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Sufoco inesperado
Por José Nilton Dalcim
18 de julho de 2016 às 00:08

Talvez nem mesmo os equatorianos imaginassem que seria possível dar tanto trabalho ao time brasileiro na Copa Davis deste fim de semana. Com apenas dois titulares, nenhum deles com bom currículo ou ranking entre os top 300, os visitantes tiraram set até da nossa poderosa dupla, meteram 6/0 em Rogério Silva e exigiram muito do experiente Thomaz Bellucci. Isso tudo com torcida contra, ainda que bem comportada.

Mas afinal o que aconteceu na quadra sintética coberta de Belo Horizonte? Acho que antes de tudo foi o Equador quem jogou acima do esperado, buscando um jogo muito mais agressivo do que os brasileiros. Adaptaram-se perfeitamente ao piso, usaram bem o saque, jogaram como gente grande. Faltou ritmo a Rogério Silva, que esteve no saibro praticamente toda semana desde abril, e a pressão ficou maior em cima de Thomaz Bellucci. Felizmente, na hora h, deu a lógica. Suada, mas deu.

Diante de tanta dificuldade contra um time de pouca tradição, temos de esperar mesmo muita sorte na terça-feira quando for definido nosso adversário da repescagem de setembro. Com mínima chance de Roger Federer ou Stan Wawrinka virem, não seria nada ruim pegar Suíça aqui.

Também seremos sede contra a perigosa Bélgica de David Goffin, a Alemanha que tem jogadores para qualquer piso ou num sorteio de sede contra o Japão de Kei Nishikori ou o menos cotado Cazaquistão. Só não dá para pensar em Austrália, Espanha ou Canadá, todos fora. Continuamos dependendo muito da torcida e do saibro para sofrer um pouco menos na Copa Davis.

Visitantes levam tudo
Algo bem raro na Copa Davis, todos os visitantes ganharam nas quartas de final do Grupo Mundial deste fim de semana, numa rodada em que 9 dos top 10 não estiveram em quadra, já que Novak Djokovic, Andy Murray e Tomas Berdych preferiram o descanso. Dominic Thiem nem quis saber de zonal europeu. O bom é que isso deu espaço para que dois nomes da nova geração brilhassem.

Houve de fato vários heróis. Me impressionou muito Kyle Edmund no saibro lentíssimo que a Sérvia escolheu. Com a missão de substituir Andy Murray, o rapaz se superou, ganhou seus dois jogos de simples e mostrou que pode mesmo ser um nome à altura, principalmente na semifinal contra a Argentina.

Não menos elogiável foi a postura do canhoto Federico Delbonis, que derrotou Andreas Seppi num sempre difícil primeiro jogo de confronto e depois ganhou de Fabio Fognini na hora de fechar o placar. Conhecido por suas tremedeiras, atuou de forma corajosa o tempo todo. Vamos ver qual piso os britânicos irão escolher, já que grama em setembro é complicado. O mais provável será um sintético coberto rápido, o que obrigará los hermanos a colocar Juan Martin del Potro nas simples.

Marin Cilic foi de vilão a herói em Portland. Na sexta-feira, permitiu virada de Jack Sock depois ter estar com 2 sets a 0 – tal qual acontecera dias atrás diante de Roger Federer em Wimbledon -, mas não se escondeu. Foi para a dupla com atuação espetacular ao lado de Ivan Dodig para bater os irmãos Bryan e empatou o duelo num atropelo em cima de John Isner. Daí deu espaço ao garoto Borna Coric. Ele talvez seja o menos talentoso dos badalados ‘novatos’, mas algo é inegável: tem espírito de Davis. O game final que fez diante de Sock foi primoroso.

A Croácia receberá a França na semifinal e provavelmente vai escolher um piso sintético que é o melhor de seus homens. Sempre um grupo muito sólido, cada um dos quatro franceses contribuiu na vitória sobre os tchecos. Jo-Wilfried Tsonga perdeu no quinto set para Lukas Rosol, mas o estreante Lucas Pouille mostrou de novo que é cheio de recursos e raçudo. Mahut/Herbert deram o segundo ponto suadíssimo e Tsonga completou o placar no domingo.

O clássico está de volta
Por José Nilton Dalcim
24 de março de 2016 às 22:11

Seja na quadra dura, no piso coberto, no saibro ou na grama, Roger Federer e Juan Martin del Potro fizeram duelos espetaculares entre 2009 e 2013. Estilos bem diferentes, um apostando tudo nos poderosos golpes de base, o outro em sua habilidade de ir à rede e alternar o ritmo. Como esquecer aquela semi de Roland Garros e a final de US Open de 2009, jogos históricos, mas também a incrível virada do suíço no saibro de Paris de 2012, o 19/17 olímpico na grama, os dois títulos quase milimétricos do argentino em plena Basileia e até mesmo o mais recente deles, ainda na fase classificatória do Finals de 2013, em que Federer precisou de tudo para escapar.

Quase dois anos e meio depois, eles voltam a se cruzar. É uma partida radicalmente diferente. Delpo tenta mais uma vez um retorno ao circuito, três cirurgias no punho esquerdo e uma outra no direito, enorme esforço para recuperar o físico e muito mais a confiança. Nos dois torneios que disputou até agora, evitou bater o backhand, exagerando nos slices, e não virou um grande voleador. Ainda assim, tem obtido vitórias de peso e atuações animadoras. Porém, ainda me parece temerário supor que ele posso derrotar algum dos grandes sem um backhand efetivo. Não dá para imaginar Delpo dando passadas em Federer com slice.

O próprio suíço no entanto é uma incógnita. Não joga desde a derrota na semi de Melbourne, há dois meses, período em que fez artroscopia no joelho. Nem queria ir a Miami, mas foi obrigado a mudar o calendário. É um lugar geralmente muito úmido, o que deixa as condições bem lentas. Importante lembrar que Federer está novamente de olho no número 2 de Andy Murray. A rigor, só precisa ganhar uma rodada a mais que o escocês (exceto a estreia, que vale poucos pontos).

O sábado tem também a estreia de Novak Djokovic, favorito absoluto, que terá pela frente a esperança britânica Kyle Edmund. O garoto faz tudo direitinho, porém nada espetacular. Tirar uns games do número 1 seria um grande lucro. Dois outros novatos entram em quadra com muito mais chance: Alexander Zverev encara Steve Johnson e Taylor Fritz tem pela frente o desanimado David Ferrer. Outro que pode aprontar é Yoshihito Nishioka diante do instável Feliciano López.

Por favor em renovação, o croata Borna Coric continua derrapando. Sofreu sua nona derrota da temporada e nada menos que quatro delas foram em primeiras rodadas. Suas maiores vitórias de 2016 vieram sobre Roberta Bautista e Thomaz Bellucci. Será que vem outra troca de técnico por aí?

Nova legião cresce e aparece
Por José Nilton Dalcim
22 de março de 2016 às 22:14

A cada grande campeonato do circuito, a legião de novos pretendentes aos principais postos do ranking cresce. Miami foi até agora uma boa surpresa. Numa chave de 96 participantes, nada menos do que 26 têm menos de 24 anos, ou seja, beira os 30%. Cinco deles ainda estão na casa dos 18, quatro na de 19 e dois na faixa dos 20.

Claro que é muito pouco provável que qualquer um deles conquiste o título ou chegue pelo menos na final. Os únicos que figuram como cabeças de chave são Dominic Thiem (22 anos), Jack Sock (23) e Nick Kyrgios (20). A dificuldade aumenta quando olhamos a missão de cada um: Thiem, que ainda não se firmou como grande jogador de piso duro, teria que passar por Novak Djokovic nas oitavas. Sock pode encontrar Milos Raonic ainda na terceira rodada e depois Rafa Nadal. Já o australiano está no mesmo quadrante e seus desafios são John Isner na terceira partida e Stan Wawrinka nas oitavas.

Ainda assim, a caminhada dos novatos continua. Dos 12 tenistas que furaram o quali e jogarão o Masters, metade são promessas, com destaques aos locais Taylor Fritz e Tommy Paul, ambos de 18 anos, e para o japonês Yoshihito Nishioka, de 20. Os outros foram mais três da casa: Dennis Novikov e Bjorn Fratangelo, de 22, e Jared Donaldson, este como lucky-loser.

Espalhados pela chave principal, há mais sete adolescentes. Aliás, Alexander Zverev faz duelo direto com Michael Mmoh, dois de 18 anos. Apenas um pouquinho mais velhos, vêm os já experientes Borna Coric e Hyeon Chung, mas os dois não deram sorte na formação da chave e têm páreos duríssimos. Imaginem que Coric se vê diante de uma sequência com Andy Murray, Grigor Dimitrov, Gael Monfils, Kei Nishikori ou Jo-Wilfried Tsonga.

Zverev aparece como o mais promissor de todos, porque a chave ajuda mais. Passando por Mmoh, um dos mais fracos da nova safra americana, ele teria Steve Johnson e talvez Tomas Berdych, podendo cruzar Richard Gasquet nas oitavas. Convenhamos que não é o pior dos cenários. Daí viria Djokovic, mas a tarefa do alemão estaria mais do que cumprida.

Sobre os grandes nomes, Djokovic surge disparado como o favorito. Curioso é imaginar quem o enfrentaria na semifinal. Por qualidade, Roger Federer aparece como maior indicado, porém seu retorno após dois meses é incógnita. Sem falar que muitos dos possíveis adversários já o venceram, como Del Potro, Chardy e Cilic.

O lado inferior ficou teoricamente forte e muito indefinido, já que Murray, Wawrinka, Nadal e Nishikori andam instáveis. Raonic está por ali, Isner também. Poderiam pintar como surpresa, assim como Tsonga. Só mesmo após algumas rodadas será possível avaliar a forma física e técnica de cada um, colocando na balança as condições de velocidade do piso e umidade do clima.

O tênis brasileiro conta inesperadamente com dois nomes na chave masculina. Thomaz Bellucci se valeu de abandonos e ganhou cabeça 30. Não será fácil passar por Mikhail Kukushkin e muito menos por Nadal. Batido no quali, Rogerinho Silva entrou como lucky-loser e a tarefa não é menos difícil: Andrey Kuznetsov na estreia e Wawrinka na possível segunda rodada.

E por falar em tênis nacional, Teliana Pereira finalmente ganhou, e na quadra dura. A primeira vitória na temporada veio sobre Bia Haddad Maia. Agora, encara nada menos que Ana Ivanovic. Será sua sexta experiência diante de uma top 20, a segunda consecutiva diante de uma campeã de Grand Slam. Tomara que dê.