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Por José Nilton Dalcim - 13 de fevereiro de 2016 às 23:10

Desta vez, nem se pode dizer que Rafa Nadal jogou tão abaixo de sua capacidade. O espanhol teve é claro alguns altos e baixos, brigou o tempo todo, chegou a ter um match-point no saque adversário no finalzinho e só mostrou alguma insegurança no tiebreak decisivo, em que permitiu ao ousado austríaco Dominic Thiem abrir uma vantagem confortável.

Thiem está se firmando a cada dia. Já provou ser um jogador muito bom no saibro, onde reúne qualidades fundamentais como muito físico e ótima técnica, e pouco a pouco se fixa no top 20 como uma ameaça real aos melhores do ranking. A vitória deste sábado sobre Nadal deve acrescentar muito na sua confiança.

Rafa diz ter enfrentado desconforto com o estômago, provavelmente em função da explosiva combinação de calor e umidade de Buenos Aires, condições aliás muito semelhantes ao que encontrará no Jockey Club carioca. Depois de se arrastar nos dois primeiros jogos, fez uma exibição bem mais consistente contra Thiem. Porém o fantasma da derrota, dos jogos que deveria ter vencido e não o fez, permanece mais vivo do que nunca.

Para complicar, ainda terá de encarar chave dura no Rio Open. Estreia contra Pablo Carreño, cheio de vontade, que lhe tirou um set em Doha, e pode cruzar depois com o renascido Nico Almagro. Se passar por isso, cruzará com Thomaz Bellucci ou Alexandr Dolgopolov porém é bem provável que aí já esteja com o ritmo adequado e sairia então como favorito diante de Jo-Wilfried Tsonga ou Jack Sock.

David Ferrer também não vingou e isso irá permitir que o Argentina Open tenha uma inesperada final entre dois jogadores de backhand de uma mão. Almagro, dono de incríveis golpes de base, ótimo saque mas cabeça flutuante, parece ter reencontrado o caminho. Ex-top 10, está com 30 anos. Porém ainda tem tempo e experiência suficientes para muito mais do que o 72º lugar de hoje.

Amanhã falo mais das chaves e expectativas do Rio Open.

Renovação – Quando todos discutem o futuro do tênis masculino, a semana foi um alento com o incrível desempenho não só de Thiem, mas de dois gigantes de 18 anos. O alemão Alexander Zverev fez um tremendo torneio no ATP 500 de Roterdã, com vitória espetacular contra Gilles Simon, e saltará nesta segunda-feira já para o 55º lugar do ranking.

Não menos impressionante tem sido a trajetória de Taylor Fritz em Memphis, com a ressalva que este é apenas seu terceiro torneio de primeira linha (a arrancada vinha acontecendo exclusivamente em nível challenger). Vale observar que ele é seis meses mais jovem do que Zverev e, com mesmo com 1,93m, mede ainda assim cinco centímetros a menos que o alemão.

E para completar a ala dos 18 anos, a suíça Belinda Bencic chega ao top 10 com a final em São Petersburgo. Um eventual título sobre Roberta Vinci a levará ao 7º posto, mínimos dois pontos atrás de Maria Sharapova. E observem: até a temporada de grama, tem apenas 400 pontos a defender. Perspectiva não poderia ser mais animadora.


Por José Nilton Dalcim - 7 de fevereiro de 2016 às 22:02

Sei que vocês estão tão frustrados quanto eu, e provavelmente o próprio Thomaz Bellucci, com o título que escapou por tão pouco em Quito. Já tinha aqui preparado um artigo interessante sobre as grandes façanhas que ele estaria alcançando, todo animado. Vou arquivar, porque ainda acredito que serão aproveitáveis ao longo desta temporada.

Sejamos otimistas. Bellucci aparecerá nesta segunda-feira como 30º do ranking, com exatos 1.200 pontos e a 520 do número 20. Somando-se os 90 que precisa descartar, precisaria somar 610 ao longo do Rio Open e do ATP de São Paulo para chegar lá. Impossível? Dificílimo. Porém será uma de suas maiores oportunidades de se aproximar muito do tão sonhado top 20.

Ele entrará de cabeça 8 no Jockey Club e assim só cruzará com alguém de ranking superior ao seu a partir das quartas. A semi vale 180 pontos e o vice, 300. Já no clube Pinheiros, deverá ser o cabeça 2, ficando do outro lado da chave de Fabio Fognini. Com isso, pode facilmente concorrer aos 150 pontos do vice e até aos 250 do campeão.

Aliás, registre-se duas atitudes que me chamaram a atenção na campanha de Quito. No sábado, quase acertou o camera-man com o primeiro saque e ficou preocupado com a saúde do rapaz, mesmo tendo um segundo serviço e ponto importante pela frente. Ontem, primeiro set duro e torcida bem favorável a Victor Estrella, aplaudiu um grande lance do dominicano.

Ok, o título escapou numa falha imperdoável no meio do tiebreak, quando tinha forehand facílimo para abrir 4-2 e mais um saque a favor. Ele sabe disso. Louvável também a coragem do adversário de 35 anos de arriscar um incrível forehand cruzado para fazer 5-4. Dali em diante Estrella dominou a partida e mostrou por que era o atual campeão, com muito controle de uma bola que voa demais na altitude de 2.500m. Sob tensão, é ainda muito mais difícil evitar o erro.

Curtinhas
– Fortíssimo o ATP de Buenos Aires, talvez o 250 de mais alta qualidade depois de Doha. Nadal tem chave dura desta vez, com Dolgopolov nas quartas e Isner na semi. Do outro lado, estão Ferrer, Tsonga, Thiem e Fognini. Desde 2009, só vence lá um espanhol.
– Zverev teve grande desempenho em Montpellier e agora é o mais jovem no grupo dos top 70, com 18 anos e oito meses. Foi também vice de duplas com o irmão Mischa.
– Marcelo Demoliner ocupa o melhor ranking de duplas da carreira, com o 67º posto desta segunda-feira. Bellucci voltou ao top 100 da especialidade. Os dois estão em 18º nas parcerias da temporada, a apenas 100 pontos do 10º lugar.
– Sempre atento à nova geração, Wallace Barros me alerta para ver a esperança dominicana Nick Hardt, 15 anos, que ganhou convite e vai jogar nesta semana o challenger local onde o cabeça 1 é o próprio Estrella.
– Fim de semana de Fed Cup, destaque vai para Belinda Bencic. Essa suíça é mesmo osso duro. Ganhou de Angelique Kerber dentro da Alemanha e ganhou os três jogos que fez.
– Não comentei ainda sobre a artroscopia sofrida por Roger Federer. Nos bastidores, fala-se que ele dificilmente vai estar pronto para jogar Indian Wells. E sabemos que ele não gosta de ir a Miami. Então é bem provável que mude o calendário original e jogue mais no saibro europeu, reaparecendo no circuito em Monte Carlo.


Por José Nilton Dalcim - 2 de fevereiro de 2016 às 21:28

Demorou muito menos do que eu imaginava. Segundo notícia veiculada nesta terça-feira pelo Daily Mail, o escocês Andy Murray deve anunciar nos próximos dias o britânico Jamie Delgado como seu novo assistente técnico. A ideia é que ele trabalhe junto a Amélie Mauresmo e seja o companheiro de viagens e treinos do número 2 do ranking, principalmente quando a treinadora estiver na França cuidado do filho recém nascido.

A notícia revela que Delgado, hoje com 38 anos e um ex-jogador de Copa Davis, já trabalhou com Andy durante este Australian Open, mas de forma bem discreta. Além de se dar muito bem com Andy – fizeram dupla juntos na Davis -, o ex-número 121 do ranking de simples e 57 de duplas acabou de se aposentar do circuito e está em ótima forma. Até poucos dias, Delgado treinava o luxemburguês Gilles Muller, que anda jogando diretinho.

Isso vem em hora apropriada, porque obviamente a imprensa britânica discutiu muito a nova derrota para Novak Djokovic e principalmente sua apatia e falta de opção tática até a metade do segundo set. Houve é claro quem buscasse amenizar. A BBC, por exemplo, contou que Murray manteve uma mala pronta junto à porta do quarto durante todo o torneio, além de deixar uma reserva de voo marcada diariamente. Isso é claro sem falar no ataque cardíaco sofrido por Nigel Sears. Murray é muito ligado ao sogro, e confirmou que pensou seriamente em voltar para casa naquele dia.

O comentarista Russell Fuller foi firme e comparou: “Deixar Djokovic fazer 6/1 no primeiro set é como dar 10m de vantagem a Usain Bolt nos 100m”. Outro artigo ressaltou a análise do campeão de Melbourne sobre a partida: “Senti que ele estava neutro no fundo de quadra”.

Também curioso o comentário do Evening Standard, dando conta que Jamie Murray pode chegar inesperadamente ao número 1 do mundo antes do irmão mais novo. E dá as contas: ele está 700 pontos atrás de Marcelo Melo e tem pouco a defender entre Indian Wells e Miami. “Jamais pensei que poderia conseguir isso antes de Andy”, revelou o parceiro de Bruno Soares.

Já em casa e ao lado da esposa Kim, que espera o primeiro filho do casal para as próximas duas semanas, Andy pretende fazer uma forte pré-temporada, algo que não teve condições de realizar devido à final da Copa Davis. Se tudo der certinho, seu retorno pode acontecer na rodada inicial da Davis contra o Japão, marcada para Birmingham, na primeira semana de março.

Vencedor – Como era previsível, muita gente cravou a vitória por 3 sets a 0 de Djokovic sobre Murray na final de domingo do Australian. Mas o internauta Ulrich Kuhn foi o único a ter acertado o placar das três parciais, ainda que fora de ordem. Daí ele leva o Desafio do Blog. Ele deve me contatar no email joni1@uol.com.br para detalhes do prêmio, que é uma camiseta da exclusiva coleção TenisBrasil.