nishikori, que não se sente à vontade no piso natural do tênis. Todos estão no setor de Federer, e o suíço agradece. Raonic voltou a ter um primeiro set apertado e não empolgou em suas duas primeiras exibições.

Adiós, Garbiñe
Chacoalhada grande mesmo viveu a chave feminina, com a queda tão precoce de Garbiñe Muguruza. A campeã de Roland Garros e finalista de Wimbledon jogou muito mal, abrindo um buraco interessante que pode beneficiar Venus Williams, Lucie Safarova ou Sabine Lisicki.

Com problemas no punho – mais uma -, Belinda Bencic nem completou a segunda partida. A nota positiva cabe a Eugénie Bouchard, que passou por dois desafios e vai encarar Dominica Cibulkova. Quem ganhar, deve pegar Aga Radwanska, que bateu na trave e sofreu até 9/7 no terceiro set.

Sexta-feira
– Dois campeões de Slam não se cruzavam na segunda rodada de Wimbledon há oito anos. Daí os organizadores promoveram Wawrinka x Del Potro para abrir a Central e deslocaram Djokovic x Querrey para a Quadra 1.
– Nole tentará a 31ª vitória seguida de Slam, o que igualará o feito de Rod Laver na década de 60. Querrey ganhou 1 dos 9 duelos contra o sérvio, em Paris-Bercy de 2012.
– Federer fecha a Central contra outro britânico, Danel Evans, 91º do mundo. Nos últimos 47 Slam que disputou, o suíço só perdeu duas vezes antes das oitavas de final (Wimbledon-2013 e Austrália-2015).
– Olhos abertos, Nishikori, com esse Kuznetsov. O russo de 25 anos, campeão juvenil de Wimbledon em 2009, foi oitavas na Austrália e vem de vitórias sobre Cuevas e Muller.
– Kyrgios e Brown entram em quadra às 7h, mas quem puder deve tentar assistir. Dois jogadores habilitados para acrobacias, muito agressivos, adoram divertir o público. Aos 31 anos e 85º do ranking, Brown sequer tem treinador atualmente.