Arquivo da tag: Copa Davis

Quinta chance
Por José Nilton Dalcim
18 de setembro de 2016 às 22:26

O maior sonho do tênis argentino é ganhar uma Copa Davis. Não conseguiu com Guillermo Vilas, Guillermo Coria, Gaston Gaudio ou David Nalbandian. Amargou uma chance dentro de casa, há oito anos, e perdeu em 2011 novamente para a Espanha. Agora, terá de ir à Croácia de Marin Cilic, Borna Coric e Ivan Dodig, provavelmente numa quadra dura coberta e veloz. Será que enfim vai dar? Vou torcer muito.

Argentina e Croácia conseguiram grandes feitos nesta Davis. Na segunda rodada, fora de casa, os croatas marcaram uma incrível virada em cima dos Estados Unidos. Aliás, desde então Cilic deu uma guinada na sua temporada e passou a jogar como em 2014. Notável o fato de ele e Dodig terem vencido os irmãos Bryan e os franceses Herbert e Mahut, algo que deixa bem claro a versatilidade de Cilic e seu compromisso com o time, disputando todos os pontos importantes. O garoto Coric, por sua vez, tem seus altos oe baixos, mas ganhou duas vezes o quinto jogo neste ano..

O retorno de Del Potro deu outra cara ao time argentino, porque ganhou um verdadeiro líder e um tenista diferenciado. Mas não podemos esquecer que Leonardo Mayer e Guido Pella bateram a Polônia na quadra dura e depois Juan Mónaco e Federico Delbonis fizeram as simples no saibro italiano. Ou seja, não é um grupo espetacular porém homogêneo, mesclando experiência com recursos diversificados. Eles podem contar com o bom saque de Mayer ou com os spins dos canhotos Delbonis e Pella, conforme a situação exigir. Ainda falta uma dupla confiável.

Por isso, foi um susto, claro, quando Mayer entrou para substituir Delpo no jogo decisivo deste domingo. Só posso imaginar que a presença de Delpo na dupla de sábado já era baseada no fato de que ele estava esgotado do jogo da sexta-feira e não iria mesmo aguentar mais cinco sets.

Então foi para o sacrifício da dupla. Mayer, não devemos esquecer, já tem confrontos 10 disputados e 11 vitórias em 14 simples. Está em 114º por causa de contusão, porém beirou o top 20 no ano passado antes da tendinite no ombro. Essa rodagem ficou clara quando ele perdeu o primeiro set para Daniel Evans e jamais se desesperou. Jogou na verdade cada vez melhor. E vamos combinar: os britânicos continuam a ser um time de um tenista só.

A repescagem por sua vez confirmou Austrália, Bélgica, Alemanha, Japão, Canadá e Suíça no Grupo Mundial, enquanto Espanha e Rússia retornam à elite. Destaque para a surpreendente vitória dos reservas suíços, com ponto decisivo obtido por um garoto canhoto de 19 anos, Antoine Bellier.

E o Brasil saiu de Oostende sem qualquer vitória. O ato definitivo da tragédia coube à derrota de Thomaz Bellucci para o desconhecido Joris de Loore, 190º do ranking. Tudo bem, o piso não nos agrada e os belgas têm bons jogadores, tanto que foram finalistas da Davis no ano passado, mas o desempenho geral foi muito abaixo do que se esperava. A derrota na dupla, acima de tudo.

Ficamos no zonal americano de novo, desta vez ao lado de Chile, Colômbia, Equador, Peru e República Dominicana ou Barbados. Deveremos ser cabeças junto com os chilenos e assim disputar apenas uma rodada antes de outra possível repescagem.

A nota triste é ver a outrora poderosa Suécia tendo de disputar contra Israel quem irá cair para a terceira divisão. Com enorme dificuldade na renovação, escalaram os irmãos Elias e Mikael Ymer e perderam por 5 a 0 dos holandeses.

Argentina já pode sonhar com outra final
Por José Nilton Dalcim
16 de setembro de 2016 às 23:34

E Juan Martin del Potro aprontou mais uma. Esta foi das grandes, porque afinal derrotar Andy Murray dentro de Glasgow, com 90% dos 10 mil torcedores a incentivar o escocês e número 2 do mundo, é daquelas vitórias para ficar na história.

Para mim, a surpresa não foi Delpo ter vencido Murray, mas sim tê-lo feito no quinto set. Vamos recordar que o argentino teve dificuldades com partidas longas no Rio e em Nova York, onde claramente lhe faltaram pernas e não categoria. Desta vez, aguentou 5h07 de uma partida intensa e em que perdia por 2 sets a 1.

Delpo aumenta assim seus feitos na temporada de recuperação, tendo vencido quatro dos grandes nomes. E isso ainda sem bater o backhand, exceto para uma passada ou outra, porém longe do golpe pesado que possuía antes das cirurgias. Ou seja, com slice e jogo de rede aprimorados, pode-se esperar um tenista ainda mais perigoso em 2017, qualificado para brigar lá no top 10.

A incrível façanha de Del Potro em Glasgow abriu caminho para a classificação argentina à final da Davis, já que Guido Pella se inspirou e superou o esforçado mas limitado Kyle Edmund. Mesmo com a provável derrota na dupla e da queda de Pella para Murray no domingo, parece impensável que Edmund vença Delpo no quinto jogo. Não me surpreenderia se Daniel Evans entrasse caso o duelo chegue até lá.

A outra semi continua imprevisível depois das vitórias de Richard Gasquet e Marin Cilic. A dupla será vital e há favoritismo natural de Herbert/Mahut. Como Cilic deverá ganhar de Gasquet, é bem grande a chance de também termos um quinto jogo, este decidido por dois nomes da nova geração: Pouille e Borna Coric.

Brasil precisa de uma mágica
Era um duelo em que qualquer coisa poderia acontecer. Para nosso azar, aconteceu a pior delas: derrota previsível de Thiago Monteiro contra David Goffin e virada dolorosa de Thomaz Bellucci frente a Steve Darcis. Não nos encontramos no piso sintético coberto, que nem é o melhor de Goffin.

Claro que seremos favoritos na dupla de sábado e aí teríamos de torcer para Bellucci reencontrar seu jogo diante de Goffin e repetir a vitória do Rio. Claro que para isso teria de sacar muito mais do que fez hoje e não cometer tantas escolhas erradas. Se tudo isso acontecer, ainda veremos Darcis como amplo favorito diante de Monteiro no quinto jogo. O canhoto cearense lutou muito na sua merecida estreia como titular da Davis, mas mostrou evidente desconforto com a quadra um tanto rápida.

Nas outras repescagens, Austrália, Japão, Espanha, Alemanha e Canadá estão a um passo do Grupo Mundial como não poderia deixar de ser. A pequena surpresa veio do time reserva suíço, que foi ao saibro do Uzbequistão e arrancou um empate no primeiro dia. Os jogos de Rússia e Cazaquistão foram adiados por chuva.

Poderia ser pior
Por José Nilton Dalcim
19 de julho de 2016 às 13:41

O tênis brasileiro terá de ir à Bélgica para a repescagem de setembro. Vai encontrar um piso certamente veloz e coberto, talvez esteja diante de um top 10 se David Goffin der o salto que tanto se espera dele, porém não é o fim do mundo. Poderia ser bem pior, como encarar Austrália, Espanha, Canadá ou Japão lá fora.

Thomaz Bellucci já ganhou de Goffin na quadra dura, em 2013, mas perdeu em janeiro deste ano em Brisbane por duplo 6/4. Os outros quatro possíveis titulares da Bélgica figuram entre 120 e 200 do ranking. Se optarem pela quadra veloz, boa chance de entrar Steve Darcis, a quem nunca Bellucci enfrentou, ou até mesmo Ruben Bemelmans, que levou nosso número 1 ao quinto set em Wimbledon semanas atrás.

A maior vantagem brasileira, como sempre, está nas duplas. Nenhum belga aparece sequer entre os 200 primeiros. Goffin já jogou ao lado de Darcis e de Bemelmans, mas o coerente seria  poupar o número 1 belga no sábado. De qualquer forma, nossos mineiros levariam todo o favoritismo.

O grande problema no entanto continua: a falta de um segundo jogador de simples com intimidade com os pisos mais velozes, algo que Rogerinho Silva está longe e Thiago Monteiro, muito mais ainda. Provavelmente, iremos de Rogerinho – que afinal tem ganhado partidas no US Open – mas daria até para arriscar com João Souza, caso recupere a confiança até lá. Feijão saca muito mais do que os dois concorrentes, não há dúvida.

O que me dá esperança real é saber que Bellucci sempre joga muito mais quando enfrenta um adversário superior e sem qualquer pressão de vitória.

Aliás, Brasil e Bélgica podem dar as melhores emoções da repescagem, porque quase todos os demais confrontos têm favoritos absolutos, caso da Espanha mesmo fora contra a Índia, Canadá em casa frente o Chile, assim como Austrália, Japão e Rússia de mandantes. Fica alguma expectativa para a Suíça, que irá ao Uzbequistão. Sem seus dois top 10, será difícil ganhar.

No limite do top 100
Li e ouvi muita gente lamentando a ausência de Thiago Monteiro no duelo contra o Equador, mas particularmente acho que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido a ele. Ficou livre para ir à Europa e aproveitar os fraquíssimos qualificatórios de Hamburgo e Gstaad. Venceu ainda na chave, embolsou bom dinheiro e fica bem pertinho do top 100.

Matematicamente, tem até chance de chegar lá se derrotar Gilles Simon nas oitavas de Gstaad, desde que concorrentes diretos percam logo. Mas, se não for agora, parece apenas mais uma questão de tempo para o canhoto cearense entrar no bloco tão sonhado do tênis profissional. E olha, vencer Simon no saibro não é algo tão difícil assim, apesar de que a altitude deixa as condições velozes e mais ao jeito do experientíssimo ex-top 10.

No movimento contrário, preocupa a temporada de Teliana Pereira: apenas cinco vitórias em 23 partidas disputadas, alguma delas sem sequer dar trabalho a adversárias sem muito currículo, quase todas ainda por cima no saibro. Me parece inevitável a queda para fora do top 100. Talvez isso ajude a enfim tirar a pressão de defender tantos pontos em 2016. Ainda há tempo para recomeçar.