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Por José Nilton Dalcim - 7 de julho de 2015 às 14:47

E Novak Djokovic passou seu grande teste em Wimbledon. Saindo de 2 sets a 0 e muita frustração diante do jogo destemido do sul-africano Kevin Anderson, o número 1 do mundo cravou sua 25ª presença consecutiva nas quartas de final de um Grand Slam naquela que foi a quarta virada após perder os dois sets iniciais. Agora, é super-favorito diante de um de seus maiores fregueses: 12 a 0 em cima de Marin Cilic.

Como se esperava, a retomada do quinto set nesta terça-feira não foi fácil para Djokovic. Anderson continuou muito firme no saque e teve reais chances de pular à frente do marcador, especialmente no quarto game, o que lhe daria uma vantagem perigosíssima. Nole jogou então como o autêntico número 1, muito confiante, sem vacilo. Tudo continuou apertado até que enfim Anderson fez jus a seu histórico de ‘amarelão’ e disputou um game horroroso que deu a quebra e em seguida a vitória suada e merecida do bicampeão.

Cilic não vai ter chance? Bem, é outro forte sacador, que arrisca muito da base mas não se mexe tão bem. Ainda assim, fez o jogo talvez mais apertado de seu histórico contra Djokovic justamente em Wimbledon do ano passado, quando chegou a liderar a partida por 2 sets a 1. Uma série de feitos aguarda o sérvio nesta quarta-feira: a 50ª vitória em Wimbledon, a 650ª da carreira e a 198ª de Grand Slam, abrindo portas para outra marca centenária se for à final. Muito importante observar que, em toda a Era Profissional, apenas seis homens ganharam 50 jogos em Wimbledon e olhem que lista: Connors, Federer, Becker, Sampras, McEnroe e Borg. Se atingir sua sexta semi seguida no All England Club, igualará o feito de Borg e Connors e se aproximará das 7 de Federer.

Isso, é claro, se Federer não cumprir também seu favoritismo contra Gilles Simon. É verdade que o francês ganhou duas vezes, mas desde 2011 perdeu todas as cinco seguidas, incluindo Austrália e Paris. Fato extremamente importante de se observar é que o suíço não perde um game de serviço desde o jogo duro na primeira rodada de Halle contra Philipp Kohlschreiber. Desde então, ninguém mais conseguiu quebrá-lo. Federer tenta aumentar seu recorde e chegar a 37 semis de Slam. Seu histórico contra adversários top 20 em Wimbledon é de 22-6. Notável. Simon busca sua primeira.

Aliás, o dia será de duelo Suíça x França, já que também jogam Stan Wawrinka e Richard Gasquet. A Federação Internacional se apressou e informa que a última vez que dois franceses ganharam de dois suíços num mesmo Slam foi em Roland Garros de 1986. Este aliás pode ser o grande jogo do dia. Eles só duelaram duas vezes: Gasquet venceu em 2006 e Wawrinka, num duríssimo duelo de cinco sets em Roland Garros de 2013. Campeão do saibro, Stan tenta sua primeira semi em Wimbledon, algo que Gasquet já conseguiu em 2007. Os dois têm números equilibrados em quase tudo, mas se o suíço tem dois troféus de Slam. Richard tem um histórico melhor de triunfos em Wimbledon (24-9 contra 17-10). Uma vitória de Gasquet será notadamente elogiável, já que ele vem de grandes atuações diante de Dimitrov e Kyrgios.

O outro grande favorito do dia é, claro, Andy Murray, que venceu todos os seis sets que disputou na quadra dura contra Vasek Pospisil. O canadense ainda por cima vem desgastado de jogos duros em simples e duplas – foi eliminado ao lado de Jack Sock na segunda-feira e não defenderá o título de 2014 -, elementos que colocam uma distância abismal entre os dois. O canadense teria de jogar ao melhor estilo Brown ou Anderson para ter qualquer chance: risco total. E ainda contar com alguma tensão do britânico, que afinal já cedeu dois sets no torneio. Sejamos justos com Murray: está em grande temporada, com vice na Austrália e semi em Paris, podendo adicionar outra semi agora.

Emoção
E as quartas de final femininas foram emocionantes. Serena Williams de novo reagiu em cima de Vika Azarenka, mas a partida teve de tudo e agradou demais. A bielo-russa tomou o domínio na metade do primeiro set e colocou Serena na parede quando teve um break-point no quinto game do segundo set. Aí perdeu o saque em seguida e houve aquele misto de Vika desabando e Serena se empolgando. O terceiro set viu de tudo. Serena teve uma bola para 4/0, Vika lutou e desperdiçou break-point para sobreviver no game final.

Cheio de altos e baixos, o jogo mais contundente de Maria Sharapova a levou novamente à semi de Wimbledon, torneio que ganhou há 11 anos em cima da mesma Serena. A russa de certa forma correu por fora até aqui no torneio, sem chamar demasiadamente a atenção e sem atuações espetaculares. A vitória sobre Coco Vandeweghe poderia ter sido mais simples, porém não se pode tirar os méritos da americana, que lutou muito o tempo inteiro e não se intimidou, buscando sempre os pontos. Bom ter mais uma tenista de atitude brigando nas rodadas finais.

Já Aga Radwanska suou para ganhar de Madison Keys e tenta aproveitar a abertura dada por uma chave muito propícia. Quem sabe, seja a hora ideal para recuperar a confiança de vez, algo que perdeu claramente ao longo do primeiro semestre, talvez por tentar mudar seu estilo de jogo. O teste de quinta-feira é ótimo: a valente espanhola Garbine Muguruza, outra que anda se saindo bem em todos os pisos sem jamais deixar de buscar a linha. Esta sólida e pode muito bem se aproveitar do saque instável da polonesa.

Adeus
E os mineiros desta vez ficaram nas quartas de final. Bruno Soares e Alexander Peya não se entenderam tão bem hoje e isso foi fatal diante dos fortíssimos Jamie Murray e John Peers, que contaram com torcida maciça. Já Marcelo Melo e Ivan Dodig permitiram virada dos experientes Philipp Petzschner e Jonathan Erlich. Na grama é assim, qualquer vacilo no saque é muito difícil de recueprar, ainda mais nas duplas, em que os pontos são notadamente curtos.

Eu também me despeço de Wimbledon hoje e retomo a cobertura logo cedo, já de volta a São Paulo, com as quartas masculinas. Portanto, não conseguirei liberar mensagens de vocês nas próximas horas. Sorry, mates!


Por José Nilton Dalcim - 6 de julho de 2015 às 12:44

Os dois mais belos e eficientes backhands de uma mão do circuito atual irão travar batalha direta por uma honrosa semifinal em Wimbledon. É até curioso que Stan Wawrinka e Richard Gasquet, que estão há tempo tempo no topo do ranking, tenham se cruzado apenas duas vezes no circuito, a primeira num longínquo 2006 e a outra há dois anos, no saibro de Paris e num célebre duelo de cinco sets.

Wawrinka teve mais dificuldade do que eu imaginava com o belga David Goffin por duas razões que se complementam: o suíço errou da base bem mais do que vinha fazendo até aqui e Goffin se saiu muito bem, conseguindo mesclar mais a velocidade do jogo e se aventurando bem na rede. Merecia até ter levado um set. Esta será a segunda tentativa de Stan ir à penúltima rodada de Wimbledon.

Gasquet foi extraordinariamente bem contra Nick Kyrgios até chegar a hora de vencer o jogo. O francês trabalhou sempre com bolas muito profundas, incluindo o saque, e seu backhand fez maravilhas tanto com o venenoso slice como com as paralelas mágicas. Na primeira chance de ganhar o jogo, no final do tiebreak do terceiro set, veio o fantasma de 2014 (quando perdeu 9 match-points). Deixou escapar duas chances e destruiu a raquete de frustração.

O australiano não merecia ganhar desta vez. Dono de inquestionável qualidade, brincou com o público e esqueceu de jogar tênis. Pior. Atitude horrível ao entregar o terceiro game do segundo set. Estava tão desfocado que ao perder a vantagem que tinha no quinto game da terceira série, demorou para perceber que era hora de sentar na cadeira. Ainda assim, com advertência por palavrão e reclamações sucessivas, esteve com o saque na mão para levar novamente o jogo ao quinto set. Ainda falta a Kyrgios entender o limite entre a descontração e a seriedade, algo que por vezes acontecia com Novak Djokovic.

Sufoco inesperado
E Nole terá de fazer inesperada hora extra e voltar à quadra às 9h desta terça-feira para disputar o quinto set diante de um até então inspirado Kevin Anderson. O sul-africano fez por merecer a vitória nos dois tiebreaks disputados – poderia até ter vencido antes, já que abriu quebra para 3/1 -, destacando-se aí saque excelente, vários ralis vencidos e excelente transição até a rede. Só que não ficou simples assim. O número 1 do mundo reagiu dignamente, aproveitando a queda de aproveitamento do primeiro serviço, e tudo indica que levará também o quinto set.

Não houve confirmação oficial, mas me passou pela cabeça desde o começo do quarto set que Djokovic jamais aceitaria mudar para a Central, onde o teto teria de ser fechado, tornando o jogo ainda mais veloz. Ideia pouco inteligente diante de um grande sacador. Quem vencer, vai pegar o croata Marin Cilic, que ganhou após quatro sets de Denis Kudla sem muito a acrescentar.

Enquanto isso, Roger Federer cumpriu à risca seu papel e atropelou o espanhol Roberto Bautista, cuja intimidade com a grama ficou bem clara. Será a 13ª presença do suíço nas quartas de Wimbledon (só fica atrás das 14 de Jimmy Connors), onde soma agora 77 vitórias e apenas nove derrotas (Connors chegou a 84-18). Também foi o 140º triunfo em 159 partidas sobre a grama na carreira.

E incrível: o adversário não será Tomas Berdych, que parecia muito mais perigoso na grama, mas Gilles Simon. O francês marcou sua quinta vitória nos últimos sete jogos contra Berdych com um jogo tão agressivo, mostrando tanta agilidade e precisão, que talvez nem seja no fundo uma boa notícia para Federer. A bem da verdade, o tcheco pediu atendimento para o que pareceu ser um problema no tornozelo e se movia mesmo com mais lentidão. Simon chega à apenas sua segunda quartas de Slam, repetindo Austrália de 2009, e sempre deu trabalho a Federer, apesar do placar de 5-2 para o cabeça 2.

Já o dono da casa Andy Murray vai pegar a boa surpresa Vasek Pospisil. O duelo contra Ivo Karlovic não fugiu à regra e exigiu máximo de concentração e paciência do escocês, que pelo segundo jogo seguido deixou escapar um set. Mas nada que assuste. O canadense se aproveitou de um buraco oportuno no seu quadrante e mostrou novamente poder de reação, cabeça fria e jogo bem adequado à grama. Faz tempo que se espera campanhas mais sólidas de Pospisil. Endurecer contra Murray, no entanto, será muito mais difícil.

Meninas jogam quartas
No feminino, rodada completa e praticamente sem surpresas, o que reserva ótima perspectiva para as quartas desta terça-feira. O duelo de irmãs foi básico e Serena Williams terá de rever Vika Azarenka, que está muito bem. Quem devolver melhor, pode levar. Já Maria Sharapova faz sua campanha até certo ponto discreta e escapou de Lucie Safarova, superada nos detalhes por CoCo Vandeweghe, única não cabeça que sobrevive.

Do lado debaixo da chave, Aga Radwanska confirmou contra Jelena Jankovic num jogo um tanto feio, e precisa tomar cuidado com Madison Keys, 20 anos, que joga na base da empolgação e busca segunda semi de Slam da temporada. Já Garbine Muguruza é a salvação do tênis espanhol. Não sai muito de trás, mas é das que gostam de bater na bola. Carol Wozniacki não aguentou. A adversária será a suíça Timea Bacsinszky, em ótima fase ascendente. Atrapalhou-se toda com Monica Niculescu até achar um jeito de virar.

Mineiros avançam
Completando a longa rodada de segunda-feira, dois excelentes resultados para o Brasil nas duplas. Bruno Soares e o austríaco Alexander Peya tiraram com muito esforço os veteranos Daniel Nestor e Leander Paes, enquanto Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig tiraram em grande estilo os campeões de 2012 Jonathan Marray e Frederik Nielsen.

Tal qual aconteceu em Paris, mais uma vitória e os mineiros irão duelar entre si na semi, o que seria incrível. Bruno pega Jamie Murray/John Peers, enquanto Melo tem Philipp Petzchner/Jonathan Erlich. Temos muita chance.

Toda mídia
Mesmo com tantos jogos acontecendo, alguns imperdíveis, há jornalistas que não tiram o pé da sala de imprensa. E não são poucos. Como grande parte tem em sua mesa de trabalho a imagem de qualquer partida que queira assistir, eles preferem se dividir entre a tela de TV e as quatro salas principais de entrevistas para executar seu trabalho.

Não posso deixar de lhes dar razão. Assistir aos jogos in loco exige perna, resistência ao sol e preterir as demais partidas. O deslocamento entre os estádios é demorado, sem falar que você sempre precisa aguardar a troca de lados para subir ao assento. Nesta segunda-feira cheia, por exemplo, optei por começar com Gasquet x Kyrgios e isso significou ver muito pouco de Serena e de Sharapova. Aí fui acompanhar a dupla do Bruno e perdi boa parte dos primeiros sets de Murray e Wawrinka.

Enquanto isso, lá na confortável sala de imprensa, ar condicionado e bebidas gratuitas, o jornalista tem um arsenal incrível para trabalhar. O sistema interno de TV mostra todas as quadras, sem exceção, e a um simples toque você muda para qualquer jogo. Mais ainda. Tudo é guardado em teipes e você pode rever qualquer partida do dia. As entrevistas da salas 1 e 2 são transmitidas ao vivo.

O mais espetacular, no entanto, é a disponibilização de estatísticas em tempo real. E bem mais complexas do que aquelas que costumamos a ver na TV comercial ao final de sets ou de um jogo. Além do óbvio, um item se destaca: se chama ‘estratégia’ e dá coisas como aproveitamento de saque-voleio, voleios winners, aproveitamento de cada golpe de base. Por fim, ainda estão é possível acessar os resultados de todas as edições do torneio desde 1877, com chaves completas a partir da Era Profissional.


Por José Nilton Dalcim - 5 de julho de 2015 às 16:59

Depois de um dia descanso – é antes de tudo uma tradição da Igreja Anglicana se dedicar às orações e ao espírito aos domingos -, Wimbledon retoma ação com todas as oitavas de final das duas chaves, o que coloca 16 partidas de simples nas seis principais quadras do complexo, exatamente as que têm ‘desafio eletrônico’ e arquibancadas maiores.

Em que pese o fato de que todo mundo ganhou três jogos para chegar até aqui, nem todos os duelos chamam a atenção. Assim, resolvi agrupar as partidas em quatro divisões. Discordem e palpitem à vontade:

Potencialmente interessantes
Murray x Karlovic – Escocês ganhou todas as cinco, incluindo uma em Wimbledon, mas o croata não dá ritmo e joga no risco total. Se o saque entrar, jogo pode ser longo.
Gasquet x Kyrgios – Foi um duelo épico em 2014, quando australiano salvou 9 match-points e surgiu para o circuito. Gasquet tem o slice para incomodar.
Radwanska x Jankovic – Vencedora pode colocar um pé na final. Polonesa ganhou as 5 na dura e perdeu as 2 no saibro, portanto é favorita.
Wozniacki x Muguruza – Dois últimos duelos no sintético foram bem duros. Espanhola arrisca mais, Wozniacki corre muito e tenta pela 5ª vez enfim chegar às quartas em Wimbledon.

Podem ser emocionantes
Berdych x Simon – Francês lidera por 6-4, mas será primeiro confronto na grama. Duelo de bolas retas. Tcheco tem mais saque.
Pospisil x Troicki – Primeiro encontro, dois jogadores com potencial e bem adaptados à grama. Será que o canadense um dia vai?
Sharapova x Diaz – Russa massacrou na Austrália, mas cazaque fez oitavas em Wimbledon do ano passado.
Vandewaghe x Safarova – Americana já tirou duas cabeças. Safarova tem estilo perfeito para grama. Nunca se enfrentaram.
Azarenka x Bencic – Bielo-russa vem mostrando jogo mais agressivo. Suíça venceu dois bons jogos até aqui (Pironkova e Mattek-Sands).

Não prometem emoção
Serena x Venus – São 10 títulos só de simples em quadra, mas as irmãs nunca jogam bem entre si. Uma pena. Tomara que mudem.
Federer x Bautista – Se o suíço jogar o básico, leva rapidamente. Espanhol tem mínimo currículo na grama.
Djokovic x Anderson – O sul-africano é bom tenista e seu jogo combina com a grama, mas ele sempre treme contra os grandes.
Wawrinka x Goffin – Belga tem poucos recursos na grama e não vai sair da base. Aí é presa fácil para o suíço.

Poucos vão notar
Cilic x Kudla – Croata enfrenta o 105º do ranking que só ganhou seis jogos de Slam até hoje.
Keys x Govortsova - Aos 20 anos, americana subiu de status após semi da Austrália e é favorita contra 122ª do ranking.
Bacsinszky x Niculescu – Não se cruzam desde 2011, romena e seus slices têm 4-1.

Ah, e os mineiros têm duelos duríssimos na tentativa de ir às quartas: Soares e Peya encaram os veteraníssimos Paes e Nestor, enquanto Melo e Dodig enfrentam os campeões de 2012 Marray e Nielsen.