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Quase perfeito
Por José Nilton Dalcim
16 de abril de 2017 às 22:36

Faltou manter mais dois serviços, ou então aproveitar a quebra no primeiro ponto do tiebreak. Muito pouco. Thomaz Bellucci encerrou sua inesperada participação no saibro de Houston com o vice. Poderia mais, sem dúvida, mas ninguém pode se queixar do seu físico ou de seu empenho.

Vindo da altitude do Equador, com mínimas horas de bate bola em Houston, Bellucci jogou cinco dias consecutivos, venceu quatro jogos em três sets, passou mais de 10 horas em quadra e ainda estava inteiro para um terceiro set duríssimo na final. Escapou de situações delicadas, virou sets que pareciam perdidos, manteve a cabeça fria, acertou na tática, raramente se mostrou aquele jogador apressado e ansioso que nos incomoda.

A derrota na final para Steve Johnson foi coisa de detalhe. Novamente, reagiu após perder o set inicial e teve a quebra na frente no terceiro set até o oitavo game. O norte-americano virou para 5/4, mas o brasileiro não se assustou e levou ao tiebreak. Talvez sua maior falha tenha sido se perturbar com a suposta crise de cãimbra do adversário, que sumiu do nada na hora do tiebreak. Coisas do tênis.

Campeões
O final de semana também teve a conquista de duplas de Bia Haddad no WTA de Bogotá. Um resultado que não significa muito para sua carreira, já que seu foco é total nas simples, mas que certamente ajuda o bolso e acima de tudo a confiança. Sem falar que até mesmo troféus de duplas de primeira linha é coisa pouco comum para o tênis feminino brasileiro. Vale lembrar que Bia disputou seu primeiro torneio no saibro em 2017.

Também muito legal o título do croata Borna Coric no Marrocos, vindo de larga desvantagem no segundo set – o experiente Philipp Kohlschreiber chegou a ter 3/0 antes de somar cinco match-points – e também no terceiro, saindo de 2/4 e vencendo cinco dos seis games decisivos.

Ainda vejo Coric como o menos espetacular da nova geração, comparado a Thiem, Kyrgios ou Zverev, mas ele ganha seu primeiro ATP aos 20 anos e depois de se submeter a cirurgia no joelho esquerdo em setembro, o que o forçou a começar a temporada só em fevereiro.

Monte Carlo
Embora seja o saibro mais lento da temporada europeia, Monte Carlo sempre é visto com grande expectativa porque uma boa campanha no centenário torneio se transforma em grande ânimo e respeito.

Esta edição é ainda mais relevante. Marca o retorno de Andy Murray e Novak Djokovic, tem Rafa Nadal em melhor ritmo e pode mostrar o que Stan Wawrinka ou Dominic Thiem teriam direito a almejar.

O desafio de Nole parece especialmente difícil, com possíveis duelos diante de Pablo Carreño (ou Fabio Fognini) e Thiem (ou David GOffin) antes de Nadal. Mas o próprio espanhol precisa de cuidados com Alexander Zvere e Roberto Bautista. Não acredito que Grigor Dimitrov incomode.

Murray também tem especialistas, porém deveria se sobrepor a Tommy Robredo, Albert Ramos ou Tomas Berdych em condições normais. Ai viria a semi diante de Wawrinka, que é o grande favorito no quadrante que tem Jo-Wilfried Tsonga, Pablo Cuevas e Lucas Pouille.

Todos os favoritos estreiam diretamente na segunda rodada.

Lições ao circuito
Por José Nilton Dalcim
4 de abril de 2017 às 12:10

Dias atrás, o Telegraph soltou uma interessante reportagem sobre o problema cada vez mais alarmante das contusões no tênis profissional, que tem afetado diretamente os jogadores de ponta. As conclusões nos fazem pensar.

“Não há tempo suficiente para reabilitação entre as rodadas devido à intensidade com que se joga hoje em dia”, afirma o cirurgião Richard Berger. “Os tenistas teriam de ser super-humanos para aguentar isso”.

O especialista em medicina esportiva Michael Davison avalia que a atual forma de se fazer a pré-temporada está totalmente errada. “O tempo é curto e a intensidade é muito forte, o que deixa o jogador muito vulnerável a contusões nos três primeiros meses do ano”. O exemplo é claro: Andy Murray fez 87 partidas em 2016, parou no dia 20 de novembro e já estava novamente competindo no dia 30 de dezembro. A pré-temporada de seis semanas foi incrivelmente intensa.

O dr. Berger enfatiza: uma vez sofrida uma lesão, a possibilidade de ela ressurgir cresceu nos últimos anos principalmente porque não se dá o tempo necessário para a recuperação total. Todos convivem com a dor e isso, na sua opinião, reflete diretamente na parte emocional: “A confiança cai, porque fica o temor de um agravamento da lesão”.

Davison assinala que o tendão tem sido uma preocupação extra no tênis, porque é difícil protegê-lo diante do esforço repetitivo, mesmo que se tome todas as medidas preventivas. E alerta: a temporada de saibro, curta e exigente, só piora as coisas. “Não ficarei surpreso se acontecerem muitos abandonos”.

Tudo isso nos remete ao que aconteceu com Roger Federer. Após o problema no joelho e nas costas no primeiro semestre de 2016, ele decidiu se afastar por seis meses das quadras e prometeu só voltar quando estivesse totalmente recuperado e em forma. Vimos no que deu. O retorno de um tênis exuberante, bem treinado, vigoroso. Aliás, algo semelhante aconteceu também com Murray. Ele parou após o Australian Open devido ao nascimento do filho e passou dois meses se preparando. Aí fez sua melhor temporada de saibro e um segundo semestre espetacular.

O recado final de Davison sobre a dificuldade do saibro novamente se alinha com a postura de Federer. Ele já decidiu tirar longa folga e fazer outra curta pré-temporada de treinamento antes de Roland Garros, tentando minimizar ao máximo a troca de piso e focando estar totalmente sadio para a grama.

Federer está dando novas lições ao circuito.

Quem levou o desafio
Quatro internautas cravaram o placar correto e o tempo exato da final de Miami no desafio do Blog. A Editora Évora, sempre prestativa, decidiu premiar todos os quatro com a biografia de Roger Federer.

Assim, Émerson Salgado, Matheus Coradin, José Renato Gerardi e André Neves Alves devem me enviar aqui ou no email joni@tenisbrasil.com.br os dados completos para envio do prêmio pelo correio.

Parabéns a todos e um agradecimento mais que especial a Henrique Farinha e à Editora Évora.

Federer quebra outra barreira
Por José Nilton Dalcim
19 de março de 2017 às 21:07

Depois de acabar com espera longa para ganhar mais um Grand Slam, o suíço Roger Federer também recuperou a hegemonia em Indian Wells. Cinco anos depois do tetracampeonato, ele voltou a conquistar o deserto californiano e encerrou também o jejum de 19 meses sem conquistas em nível Masters. De quebra, superou a marca de Andre Agassi e agora é o tenista de maior idade a vencer um evento desse quilate, aos 35 anos e sete meses.

Faltou é verdade um pouco mais de emoção no 24ª duelo diante de Stan Wawrinka. Houve lances de grande qualidade de parte a parte, mas raros games equilibrados ou longas trocas de bola. O saque dos dois foi muito superior à devolução na maior parte do tempo. Federer cumpriu a promessa e entrou muito agressivo, mas encontrou Stan firme com o serviço. Só foi obter a quebra no 10º game. Uma estatística foi especial: enquanto Roger ganhou 83% dos pontos em que precisou do segundo saque, Stan apenas se deu bem em 27%.

O segundo set melhorou muito, principalmente porque Wawrinka se mostrou menos passivo e tentou tomar mais iniciativa, embora quase sempre com forehand. A bola dos dois andou muito o tempo tempo, favorecidos pelo calor de final de tarde perto dos 30 graus. A rigor no entanto Wawrinka jamais conseguiu ameaçar com seriedade o amigo. Acabou cedendo a quebra definitiva no último game. Muito justo, Federer completou com outro voleio o 25º Masters e o 90º troféu da carreira. Faltam apenas quatro para igualar Ivan Lendl.

Obviamente a pergunta que a maioria quer fazer é se Federer já virou candidato a lutar pelo número 1 do ranking. Calma. Ele soma agora 3.045 pontos na temporada, o que é curiosamente a exata soma dos segundo e terceiro colocados, Rafa Nadal (1.635) e Wawrinka (1.410). Mas enquanto qualquer tenista não atingir pelo menos a casa dos 7 mil pontos, não dá para dizer que ele tenha chance de terminar a temporada na liderança. O patamar médio para isso é de 10 mil pontos.

Dor de cotovelo
Incrível. Os dois líderes do ranking estão sofrendo do mesmo problema, contusão no cotovelo, e não disputarão o Masters de Miami, que começa já na quarta-feira. Tremenda perda para o torneio, mas muito pior para Nole. Atual campeão, ele perderá mais mil pontos na classificação e verá Andy Murray se afastar ainda mais, indo a 4 mil de diferença.

Os dois estão fazendo uma temporada apagada. Decidiram Doha na primeira semana do ano, e a vitória do sérvio parecia animar a briga pela ponta. Mas foram decepções maiúsculas em Melbourne. O escocês ainda ganhou aos trancos e barrancos Dubai, enquanto Djokovic foi batido duas vezes por Nick Kyrgios em plena quadra dura.

Embora ainda seja tão começo de calendário, é um tanto chocante ver Murray na 10ª posição do ranking da temporada, atrás até mesmo de David Goffin e Pablo Carreño, mas pior ainda está Djoko, apenas 18º e com quase metade dos pontos do britânico.

A expectativa é que os dois voltem no saibro lento de Monte Carlo, onde Djokovic foi campeão em 2015 mas perdeu na estreia no ano passado. Murray nunca passou da semi e em 2016 caiu diante de Nadal.

Além deles, Miami também não verá o experiente trio francês formado por Monfils, Tsonga e Gasquet. A ótima notícia é que Thiago Monteiro se livrou do qualificatório e entrou direto. O sorteio da chave acontecerá na segunda à noite e os primeiros jogos masculinos, na quarta. Stan será cabeça 1, seguido por Kei Nishikori. Se Milos Raonic desistir, Federer sobe para cabeça 3 e Nadal, 4. Isso evitaria um novo ‘Fedal’ antes de uma possível final.

Vesnina, um exemplo
Repleto de surpresas ao longo de seus 10 dias, Indian Wells também viu uma final feminina entre duas tenistas com mais de 30 anos, embora de currículos muito distintos. Sveta Kuznetsova ganhou dois Grand Slam, o primeiro deles há quase 13 anos, e Elena Vesnina só agora faturou o maior troféu da carreira.

O fato espetacular é que Vesnina sequer passou da primeira rodada do quali de Indian Wells de 2016. Era 86ª do ranking. Persistiu. “Acho que sou um exemplo para as outras tenistas de que tudo é possível”, garantiu.

Com um tênis ofensivo, Vesnina era bem mais conhecida como duplista, com dois troféus de Slam, o título olímpico no Rio e no Finals de 2016. Nesta incrível campanha em Indian Wells, derrotou a futura número 1 Angelique Kerber e na sequência tirou Venus Williams sempre com tênis elegante e muito empenho. Será pela primeira vez a 13ª do mundo e vira mais uma força na temporada.