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Por José Nilton Dalcim - 26 de maio de 2016 às 19:14

O tênis tem a grande vantagem de sempre nos oferecer o dia seguinte. E, se você sair vencedor, melhor ainda. Novak Djokovic poderá esquecer rapidamente dos erros que o deixaram tão irritado em quadra diante de um frágil Steve Darcis. O futuro mais próximo não poderia ser mais apropriado: o instável Aljaz Bedene, com que Nole já treinou várias vezes.

Mais do que qualquer coisa, o que incomoda no Nole que temos visto desde Roma é sua pouca paciência e indisfarçável ansiedade. Está apressado para começar o próximo ponto, para finalizar a jogada, para pedir a bola ao pegador, até para cumprimentar o adversário. Parece que tudo o irrita. Tudo mundo diz que o maior adversário do sérvio é ele mesmo. Neste momento, diante da pressão de Roland Garros, parece mais verdade do que nunca.

A sorte é que não há um oponente no horizonte a ameaçá-lo concretamente. Roberto Bautista e Borna Coric não têm peso de bola nem variação tática para isso, como o slice chato ou as subidas à rede de Darcis. O outro quadrante só tem gente bem conhecida, fregueses como David Ferrer, Feli López e Tomas Berdych. O único ‘desconhecido’ seria Pablo Cuevas, mas não dá para acreditar numa surpresa.

Rafa Nadal continua em maré mansa, ainda que tenha demorado a esquentar contra Facundo Bagnis. Mas era barbada, tanto quanto Marcel Granollers no sábado. Só então o real torneio começa para o espanhol, seja Dominic Thiem ou Alexander Zverev.

Seu setor tem ainda Jo-Wilfried Tsonga, que precisou de virada heróica contra Marcos Baghdatis depois de perder um set-point bobo no tiebreak inicial. Seu adversário, quem diria, será Ernests Gulbis. Quem passar, pega David Goffin ou Nico Almagro. Olha o espanhol aí querendo aprontar.

Teliana não decepciona
Puxa, ganhou apenas três games e não decepcionou? Claro que não. Todos sabemos, provavelmente Teliana também, que a distância técnica para Serena Williams é gigantesca. Então o importante era jogar seu melhor, lutar muito, tentar de tudo.

E isso a brasileira fez. Sentiu o nervosismo natural dos primeiros games, em que a cabeça 1 veio com tudo, mas depois entrou melhor nos ralis e chegou até a quebrar o serviço da americana, que precisou jogar sério. Ganhou aplauso da toda poderosa adversária depois de uma passada e volta para a casa com merecidos 60 mil euros no bolso. Aliás, Teliana deve ainda nesta temporada se tornar a primeira brasileira com US$ 1 milhão de premiação.

Enquanto isso, Serena deve ter a torcida contra si diante da simpática Kristina Mladenovic, uma boa duplista que precisará devolver bem e quem sabe forçar o jogo de rede. Pouca chance. Quem passar, pega Ana Ivanovic ou Elina Svitolina.

Jogo interessante deve acontecer entre Carla Suárez e Dominica Cibulkova. Já a veteraníssima Venus Williams atropelou Louise Chirico, 16 anos mais jovem, e a suíça Timea Bassinszky, agora livre das contusões, tem uma enorme brecha para ir até a semi com seu estilo muito variado e gostoso de ver.

Rumo às oitavas
– Três franceses em quadra nesta sexta-feira, com destaque claro para Gasquet x Kyrgios. Também lutam Simon x Troicki e Chardy x Wawrinka.
– Os sacadores sonham com dia de sol e quadra seca. Karlovic encara o cansado (?) Murray, Raonic pega sortudo Andrej Martin, Isner contra Gabashvili e Sock x Albert Ramos. Outro que espera quadra mais rápida é Nishikori em seu duelo contra Verdasco.
– O duelo de vices entre Safarova e Stosur e o jogo perigoso de Radwanska contra Strycova são os destaques da rodada feminina.
– E lembram da alemã Annika Beck que perdeu duas vezes seguidas da Teliana semanas atrás? Vai buscar oitavas com chances diante de Irina Begu.


Por José Nilton Dalcim - 25 de maio de 2016 às 19:48

A vida definitivamente está dura e cruel para Andy Murray. Nem mesmo um inexperiente 164º do ranking lhe deu paz, embora o escocês tenha tido seu grau de culpa no esforço totalmente inesperado a que novamente se submeteu. Tinha 6/3 e 2/0 antes de entrar em parafuso, perdendo 12 dos 16 games seguintes.

Não me arrisco a dizer o quão bom ou ruim é encarar Ivo Karlovic na terceira rodada. O croata de 37 anos fez história ao vencer uma partida incrivelmente longa, com três tiebreaks e 22 games no set final, tornando-se o mais velho em 25 anos a atingir a terceira rodada de um Slam. Não é um tenista que combina com o saibro, porém exigirá de Murray a parte mais dolorosa: a mental. Porque diante de um sacador espetacular, que encurta todos os pontos, concentração e paciência são o único antídoto. E aí não se sabe o quanto disso ainda resta no tanque de combustível do escocês.

Já se sabia que a trajetória do escocês era a mais difícil entre os quatro principais cabeças de chave. Andy pode ter em seguida o também corta-físico John Isner e nas oitavas o leque de alternativas que vai de Nishikori a Kyrgios ou Gasquet. Características diferentes, mas potencial bélico considerável.

Aliás, Gasquet e Kyrgios fazem o primeiro grande duelo da chave masculina na próxima sexta-feira. Vi os dois hoje e ambos foram muito bem. Já têm um histórico considerável de duelos, alguns emocionantes. Quem passar, deve pegar Nishikori, que economizou energia nas duas partidas e é favoritíssimo contra Fernando Verdasco.

Stan Wawrinka precisou de apenas três sets, mas fez de novo uma atuação pouco convincente. Diante de Taro Daniel, nem de longe um especialista no piso, foi apressado, desinteressado. Só lembrou o campeão de 2015 no final do tiebreak do primeiro set, em que saiu de 4-6 e saque contra com três pontos brilhantes. Vem agora Jeremy Chardy e suas bolas retas, quem sabe Gilles Simon. Seria uma boa chave, mas o Stan de hoje em dia parece capaz de qualquer coisa.

Simon aliás arrancou uma virada antológica contra o canhoto Guido Pella, dois sets atrás e 2/4. Empurrado pelo público fanático, brigou por 4h37, perdeu sete match-points até obter a vaga. Os dois chegaram a receber atendimento e massagem simultaneamente no meio do quinto set. Foi uma pena para Pella, que tem crescido ao longo da temporada. Bem legal o sorriso e o abraço fraternal que deu no lutador francês ao final da batalha.

A chave feminina viu os principais nomes avançarem sem sustos. Ainda é cedo para imaginar se teremos algo de novo nesse lado da chave, contrariando a previsão de Aga Radwanska enfrentar Simona Halep e Garbine Muguruza cruzar Petra Kvitova nas quartas. As maiores candidatas são Lucie Safarova, que jamais seria uma surpresa, ou Sloane Stephens. Mais prudente aguardar.

Ultimate fight
Dados da WTA dão a dimensão sobre a diferença entre Serena Williams e Teliana Pereira. Vejamos: US$ 76 mi na carreira contra US$ 870 mil, 70 títulos a 2, 55 vitórias em Paris frente a 3, 168 triunfos sobre top 10 contra 0. A americana tem mais vitórias em Roland Garros (55) do que a brasileira tem em toda sua carreira somando todos os WTA e Slam (30).

Impossível? Nunca. Mas será muito difícil a tarefa na Suzanne Lenglen, por volta de 11h. Vale registrar: a última vitória de uma brasileira diante de uma top 10 foi de Niege Dias em julho de 1986.

A quinta-feira
– Duelos jurássicos nesta quinta-feira: Ferrer x Mónaco, Estrella x Feli Lópéz, Mahut x Granollers, Tsonga x Baghdatis, Berdych x Jaziri. Chegaram na 2ª rodada 27 jogadores com mais de 30 anos, maior quantidade desde o Austrlian Open de 1977.
– Djokovic enfrenta Darcis, 160 postos atrás no ranking. Nadal pega Bagnis, 94 lugares distante. A última vez que Nole perdeu para um quali foi em 2008. Rafa só foi batido no saibro por um adversário de ranking tão fraco em 2004.
– Há duelos da nova e da velha gerações também: Zverev x Robert, Thiem x Garcia-López, Cuevas x Halys. Venus enfrentará Chirico, 16 anos mais jovem. O único mais novato envolve Coric e Tomic.


Por José Nilton Dalcim - 24 de maio de 2016 às 19:14

As estreias de Novak Djokovic e Rafael Nadal foram exatamente como as esperadas: tranquilas e sem graça. Não por culpa dos favoritos, mas da imensa diferença para os adversários. Ao menos vimos um Nole muito consistente na base, fazendo belas deixadinhas, e um Nadal firme nas devoluções com direito a um magnífico ‘grand willy’.

Por isso mesmo, pelo segundo dia consecutivo, a atenção ficou mesmo em cima de Andy Murray e o duelo apertado contra o mágico Radek Stepanek e seus incríveis 37 anos. O escocês marcou a nona virada de 2 sets em sua carreira – está agora a uma de igualar o recorde -, mas passou sufoco no 7/5 do quinto set. Até onde isso será um desgaste ou uma motivação teremos de aguarda para saber. Ele retorna à quadra já nesta quarta-feira para uma segunda rodada teoricamente simples diante do 164º do ranking.

Dos outros jogos, me preocupou ver Dominic Thiem de novo pedindo atendimento para dores no ombro direito. É algo que pode comprometer sua campanha, numa chave exigente. Vem agora o experiente Garcia-López, depois um eventual reencontro com Zverev e enfim Nadal nas oitavas. Só com o corpo inteiro o austríaco de 22 anos poderá sonhar com algo grande.

Também vale destacar o mau humor de Nico Almagro, que discutiu com Carlos Bernardes e até com o adversário Kohlschreiber. Os atritos entre ele e o árbitro brasileiro vêm desde o ano passado. Desta vez, o espanhol teria ficado maluco com uma advertência por palavrão e passou todo o quarto set reclamando da vida. Se colocar a cabeça no lugar, pode tirar Vesely, surpreender Goffin e encarar Tsonga lá na frente. Depende dele.

A chave feminina teve duas gigantescas más notícias. Angelique Kerber jogou insegura e Vika Azarenka passou a sentir o joelho ainda no primeiro set, chegando às lágrimas no final da partida que acabou entregando. Dê-se devido valor à italiana Karin Knapp, que bate com vontade na bola e ganhou de uma top 10 em sua 19ª tentativa.

Claro que essas ‘zebras’ beneficiam diretamente Serena Williams, que previa ter Vika nas quartas e Kerber na semi. Mas o setor ainda tem algumas meninas valentes, como Carla Suárez e Dominika Cibulkova. De qualquer forma, a norte-americana só pode ficar mais confiante.

Por falar nisso, Serena terá pela frente Teliana Pereira na quinta-feira. Favoritismo óbvio e com pouca chance de a brasileira tirar mais que dois ou três games, a menos que Williams viva seus dias de preguiça. Tecnicamente, a distância é abismal. A grande arma da pernambucana é seu notável espírito guerreiro. Não tem medo de cara feia. Tomara que seja escalada para a Philippe Chatrier e curta um momento único e merecido.

No detalhe
– Benoit Paire entrou nas três chaves, talvez sem acreditar muito que possa ir longe em simples. Enfrenta Teymuraz Gabashvili.
– Gasquet e Fratangelo fazem duelo de campeões juvenis: o francês venceu em 2002 e o americano, em 2011.
– Três lucky-loser estão na segunda rodada, algo que não acontecia no torneio há mais de 30 anos.
– Em caso de nova vitória, Ivo Karlovic será o mais velho tenista a atingir a terceira rodada de um Slam desde Connors no US Open de 1991.
– Stan Wawrinka disputará sua 150ª partida de Grand Slam.
– Os dois classificados para a segunda rodada de mais baixo ranking são Marco Trungelliti (166º) e Myrtilles Georges (202ª).
– Três britânicos venceram na estreia – Murray, Edmund e Bedene – e marcam o maior sucesso do país no torneio desde 1975.