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Sob críticas e lamentos, Murray já fala em mudança
Por José Nilton Dalcim
2 de fevereiro de 2016 às 21:28

Demorou muito menos do que eu imaginava. Segundo notícia veiculada nesta terça-feira pelo Daily Mail, o escocês Andy Murray deve anunciar nos próximos dias o britânico Jamie Delgado como seu novo assistente técnico. A ideia é que ele trabalhe junto a Amélie Mauresmo e seja o companheiro de viagens e treinos do número 2 do ranking, principalmente quando a treinadora estiver na França cuidado do filho recém nascido.

A notícia revela que Delgado, hoje com 38 anos e um ex-jogador de Copa Davis, já trabalhou com Andy durante este Australian Open, mas de forma bem discreta. Além de se dar muito bem com Andy – fizeram dupla juntos na Davis -, o ex-número 121 do ranking de simples e 57 de duplas acabou de se aposentar do circuito e está em ótima forma. Até poucos dias, Delgado treinava o luxemburguês Gilles Muller, que anda jogando diretinho.

Isso vem em hora apropriada, porque obviamente a imprensa britânica discutiu muito a nova derrota para Novak Djokovic e principalmente sua apatia e falta de opção tática até a metade do segundo set. Houve é claro quem buscasse amenizar. A BBC, por exemplo, contou que Murray manteve uma mala pronta junto à porta do quarto durante todo o torneio, além de deixar uma reserva de voo marcada diariamente. Isso é claro sem falar no ataque cardíaco sofrido por Nigel Sears. Murray é muito ligado ao sogro, e confirmou que pensou seriamente em voltar para casa naquele dia.

O comentarista Russell Fuller foi firme e comparou: “Deixar Djokovic fazer 6/1 no primeiro set é como dar 10m de vantagem a Usain Bolt nos 100m”. Outro artigo ressaltou a análise do campeão de Melbourne sobre a partida: “Senti que ele estava neutro no fundo de quadra”.

Também curioso o comentário do Evening Standard, dando conta que Jamie Murray pode chegar inesperadamente ao número 1 do mundo antes do irmão mais novo. E dá as contas: ele está 700 pontos atrás de Marcelo Melo e tem pouco a defender entre Indian Wells e Miami. “Jamais pensei que poderia conseguir isso antes de Andy”, revelou o parceiro de Bruno Soares.

Já em casa e ao lado da esposa Kim, que espera o primeiro filho do casal para as próximas duas semanas, Andy pretende fazer uma forte pré-temporada, algo que não teve condições de realizar devido à final da Copa Davis. Se tudo der certinho, seu retorno pode acontecer na rodada inicial da Davis contra o Japão, marcada para Birmingham, na primeira semana de março.

Vencedor – Como era previsível, muita gente cravou a vitória por 3 sets a 0 de Djokovic sobre Murray na final de domingo do Australian. Mas o internauta Ulrich Kuhn foi o único a ter acertado o placar das três parciais, ainda que fora de ordem. Daí ele leva o Desafio do Blog. Ele deve me contatar no email joni1@uol.com.br para detalhes do prêmio, que é uma camiseta da exclusiva coleção TenisBrasil.

Djokovic pode superar Federer e Nadal pela 1ª vez
Por José Nilton Dalcim
31 de janeiro de 2016 às 13:05

Muito se fala das chances de Novak Djokovic atingir façanhas e recordes de seus principais concorrentes da atualidade, como os troféus de Grand Slam de Rafael Nadal ou as semanas na liderança de Roger Federer, que são números que realmente pesam. Mas um feito espetacular já está a seu alcance muito antes dos demais. Caso enfim conquiste Roland Garros, será o único desde Rod Laver a deter simultaneamente os quatro títulos mais importantes do tênis.

Federer teve duas chances seguidas, em 2006 e 2007, quando fazia a mesma sequência dominadora entre Wimbledon, US Open e Austrália. Em ambas, perdeu na final de Paris para Rafael Nadal. O espanhol, por sua vez, teve a oportunidade a partir de Paris, Wimbledon e EUA de 2010, sendo inesperadamente batido nas quartas de Melbourne de 2011 por David Ferrer.

A bem da verdade, não será uma tentativa inédita para o próprio Nole. Ele fez a mesma série atual, ganhando Wimbledon e US Open de 2011 e em seguida Melbourne de 2012, mas parou na final de Paris diante do então todo poderoso Nadal.

Faltam, é claro, cinco meses para Roland Garros e muita coisa pode acontecer até lá. Se nos basearmos unicamente na forma que está o circuito de hoje, é fácil dizer que nunca a chance foi tão grande. Porque Nadal não tem sido mais o mesmo, Federer nem está levando o saibro a sério e Murray… Bem, acabamos de ver a distância para o vice-líder do ranking. Talvez a barreira maior seja o instável mas atual campeão Stan Wawrinka.

Com esse pé e meio no livro de história, Djokovic nem precisou jogar seu melhor tênis para chegar ao hexa em Melbourne e ao 11º Grand Slam, igualando-se a Borg e Laver, o que não é pouca coisa. Como era previsível, o primeiro saque, o forehand e a firmeza mental são diferenças gritantes para Murray. O primeiro set do escocês foi pífio, à exceção do primeiro game, quando deu pinta que jogaria agressivo. Novak baixou a intensidade na outra série e por fim houve algum equilíbrio, mas logo o forehand irregular permitiu a quebra.

Murray não desistiu. Reagiu e aí teve a melhor chance na partida, principalmente quando chegou a 15-30 liderando por 5/4. Se empatasse o jogo, haveria alguma expectativa. Rapidamente Djokovic reagiu, mostrou sua força mental e aí passeou até 3/1 no terceiro set, extremamente sólido. Elogios a Murray por ter mudado a tática e buscado pontos mais curtos junto à rede. Recuperou a quebra e levou ao tiebreak, mas aí jogou como um top 100. Ou pior. Medroso, errático, indeciso. O quinto vice – o quarto diante de um adversário tão superior – ficou de tamanho justo.

Atualizando
Vamos à mais recente lista de façanhas de Nole:
– Chega a 46 títulos no sintético, iguala Agassi e fica só atrás dos 60 de Federer.
– Djokovic tem agora 24 vitórias sobre Nadal, 23 contra Federer e 22 em cima de Murray e de Berdych, sem falar nas 19 frente a Wawrinka e 16 sobre Ferrer. Invejável.
– Esta foi a 698ª vitória de Djokovic na carreira. Faltam apenas 15 para alcançar seu técnico Boris Becker e entrar na lista dos top 10.
– Em Slam, soma agora 214 vitórias e deve alcançar ainda este ano Lendl (222) e Agassi (224) com alguma chance de chegar em Connors (232). Apenas as 302 de Federer ainda ficam distantes.
– Duas marcas de Lendl estão ao alcance em Dubai: as 18 finais e os 8 títulos consecutivos (McEnroe também chegou a 8).
– Com 19 finais de Slam, igualou Lendl e fica a uma de Nadal. Federer é o recordista, com 27.
– Djokovic só perdeu um dos últimos 18 duelos contra adversários top 10. Em Slam, está com 14 vitórias nos 15 mais recentes.
– Com 114 vitórias e apenas 15 derrotas, Djokovic tem o melhor aproveitamento no piso duro em Slam (88,37%), bem acima de Federer (86,8%).
– Ao atingir o 61º título, subiu para nono lugar na Era Profissional e deixou Agassi para trás. Nadal está ao alcance, com 67, na quinta posição.
– Djokovic se aproxima da melhor marca de aproveitamento de vitórias e derrotas gerais, que ainda é de Borg (82,74%). Ele está grudado, com 82,7%.
– No ranking do dia 8 de fevereiro, atingirá 84 semanas consecutivas na liderança e igualará Connors no quinto lugar. Sampras, com 102, está perto.

O vice
Quanto a Murray, acho que o principal a ser dito é que ele precisa urgentemente seguir o exemplo do seu próprio algoz. Novak trabalhou incansavelmente nos seus pontos mais frágeis para chegar ao excepcional padrão de hoje. Contratou Boris Becker para melhorar o primeiro saque e ter mais versatilidade no jogo de rede, mudou alimentação para acabar com as quedas físicas que tinha etc e tal. Então está mais do que na hora de o escocês chamar alguém que consiga tirar muito mais do seu segundo saque e especialmente do forehand.

Inconcebível um tenista de seu ranking e qualidade técnica mostrar um forehand tão inseguro. E isso não é de hoje. Tudo bem, pode servir para ganhar da maior parte do circuito, mas jamais o suficiente para tirar um Grand Slam do Djokovic de hoje, talvez nem mesmo do atual Roger Federer num piso mais veloz. Quando se vê Carlos Moyá sobrando nos bastidores – iria treinar Nadal, mas foi preterido e acabou com Milos Raonic -, fica-se pensando em que chance absurda o britânico perdeu. Diz ele que irá fazer uma pré-temporada em fevereiro. Se não quer se separar de Amélie Mauresmo, acrescente alguém. E não esqueça de passar no psicólogo.

Duas vezes Bruno
Na interminável série de façanhas que nossos duplistas têm alcançado, Bruno Soares conseguiu mais uma: é o primeiro brasileiro em 50 anos a ganhar dois troféus num mesmo Grand Slam. Claro que os dois de 1966 de Maria Esther Bueno foram mais relevante, com simples e duplas no US Open, repetindo o que já fizera em Wimbledon de seis anos antes. Mas dá para perceber o quão esse feito é raro e portanto especial para o tênis brasileiro.

Bruno tem um começo de temporada incrivelmente promissor. Disputou quatro torneios, venceu três e foi semi em outro. As duas conquistas na Austrália lhe renderam um prêmio bruto de US$ 260 mil, o que dá cerca de R$ 1 milhão. Bela recompensa.

Ele já seguiu viagem neste domingo para casa e estou bem curioso sobre a possibilidade de ele e Marcelo Melo jogarem juntos no Rio Open, já que nenhum deles terá seu parceiro tradicional.

Maldição?
Observação interessantíssima de Steve Darcis no Twitter: Nadal perdeu para o Verdasco, que perdeu para o Sela, que perdeu para o Kuznetsov, que perdeu para o Monfils, que perdeu para o Raonic, que perdeu para o Murray, que perdeu para o Djokovic. Conclusão: Nadal foi o último colocado dos 128 inscritos…

Kerber acreditou, Bruno realiza sonho
Por José Nilton Dalcim
30 de janeiro de 2016 às 11:10

Incrível e espetacular. Angelique Kerber não tremeu diante do gigantismo de sua adversária e, logo em sua primeira final de Grand Slam, não apenas conquistou um dos títulos mais desejados do circuito como ainda derrubou nada menos que Serena Williams num terceiro set. Não poderia haver mais pressão e maior feito.

Sim, Kerber venceu porque acima de tudo acreditou. E acaba com aquela falsa história de que Serena é muito superior às concorrentes devido à força de seu saque e de seus golpes.  Nada disso. Serena é uma tenista de extraordinários recursos, mas jamais imbatível. É preciso claro ter coragem, tática e técnica corretas, postura mental. A alemã juntou tudo isso numa exibição emocionante.

Não menos curioso é o fato de o circuito feminino coroar duas novas campeãs em Grand Slam consecutivos, e nenhuma delas ser uma novata. Flavia Pennetta era ainda muito mais rodada do que Kerber, 28 anos, o que abre perspectiva para que muitas outras se animem e busquem crescimento técnico e feitos heróicos.

Como era necessário, Kerber foi bem com o saque a favor, procurando colocar o máximo de primeiros serviços em quadra. Foi além, obtendo aces em momentos delicados. Depois, conseguiu devolver muito bem, claro que ajudada pelo desempenho irregular do saque de Serena, muito abaixo do normal. Com a bola voltando toda hora, induziu a número 1 a riscos e erros.

No fundo de quadra, a alemã fez o recomendável diante de Serena: angular bolas o máximo possível, usando muito bem seu forehand de canhota. Aproveitou claro para surpreender com paralelas. E por fim, e talvez ainda mais importante, lutou demais, correu atrás de cada bola, exigiu um golpe a mais da supercampeã. Não poderia ser mais merecido.

Batida novamente no sonho de chegar ao 22º Grand Slam e igualar Steffi Graf, Serena foi digna. Gritou e esperneou, porém aplaudiu as belas jogadas de Kerber até mesmo diante de um 0-40 no terceiro set. Ao mandar o voleio final para fora, atravessou a quadra com largo sorriso e reconheceu o grande dia da agora número 2 do mundo. Serena é mesmo um show.

Sonho merecido
Depois de dois títulos de duplas mistas, enfim Bruno Soares conquistou seu primeiro grande sonho: erguer um troféu de Grand Slam de duplas masculinas. Incrível como a parceria dele e do escocês Jamie Murray se encaixou em tão pouco tempo. O irmão de Andy, aliás, também vinha há tempos esperando esse grande momento, após dois vices no ano passado. Daí se explica a tensão que foi o jogo e ainda mais o feito de ambos diante dos experientes e premiadíssimos Daniel Nestor e Radek Stepanek.

O tênis brasileiro fatura assim seu segundo Slam em menos de sete meses, cada um com um mineiro diferente e isso só pode aumentar ainda mais nossa esperança da medalha de ouro olímpica no Rio de Janeiro, ainda mais com o excelente desempenho de ambos fora do saibro. Hoje, temos um campeão de Slam e Marcelo Melo, o melhor do mundo em duplas. Obrigado a ambos pelo que têm feito por nós.

Para citar importantes números, este foi nosso 30º troféu de Slam e o segundo na Austrália, depois do título juvenil de Tiago Fernandes, em 2010. Ah, mas Bruno ainda busca mais um, na madrugada deste domingo, nas mistas com a ótima russa Elena Vesnina..

O vencedor – Juscelino Oliveira Pires levou a biografia da Editora Evora no desafio para as semifinais do Australian Open. Além de acertar o placar em sets das vitórias de Djokovic e Murray, o diferencial foi que ele cravou bem o andamento das duas partidas, ou seja, a vitória de Nole nos dois primeiros sets e a dificuldade do escocês ao ficar duas vezes atrás do placar. Juscelino precisa indicar aqui ou no email joni1@uol.com.br se prefere a biografia de Federer ou de Djokovic.

Daqui a alguns minutos, lanço o desafio para a final do Australian Open.