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Federer abre a grande semana
Por José Nilton Dalcim
27 de fevereiro de 2017 às 13:26

Não foi o melhor dos Roger Federer, com alguns erros bobos, precipitações e pernas preguiçosas. Ainda assim, o suíço passeou na quadra consideravelmente veloz de Dubai em seu retorno ao circuito, praticamente um mês depois da conquista inesperada do Australian Open. No duelo diante dos toques habilidosos e bom saque de Benoit Paire, ele sobra.

A missão de Federer em Dubai não parece fácil. As duas primeiras rodadas são tranquilas, mas ele pode pegar Lucas Pouille antes de rever Andy Murray na semi e, se passar, possivelmente Stan Wawrinka na final. Há uma expectativa extra pelas apresentações do número 1 do mundo, que por enquanto não brilhou na temporada e pode ter a confiança comprometida de vez.

A semana promete ser intensa no circuito masculino. Bem longe dali, em Acapulco, Novak Djokovic, Rafael Nadal, Marin Cilic, Dominic Thiem e Nick Kyrgios se embolam num torneio imprevisível. Sim, porque Nole só fez três jogos desde o título de Doha, o espanhol desistiu de dois torneios depois do vice em Melbourne, Thiem vai experimentar outra mudança de piso e fuso. Cilic e Kyrgios ainda estão devendo em 2017.

Para os amantes do saibro, o Brasil Open do Pinheiros é mais uma chance para Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro e Rogério Silva colecionarem pontos antes de uma fase difícil em que terão torneios muito seletivos para jogar. A chave tem nomes fortes no saibro, como Pablo Carreño, Albert Ramos, Pablo Cuevas e Fabio Fognini, sem falar no festival de argentinos. Tomara que a maior altitude de São Paulo ajude os brasileiros.

A dream in Rio
O Rio Open acabou com uma de suas melhores finais. Dominic Thiem volta a mostrar que o saibro é sua autêntica praia e, se colocar juízo na cabeça, pode fazer uma grande temporada na Europa e até se candidatar seriamente para Roland Garros. Não pode exagerar no calendário como tem feito, porque isso já tem lhe custado seguidas contusões.

Leio que os promotores estão satisfeitos com os elogios rasgados dos tenistas à organização – e tem sido mesmo impecável e atenciosa – e com a presença do público, média de 6 mil pessoas por dia. Talvez seja uma estimativa exagerada, mas para um torneio no Brasil, com ingressos salgados, não foi mesmo ruim.

O sonho do Rio é virar um Masters 1000. Será uma briga dura. Acapulco está na fila, à espera de uma vaga há vários anos, disposto a comprar uma data por US$ 120 milhões, como afirmou seu diretor ao jornal Ás. Eles estão fazendo um ATP 500 caríssimo, pagando horrores de cachês. É um concorrente peso pesado.

Renovação
A entrada de Elina Svitolina no top 10 do ranking, com a excepcional conquista de Dubai, é mais um sinal da renovação do circuito feminino. Nesta segunda-feira, quatro das 10 primeiras do ranking têm menos de 25 anos e apenas duas estão acima dos 30. Se olharmos o masculino, só há um abaixo dos 25, quatro na casa dos 30 e dois caminhando rapidamente para lá.

Desde o ano passado, Svitolina chama a atenção para seu tênis vigoroso, de muita força nos golpes e nas pernas, mas também apuro tático e firmeza mental. Precisa ainda provar regularidade em outros torneios grandes. Valha a pena ficar de olho.

Dito e feito
Por José Nilton Dalcim
21 de fevereiro de 2017 às 23:17

Felizmente, a previsão se confirmou. Thomaz Bellucci se aproveitou da natural dificuldade que Kei Nishikori teria de se recuperar do cansaço e de se adaptar às condições do Rio. Acabou enfim a longa série de 22 derrotas seguidas para top 10, marcou sua segunda vitória sobre um top 5 e o tênis brasileiro já garantiu seu representante nas quartas de final do Rio Open, já que haverá duelo direto entre ele e Thiago Monteiro.

Bellucci nem chegou a ser brilhante, mas fez o que tinha de fazer. Aproveitou a chance certa de quebrar no primeiro set, mantendo uma alta produtividade com o primeiro saque e com a segunda bola, e vimos o frio Nishikori perder as estribeiras, arrebentando a raquete após perder o primeiro set.

O canhoto brasileiro poderia ter simplificado ainda mais a tarefa quando teve 2/1 e 40-0, mas voltaram seus fantasmas. Sofreu quebra absurda e virada. Bastou ter novamente paciência para trabalhar os pontos e a pressa, sempre inimiga da perfeição, atrapalhou o número 5 do ranking. Nishikori faturou um ótimo cachê – algo em torno de US$ 500 mil – porém sentiu a dureza que é jogar no verão sul-americano.

Pouco antes, Monteiro deu um susto e fez um primeiro set sofrível. O português Gastão Elias não é bobo no saibro e estava com muita perna. Poderia ter ganhado o jogo se uma bola não saísse por milímetros no meio do tiebreak. Daí em diante caiu de produção, ainda que tenha dado trabalho em todo o terceiro set. O cearense jogou bem menos do que fizera em Buenos Aires na semana passada.

E o que pode acontecer no duelo dos nossos canhotos? Quem acompanha os costumeiros treinos dos dois, atesta que Monteiro ganha muitas vezes. Mas o cearense tem um enorme respeito e admiração pelo amigo, que já lhe deu muitas dicas valiosas. Não por acaso, o padrão de jogo de ambos se assemelha cada vez mais, ainda que Bellucci tenha saque superior.

E não vamos esquecer que o vencedor do duelo brasileiro terá Roberto Carballes ou Casper Ruud nas quartas, ou seja, boa chance de dar mais um passo. O outro quadrante pode ser Alexandr Dolgopolov x Pablo Carreño, aí sim um páreo bem mais duro. ‘Dog’ atropelou David Ferrer e mostrou que não está para brincadeiras.

Como destaque do outro lado da chave, Dominic Thiem mostrou notável adaptação às dificuldades. Veio do frio, chegou em cima da hora, trocou de piso e de horário e ainda assim mostrou um tênis bem razoável para eliminar o esforçado Janko Tipsarevic. O ruim é que terá de jogar amanhã de novo. Vale lembrar que ele deixou escapar pelo menos o vice do ano passado ao exagerar o esforço e disputar uma dupla até o final da noite.

A estrela sobe
Por José Nilton Dalcim
12 de fevereiro de 2017 às 21:49

Alexander Zverev é, cada vez mais, o grande nome da nova geração. Ainda vai completar 20 anos em abril e já ostenta dois troféus de simples e um de duplas de nível ATP. Se pensarmos que sua carreira efetiva começou em 2015, é um salto e tanto.

Há muitos detalhes que apontam para um futuro brilhante. Só os números já dizem muito. De suas 69 vitórias de primeira linha, 37 foram na quadra dura, 21 no saibro e 11 na grama. Tem quatro vitórias sobre top 10, porém a lista de triunfos sobre nomes expressivos é relevante: Roger Federer, Stan Wawrinka, Dominic Thiem, Tomas Berdych, Marin Cilic, David Goffin, Grigor Dimitrov, John Isner e Jack Sock. Já tem quatro finais de ATP, com dois títulos na quadra dura coberta. Quando precisou jogar sets decisivos, venceu 29 e perdeu 20.

De onde vem todo esse sucesso? Zverev foi moldado como o tenista mais moderno possível: saque poderoso, forte jogo de base dos dois lados. Tem defeitos? Claro. A transição à rede ainda é imperfeita e os voleios precisam ser trabalhados. Com 1,98m, pode melhorar a movimentação, embora é claro isso nunca será seu ponto forte. Precisa aprender a dosar a energia em jogos mais longos, que muitas vezes escapam por falta de pernas. A cabeça no entanto chama muito a atenção. Embora ‘reclamão’, não tem medo de ousar, seja quem for do outro lado da rede. O exemplo perfeito foi neste domingo contra o tricampeão Richard Gasquet dentro de Montpellier.

Não menos notável é o fato de ele ter conquistado também o título de duplas neste domingo, ao lado do irmão mais velho Misha. Outra prova de sua versatilidade, embora certamente as duplas estejam num plano muito distante neste momento.

A campanha dará a Zverev o 18º lugar do ranking, seu recorde pessoal, mas ainda com pouca chance de sonhar com o top 15, já que está 520 pontos atrás de Nick Kyrgios. Ele no entanto pode subir novos degraus em Roterdã, a partir de terça-feira.

Não menos animadora foi a atuação de Grigor Dimitrov em Sofia. Diante de seu público pela primeira vez, ele lotou arquibancada a cada rodada. Se isso é um incentivo, também se torna uma pressão. Mas ele repetiu as boas atuações de Brisbane e Melbourne, controlando os nervos e sabendo a hora certa de atacar. Gannou 14 de 15 partidas na temporada, sendo seis sobre top 20 e três em cima de top 10. Agora 12º do ranking, ele não descansa e também segue direto para Roterdã.

Na contramão da juventude, o dominicano Victor Estrella imitou Guga e fez um coração no saibro de Quito para consagrar seu tricampeonato consecutivo. Aos 36 anos e seis meses, ele sobreviveu a jogos duríssimos, com três viradas, sete tiebreaks jogados e quatro match-points evitados, eliminando os cabeças 1, 3 e 4. Seu adversário foi Paolo Lorenzi, que vai fazer 36 em dezembro e vinha da maratona da Copa Davis contra a Argentina. Estão em incrível forma.

Vai entender
Além de fazer um calendário extremamente exigente, mesmo para seus 23 anos, o austriaco Dominic Thiem ainda gosta de complicar as coisas. Acaba de perder na estreia de Sofia, entrou em Roterdã e daí dará um salto para o saibro do Rio, verdadeiro oásis, já que na semana seguinte terá de voltar à quadra dura para Acapulco.

Ou ele se acha bom demais no saibro para disputar um ATP 500 sem qualquer preparação mínima e adequada, ou então virá mesmo só atrás do cachê e da sorte. Não dá para imaginar que ele conseguirá um tênis digno saindo do frio e quadra coberta para o verão carioca.

Alerta
Importante alerta foi dado por Fernando Roese, capitão do time da Fed Cup, que chegou ao cúmulo de disputar neste sábado duelo de rebaixamento do Zonal Americano com a Bolívia. ‘Precisamos formar mais jogadoras’, pede o experiente treinador.

Compromissadas com a carreira individual, Paula Gonçalves e Bia Haddad não foram chamadas. Teliana Pereira tentou, mas perdeu três dos sete jogos que disputou entre simples e duplas. A boa notícia foi a estreia de Luísa Stefani, que entrou em momentos complicados e mostrou competência. Ela está cursando Universidade nos EUA.

Outras
– Juan Martin del Potro esticou ao máximo e retornará ao circuito em Delray Beach, na próxima semana, mesmo torneio aliás em que marcou sua volta no ano passado. Depois, vai a Acapulco e Indian Wells.

– Thomaz Bellucci perdeu pelo terceiro ano seguido para Victor Estrella no saibro alto de Quito. Ele pulou Buenos Aires, onde nunca se deu bem, e preferiu se preparar para Rio e São Paulo. Curiosamente, Thiago Monteiro é quem vai pegar Estrella na Argentina.

– Agora 154º do ranking, enfim Ernests Gulbis está de volta. Tentou o quali de Roterdã e a vaga na chave escapou por muito pouco. O letão não jogava desde Toronto por causa do ombro e não vence um jogo de chave principal desde Roland Garros.