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Por José Nilton Dalcim - 30 de julho de 2015 às 11:49

A ATP deu um tiro no pé, embora nunca reconheça. Ao diminuir a velocidade do jogo e padronizar os pisos, não levou em conta a evolução tecnológica de equipamentos e do preparo físico. O que se tem visto no circuito de hoje desagrada muita gente: partidas longas, excesso de trocas de bola sem objetividade, estilos muito parecidos e duelos com pouca emoção. Como mudar isso e manter o interesse do público?

Em entrevista ao importante Wall Street Journal, Chris Kermode, o presidente da ATP, é cauteloso nas declarações mas deixa claro que quer principalmente diminuir ao máximo a duração das partidas, e isso envolveria um pouco de tudo. Reduzir o aquecimento tradicional de cinco minutos, tirar o “let” no saque e quem sabe adotar o “no-ad”, ou seja, os games sem vantagem, que certamente são a principal causa de jogos mais demorados.

Kermode no entanto observa que tais tentativas precisam ser testadas em torneios menores. A ATP pretende fazer isso com o evento extra-oficial que criou no final deste ano para os oito melhores jogadores até 21 anos, que dará prêmios mas não contará pontos para o ranking. “Podemos então experimentar mudanças, estou curioso para ver isso”, admite ele, que tem perfil ousado.

Desde que foi criado o circuito profissional, em 1970, muito pouca coisa mudou nas regras do tênis. O tiebreak foi a maior e mais importante inovação, já que reduziu drasticamente os sets. Ainda assim, não é adotado no quinto set de três dos quatro Grand Slam nem na Copa Davis, o que gerou as 11h05 de Isner-Mahut ou as 6h43 de Feijão-Mayer. Bem mais recente, houve a adição do Hawk-Eye, o sistema eletrônico para sanar dúvidas, o que gerou um excepcional show mas não alterou o tempo.

O famoso World Team Tennis, que acontece nos EUA desde 1974 e atrai muitos profissionais com sua boa premiação, foi o primeiro a permitir instrução dentro de quadra – hoje, apenas a WTA permite isso com limitações – e nesta temporada irá copiar a Premier League e instalar um cronômetro para controlar o tempo entre os pontos. Mas o WTT é antes de tudo uma grande brincadeira.

Em janeiro, durante exibições na Austrália, Federer e Nadal jogaram com sets limitados a quatro games, sem vantagem para finalizar os games e sem o “net”, além de a contagem ser chamada de “1, 2, 3 e 4″, ao invés do secular “15, 30, 40…”. O sistema foi batizado de Fast4 e imita a tentativa de outras modalidades, como o Twenty20 do críquete ou o Sevens do rúgbi.

Para o comandante máximo do tênis australiano, Craig Tiley, “o público quer mais pontos de pressão no tênis, ao invés de partidas longas e menos objetivas”. Na sua visão, os jogos são demoradas demais e limitam muito a participação do fã. “Se você observar o estádio, apenas a partir do 3/3 do primeiro set o público realmente se interessa. Temos um vazio muito grande de emoções”.

Chris Widmaier, porta-voz da USTA, revela que o US Open continua na luta por mudanças. Foi o Slam que introduziu o tiebreak e o Hawk-Eye. Entre as ideias, permitir que o público se movimente mais livremente a qualquer momento do jogo, até mesmo para quem se senta próximo da quadra. “Com isso, se poderia acrescentar serviço de alimentação e bebida em todos os locais da arquibancada”, sugere.

Poucos tenistas se manifestaram publicamente sobre o tema polêmico. Milos Raonic acha que o tênis “está perfeito do jeito que é”, Jelena Jankovic rejeita o no-ad e mais ainda a liberdade de movimento do público porque “já temos stress demais dentro de quadra”. O duplista Daniel Nestor é favorável: “Mudaria imediatamente para o no-ad, assistir a 200 trocas de bola a cada jogo é um tanto entediante”. Bob Bryan opina que “no começo os tenistas vão reclamar, mas depois se acostumarão”.

Notinhas
- Benoit Paire tem um feito raro no circuito: numa mesma temporada, ganhou torneios de nível future, challenger e ATP. Ele é o quinto tenista do ano a erguer troféus de challenger e ATP, repetindo Rajeev Ram, Nicolas Mahut, Jiri Vesely e Victor Estrella.
- Novak Djokovic igualou nesta segunda-feira Rafael Nadal no número de semanas consecutivas na liderança do ranking, com 56. Fatalmente também irá alcançar as 58 de John McEnroe.
- Frase de Adriano Panatta comentando na Eurosport: “Bjorn (Borg) destruia seus adversários na quadra, mas Roger (Federer) é o tênis em sua essência”.


Por José Nilton Dalcim - 27 de julho de 2015 às 15:18

O site oficial do tênis canadense, o Tennis Canada, soltou uma lista curiosa nesta semana: os 10 recordes que jamais serão batidos. Será? Vamos à lista e minhas considerações. Sigo a ordem dada pelo site.

1. Jogo mais longo
A maratona de 11h05 entre John Isner e Nicolas Mahut na primeira rodada de Wimbledon de 2010, com direito a 70/68 no quinto set. Equivale a uma viagem São Paulo-Paris. Mais incrível ainda é que cada tenista marcou pelo menos 100 aces na partida. Realmente, será extremamente difícil alguém superar isso.

2. Raquetes quebradas
Vencedor de dois Grand Slam, o russo Marat Safin se notabilizou também por quebrar raquetes: apenas em competição, ele danificou 48 raquetes na temporada de 1999. No total, foram mais de mil: “1.055. Sei porque a Head me deu uma prancha com o número impresso”. Bom, essa marca não me parece tão absoluta assim, tem muito maluco no circuito.

3. Aces numa temporada
O croata Goran Ivanisevic anotou nada menos que 1.477 aces na temporada de 1996, a maior quantidade desde que a ATP passou a medir isso, há 24 anos. Esta sim é uma marca quase insuperável, ainda mais com as bolas pesadas e as quadras mais lentas de hoje em dia.

4. Duplas
Bob e Mike Bryan já pulverizaram todas as marcas do tênis profissional: 16 Grand Slam e 104 juntos. Parece também muito difícil de ser superada, e olha que os gêmeos de 37 anos ainda têm boas temporadas pela frente.

5. Simples
Com uma extensa carreira de duas décadas, tendo disputado inúmeros torneios no piso sintético americano no início da Era Profissional, Jimmy Connors totalizou 109 títulos de simples. O todo-poderoso Roger Federer está ainda com 86. Parece inalcançável mesmo.

6. Supercampeã
Mas se a marca de Connors é impressionante, o que dizer dos 167 torneios (de simples) vencidos por Martina Navratilova? São nada menos que 99 a mais do que Serena Williams tem hoje.

7. Prova dos 9
Se ganhar um torneio ATP múltipla vezes já é uma façanha e tanto, imagine o que é vencer um Grand Slam por nove vezes. A atual marca de Rafael Nadal em Roland Garros, que ainda está em plena atividade, também não parece atingível até mesmo para um ATP comum. Sem falar no seu recorde de 81 vitórias seguidas sobre o saibro.

8. Semifinais
Entre tantos recordes que possui, talvez o mais notável de Roger Federer sejam as 23 semifinais consecutivas de Grand Slam, ou seja, uma sequência de seis anos chegando à penúltima rodada na grama, no saibro e na quadra dura. O segundo colocado é Novak Djokovic com “apenas” 14. Atualmente, está em 6.

9. Número 1
Nem foi uma das mais longas carreiras, mas ainda assim Steffi Graf liderou o ranking por 377 semanas. Para se ter uma ideia da grandiosidade, basta ver que Serena teria de manter o posto por mais três anos para chegar tão longe.

10. O Slam
Mesmo tendo dominado o tênis por quatro temporadas, Federer não conseguiu. No seu auge, Djokovic também não. Vencer os quatro Slam num só ano continua a ser uma missão quase impossível. E Rod Laver não fez isso apenas uma, mas duas vezes.


Por José Nilton Dalcim - 24 de julho de 2015 às 19:38

Pela segunda vez, seja no saibro ou na grama, a sensação alemã Alexandr Zverev virou em cima de Thomaz Bellucci. Mais do que analisar o vacilo do brasileiro, que chegou a ter 4/2 no segundo set em Bastad, talvez seja mais válido enaltecer a maturidade que o adversário, tenros 18 anos, mostrou. Mesmo reclamando do dia que parecia ruim, brigou, não desistiu, procurou uma solução, atacou até o forehand poderoso de Bellucci e pela segunda vez está numa semifinal de primeira linha.

Alexander vem de uma família que se alimenta de tênis há muito tempo. O pai, agora seu treinador, jogou profissionalmente pela Rússia, então União Soviética, onde se casou com a também tenista e hoje treinadora Irena. Eles se mudaram em 1991 para a Alemanha, onde nasceu primeiramente Misha, que também joga o circuito atualmente apesar de muitos problemas de contusão.

Sascha é um tremendo fenômeno. Quando se fala tanto em precocidade, é bom lembrar que ele ganhou um future nos EUA apenas aos 15 anos e meio. Em 2014, ainda com 16, ganhou o juvenil do Australian Open e imediatamente se dedicou aos qualis de challenger – passou cinco – e de ATPs. Foi campeão do challenger de Braunschweig derrotando três adversários entre os 100 do ranking, superou pouco depois o então top 20 Mikhail Youzhny.

Mais notável ainda, tem se sobressaído nos mais diferentes pisos. Ainda que goste muito mais do saibro – apesar do forte saque e da opção pelo jogo mais agressivo -, também se adapta bem ao piso sintético (ganhou de João Sousa no quali de Miami) e até mesmo à grama, onde aliás havia batido Bellucci em Nottingham antes de passar uma rodada em seu primeiro Wimbledon. Para completar, tem uma final de duplas em nível ATP. Ou seja, faz de tudo, e tudo muito bem feito. Importante dizer que Zverev passa o verão europeu em Hamburgo e o inverno na Flórida, treinando em Saddlebrook. Não por acaso, é fã do Miami Heat e de LeBron James, tendo como espelho no tênis Roger Federer.

Com 1,98m e 18 anos completados em abril, Zverev já tem dois títulos de challenger e chegou a ocupar o 74º posto do ranking semanas atrás, marca que poucos brasileiros conseguiram em toda a carreira ao longo da Era Profissional. Com a semifinal em Bastad, Sascha já garantiu o retorno ao top 100.

Os novatos
Aproveitando o momento, confira abaixo quem são os principais nomes do tênis masculino por faixa etária, com base no ranking desta segunda-feira. É um bom panorama da nova geração. Ao retornar ao top 100, Zverev estará entre os sete mais bem classificados dos que têm até 21 anos.

Até 18 anos
1. Borna Coric (36)
2. Alexander Zverev (123)
3. Jared Donaldson (160)
4. Andrey Rublev (190)
5. Omar Jasika (283)

Até 19 anos
1. Borna Coric (36)
2. Thanasi Kokkinakis (72)
3. Hyeon Chung (78)
4. Alexander Zverev (123)
5. Elias Ymer (133)

Até 20 anos
1.Borna Coric (36)
2. Nick Kyrgios (40)
3. Thanasi Kokkinakis (72)
4. Hyeon Chung (79)
5. Kyle Edmund (113)

Até 21 anos
1. Dominic Thiem (26)
2. Borna Coric (36)
3. Nick Kyrgios (40)
4. Thanasi Kokkinakis (72)
5. Hyeon Chung (79)
6. Lucas Pouille (87)
7. Kimmer Coppejans (102)