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Federer quebra outra barreira
Por José Nilton Dalcim
19 de março de 2017 às 21:07

Depois de acabar com espera longa para ganhar mais um Grand Slam, o suíço Roger Federer também recuperou a hegemonia em Indian Wells. Cinco anos depois do tetracampeonato, ele voltou a conquistar o deserto californiano e encerrou também o jejum de 19 meses sem conquistas em nível Masters. De quebra, superou a marca de Andre Agassi e agora é o tenista de maior idade a vencer um evento desse quilate, aos 35 anos e sete meses.

Faltou é verdade um pouco mais de emoção no 24ª duelo diante de Stan Wawrinka. Houve lances de grande qualidade de parte a parte, mas raros games equilibrados ou longas trocas de bola. O saque dos dois foi muito superior à devolução na maior parte do tempo. Federer cumpriu a promessa e entrou muito agressivo, mas encontrou Stan firme com o serviço. Só foi obter a quebra no 10º game. Uma estatística foi especial: enquanto Roger ganhou 83% dos pontos em que precisou do segundo saque, Stan apenas se deu bem em 27%.

O segundo set melhorou muito, principalmente porque Wawrinka se mostrou menos passivo e tentou tomar mais iniciativa, embora quase sempre com forehand. A bola dos dois andou muito o tempo tempo, favorecidos pelo calor de final de tarde perto dos 30 graus. A rigor no entanto Wawrinka jamais conseguiu ameaçar com seriedade o amigo. Acabou cedendo a quebra definitiva no último game. Muito justo, Federer completou com outro voleio o 25º Masters e o 90º troféu da carreira. Faltam apenas quatro para igualar Ivan Lendl.

Obviamente a pergunta que a maioria quer fazer é se Federer já virou candidato a lutar pelo número 1 do ranking. Calma. Ele soma agora 3.045 pontos na temporada, o que é curiosamente a exata soma dos segundo e terceiro colocados, Rafa Nadal (1.635) e Wawrinka (1.410). Mas enquanto qualquer tenista não atingir pelo menos a casa dos 7 mil pontos, não dá para dizer que ele tenha chance de terminar a temporada na liderança. O patamar médio para isso é de 10 mil pontos.

Dor de cotovelo
Incrível. Os dois líderes do ranking estão sofrendo do mesmo problema, contusão no cotovelo, e não disputarão o Masters de Miami, que começa já na quarta-feira. Tremenda perda para o torneio, mas muito pior para Nole. Atual campeão, ele perderá mais mil pontos na classificação e verá Andy Murray se afastar ainda mais, indo a 4 mil de diferença.

Os dois estão fazendo uma temporada apagada. Decidiram Doha na primeira semana do ano, e a vitória do sérvio parecia animar a briga pela ponta. Mas foram decepções maiúsculas em Melbourne. O escocês ainda ganhou aos trancos e barrancos Dubai, enquanto Djokovic foi batido duas vezes por Nick Kyrgios em plena quadra dura.

Embora ainda seja tão começo de calendário, é um tanto chocante ver Murray na 10ª posição do ranking da temporada, atrás até mesmo de David Goffin e Pablo Carreño, mas pior ainda está Djoko, apenas 18º e com quase metade dos pontos do britânico.

A expectativa é que os dois voltem no saibro lento de Monte Carlo, onde Djokovic foi campeão em 2015 mas perdeu na estreia no ano passado. Murray nunca passou da semi e em 2016 caiu diante de Nadal.

Além deles, Miami também não verá o experiente trio francês formado por Monfils, Tsonga e Gasquet. A ótima notícia é que Thiago Monteiro se livrou do qualificatório e entrou direto. O sorteio da chave acontecerá na segunda à noite e os primeiros jogos masculinos, na quarta. Stan será cabeça 1, seguido por Kei Nishikori. Se Milos Raonic desistir, Federer sobe para cabeça 3 e Nadal, 4. Isso evitaria um novo ‘Fedal’ antes de uma possível final.

Vesnina, um exemplo
Repleto de surpresas ao longo de seus 10 dias, Indian Wells também viu uma final feminina entre duas tenistas com mais de 30 anos, embora de currículos muito distintos. Sveta Kuznetsova ganhou dois Grand Slam, o primeiro deles há quase 13 anos, e Elena Vesnina só agora faturou o maior troféu da carreira.

O fato espetacular é que Vesnina sequer passou da primeira rodada do quali de Indian Wells de 2016. Era 86ª do ranking. Persistiu. “Acho que sou um exemplo para as outras tenistas de que tudo é possível”, garantiu.

Com um tênis ofensivo, Vesnina era bem mais conhecida como duplista, com dois troféus de Slam, o título olímpico no Rio e no Finals de 2016. Nesta incrível campanha em Indian Wells, derrotou a futura número 1 Angelique Kerber e na sequência tirou Venus Williams sempre com tênis elegante e muito empenho. Será pela primeira vez a 13ª do mundo e vira mais uma força na temporada.

Chave de ouro
Por José Nilton Dalcim
14 de agosto de 2016 às 22:45

Até Zeus parou tudo lá no Olimpo para apreciar esta final olímpica de tênis. Jogo perfeito para encerrar uma competição empolgante, movida a suor e lágrimas, com campeões inesperados, feitos históricos, torcida intensa e participante, exposição máxima do tênis na mídia mundial.

Andy Murray e Juan Martin del Potro competiram palmo a palmo com o máximo de qualidade e coração que podiam dar, e isso é o que se espera de dois ícones. Usaram ao máximo suas melhores armas, porém não relutaram em adotar outras, menos comuns. O argentino explorou claro o saque e o forehand, mas deu deixadinhas e voleios lindos. Murray se defendeu como um louco, fez espetáculos com o backhand, mas também bateu o forehand e deu slices estonteantes.

O jogo se desenrolou tão intenso que merecia um quinto set e nem sei dizer se merecia um vencedor. Mas o esporte é assim, exige um campeão e o bi olímpico está nas excelentes mãos do versátil escocês. O melhor de tudo no entanto esteve no renascimento completo de Delpo, que se superou até no aspecto físico, mostrando aquela garra que tanto conhecemos e golpes que tanta fazem ao circuito.

O domingo foi excelente nas outras disputas olímpicas. Embora com nível técnico muito inferior e mais emocional, Kei Nishikori tirou o bronze de Rafael Nadal em jogo que aconteceu de tudo. O espanhol entrou lento, teve de mudar o padrão tático e o adversário disparou, com 6/2 e 5/2. Aí começou outra partida, com o Rafa lutador e o Nishikori vacilante. Até por fim uma quebra no terceiro set ter definido a primeira medalha olímpica do tênis japonês em 96 anos. A se lamentar apenas a forma protocolar com que Kei comemorou o feito.

Bem diferente do entusiasmo contagiante das russas Ekaterina Makarova e Elena Vesnina e muito mais ainda de Bethanie Mattek-Sands, que faturou as mistas com Jack Sock. Até Martina Hingis e Timea Bacsinszky estavam emocionadas ao receber a prata para a Suíça.

Tomara que todas essas imagens cativantes atinjam os dirigentes e que eles repensem a bobagem que é a briga de egos que só prejudica o esporte. Os tenistas, que são os que importam, deixaram bem claro o valor de disputar as Olimpíadas, com ou sem pontos. Curtindo a Vila, sem se importar com os patrocinadores pessoais – Bellucci por exemplo trocou Adidas e usou Asics na quadra e Nike no dia a dia -, preocupados apenas em dar espetáculo, lutar pela vitória e buscar a glória.

Zeus hoje dormiu mais feliz.

Quatro favoritos, poucas certezas
Por José Nilton Dalcim
5 de julho de 2016 às 19:00

Andy Murray, Roger Federer, Milos Raonic e Tomas Berdych. Se o tênis fosse uma ciência exata, nem precisaríamos disputar as quartas de final de Wimbledon. Felizmente, os dias nunca são iguais numa quadra e assim até o mais inusitado pode acontecer. O tempo nos ensina no entanto que na grama a experiência tem um peso maior do que o normal, e isso só faz crescer a expectativa. Vejamos os fatos e como os favoritos poderão ser surpreendidos.

Murray tem incrível histórico de 12-2 contra Jo-Wilfried Tsonga, um placar muito elevado diante da qualidade de ambos. Mas vale destacar que 5 aconteceram na grama, e o britânico ganhou todos, 2 deles em Wimbledon. A única vitória do francês num Slam foi na Austrália de 2008. Junte-se a isso o fator torcida e temos um favorito claro. O que Tsonga pode fazer para mudar isso? Sacar muito e ser agressivo na devolução, especialmente de segundo saque. Terá de ousar o tempo todo. Murray busca ser o segundo profissional a atingir 100 vitórias na grama.

Não é fácil encarar o saque de Marin Cilic quando ele está inspirado, mas Federer sempre se virou bem até ser atropelado na semi do US Open de 2014. Nunca mais se cruzaram e ambos chegam à revanche com dúvidas. O suíço vive temporada atípica com apenas 26 jogos disputados e Cilic ainda tenta recuperar seu melhor tênis depois de tantas contusões. Como sempre, Federer está diante de novas façanhas históricas, as principais delas igualar as 11 semifinais e 84 vitórias de Wimbledon de Jimmy Connors. O ponto frágil de Federer nesta curta temporada de grama tem sido a devolução de saque, então Cilic precisa apostar tudo em um alto índice de acerto do primeiro serviço. E se preparar para dor lombar, porque vai receber muito slice.

Raonic chega às quartas credenciado por uma temporada mais consistente e suporte de McEnroe e Moyá, o que não é pouco. Mas não dá para cravá-lo como favorito absoluto diante do perigoso Sam Querrey. Claro que pesa para o canadense já ter feito semi em Wimbledon e em outros dois Slam, algo que o americano de 28 anos ainda sonha. Daí controlar a ansiedade será fator determinante. Grandes sacadores, é bem provável que os sets acabem no tiebreak e aí vale observar que Raonic tem o melhor índice de 2016, com 20 vencidos em 25. Isso dá uma tremenda confiança. Curiosamente, os dois já viraram placar de 0-2 neste torneio.

Berdych e Lucas Pouille parece barbada em duelo inédito no circuito. O tcheco está em sua 15ª presença em quartas de Slam – 4 apenas em Wimbledon – contra a primeira experiência do francês de 22 anos e estilo eclético. Os dois vêm de partidas longas. Berdych manteve a sina de jamais perder num quinto set no torneio em cinco jogos. Tem bola muito pesada e isso deixará Pouille pressionado na linha de base, com pouca chance de atacar. O francês no entanto tem boa mão e precisar mexer o adversário para os lados e para a frente. É difícil, mas não impossível.

70 anos de Williams
As semifinais femininas terão uma média de idade incrivelmente alta: 31 anos. Mas a culpa maior é das irmãs Williams: juntas, Serena e Venus somam 70 anos de competência e conquistas na grama sagrada. São 16 troféus em Wimbledon, seis de uma, cinco de outra, cinco da dupla. Já tem muita gente torcendo para revê-las na decisão de sábado, o que seria a nona entre elas e a quarta no torneio.

A tarefa é um pouco mais fácil para Serena, porque vai encarar a grande surpresa Elena Vesnina, terceira russa seguida na sua vida. Aos 29 anos, Vesnina mostrou que pode no entanto dar trabalho, porque sacou bem, foi muito agressiva e não tirou o pé do acelerador até derrubar Dominika Cibulkova em tarde de gala. Como Serena também adora dominar os pontos logo, fica a expectativa de uma partida eletrizante na quinta-feira.

Venus não chegava a uma semifinal de Slam há seis anos e certamente tem o apoio do público por sua simpatia e história de superação admirável. Porém, enfrentar Angelique Kerber exigirá muita perna. A alemã sofreu demais com o serviço diante de Simona Halep, porém é uma jogadora de estratégias firmes e inteligentes. Campeã do Australian Open, tenta ser a primeira mulher fora Serena a ganhar dois Slam numa mesma temporada desde Justine Henin em 2007.

Com fome de bola, as Williams estão ainda nas quartas da chave de duplas e podem cruzar justamente Vesnina, ao lado de Ekaterina Makarova. O que pode ser uma prévia da final olímpica do Rio.

Bruno avança
O único Grand Slam em que Bruno Soares ainda não fez semifinal é Wimbledon. E o momento não poderia ser mais apropriado, já que a seu lado está outra prata da casa, Jamie Murray. Pena que ainda não conseguiram jogar nos grandes estádios, porque aí a torcida pesaria mais.

A missão porém é especialmente difícil. Depois do sufoco maratônico, pegam nas quartas Julian Benneteau/Edouard Roger-Vasselin, que tiraram os campeões de 2014 Jack Sock/Vasek Posposil. E depois ainda devem vir os irmãos e três vezes vencedores Bob e Mike Bryan, sem falar que os favoritos são Nicolas Mahut/Pierre Hughes. Tomara que a TV mostre tudo isso.