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Por José Nilton Dalcim - 28 de abril de 2016 às 19:45

Se é fato que tecnicamente os quatro Grand Slam se equivalem nestes últimos 20 anos, já que todos os grandes tenistas dos dois sexos sempre estão inscritos, o fator premiação continua a ser uma distinção clara entre eles. Embora todos anunciem anualmente reajustes positivos, a desvalorização das moedas nacionais reforça a diferença.

Wimbledon acaba de divulgar um aumento básico de 5% no total de libras esterlinas que oferecerá na histórica 130ª edição do torneio mas, ainda assim, por conta da valorização da moeda americana, cairá de US$ 41 mi do ano passado para US$ 40 mi. Ao menos, os campeões de simples não poderão se queixar, já que o prêmio subirá de US$ 2,4 mi para US$ 2,9 mi.

Como é o ranking financeiro dos Grand Slam? Vejam só:

1º US Open – Nem anunciou ainda o total de 2016, mas já totalizou US$ 42,3 mi no ano passado, quando deu 10% de aumento global e premiou cada campeão de simples com o recorde absoluto de US$ 3,3 mi.

2º Wimbledon – Mesmo tendo praticamente dobrado sua premiação nos últimos cinco anos (92% se comparado a 2011), ficará com US$ 40 mi nesta temporada, com US$ 2,9 mi aos vencedores individuais.

3º Roland Garros – Tem feito enorme esforço para subir os valores, mas o euro também caiu em relação ao dólar e assim fechou 2016 com total de US$ 36 mi, sendo US$ 2,5 mi para cada campeão de simples.

4º Australian Open – Sofre muito com a desvalorização de sua moeda – há pouco tempo, chegou a estar 1 para 1 com o dólar americano – e assim totalizou US$ 31,1 mi neste ano, embora tendo pagado melhor os campeões do que Paris, com US$ 2,7 mi.

Medidas fortes
Wimbledon também está preocupado com os escândalos recentes do tênis, sejam apostas ou doping, e também com o clima de insegurança na Europa. O presidente Philip Brook garantiu medidas severas em todos os campos.

Para monitorizar possível manipulação de resultados ou apostas ilegais dentro das arquibancadas, colocará dois sistemas protetores em cada uma das quadras de jogo, incluindo câmeras que vigiarão o público o tempo inteiro, até mesmo nas partidas do qualificatório que acontecem em Roehampton. Não vamos esquecer a bombástica reportagem da BBC, que afirmou terem sido detectados arranjos entre pelo menos 16 jogadores durante o recente Australian Open.

O reforço no exame antidopagem não foi explicado, porém Wimbledon jura que vai multiplicar os testes. Brook chegou a lamentar a possibilidade de Maria Sharapova ficar de fora do torneio devido a suspensão prévia a que está submetida, porém disse que a Federação Internacional precisa ser rígida com o regulamento.

O efetivo de segurança será ampliado e se prevê revistas muito mais demoradas e meticulosas à entrada do público.

E mais
– Federer vai mesmo jogar Stuttgart imediatamente após Roland Garros e assim, de forma inédita, disputará dois preparativos para grama neste ano, já que também estará em Halle. Nadal não irá defender o título de Stuttgart, mas deve atuar em Queen’s.
– Rafa aliás aceitou ser o porta-bandeira espanhol nos Jogos do Rio. O lugar era dele em Londres, quatro anos atrás, mas contusão o impediu de competir. Destaque: chamada comercial da Rede Globo para as Olimpíadas e suas grandes estrelas já incluiu um teaser do canhoto espanhol.
– E o tênis masculino poderá ter um novo top 10 neste domingo. O belga David Goffin subirá para o posto caso conquiste o ATP de Munique. Antes, no entanto, ele terá de ganhar do garoto Zverev, possivelmente Thiem na semi e quem sabe Fognini na final.
– O Brasil ganhou uma rodada em cada torneio importante que disputou nesta semana, mas Bellucci, Teliana e Rogerinho pararam nas oitavas. Bellucci entrará diretamente em Madri e Roma, Rogerinho vai a dois challengers no saibro francês enquanto espera desistência para evitar o quali de Roland Garros. Encarando nova queda, agora para 89º. Teliana tem vaga em Madri. Thiago Monteiro jogará em Aix-en-Provence na próxima semana.


Por José Nilton Dalcim - 24 de abril de 2016 às 20:22

Dois títulos seguidos, atuações convincentes diante de adversários de gabarito. A pergunta que todos fazem é óbvia: Rafael Nadal recuperou o favoritismo para Roland Garros? Voltou a ser a grande barreira de Novak Djokovic para o título tão sonhado?

Acho que ainda é prematuro apostar em Rafa. Não resta dúvida de que ele mostrou em Monte Carlo e Barcelona seu melhor tênis dos últimos dois anos. Está de novo confiante no seu estilo tão único sobre o saibro, em que pulveriza a defesa do oponente com seus golpes cheios de spin até que consiga o momento certo para atacar ou definir o ponto. Está veloz, fisicamente no ápice, escolhendo o golpe certo na hora precisa.

Mas ainda há muito chão pela frente. Madri, dentro de oito dias, é o próximo desafio. Porém acho que o saibro mais alto e veloz desta vez será muito mais importante para Nole do que para Nadal. O sérvio precisa evitar outra derrota precoce, que poderia abalar sua estrutura.

A menos que haja um duelo direto entre eles na Caja Magica, ainda imagino que as melhores respostas virão em Roma, onde as condições são mais semelhantes a Paris e o tempo de recuperação psicológica será bem menor. A chance de os dois se cruzarem pelo título no Fóro Itálico aliás é grande.

De qualquer forma, a reação do canhoto espanhol vem em ótima hora e apimenta Roland Garros. Sempre disse que Nadal confiante é um tremendo pesadelo para qualquer um.

Vamos atualizar os feitos principais de Rafa com o novo troféu:

– Com seus dois troféus consecutivos no saibro, Nadal chega ao 69º da carreira e enfim volta a se distanciar de Novak Djokovic, que tem 63. O espanhol tem a quinta maior coleção da Era Profissional e está oito atrás de John McEnroe.
– Nadal disputou a 101ª final da carreira e é um dos seis únicos profissionais a ter três dígitos nesse quesito. Está perto das 104 de Vilas e das 109 de McEnroe.
– Faltam 45 partidas para Nadal chegar à casa de 1.000. Só nove profissionais fizeram isso até hoje. O espanhol tem 789 vitórias em oitavo lugar, apenas duas a menos que Edberg.
– Décimos separam Nadal, Djokovic e Borg na estatística de percentual de vitórias na carreira. Novak tem 82,83%, Borg parou com 82,74% e Rafa sobe agora para 82,62%.
– Além de liderar agora nos títulos sobre o saibro, com 49, ao lado de Vilas, Nadal se torna o maior campeão em quadras abertas, com 67, um a mais que Federer.
– Com 358 vitórias em 390 possíveis sobre o saibro na carreira, Nadal recupera o aproveitamento incrível de 91,8%. É um domínio superior ao de Djokovic no sintético (84,3%) ou de Federer na grama (87,7%).
– Nadal tem agora nove títulos em três diferentes torneios: Roland Garros, Monte Carlo e Barcelona. Tem ainda sete em Roma.


Por José Nilton Dalcim - 22 de abril de 2016 às 13:45

Quem é a maior surpresa deste começo de temporada? Poderíamos mencionar Milos Raonic, Gael Monfils, Dominic Thiem ou até Pablo Cuevas por suas boas atuações e títulos, mas me atrevo a dizer que quem está mesmo me surpreendendo é o canhoto argentino Federico Delbonis.

Aos 25 anos, ele ocupa neste momento o 17º lugar entre os tenistas que mais pontos somaram em 2016. E olha que a temporada de saibro, sua especialidade, ainda está começando. Neste ano, já ganhou de Andy Murray e Ivo Karlovic no piso duro, de Jack Sock e Fabio Fognini no saibro e conquistou o segundo ATP da carreira no Marrocos.

Não menos significativo é o fato de ele estar em outra semi, agora em Bucareste, e isso já o leva ao 36º lugar do ranking, apenas dois postos atrás de seu recorde pessoal, assim como o isola como melhor argentino do momento. Se conseguir ficar entre os 32 – tem apenas 70 pontos a repetir -, será cabeça de chave em Roland Garros, onde caiu na primeira rodada em 2015. De repente, é até um candidato ao top 20.

‘Gordo’, como é conhecido no circuito e na pequena Azul, cidade onde nasceu, também já derrotou Roger Federer e Stan Wawrinka sobre o saibro, sem falar em Tommy Robredo, Nicolás Almagro e Fernando Verdasco, especialistas na terra. Tem sido treinado desde criança pelo mesmo técnico, Gustavo Tavernini, e diz que seus espelhos foram Guillermo Vilas e Bjorn Borg, ainda que não tenha visto nenhum deles em atividade.

Mais legal ainda, seu adversário deste sábado será Lucas Pouille, outro nome que chama cada vez mais minha atenção. Cheio de recursos e adepto a um jogo agressivo, fará a primeira semi da carreira, o que o leva ao top 60 do ranking tradicional e já ao 38º da temporada.

O ranking que considera os resultados desde janeiro, aliás, traz outras curiosidades. Cuevas, por exemplo, está no 12º lugar à frente de Tomas Berdych, Jo-Wilfried Tsonga e David Ferrer. Outro sul-americano em momento ascendente é o também argentino Guido Pella, eliminado nas quartas de Bucareste mas 25º.

Não menos intrigante é vermos quem é o nome mais bem classificado entre o adolescentes. Alexander Zverev? Borna Coric? Que nada. O norte-americano Taylor Fritz, de 18 anos, está em 32º entre os que mais pontuaram em 2016, três postos à frente de Coric e 10 cima de Zverev.

E os brasileiros? Em sua fase ruim, Thomaz Bellucci é 85º, com apenas 225 pontos marcados na temporada, e Thiago Monteiro se aproxima rapidamente. Tem 216 pontos e irá atingir 232 caso atinja as semifinais de Sâo Paulo na tarde desta sexta-feira.