Arquivo da tag: Alexander Zverev

Eles estão chegando
Por José Nilton Dalcim
11 de outubro de 2016 às 16:37

Que tal a temporada masculina terminar com seis tenistas de no máximo 25 anos entre os top 20 do ranking? Não está nada difícil de acontecer e Xangai pode ser fundamental para isso. No momento, Milos Raonic (25) e Dominic Thiem (23) já figuram entre os 10 primeiros. Ali pertinho, aparecem David Goffin (25) e Nick Kyrgios (21), que podem subir para o top 10 da temporada imediatamente. Lutam até mesmo por uma oitava vaga no Finals de Londres, que poderia assim viver sua mais radical renovação.

Com pouca chance de pensar no top 10 nesta reta final de 2016, aparecem muito bem Lucas Pouille (22), Grigor Dimitrov (25) e Alexander Zverev (19) entre os 20 mais bem colocados da temporada até agora. Com mais uma notável vitória nesta terça-feira em cima de Marin Cilic, o fenômeno alemão já abriu 105 pontos para David Ferrer, o 20º da lista, e atrás dele só aparecem eliminados em Xangai, como Richard Gasquet e Ivo Karlovic.

Note-se que não foi apenas Zverev quem deu um tom diferente a Xangai no complemento da primeira rodada. Pouille tirou Fernando Verdasco, Goffin virou em cima de Del Potro, Kyrgios não tomou conhecimento de Sam Querrey e Dimitrov manteve o embalo de Pequim em cima de Gasquet. Claro que sempre ficamos na expectativa para ver o que a garotada pode fazer diante dos figurões. Dimitrov e Kyrgios estão no lado de Djokovic, Zverev já avançou às oitavas e encara Tsonga, Pouille está na linha de fogo de Andy Murray.

Xangai pode ser um divisor de águas.

Bom retorno
Não foi uma atuação espetacular, mas deu para o gasto. Djoko perdeu um game de serviço, precisou se esforçar para salvar outros três break-points e ainda mostrou certa irritabilidade um tanto desnecessária antes de superar o italiano Fabio Fognini, barriguinha à mostra e um saque pífio. O que importa é que Nole avançou e isso deve lhe dar mais confiança.

Contagem regressiva
O dia 7 de outubro de 2002 foi a última vez em exatos 14 anos que Roger Federer não apareceu entre os top 10 do ranking. Nesta segunda-feira, ele irá cair pelo menos para o oitavo posto, superado por Monfils, e igualará a queda sofrida em 2014. Tomas Berdych também o supera se for à final.

Como bem lembrou Felipe Priante no TenisBrasil, também será a primeira temporada desde 2002 que Federer terminará sem um único título. A projeção atual é que ele feche 2016 abaixo do 15º lugar. Está em 12º no ranking da temporada, tendo nos calcanhares Pouille, Tsonga e Dimitrov. Cerca de 400 pontos atrás, aparecem Roberto Batuista, Pablo Cuevas e Zverev.

CBT vai para Floripa
A Assembleia convocada para a última sexta-feira aprovou a sugestão da diretoria e a Confederação mudará sua sede de São Paulo para Florianópolis em cerca de 45 dias. Para isso, foi necessário uma emenda ao Estatuto da entidade. O escritório funcionará junto ao da Federação Catarinense, local onde se realizava o WTA. Não se sabe ainda se as cinco quadras poderão ser usadas pela CBT. Especula-se que vários nomes em cargos chave sejam trocados. A negociação com os Correios prossegue, mas é bem provável que a verba anual de R$ 8 milhões seja cortada em até 70%.

Renovação em dose dupla
Por José Nilton Dalcim
25 de setembro de 2016 às 22:33

O primeiro título de ATP de Lucas Pouille e Alexander Zverev neste domingo parece marcar a definitiva chegada da nova geração à elite do tênis masculino. No ranking desta segunda-feira, veremos três dos top 20 com no máximo 23 anos e mais dois na casa dos 25. É pouco, porém animador.

Pouille será o 16º, exatamente atrás de Nick Kyrgios. Ele derrotou em Metz o top 10 Dominic Thiem, ainda a maior sensação da temporada entre os novatos. Mas o próprio Pouille deu um salto e tanto. Era o 90º ao término do Australian Open e aí fez resultado em todo tipo de quadra, como semi em Roma e quartas em Wimbledon e US Open.

Aos 19, Zverev repetirá o 24º lugar como melhor marca, porém a menos 50 pontos do 20º. Teve alguns altos e baixos desde janeiro, mas a ascensão é contínua. Ganhou de nomes como Federer, Cilic, Goffin e Simon, tendo batido na trave com os vices na grama de Halle e no saibro de Nice. A altura de 1,98m não o limita. O mais assombroso é que está no circuito profissional desde janeiro de 2014. O troféu inédito deste domingo veio ainda por cima diante de Stan Wawrinka, um marco.

Interessante notar que há pouca semelhança no plano tático dos dois jogadores. Pouille não depende tanto do saque, gosta muito de jogar na rede, abusa dos toques. Zverev é mais peso pesado, pegando forte o tempo todo da base. Ainda assim, ambos mostram a essencial versatilidade de pisos. Passo a passo, o futuro está chegando.

Fatos curiosos sobre Pouille: sua mãe é finlandesa, fluente em sueco, e conheceu o futuro marido Pascal em Londres. Assim, os pais se comunicavam em inglês o tempo todo e dessa forma criaram Lucas. Ele entrou no programa nacional do tênis francês aos 12 anos, mas manteve passaporte finlandês até os 18. Em fevereiro do ano passado, mudou-se para Dubai a fim de fugir dos impostos. Em toda sua carreira juvenil, jamais figurou sequer no top 20 do ranking mundial.

Incansável Stepanek
Ao mesmo tempo que falamos da nova geração, é preciso dar o devido crédito a Radek Stepanek. Pertinho dos 38 anos, ele passou o oitavo quali desta temporada, agora em Chengdu, repetindo Australian Open, Roland Garros, US Open, Madri e Toronto.

Com isso, vai quebrando marcas. Já foi o mais velho a ganhar uma partida de ATP desde 2010 e, ao lado dos 43 anos de Daniel Nestor, fez a dupla de mais idade a atingir uma final de Grand Slam da Era Profissional.

Stepanek deixou o top 100 em abril do ano passado devido à contusão nas costas e, ausente das quadras entre agosto de 2014 e abril de 2015, chegou a cair para o 369º posto. Está agora em 105º.

Thiago vai à Austrália
Não deu para Thiago Monteiro na final de Santos, mas o vice no challenger garantiu o canhoto cearense em seu primeiro Grand Slam da carreira. Com os pontos somados, ele fatalmente terminará a temporada perto do 90º posto do ranking e com isso terá seu lugar no Australian Open.

Monteiro descansa nesta semana e depois joga pelo menos mais dois challengers no saibro sul-americano, em Campinas e Buenos Aires. Boa oportunidade para defender os únicos 26 pontos até fechar o calendário.

Complicou
Por José Nilton Dalcim
29 de junho de 2016 às 17:03

Quarto dia de disputa e existe ainda tenista que não estreou em Wimbledon. Aliás, oito meninas. O mau tempo não dá trégua e os velhinhos do All England Club começam a perder o sono. Nada menos que 14 jogos ainda da primeira rodada precisam ser concluídos nesta quinta-feira.

A situação mais dramática é certamente da chave masculina. Faltam ainda sair seis nomes para a segunda rodada e jogos como o de John Isner contra Marcos Baghdatis e de Mikhail Youzhny diante de Horacio Zeballos estão ainda no meio do segundo set. Há empate em outros dois duelos que vivem o terceiro set. Ou seja, os vencedores terão de jogar também na sexta e no sábado.

Os únicos que podem sorrir à toa com essa situação turbulenta são Novak Djokovic e Roger Federer, até porque eles dificilmente jogarão fora da Quadra Central e portanto têm quase garantido o benefício do teto retrátil, ou seja, podem se programar muito melhor do que os outros.

Por isso mesmo, são os únicos na terceira rodada. Djoko foi exigido principalmente no terceiro set pelo canhoto Adrian Mannarino, que compensou a menor força com um estilo bem variado. Chegou perto até de ganhar um set depois que Nole deu uma vacilada na hora de fechar, mas o francês jamais pareceu uma real ameaça.

Coisa rara em Wimbledon, Federer sentiu na pele o que é ter a torcida contra. Bom, seria melhor dizer a favor do outro jogador. Marcus Willis não apenas tem uma história tocante mas também consegue jogar muito mais do que indica seu 772º lugar do ranking. Aliás, o próprio suíço afirmou pouco depois que se sentiu encarando um top 50. Talvez um pouco exagerado, mas Willis mostrou repertório, disposição, conhecimento da grama e acima de tudo um prazer enorme de estar ali.

Nenhum dos dois favoritos conhece ainda adversário de sexta-feira. Djokovic aguarda Sam Querrey completar a boa vantagem que tem sobre Thomaz Bellucci, enquanto Federer terá de esperar muito mais pois Alexander Dolgopolov ainda disputa o tiebreak do primeiro set contra Daniel Evans.

O brasileiro ia muito bem até o finzinho do primeiro set. Teve um break-point e uma passada cruzada que ficou na fita. Daí em diante se enrolou. Passou a sacar cada vez pior e Querrey, confiante, começou a ganhar pontos até da base. A chuva pode ter ajudado Thomaz, porque do jeito que ia a derrota parecia iminente. Como no tênis cada dia é um dia, fica esperança para a quinta-feira.

Nos jogos de primeira rodada que acabaram, três vitórias dos novatos, todos curiosamente encaixados num mesmo quadrante que pode definir um semifinalista. Dominic Thiem foi muito bem contra Florian Mayer e agora faz duelo interessante contra o canhoto Jiri Vesely. Já Alexander Zverev manteve a boa fase contra Paul-Henri Mathieu e Bernard Tomic superou Fernando Verdasco no quinto set.

O feminino continua se arrastando. Os organizadores chegaram a enfiar cinco jogos na Central, algo muito pouco comum, e no último deles Eugénie Bouchard se classificou para o encontro esperado diante da esperança local Johanna Konta.

A programação da quinta-feira vai ser muito extensa. Já se decidiu que, por conta do atraso, as primeiras rodadas da chave de duplas masculina serão reduzidas para melhor de três sets. Tomara que o sol volte a brilhar porque assim poderemos ver Kyrgios x Brown e Murray x Lu, além de todos os adiados. A previsão diz que pode chover leve apenas no começo da rodada, por volta das 11h locais, e depois dia nublado mas seco.