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Por José Nilton Dalcim - 27 de agosto de 2015 às 20:39

Se tivesse de apostar hoje, antes de o primeiro saque ser dado em Nova York, arriscaria meus reais numa final entre Novak Djokovic e Roger Federer para o US Open. Embora isso possa parecer lógico pensando apenas no ranking e na excelente temporada de ambos, foi na verdade o sorteio para a formação da chave quem contribuiu decisivamente para isso. Claro que haverá jogos mais perigosos para ambos, aqui ou ali. Vamos arriscar uma análise em cada quadrante.

Djokovic – Estreia contra Feijão, depois deve pegar o especialista Pospisil e ter Seppi na terceira rodada. Difícil ceder set. Aí vêm opções: Goffin, Bautista ou uma novidade, como Janowicz. Embora Goffin tenha assustado em Montréal, em cinco sets é bem mais complicado para ele. Por fim, nas quartas, pode pintar Nadal, ou Raonic, ou López. A estreia de Rafa já é perigosa, diante de Coric. Se passar, teria duelo interessante contra um grande sacador, mas nesse caso até acho que passa. Em qualquer um dos casos, não vejo quem possa impedir Nole de estar na semi.

Nishikori – O segundo quadrante está bem imprevisível e com nível técnico duvidoso, porque Nishikori e Ferrer voltam de contusão, Cilic está mal e Tsonga vive de altos e baixos. Seria bem legal reviver a decisão de 2014 entre Nishikori e Cilic, mas o japonês precisa mostrar que está inteiro já diante de Paire na estreia. Ainda tem Dolgopolov ou Robredo no caminho antes de chegar em Tsonga, que é mais jogador do que Monfils. O campeão Cilic deu sorte e parece ter como único obstáculo Dimitrov na terceira rodada. No fundo, no fundo, olha que chance para o búlgaro fazer um grande resultado. Já cravo Dimitrov como o maior candidato à zebra deste ano em Flushing Meadows.

Murray – Vida difícil para o britânico, a começar pela estreia diante de Kyrgios. Para sua sorte, o australiano deve estar desfocado. Daí em diante, tem tudo para ir até as quartas, já que Bellucci na terceira, Anderson ou Thiem nas oitavas não assustam. A lógica diz que viria então Wawrinka e aí a coisa complica. Stan pegou uma área promissora, ainda que tenha o garoto Chung, o local Sock e o persistente Simon no caminho. Se sobreviver a tudo isso, Murray então pegaria…

Federer –   O suíço foi outro que se deu bem no sorteio. Começa com Leo Mayer, depois Baghdatis (ou Darcis), quem sabe Kohlschreiber. Não dá para assustar. Isner ou Karlovic viria nas oitavas, mas o suíço gosta de um sacador. Só então um problema maior, caso Berdych chegue lá. Há pouca dúvida disso, a não ser que Tomic ou Gasquet subam muito de nível (o francês tem estreia dura contra Kokkinakis). Mas ninguém fora Berdych parece ser ameaça real ao cabeça 2.

Brasileiros – Feijão não poderia ter tido mais azar. Olhemos o lado bom: qual a chance de ele enfrentar o número 1 do mundo? Pequena, porque isso só acontece mesmo em torneios muito grandes. Qual a oportunidade de experimentar o magnífico estádio Arthur Ashe? Bem pouca. Então é curtir e tentar fazer o seu melhor, de preferência sacando muito. Bellucci por sua vez tem boa chance de encontrar Murray na terceira rodada, já que Ward é pouco experiente e depois viria um quali (tomara que não seja Zverev). E que legal ver Clezar na última rodada do quali, derrotando a experiência de Almagro!

Destaques – A primeira rodada claro terá como atrações Murray x Kyrgios, Nadal x Coric e Gasquet x Kokkinakis, mas vale conferir Nishikori x Paire, Verdasco x Haas, Fognini x Johnson e até Tsonga x Nieminen. Boa notícia: quatro adolescentes por enquanto estão na rodada final do quali: Zverev, Ymer, Rublev e Edmund.

Feminino
Todas as atenções, especialmente da forte mídia americana, estarão obviamente em cima de Serena Williams e a oportunidade tão rara de completar o Grand Slam real e verdadeiro. Tecnica e fisicamente muito superior, não dá para imaginar dificuldades para a número 1 do mundo nas primeiras rodadas, a menos que o nervosismo tome conta, o que não é nada difícil e anormal de acontecer.

Stephens é uma adversária que costuma ser ousada, Radwanska tem recursos, mas só mesmo uma Williams abaixo do seu potencial explicaria uma derrota. Das quartas em diante, claro, a coisa aperta. Karolina Pliskova está em grande fase, porém todo mundo espera que a adolescente Belinda Bencic seja a adversária e repita a grande atuação de Toronto. Duelo de gerações em alto nível faz sempre muito bem para o tênis.

O segundo quadrante é incógnita. Sharapova volta de contusão e pega de cara a talentosa Gravilova, para quem já perdeu neste ano. E ainda teria Kuznetsova e depois Makarova no caminho. Por tudo isso, acho mais viável que Ana Ivanovic arranque essa vaga para a semi, repetindo sua campanha de Roland Garros.

E não é nada improvável que Serena reencontre Vika Azarenka na eventual histórica final do torneio. A bielo-russa gosta de Nova York. Suas dificuldades podem ser duas canhotas sucessivas (Kerber e Safarova) e quartas diante de Halep, que tem ligeiro favoritismo sobre Cornet, Bacsinszky ou Lisicki. No outro lado, pode acontecer qualquer coisa, de Kvitova a Wozniacki, de Muguruza a Stosur, de Petkovic a Pennetta. Não enxergo o mínimo favoritismo.

Sem qualquer preparativo para a quadra dura, Teliana Pereira vai pelo segundo ano seguido a Nova York quase para cumprir tabela, e ainda terá de rever a canhota e forte Makarova. Só resta mesmo torcer por seu notável espírito guerreiro.


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Por José Nilton Dalcim - 26 de agosto de 2015 às 00:17

As derrotas de Novak Djokovic nas finais de Montréal e Cincinnati abriram uma inesperada projeção para o US Open. O número 1 do ranking, que antes parecia favas contadas em favor do sérvio, agora está bem mais ao alcance do britânico Andy Murray, ainda é claro que ele teria de fazer campanhas espetaculares para se aproximar da liderança. Matematicamente, a possibilidade existe e portanto não pode ser descartada.

Analisemos o ranking da temporada, ou seja, a somatória de pontos dos tenistas entre janeiro e agora, e esqueçamos a defesa de pontos para simplificar o cálculo. Até porque a chance de Murray só aconteceria mesmo no último torneio do calendário, lá no Finals de Londres, em novembro.

Djokovic está bem à frente, é verdade, com 10.785 pontos acumulados. Murray totaliza 7.190, portanto 3.595 pontos atrás. O calendário do britânico incluirá US Open (2 mil pontos ao campeão), Masters de Xangai e Paris (2 mil no total), semi da Copa Davis (150), provavelmente um ATP 500 (onde só pode somar 250) e é claro o Finals (1.500 se invicto). Portanto, há espaço de sobra para uma aproximação. Difícil, mas não impossível.

Claro que Djokovic continua o maior candidato a manter o posto, talvez até com folga. A rigor, ele precisaria marcar mais 2 mil pontos até o Finals para ficar fora do alcance de Murray, o que pode ser obtido logo no US Open. O britânico por sua vez poderia desejar um cruzamento na semi de Flushing Meadows com o sérvio, o que permitiria descontar, quem sabe 1.280 pontos numa tacada só.

Roger Federer está completamente fora da briga, já que hoje tem quase a metade dos pontos de Djokovic, com 5.525. É uma distância também grande para Murray, na casa dos 1.665 pontos. E ainda corre risco de ver Stan Wawrinka nos seus calcanhares, uma vez que o número 2 suíço acumula 4.780, portanto menos de 800 pontos atrás.

Esses quatro nomes estão garantidos no Finals. A meu ver, Kei Nishikori, Tomas Berdych e Rafael Nadal, todos com mais de 3.600 pontos, também. A oitava vaga me parece a única aberta, entre David Ferrer, John Isner e Richard Gasquet, quem sabe Gilles Simon ou Milos Raonic, ou ainda um campeão totalmente inesperado em Nova York, que ganharia assim vaga automática, algo para Marin Cilic, Jo-Wllfried Tsonga, Grigor Dimitrov. Mas isso me soa muito mais improvável do que Murray chegar ao número 1.

Mais Federer
‘Sou um pouco parcial para falar de Roger, porque adoro vê-lo jogando. Eu o conheço desde os 16 anos e acho incrível como ele ainda sente prazer em jogar. Além de tudo, é um grande embaixador do tênis. Quer você curta ou não o tênis, tem que admirar o que ele tem feito. Federer é o esportista definitivo’
(Greg Rusedski)


Por José Nilton Dalcim - 23 de agosto de 2015 às 22:34

No ano passado, ele trocou de raquete e contratou treinador, causando rebuliço por recuperar um tênis ofensivo que parecia esquecido no circuito atual. Há uma semana, tem deixado público, analistas e adversários estupefatos ao agregar ainda mais ousadia, praticando um movimento para a frente na devolução de saque, num estilo que pode ser definido como sufocante. Ele acabou de completar 34 anos, e a pergunta que mais tem respondido há um par de temporadas é quando irá se aposentar.

Pois Roger Federer conseguiu um feito inédito neste domingo em seus 17 anos de estrada: pela primeira vez, ganhou um título derrotando os dois líderes do ranking. Puxa, mas como isso é possível para um jogador de seu quilate, com tantas conquistas de peso, tido como um dos maiores da história? Simples. Ele próprio passou a maior parte do tempo entre os dois primeiros.

Federer, notável, se reinventou mais uma vez. Eu, que sempre o tive como um dos mais habilidosos voleadores do circuito, sou obrigado a reconhecer que hoje em dia ele subiu de posto e é o melhor. Jogar na rede no tênis atual é muito difícil, porque os adversários batem muito forte, chegam facilmente para a passada. Essencial fazer uma aproximação perfeita, ter leitura rápida, agilidade para cobrir os espaços e mão para matar logo o ponto, evitando uma segunda chance ao oponente. E se ele se chama Novak Djokovic ou Andy Murray, a tarefa exige execução primorosa.

Estou curioso para ver se Federer manterá esse padrão no US Open, já que Nova York tende a ser mais lento que Cincinnati e ainda por cima os organizadores costumam programá-lo para a rodada noturna, onde o piso é ainda menos veloz. Talvez tenha de fazer uma boa mescla, exatamente como aconteceu neste fim de semana, em que foi obrigado a bater mais do fundo de quadra e a respeitar pernas e golpes de Nole e Murray.

Achei particularmente interessante o fato de Djokovic admitir neste domingo que não fez uma boa semana e que já foi um grande resultado chegar à final. Mostra maturidade. Não vamos esquecer que, antes de perder os títulos dos dois Masters, se salvou contra Ernests Gulbis em Montréal e esteve bem perto da derrota para David Goffin e Alexandr Dolgopolov em Cincinnati. Jogou abaixo, esteve tenso, ganhou na marra e na experiência. Contra Federer, só aguentou mentalmente um set, e ainda assim esteve várias vezes nas cordas. Terá agora o tempo necessário para se reequilibrar e entrar mais inteiro e intenso no US Open.

Apenas 48 dias mais jovem do que Federer, a norte-americana Serena Williams luta contra seus fantasmas. Tal qual Djokovic, não está conseguindo jogar um tênis do mesmo nível de Roland Garros ou de Wimbledon. A pressão que a aguarda em Nova York, onde tentará fechar o Grand Slam tradicional, começou como se esperava bem antes.

Como é muito superior às adversárias, conseguiu ganhar Cincinnati e isso servirá como alívio até entrar em quadra no US Open. Teria sido um desastre incalculável se perdesse diante de Simona Halep seus feitos do momento: esta foi a 15º vez consecutiva em que sai vitoriosa de uma final, algo que já data de exatos dois anos. Nesse período, não perdeu qualquer outra partida sobre quadra sintética dentro dos EUA, numa série que chega agora a 43 jogos seguidos.

Este US Open promete mesmo ser histórico.